domingo, 30 de agosto de 2020

Um ano após vazamento de óleo no Nordeste, nenhum responsável foi identificado


Há um ano, as praias do Nordeste foram tomadas por cinco mil toneladas de óleo. Um ano depois, a Marinha do Brasil finalizou a primeira etapa da investigação, mas não chegou a nenhuma conclusão sobre os possíveis responsáveis pela tragédia ambiental.

De acordo com o Centro de Comunicação Social da Marinha, "a investigação confirmou que o óleo é de origem venezuelana, o que não significa que ele tenha sido lançado por navios ou empresas daquele país".

O dano chegou a nove estados do Nordeste e dois do Sudeste – Rio de Janeiro e Espírito Santo. O número de municípios atingidos é superior a 130.

O inquérito aponta que o petróleo foi derramado a 700 km da costa brasileira e trafegou submerso por 40 dias. O relatório final da Marinha – responsável pelas investigações – foi encaminhado, na última segunda-feira (24), para a Polícia Federal (PF), que conduz o inquérito criminal.

A PF informou que a investigação continua e que só vai se pronunciar quando os trabalhos forem concluídos. A investigação segue, no entanto, em sigilo.

O modelo Bolsonaro

Para o sociólogo Cristiano Ramalho, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro do Comitê UFPE SOS Mar, a ausência de respostas efetivas no caso do derramamento de óleo compõe um modus operandis do governo federal, tanto para casos de impactos ambientais, e socioambientais, como também para questões de saúde. 

Ele explica que esse modo tem três ações básicas para o funcionamento: negar ou minimizar o fato, acusar grupos considerados antagônicos ao que o governo acredita e, a terceira, é negar o que diz a ciência.

"Embora isso possa parecer para alguns algo de profunda incompetência administrativa, no caso da tragédia do petróleo, o governo federal só veio agir muito tardiamente. Além disso, o governo só acionou – muito parcialmente –, o plano que existia para o enfrentamento de tragédias como essa do petróleo. É possível colocar, como hipótese, que isso seja uma ação planejada, dada a semelhança desses aspectos", diz ele.

Segundo a análise de Ramalho, as tragédias ambientais são, então, vistas como uma forma de "eliminar" o que o governo considera como "atrasado", nesse caso o modo de vida dos pescadores artesanais.

"A não ação significa, na verdade, uma ação deliberada para que essas tragédias possam realmente impactar. Especialmente, nos casos dos incêndios na Amazônia e da tragédia do petróleo, pois os grupos afetados são tidos como 'sem importância' pelo governo federal", diz ele.

A perda da autonomia

O vazamento de óleo matou animais marinhos, poluiu praias e prejudicou mais de 300 mil pescadores. A pescadora Maria Vale, mora no Ceará, na Comunidade de Jardim Fortim, onde vivem cerca de 600 pessoas. Ela é uma das muitas pessoas afetadas pelo derramamento de óleo, ocorrido no dia 30 de agosto de 2019, e conta que a situação dela e de outros pescadores não é muito diferente do que era há um ano. 

"Não tivemos mais venda do nosso marisco, do nosso peixe. Tudo ficou ou ainda continua muito difícil. Nós, mulheres, perdemos ou estamos perdendo a nossa autonomia financeira, pois não temos mais a nossa renda, já que não temos o peixe e o marisco para vender. Assim, não temos acesso a um dinheiro nosso", diz ela. 

Dona Maria afirma que o único apoio que eles tiveram, na comunidade, foi das ONGs locais, que contribuíram com ações de solidariedade. No entanto, desde o aparecimento das primeiras manchas, nenhum apoio foi fornecido por parte do governo federal. "Os benefícios chegaram para uma minoria de trabalhadores. Nós não tivemos acesso", conta ela. 

A queda de 80% na renda 

O rio Jaguaribe, de onde Dona Maria tirava seu sustento, alimentava ela e mais nove pessoas. Dos 600 moradores da comunidade, cerca de 450 foram diretamente atingidos. O restante não vive, exclusivamente, da pesca. Ela conseguia entre 800 e 1.000 reais por mês, com a venda de peixes e mariscos, antes do crime ambiental. Agora, consegue, no máximo, 100 reais. 

"Para você ter uma ideia de como não está fácil. Como é difícil para a gente ver os nossos filhos sem ter alimento. Amanhecer o dia e a gente não ter o que dar como café da manhã, não ter uma merenda. Não é fácil, porque muitas de nós somos mães e pais dos nossos filhos. Nós que cuidávamos da casa em todos os sentidos e, hoje, precisamos de ajuda até mesmo para nos alimentar", lamenta.

Sobre o futuro, Dona Maria diz que acredita na força da sua comunidade em resistir e quanto ao governos federal e local, sente que eles não dão a devida atenção ao que ocorreu.

"Esse nosso governo faz de conta que isso não foi nada. Esse foi um dos maiores crimes ambientais que eu já vi acontecer na minha vida e os governos não estão nem aí para a gente, como se fôssemos nada. Mas eles sabem que somos nós pescadores que colocamos 70% do pescado fresco na mesa do brasileiro, ainda assim, eles não vão fazer nada . Quem precisa fazer algo pela gente somos nós mesmos". 

Os impactos

Gilberto Rodrigues, professor de ecologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Laboratório de Avaliação, Recuperação e Restauração de Ecossistemas Aquáticos, reforça que esse foi o maior impacto ambiental, por derramamento de óleo, causado no Brasil em termos de extensão.

"Essas manchas atingiram desde o Sudeste, no Espírito Santo, Rio de Janeiro se estendendo até o Nordeste brasileiro. Os prejuízos ambientais são muitos: teve uma expressão muito grande nos estuários, nos rios, nos manguezais, nas praias, nos corais de recifes. Essas manchas chagaram a comprometer muitos desses ecossistemas, a saúde das pessoas que vivem nesses ambientes costeiros também foi impactada, porque foi alarmante o número de pessoas que tiveram contato com esse óleo", diz ele.

Rodrigues destaca que os impactos socioeconômicos são sentidos até os dias atuais entre os pescadores artesanais, principalmente, os de Pernambuco, da Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia, onde muitas pessoas dependem da atividade. Para além disso, ele afirma que o caso se agravou com a pandemia do novo coronavírus.

"A Covid fez com que essas populações, que já tinham sido atingidas, que já vinham sido acometidas por esse grande dano ambiental passassem por situações ainda mais paupérrimas. Um dos maiores prejuízos que temos para a costa do Brasil foi, na verdade, a falta de comprometimento do governo federal em não ter acionado o plano de contingência que prevê esse derramamento de óleo no litoral brasileiro. Se não tivesse ocorrido essa falha do governo federal, a gente poderia ter minimizado muito esses impactos". 

Em nota, no portal da Marinha, a instituição afirma que "o episódio do derramamento só reitera, de acordo com a Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), a necessidade das expertises nacionais unirem-se em torno do melhor conhecimento científico disponível sobre o assunto, 'para o desenvolvimento de ferramentas que, unidas a um sistema de monitoramento dos navios que transitam nas águas jurisdicionais brasileiras e proximidades, possam impedir ocorrências similares no futuro."

Histórico

30/08/2019 – Primeiras manchas aparecem na Paraíba, nas praias de Tambaba e Gramame, no município de Conde, e na Praia Bela, em Pitimbu.

02/09/2010 – Manchas são registradas em Ipojuca e Olinda, em Pernambuco.

7/9/2019 – O óleo atinge praias do Rio Grande do Norte.

16/9/2019 – Poluição é registrada no Maranhão pela primeira vez.

21/9/2019 – Manchas de óleo chegam ao litoral do Ceará. Substância tóxica é encontrada por banhistas no município de Paracuru.

25/9/2019 – Manchas chegam a Sergipe, e a praia de Ponta dos Mangues, em Pacatuba, amanhece coberta de piche.

8/10/2019 – Mancha de óleo atinge a foz do rio São Francisco em Alagoas.

11/10/2019 – Poluição chega à Bahia.

16/10/2019 – Mancha gigante de óleo surge na praia de Porto de Pedras, em Alagoas, e ameaça santuário de peixe-boi.

7/11/2019 – Poluição é registrada pela primeira vez na região Sudeste. A Marinha do Brasil informa aparecimento de fragmentos de óleo na praia de Guriri, em São Mateus (ES).

24/08/2020 –  A Marinha, responsável pelas investigações, conclui o relatório, sem apontar responsáveis, e o encaminha para a Polícia Federal (PF), que conduz o inquérito criminal. A investigação segue em sigilo.

Fonte: Brasil de Fato.

Foto:  Felipe Brasil/ Fotos Públicas (Ações para retirada de óleo na Costa dos Corais em Alagoas).

Infográfico: Folha de São Paulo

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Pesquisa de opinião: Atividade pesqueira durante a pandemia do coronavírus em Alagoas.

O Laboratório de Investigação e Manejo da Pesca (IMAP) e o Laboratório de Carcinologia (LabCarci) da Universidade Federal de Alagoas em parceria com a Cardume Socioambiental & Comunicação estão realizando um projeto de pesquisa no intuito de registrar e compreender como a pesca artesanal costeira alagoana tem sido afetada pela pandemia do coronavírus.



Se o senhor ou a senhora for  trabalhador da pesca , o convidamos para participar, como voluntário (a), desta pesquisa. Para participar basta clicar nas respostas, será rápido!

Para participar da pesquisa de opinião basta clicar no link abaixo:

https://forms.gle/7nQrZfmbc9yfAxeM8

São 15 perguntas de múltipla escolha, dura menos de 2 minutos, e sua contribuição será muito  importante para gerarmos conhecimento e aprendizado para futuras ações baseadas no que estamos passando agora.
Reforçamos que as informações individuais obtidas são sigilosas, os participantes não serão identificados os resultados da pesquisa terão tratamento ético adequado.

Ao clicar no link e responder ao questionário abaixo você estará concordando em participar desta pesquisa, autorizando a divulgação e a publicação dos resultados e análise das informações obtidas em publicações e eventos de caráter científico.

Obrigado por sua participação!

IMAP - Laboratório de Investigação e Manejo da Pesca
LabCarci - Laboratório de Carcinologia
Cardume Socioambiental & Comunicação

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Vídeo de 2016 mostra o navio Stella Banner quase passando por cima de pescadores de Camocim!

Ao revermos um vídeo de 2016 sobre um caso real de risco de um bote bastardo que estava fundeado na rota de navegação de navios de longo curso, na costa do Maranhão, não é que parece ser o navio Stella Banner que foi alijado dias atrás?


O vídeo, compartilhado conosco pelo Mestre Rincon mostra claramente um dos riscos constantes no dia a dia a bordo de uma embarcação pesqueira a vela, como é o caso dos botes bastardos de Camocim.

Neste caso, o risco de abarroamento por "navios grandes" ou "coreanos" como estes bravos pescadores chamam os navios de cabotagem e os navios de longo curso.

Em 2016, ano deste vídeo, eram cerca de 80 botes que atuavam desde o litoral oeste do Estado do Ceará até o oeste do litoral maranhense, em profundidades de até 150 metros.

De propulsão a vela, trabalham na pesca de linha de mão (guaiuba, sirigado, pargo e cavala), quando recolhem as velas, largam o ferro (ancora) e praticam a pesca, tornando o risco ainda maior pela demora para recolher o ferro e armar a vela para saírem da posição.

Estas pescarias duram de 12 até 30 dias a depender da produção alcançada. As área de pesca, do Ceará até Maranhão podem estar até 3-4 dias de navegação partindo de Camocim.

O fato dos botes bastardos não possuírem rádio e os navios cargueiros terem tripulação geralmente estrangeira que desconhecem este fato acentua ainda mais o risco.

Sem falar que muitas vezes, os navios estão em piloto automático e as embarcações de madeira, sem luzes adequadas de navegação e um defletor de radar, não são avistadas pelo radar.

Camocim possui hoje, segundo o Iphan, a maior frota pesqueira de vela latina (velas que permitem os botes bastardos a navegarem a contra-vento) do planeta em atividade.

É o passado confrontando o futuro, pondo em risco de vida estes bravos pescadores artesanais que mantém a pesca como seu meio de vida tradicional.

Texto: Mauricio Düppré

terça-feira, 5 de maio de 2020

Covid-19: O confinamento fez silêncio nos oceanos e isso é “uma oportunidade única”

A pandemia, o isolamento social e o bloqueio implementado em todo o mundo permitiram uma mudança positiva a nível ambiental. O ar está mais limpo, já não existe tanto ruído, as fábricas pararam e os transportes também. Tal como em terra, no mar, o ambiente também mudou: instalou-se um silêncio. O ruído dos navios e dos outros transportes já não se faz ouvir e a fauna marítima está mais calma.



Os observatórios aquáticos, que recolhem dados sobre o aspeto físico, químico, biológico e geológico dos oceanos, oferecendo recursos científicos e técnicos que permitem que os investigadores recebam dados em qualquer lugar do mundo, administrados pela Ocean Networks Canada, localizados perto de Vancouver, no Canadá, recebem os sinais sonoros subaquáticos em tempo real. O oceanógrafo e professor David Barclay, da Universidade Dalhousie, no Canadá, e os seus colegas, analisaram as gravações subaquáticas em dois locais perto do porto, encontrando uma diminuição significativa no ruído dos navios. “Normalmente, sabemos que o ruído subaquático afeta os mamíferos marinhos”, explica o oceanógrafo.

Num dos sítios onde se recolheram as ondas sonoras, Barclay confirma que o bloqueio teve influência no ruído do mar. “Houve uma queda consistente no ruído desde o primeiro dia de janeiro, o que representou uma alteração de quatro ou cinco decibéis no período até ao dia 1 de abril”. Durante este período de tempo, os dados do porto mostraram uma queda de cerca de 20% nas exportações e importações.

Enquanto isso, no segundo local, localizado em águas mais profundas, a cerca de 3 000 metros de profundidade e a 60 quilómetros das rotas marítimas mais próximas, os níveis de ruído diminuíram cerca de 1,5 decibéis. “Isto dá-nos uma ideia da escala a que esta redução no ruído pode ser observada”, disse o professor Barclay ao The Guardian.

A redução da presença dos navios no oceano torna possível descobrir quais os efeitos que este período pode ter na vida marinha. Barclay compara esta época com uma “experiência humana gigante”.

“Estamos perante um momento de verdade”, resume, ao The Guardian, Michelle Fournet, investigadora em acústica marinha na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, que estuda baleias jubarte no Alasca. “Temos a oportunidade de ouvir e esta oportunidade não aparecerá novamente nas nossas vidas”.

A última vez que os oceanos estiveram tão silenciosos foi no seguimento dos atentados do 11 de setembro, quando houve uma diminuição nos movimentos dos navios e dos aviões. Nesta altura, os cientistas puderam concluir que o ruído dos navios está intimamente ligado com o stress crónico das baleias. ” [Atualmente] temos uma geração de jubarte que nunca conheceram um oceano calmo”, confirma a investigadora Fournet.

O final de abril costumava ser a época de maior movimento de navios cruzeiro, no porto de Vancouver, mas a pandemia da Covid-19 impediu esta afluência.

“O que sabemos sobre as baleias no sudeste do Alasca é que, quando fica barulhento e os barcos passam por elas, elas ‘chamam’ menos” disse Fournet. “Espero que o que possamos ver seja uma oportunidade para as baleias terem mais conversas e mais complexas.”

Na Europa, também existem especialistas a tentar descobrir qual o impacto que este bloqueio está a ter nos oceanos. Nathan Merchant, especialista em bioacústica no Centro de Ciências do Ambiente, Pescas e Aquacultura do governo do Reino Unido (Cefas) disse: “Estamos à espera para ver o que nossos registos dizem”. O Cefas tem aparelhos para detetar ruído em quatro locais: dois no Mar do Norte, um em Plymouth e outro perto de Bangor. “Veremos como o coronavírus está a afetar o ruído subaquático em toda a Europa. Portanto, este trabalho fora do Canadá será o primeiro de muitos”, disse ele. “Temos esta experiência natural em andamento. É claro que é uma crise terrível, mas é melhor analisarmos os dados para descobrir que efeito está a ter”.

Fonte: SAPO
Imagem: Mauricio Düppré

terça-feira, 10 de março de 2020

Após duas semanas, equipes se preparam para retirar óleo de navio encalhado na costa do Maranhão

Após duas semanas encalhado no litoral do Maranhão, cerca de 4 mil toneladas de óleo do navio Stellar Banner devem ser retirados a partir dessa terça-feira (10). A embarcação está cercada de navios de apoio e de equipes prontas para agir em caso de vazamento de óleo ou de minério de ferro.

Depois dessa operação, será apresentado um plano de retirada de parte das quase 300 mil toneladas de minério de ferro. A ideia é que o navio fique mais leve para sair do banco de areia. Um conserto provisório deve ser feito para que o Stellar Banner seja rebocado até um estaleiro para o conserto definitivo.



Monitoramento

Do Terminal Portuário da Madeira em São Luís, local onde o navio foi carregado com minério de ferro, até onde ele está encalhado, são seis horas de lancha. Para a operação de monitoramento, a Marinha do Brasil mobilizou 255 militares na operação e dois navios de pesquisa e monitoramento.

Um dos navios usados é o Garnier Sampaio que monitora as condições do mar e do tempo. A cada quatro horas, os militares recolhem uma amostra de água para análise das condições da água e verificar se há vazamentos.

"Desde que chegamos aqui, não encontramos nenhum tipo de poluição hídrica ou de minério de ferro", afirma Oliveira Santos, comandante do navio Garnier Sampaio.

Além disso, o Ibama também realiza o monitoramento da área por meio do Poseidon, um avião equipado com sensores de calor e laser que dão o alerta ao sinal de qualquer mancha na água e identifica o feixe de luz na água. Drones e câmeras subaquáticas também estão sendo usados no local.

A área afetada no casco do navio é de cerca de 25 metros, segundo o chefe de Estado-Maior do Comando do 4º Distrito Naval, Robson Neves Fernandes, nessa quarta-feira (4), em São Luís. O representante da Marinha também informou que seis mergulhadores têm feito inspeções no casco da embarcação de 340 metros de comprimento.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, veio a São Luís acompanhar o trabalho da Marinha e do Ibama, e reforçou que não há vazamentos de óleo no oceano. "Já não há óleo no mar. O que chegou a ser detectado foi uma pequena quantidade de óleo nos primeiros dias, que já foi dissipado e já não há mais detecção de óleo no mar", enfatizou.

Ricardo Salles descartou qualquer comparação com as manchas de óleo que atingiram o litoral do nordeste, Espirito Santo e Rio de Janeiro no fim do ano passado. Para o ministro, são duas situações com circunstâncias e proporções completamente distintas.

Tripulação

De acordo com a Polaris Shipping, dos 20 tripulantes Stellar Banner, 12 são coreanos são coreanos e oito são de nacionalidade filipina. Após o resgate, seis estão ainda na região ajudando na operação de salvatagem e seguindo as instruções da Capitania dos Portos.

A empresa afirmou que os outros 14 tripulantes da embarcação já estão em terra firma e devem ser repatriados após entrevistas com autoridades em São Luís.

Segurança nos tanques
Na sexta-feira (28), o Ibama havia verificado o vazamento de 333 litros de óleo no mar e o poluente havia se espalhado por uma área de 0,79 km². No sábado (29), o instituto afirmou que não visualizou mais as manchas de óleo encontradas anteriormente.

Técnicos também trabalharam para vedar ainda mais os tanques de combustível e reforçar as travas dos compartimentos de carga, onde está o minério. O navio hidroceanográfico ‘Garnier Sampaio’, da Marinha, também está na área para reforçar as operações.

Inquérito

A Superintendência da Polícia Federal (PF) no Maranhão informou que abriu um inquérito para apurar possível crime ambiental no acidente do Stellar Banner. Antes, a Marinha já tinha informado que instaurou um inquérito administrativo para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades sobre o caso.



Buracos na estrutura do Stellar Banner

O navio Stellar Banner tem capacidade para 300 mil toneladas de minério de ferro e possui 340 metros de comprimento, o equivalente a quase quatro campos de futebol. A embarcação foi abastecida pela Vale e saiu do Terminal Portuário da Ponta da Madeira, em São Luís, com destino a um comprador em Qingdao, na China.

Segundo a Capitania dos Portos, o navio apresentou ao menos dois locais com entrada de água nos compartimentos de carga por volta das 21h30 desta terça (25) e começou a afundar no Oceano Atlântico. Uma fissura no casco pode ter sido a causa. O comandante do navio emitiu um alerta de emergência via satélite e levou a embarcação para um banco de areia.

Equipes da Capitania dos Portos e da Vale foram encaminhadas para o local e cerca de 20 tripulantes foram evacuados. A empresa Polaris Shipping, proprietária do navio, informou que todos os membros da tripulação estão seguros e que está realizando inspeções para evitar maiores danos.

Fonte: G1
Imagem 1: Ibama
Imagem 2: G1

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Colegiado debate na terça impacto de manchas de óleo para pesca e ambiente

A comissão mista da medida provisória que instituiu o pagamento de auxílio emergencial a pescadores afetados pelas manchas de óleo no litoral do Nordeste e parte do Sudeste a (MP 908/2019) promoverá uma audiência pública na terça-feira (18), às 14h30. O objetivo é debater os impactos que as manchas de petróleo causam ao ambiente marinho e os desdobramentos para a atividade da pesca. O debate está marcado para o Plenário 7 da Ala Senador Alexandre Costa.

As manchas começaram a surgir em agosto do ano passado em várias praias da costa brasileira, principalmente na região Nordeste, causando prejuízos para a pesca e para o turismo. Para amenizar o problema, o governo editou a medida provisória, instituindo o auxílio emergencial pecuniário para os pescadores profissionais artesanais inscritos e ativos no registro geral da atividade pesqueira. Para ser beneficiado, o pescador precisa ser domiciliado em um dos municípios afetados pelas manchas de óleo.

A comissão mista é presidida pelo deputado Raimundo Costa (PL-BA) e tem o senador Rogério Carvalho (PT-SE) como relator.

Foram convidados para a audiência:

. Secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado de Pernambuco, Dilson Peixoto

. Coordenador do Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais (LabMAM) da PUC/RJ, Renato da Silva Carreira

. Professora e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, oceanógrafa Ana Carolina Sala

. Representantes da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) e do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conepe)

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: http://bit.ly/audienciainterativa
Portal e-Cidadania: senado.leg.br/ecidadania

Fonte: Agência Senado

As postagens mais populares da última semana: