sábado, 31 de julho de 2010

Pesquisa contasta a redução de fitoplâncton nos oceanos

A quantidade de fitoplâncton nos mares tem caído no último século. A queda no conjunto de organismos aquáticos microscópicos com capacidade de fazer fotossíntese foi destacada na edição atual da revista Nature.

Segundo o estudo, a queda é global e ocorreu por todo o século 20. O fitoplâncton forma a base da cadeia alimentar marinha e sustenta diversos conjuntos de espécies, do minúsculo zooplâncton a peixes, aves e grandes mamíferos marinhos.

“O fitoplâncton é o combustível que move o ecossistema marinho e esse declínio afeta tudo o que está acima na cadeia alimentar, incluindo os humanos”, disse Daniel Boyce, da Universidade Dalhousie, no Canadá, principal autor do trabalho.

Boyce e colegas usaram um grande conjunto de dados oceanográficos históricos e atuais em análise que verificou um declínio médio de 1% na quantidade de fitoplâncton nos mares do mundo. A tendência, segundo eles, é particularmente bem documentada no hemisfério Norte, onde a queda foi de 40% com relação aos valores encontrados na década de 1950.

Segundo os pesquisadores, a queda de longo prazo estaria relacionada com as mudanças climáticas globais, incluindo o aumento nas temperaturas das superfícies oceânicas, especialmente nas áreas próximas ao Equador, e alterações nas condições oceanográficas.

O estudo de três anos analisou dados desde 1899. As maiores quedas nos níveis de fitoplâncton ocorreram nas regiões polares e tropicais e em oceanos abertos, onde ocorre a maioria da produção global desse tipo de biomassa.

O fitoplâncton precisa de luz solar e de nutrientes para crescer. E os oceanos, quando mais quentes, tornam-se mais estratificados, o que limita a quantidade de nutrientes que se deslocam das águas mais profundas para a superfície.

As temperaturas mais elevadas, de acordo com o estudo, poderiam estar contribuindo para tornar os oceanos tropicais ainda mais estratificados, levando a uma crescente limitação na disponibilidade de nutrientes e ao declínio do fitoplâncton.

O estudo também concluiu que variações climáticas de grande escala, como o fenômeno do El Niño, afetam a produção de fitoplâncton em uma base anual, ao mudar as condições oceanográficas de curto prazo.

Os resultados contribuem para o crescente aumento de evidências científicas que indicam que o aquecimento global está alterando os mecanismos básicos dos ecossistemas marinhos.

“O declínio do fitoplâncton pelas mudanças climáticas é outra dimensão importante das alterações globais observadas nos oceanos, que já estão estressados pelos efeitos da pesca e da poluição. Novas ferramentas observacionais e uma melhor compreensão científica são necessárias para permitir previsões acuradas da saúde futura dos oceanos”, disse Marlon Lewis, outro autor do estudo.

O artigo Global phytoplankton decline over the past century (doi:10.1038/nature09268), de Daniel Boyce e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com

Fonte: Agência FAPESP


sexta-feira, 30 de julho de 2010


Tsunami por Hokusai (século 19)

Litoral do Brasil está imune a ocorrência de tsunamis


O recente registro de tsunamis próximos ao Brasil, como o que ocorreu no final de fevereiro no Chile e no início do ano, no Haiti, levantou especulações de que o fenômeno também poderia acontecer no litoral do País. Mas de acordo com um dos maiores especialistas internacionais no assunto, é muito remota a possibilidade de que ondas transocenânicas de grande potência e velocidade e com altura superior a 60 metros serem formadas no oceano Atlântico e atingirem a costa brasileira.

“A zona costeira do Brasil não apresenta atividade tsunâmica”, assegura o professor de geologia marinha da Universidade de Barcelona, Miquel Canals. “A região mais próxima do País onde ocorreu uma tsunami recentemente é a do Caribe, onde houve a tsunami no Haiti. E a que apresenta a maior probabilidade de ocorrência de novos tsunamis é o Pacífico”, afirmou ele durante a conferência que apresentou na manhã de hoje (27/07) durante a 62ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realiza até 30 de julho no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.

De acordo com o especialista, tanto a tsunami que aconteceu recentemente no Haiti como a que ocorreu no Chile foi desencadeada por um terremoto de grande magnitude, que é a principal causa de tsunamis, seguida das atividades vulcânicas. Mas ao iniciar em 1990 pesquisas sobre a geomorfologia das ilhas vulcânicas das Canárias, na Espanha, Canals descobriu um terceiro grande responsável por tsunamis que passou a ser associado cada vez mais a esse evento extremo a partir do final de 2004, quando uma tsunami arrasou a Ásia: o deslizamento submarino.

Caracterizado pela movimentação do solo e de rochas abaixo do nível do mar, que iniciam grandes ondas, segundo o geólogo marinho, o fenômeno está associado a outras causas dos tsunamis, como os terremotos, que costumam anteceder muitos deslizamentos submarinos. “A relação entre a atividade vulcânica e terremotos com tsunamis já é bem conhecida. Mas a vinculação do fenômeno aos deslizamentos submarinos está passando a ser melhor compreendida”, avalia.

Efeitos – Segundo Canals, em 2004 foram registrados, somente na Europa, mais de 240 deslizamentos submarinos, cuja capacidade de gerar tsunamis depende do volume de material deslocado e da velocidade com que eles se encaminham em direção ao fundo do mar, entre outros fatores. Já as principais zonas de deslizamentos submarinos no Atlântico estão situadas em ilhas que apresentam maior atividade vulcânica, como a ilha de La Palma, no noroeste das Canárias.

Em simulações realizadas em laboratórios, os pesquisadores apontaram que o deslocamento da face ocidental da ilha poderia provocar um tsunami de proporções gigantescas que arrasaria metrópoles mundiais como Nova York. Entretanto, de acordo com o especialista, esse seria o pior cenário possível. “Tsunamis são inesperados e imprevisíveis. A pergunta que deve ser feita não se eles podem ocorrer, mas quando acontecerão, e detectá-los rapidamente para possibilitar a adoção de medidas de segurança”.

De acordo com ele, ainda não há um sistema de detecção que possibilite prever sempre potenciais tsunamis, mas os cientistas estão aprendendo, cada vez mais, a interpretar seus sinais. No caso do tsunami que atingiu o Chile no final de fevereiro e que resultou em 521 mortos e 26 desaparecidos, uma equipe de pesquisadores europeus e americanos preveram quando ela ocorreria, além de com qual magnitude e duração. Mas os alertas foram ignorados pelas autoridades do país.  

Fonte: Agência FAPESP

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Algas Industriais

Macroalgas merecem mais pesquisa e podem movimentar indústria lucrativa no país, dizem especialistas durante Reunião Anual da SBPC 

Elas são usadas para branquear papel, na composição do envoltório de cápsulas de medicamentos, na fabricação de tintas e de cosméticos e como aditivos na indústria alimentícia, além de alimentos. São ainda fontes de inúmeras substâncias bioativas com aplicações na medicina.

Por essas razões, as algas marinhas mereceriam receber mais atenção no Brasil tanto de cientistas como de investidores. Essa é a opinião de especialistas em macroalgas marinhas que apresentaram o panorama da pesquisa científica nacional sobre esses vegetais durante a 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal.

Yocie Yoneshigue Valentim, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), abriu a mesa-redonda com a história do consumo de algas marinhas no mundo e o papel ecológico dessas plantas na ciclagem de nutrientes no mar, na alimentação da fauna aquática, na proteção contra a erosão do substrato marinho e no fornecimento de abrigo para crustáceos.

“Com mais de 8 mil quilômetros de extensão litorânea, o Brasil guarda no mar um rico patrimônio”, disse Yocie, ressaltando que há muito o que descobrir a respeito das propriedades farmacológicas das macroalgas marinhas.

“As drogas vegetais terrestres são bem conhecidas e em qualquer bairro encontramos uma farmácia verde, com remédios feitos de plantas. Por outro lado, o nosso conhecimento em relação às propriedades medicinais dos vegetais marinhos é incipiente. Como comparação, o Japão movimenta US$ 1 bilhão por ano com o comércio de algas marinhas e seus subprodutos”, disse.

Pioneiro no uso de algas marinhas na alimentação, o Japão é o maior produtor e consumidor mundial da planta, que possui espécies mais ricas em vitaminas C e B do que frutas como a laranja, por exemplo.

“Isso explica por que os japoneses não costumam ter muitos casos de gota, uma doença relacionada à nutrição, por exemplo”, afirmou Yocie. A pesquisadora também salientou o papel importante que as macroalgas desempenham para a biotecnologia por sua capacidade de encapsular células animais e vegetais.

Farmácia marinha
O segundo maior produtor mundial de algas marinhas é o Chile, o que permite traçar uma perspectiva de produção brasileira de algas em escala comercial.

Para tal produção, é importante a fertilização em laboratório, de modo que se preserve o meio ambiente. Essa preocupação foi colocada por outra participante da mesa-redonda, Nair Sumie Yokoya, do Instituto de Botânica de São Paulo, que apresentou parte de seu trabalho de pesquisa.

O trabalho é realizado no âmbito do Projeto Temático “Estudos de bioprospecção de macroalgas marinhas, uso da biomassa algal como fonte de novos fármacos e bioativos economicamente viáveis e sua aplicação na remediação de áreas impactadas (biodiversidade marinha)”, coordenado pelo professor Pio Colepicolo Neto, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), e apoiado pela FAPESP – o projeto integra o Programa Biota-FAPESP.

Segundo Nair, no litoral brasileiro foram catalogadas 779 espécies de algas que habitam desde a região dos mangues até grandes profundidades. Para preservar esses ambientes ela defende a reprodução in vitro e o cultivo das algas comerciais de modo a evitar o extrativismo predatório, que poderia levar até a escassez de algumas espécies.

Já existem no país, segundo Nair, alguns cultivos experimentais cuja reprodução é feita por meio do método de biopropagação. Isso evita a retirada de mudas do ambiente natural.

Segundo Nair, o Brasil tem grande potencial biotecnológico em sua flora marinha, que pode fornecer substâncias com propriedades antitumorais, antibióticas, antiinflamatórias e antitrombóticas. Há também espécies que apresentam grande resistência aos raios ultravioleta, podendo ser utilizadas na prevenção ao câncer de pele.

Essas substâncias são fruto de várias interações a que essas plantas são submetidas no ambiente marinho. “Para desenvolver estratégias de defesa nesse ambiente complexo, as algas produzem um grande número de compostos químicos”, explicou.

“Mesmo com todo potencial, o Brasil utiliza pouco essas riquezas marinhas. Trata-se do terceiro recurso aquático mais usado no mundo, movimentando de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões por ano, mas aqui o uso é incipiente”, disse Nair.

Anticoagulante

Hugo Rocha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi o terceiro participante da mesa-redonda e descreveu sua pesquisa sobre polissacarídeos sulfatados. Trata-se de moléculas encontradas somente nas algas e nos animais, mas as plantas aquáticas os produzem em quantidade e variedade muito maior, o que implica importante potencial farmacológico.

Rocha estudou as fucanas A e B, que são famílias de polissacarídeos sulfatados extraídos principalmente de algas marrons e que demonstraram ser um poderoso anticoagulante. “O principal anticoagulante comercializado hoje, a heparina, foi descoberto na década de 1930 e, desde então, não surgiu nada para substituí-lo”, disse.

Um dos grandes problemas causados pelos anticoagulantes está justamente na potência de seu efeito, impedindo a coagulação do sangue até mesmo em casos extremos, o que resulta em hemorragias.

Diferente da heparina, a fucana mostrou um risco bem menor de hemorragia, mostrando-se um substituto promissor do anticoagulante atual. “Além disso, a heparina é derivada de suínos e bovinos e a sua substituição pela alga representaria uma vantagem produtiva”, afirmou. 

Fonte: Agência FAPESP
Por Fabio Reynol, de Natal (RN)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ampliação de pier gera polêmica em Búzios

Além de toda a polêmica gerada pela ampliação do pier que vai atrapalhar a navegação e aproximação nos dois outros piers da praia da Armação, era neste pier que ficava a única bomba de óleo combustível a beira mar e por conta da exploração do local para desembarcar os turistas dos transatlânticos, o posto foi retirado e agora os pescadores locais tem que andar mais de um quilometro com o galão nas costas para abastecer suas embarcações.

Abaixo notícia vinculada hoje no jornal O Globo:

RIO - Uma obra no mar de Búzios está no centro de uma polêmica que tem tomado conta do balneário. No dia 13 deste mês, a pedido de pescadores, a Justiça determinou o embargo da expansão de 80 metros de um cais na Praia da Armação, que a empresa Porto Veleiro começou a executar, com licenças concedidas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e pela Marinha. O município não tinha concedido a autorização, mas, mesmo assim, a obra prosseguiu, até ser embargada. Diante da decisão judicial, o presidente do Inea, Luiz Firmino, afirmou que o órgão suspenderá a permissão:

- Concedemos a licença porque todas as questões ambientais foram observadas e não havia impedimento. O que o Inea fez foi restringir a área de atracação dos transatlânticos, que realmente afetavam os corais. Agora, eles ficariam mais distantes. No entanto, se a Porto Veleiro não tem autorização da prefeitura para funcionar, suspenderemos a licença. Pescador: "Um crime visual contra a paisagem"

Autor da ação popular, o presidente da Colônia de Pescadores Z-23, Amarildo Silva, diz que a expansão do cais prejudicaria o Parque Natural dos Corais de Búzios, criado no fim do ano passado pela prefeitura, além de trancar o canal de navegação de quem vive da pesca no município.

- Além de ser um crime visual contra a paisagem de Búzios, os pescadores serão obrigados a dar uma volta de cerca de 80 metros. Não fomos consultados. Tudo isso numa bacia que ainda tem corais e que merece proteção - diz Amarildo.

Indignado com a decisão do Inea de suspender a licença concedida, o empresário Carlos Eduardo Bueno, dono da Porto Veleiro, disse que vai à Justiça para tentar derrubar a liminar e seguir adiante com a expansão do cais. Na sua opinião, seu empreendimento tem importância para o turismo de Búzios e está sendo prejudicado por uma briga política. Ele argumentou que a prefeitura chegou a dar o "nada a opor" há cerca de dois anos.

- Como empreendedor, não posso ficar ao sabor da mudança de governo. Cumpri todos os ritos. O Inea não pode cancelar a minha licença, que foi regularmente concedida e vale até 2012 - afirmou.

Segundo Carlos Eduardo, Búzios, na temporada 2010/2011, receberá 254 navios de cruzeiro, sendo 141 no cais da prefeitura, também na Praia da Armação, e 113 no Porto Veleiro. O prazo para finalizar as obras de expansão termina no dia 30 de setembro. O primeiro cruzeiro da temporada chegaria ao Porto Veleiro - que existe desde 1983, com 30 metros de extensão - no dia 14 de outubro.

Diretor da Associação Comercial de Búzios, Paulo Inácio Schwarzkopf é favorável à obra de expansão do Porto Veleiro. Segundo Paulo, a iniciativa é uma maneira de aumentar o número de turistas, oferecendo um serviço organizado, com segurança.

Para o prefeito de Búzios, Mirinho Braga, a expansão do cais em 80 metros prejudica os pescadores e pode causar um problema ambiental. Já o secretário de Planejamento do município, Rui Borba, argumenta que a expansão seria uma interferência urbanística na cidade e que, por isso, a prefeitura deveria ter sido ouvida.

- A Praia da Armação faz parte do patrimônio paisagístico de Búzios. A expansão vai fazer com que a atividade dos pescadores seja retirada do local - disse Rui.

Segundo uma pesquisa realizada durante a temporada passada (2009/2010) pelo Programa de Estatística Aplicada da Uerj, os cruzeiros marítimos foram responsáveis pela passagem de 384.031 visitantes na cidade, o que representou um crescimento de 38% em relação à temporada anterior. Desse total, 55% foram recebidos no Porto Veleiro. O trabalho revelou ainda que cada turista gastou uma média de R$ 238, o que gerou uma receita de mais de R$ 90 milhões para o balneário. Para a próxima temporada, a expectativa é que a receita seja em torno de R$ 100 milhões

Por nota, o Comando do 1º. Distrito Naval da Marinha esclareceu que, segundo a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, a ampliação do cais do Porto Veleiro está autorizada pela Marinha do Brasil somente nos aspectos relativos à segurança da navegação, o que não exime a empresa da exigência de outros pareceres dos órgãos pertinentes, nas esferas municipal, estadual e federal.

Mesmo após a decisão judicial que determinou o embargo da obra, os pescadores continuam a mobilização. Eles estão programando para domingo, às 9h, na Praia da Armação, uma manifestação contra a expansão do cais.

Fonte: O GLOBO

Atuns


Tuna, 2009

A obra de Chris Jordan, feito sob uma pintura de Sarah Waller mostra 20.500 atuns, número de exemplares que são pescados no mundo a cada 15 minutos.

No site do artista, consegue-se clicar na imagem e obter um grande zoom, vale a pena conferir!

http://www.chrisjordan.com/gallery/rtn2/#tuna

Plástico nos Oceanos: Lixo Mortal


A série fotográfica The Great Pacific Garbage Patch  (clique na foto da onda!) do fotógrafo Chris Jordan, é de fato um retrato das consequencias nocivas do descarte descontrolado do nosso lixo de cada dia, as fotos mostram joves albatrozes mortos pela grande quantidade de lixo ingerido, se vê toda sorte de objetos de plásticos e outros tipos de dejetos nas carcaças das aves, um dado interessante dá conta que as imagens foram feitas no Atol de Midway, um remoto refugio da vida marinha ao norte do oceano Pacifico, distante 2000 milhas do continente mais próximo. Segundo Jordan, não houve absolutamente nenhum tipo de manipulação nas fotografias. Lixo nosso, culpa nossa.



Fonte: Blog Antes Nada do Que Isso


terça-feira, 27 de julho de 2010

Barco com casco de garrafas PET atravessa o Pacífico

Um barco feito com 12.500 garrafas pet recicladas chegou nesta segunda-feira (26) ao porto de Sydney, depois de quatro meses de travessia do Oceano Atlântico. O objetivo da viagem era chamar a atenção para os riscos que o lixo plástico significam para os mares.



O Plastiki é um catamarã de 18 metros de comprimento. A tripulação, de seis pessoas.

A equipe britânica liderada pelo ambientalista David de Rothschild sobreviveu à travessia através do Oceano Pacífico em um barco feito de garrafas PET. O catamarã, quase inteiro construído com resíduos, passou por tempestades e ondas gigantes para completar a viagem de aproximadamente 15 mil quilômetros, entre a Califórnia e a Austrália.

O barco, chamado de "Plastiki", é mantido boiando graças a 12.500 garrafas de refrigerante recicladas que formam o casco da embarcação. Rothschild recrutou uma equipe de engenheiros e arquitetos navais para ajudar a construir o barco, o mais verde possível. Até a cola usada para unir as garrafas é feita de um material diferenciado: castanhas de caju e açúcar. 

Durante o trajeto, eles pararam em várias ilhas do Pacífico, como Kiribati e Samoa.


David, de 31 anos, disse que teve a ideia da jornada depois de ler um relatório das Nações Unidas, em 2006, que dizia que a poluição, principalmente a do plástico, era um risco para os oceanos.

Editora Globo

No caminho, o "Plastiki" navegou no meio de um enorme tapete flutuante de lixo conhecido como o Great Pacific Garbage Patch. Ele contém cerca de 100 milhões de toneladas de plástico cobrindo uma área duas vezes o tamanho da França.

Fonte: Revista Galileu, Portal G1
Fotos: Divulgação





segunda-feira, 26 de julho de 2010

Livro-reportagem: Pescadores Artesanais do Espírito Santo





“Nós, pescadores, vivemos praticamente até hoje em um sistema arcaico, por falta de assistência do poder público, que nos abandonou de tal forma que precisamos ser doutores de nossa própria causa. Parece que somos seres invisíveis. Mas mesmo assim, os pescadores têm uma cultura de resistência. Por isso, sobrevivem”.

O depoimento, que resume a situação da pesca artesanal do litoral capixaba, é do pescador Benedito Matias Porto, de Conceição da Barra, litoral Norte do Espírito Santo. Bi, como é conhecido, foi apenas um dos muitos entrevistadosque contam suas experiências, transmitem seus ensinamentos e compartilham suas lutas no livro Pescadores Artesanais do Espírito Santo (Editora Esplendor).

Resultado de cerca de um ano de trabalho e mais de 1.500km rodados no litoral do estado, a obra reúne fotos e histórias de pessoas que tiram do mar o seu sustento – ou pelo menos têm tentado fazê-lo. “A situação dos pescadores capixabas é muito difícil. Embora eles tenham se organizado nos últimos anos, a atividade predatória das grandes companhias pesqueiras e a invasão do litoral por veranistas estão reduzindo a margem de manobra desses profissionais”, comenta o jornalista e autor do livro, Eduardo Sganzerla.

Mesmo com tantas dificuldades, os relatos mostram que a luta continua e que esses homens e mulheres não desistem do trabalho. Assim, eles mantêm a tradição e a cultura dos pescadores artesanais, visando dar continuidade aos procedimentos manuais e perpetuar a atividade. Sganzerla avalia que é preciso uma intervenção estatal para que a pesca artesanal sobreviva. “É necessária uma ação do poder público para ajudar a dar equilíbrio a esta situação e afastar a ameaça de extinção desta categoria profissional”.

As histórias contadas nas 190 páginas do livro são ilustradas por fotos de Mariana Branco, que captou as diferentes emoções que envolvem os depoimentos. Os belos cenários paradisíacos misturam-se com expressões de quem trabalha e luta para sobreviver, mas que faz o que gosta junto ao mar.

A obra Pescadores Artesanais do Espírito Santo foi lançada nesse mês de julho e contou com recursos da Lei Rouanet e apoio da Cia. Caetano Branco, sediada no Paraná.

Serviço:
Livro Pescadores Artesanais do Espírito Santo
Autor: Eduardo Sganzerla
Fotos: Mariana Branco
Editora Esplendor
www.esplendorbrasil.com.br

Fonte: Paranashop

sábado, 24 de julho de 2010

Búzios : Festa de Sant'Anna

Neste sábado, 24/07, ocorre uma procissão marítima como parte das comemorações aniversário de 270 anos da aparição da imagem de Sant’Anna, padroeira de Armação dos Búzios. O evento é realizado com a parceria da Prefeitura, da Colônia de Pescadores Z-23 e das paróquias de Sant’Anna e Santa Rita de Cássia.




sexta-feira, 23 de julho de 2010

SC - Pescadores fazem passeata pelas ruas de Itajaí


Pescadores que trabalham em traineiras estão parados há uma semana (Foto: Marcos Porto)

Há pelo menos uma semana as 75 embarcações do tipo traineira, que atuam em Itajaí e região, estão atracadas. Para formalizar o protesto contra os entraves enfrentados pelo setor pesqueiro desde 2007, centenas de pescadores realizaram na manhã desta sexta-feira uma passeata pelas ruas de Itajaí. A paralisação é uma forma de manifesto contra os Ministérios do Meio Ambiente e Pesca.

Os pescadores seguiram com faixas até a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em Itajaí. O setor preparou uma carta com as reivindicações e entregou ao órgão, assim como também enviará aos ministérios.

_A gente agora espera uma resposta. Enquanto isso ficaremos parados. Se nada for resolvido, a paralisação seguirá por tempo indeterminado_ afirmou Manoel Xavier de Maria, presidente do Sitrapesca.

São três os principais problemas do setor pesqueiro hoje: a existência de um segundo defeso na captura da sardinha, a grande quantidade de pontos de proibição de pesca e a demora na emissão de licenças para o trabalho dos barcos em alto mar.

Fonte: Blog do Litoral
Foto: Marcos Porto

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pesca Industrial protesta por falta de licenças para a pesca de sardinha no Rio

RIO - Os pescadores do Rio estão em pé de guerra com o Ministério da Pesca. Caravanas de várias partes do estado seguem hoje para Niterói, onde vão se reunir no sindicato da categoria. Juntamente com os donos de barcos (armadores), os trabalhadores estão revoltados com o órgão, que, segundo eles, não está liberando as permissões necessárias para a pesca da sardinha. Eles temem um colapso do setor no estado do Rio, que é o segundo maior produtor de pescado do Brasil só perdendo para Santa Catarina.

Segundo o subsecretário de Pesca de Angra dos Reis, Humberto Martins, somente no município 2.405 pescadores podem continuar de braços cruzados após o dia primeiro, quando termina o período de defeso da sardinha.

- É uma incógnita, não sabemos se eles vão liberar as permissões ou não. Angra dos Reis é a maior produtora de sardinha do Sudeste. Não podemos ficar nesta situação. Estive em Brasília duas vezes, mas voltei sem resposta e com o sentimento de que o Ministério só atende aos armadores e pescadores do Sul do Brasil.

De acordo com Martins, das 85 permissões de pesca provisória de outras espécies no período de defeso da sardinha, somente três foram concedidas para o estado do Rio. Nenhuma delas, no entanto, contemplou pescadores de Angra, município cuja cadeia produtiva do setor engloba mais de 15.000 trabalhadores. Os pescadores reclamam ainda que, enquanto eles não conseguem as autorizações, profissionais de Santa Catarina receberam as licenças para pescar no litoral fluminense.

Secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Baía da Ilha Grande (Consig), Fernando Jordão, disse que milhares de famílias de pescadores estão passando necessidades:

- No mês que vem eles vão ver, de braços cruzados, os pescadores de Santa Catarina levando os peixes do nosso litoral - previu.

Há 19 anos na pesca, o armador Marco Antonio Peixoto da Fonseca, que tem cinco embarcações e 92 pescadores empregados em Itaguaí, diz que os trabalhadores estão apavorados e temerosos com o futuro:

- Até o ano passado, tínhamos permissão para pescar outras espécies na época do defeso. Agora, os pescadores estão há 45 dias sem trabalhar e sem perspectiva de voltar ao trabalho em agosto.

Além de Angra e Itaguaí, profissionais de Paraty, Niterói, São Gonçalo, Cabo Frio e Arraial do Cabo também dizem que não estão conseguindo a licença por causa da burocracia.

- Há muita lentidão na renovação das licenças. As embarcações não podem ficar paradas. Falta agilidade ao Ministério, que ainda tem uma estrutura deficiente por ser uma pasta nova que tem uma demanda muito grande. Além disso, a pesca é no litoral e toda a burocracia fica centralizada em Brasília - reclama o diretor do Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio, Flávio Leme.

Segundo Flávio, durante a reunião desta quinta-feira, eles vão discutir o problema da falta de infraestrutura da pesca no Estado do Rio:

- Nós sofremos com a falta de infraestrutura para atracação dos barcos e desembarque do pescado. Tudo é feito de forma precária e improvisada. Não temos marinas para manter os barcos abrigados - lamentou.

Segundo dados do Ministério, no entanto, das 166 embarcações que tiveram a licença concedida no ano passado, apenas 86 fizeram o pedido de renovação. De acordo com o órgão, deste total, 42 foram concedidas a pescadores e armadores do estado do Rio. O secretário de Monitoramento e Controle da Pesca e Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura, Eloy de Sousa, reconhece que os certificados de registros ainda não foram enviados às superintendências regionais para serem entregues aos contemplados. Segundo ele, até 31 de julho, quando termina o período de defeso, serão emitidas todas as licenças para a pesca da sardinha na temporada 2010. O documento é válido por um ano.

Eloy afirmou que se encontrou na quinta-feira da semana passada com representantes do setor pesqueiro de Angra e se comprometeu a reavaliar os processos de pedido de licença da região, mas ressaltou que a aprovação estará sujeita ao cumprimento das exigências:

- Eu vou colocar uma equipe para se debruçar sobre cada um dos processos de Angra. Vamos rever, mas eu não posso deferir por deferir. Já de outros municípios do Rio, eu não recebi reclamações.

O processo de licenciamento da pesca da sardinha verdadeira, que é uma espécie controlada como o pargo e a lagosta, obedece regras. Segundo Eloy, 180 embarcações poderão fazer a pesca, que compreende basicamente os estados de Santa Catarina, Rio e São Paulo. Eloy ressaltou que é obrigado a reconhecer que os pescadores de Santa Catarina estão com um grau de organização melhor do que os fluminenses.

De acordo com o secretário, o Ministério está estudando alterar as permissões provisórias para o período do defeso. Ele explica que o órgão pretende acabar com essas autorizações provisórias e passar a emitir para cada barco a permissão principal e a secundária.

Fonte: Extra Online

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Subsídio atrairá embarcações pesqueiras estrangeiras

O Ministério da Pesca lançará, nesta semana, um edital com as regras para o arrendamento, suspenso desde 2008

Para garantir o abastecimento do mercado interno e o cumprimento da cota de pesca assumida pelo país em acordos internacionais, o Brasil voltará a arrendar embarcações estrangeiras. O Ministério da Pesca lançará, nesta semana, um edital com as regras para o arrendamento, suspenso desde 2008. O governo não cobrará taxa de operação dos estrangeiros e dará isenção de ICMS e subsídios ao óleo diesel usado pelas embarcações, iguais aos concedidos à frota nacional.

Fonte: Valor Online

terça-feira, 20 de julho de 2010

RJ - Programa para Modernização da Frota Pesqueira

O Estado do Rio de Janeiro intituiu na segunda-feira (19) a criação do Programa Estadual de Financiamento da Ampliação e Modernização da Frota Pesqueira, que compreende financiamentos para aquisição, construção, conversão, modernização, adaptação e equipagem de embarcações pesqueiras.

O objetivo é proporcionar a eficiência e sustentabilidade da frota pesqueira, promover o máximo aproveitamento das capturas, aumentar a produção estadual, utilizar estoques, consolidar a frota e construir embarcações destinadas à pesca oceânica a fim de melhorar a segurança de navegação e garantir a qualidade do pescado produzido no Estado.

A homologação dos projetos será feita pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, através da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: R7

Pier dos Pescadores



Armação dos Búzios, julho de 2010.

por Mauricio Düppré


segunda-feira, 19 de julho de 2010

PR - Cultivo de ostra como alternativa de renda a pesca

A ostreicultura (cultivo de ostras) no litoral do Paraná vem se consolidando como uma das principais alternativas para a geração de renda da população que, até então, vivia da pesca artesanal. De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), 103 famílias contam com licenças de instalação e manejo das culturas e vivem da criação de ostra em oito regiões produtoras no litoral do Estado.

No mês de junho, o Ministério da Aquicultura e Pesca oficializou a entrega de 72 Termos de Autorização de Uso de Águas para a instalação de cultivos marinhos no litoral do Paraná. Para a Emater, que elaborou os projetos encaminhados ao Ministério, os termos de autorização, que também tiveram o aval de órgãos ambientais, da Marinha do Brasil e da Secretaria de Patrimônio da União, devem contribuir para a profissionalização do cultivo, o que deverá otimizar a margem de lucro das produções. Para o órgão, a medida também poderá motivar novos produtores a cultivar a ostra.

De acordo com a Emater, o sistema de cultivo de ostra funciona no Paraná desde 2003, porém a maior parte das culturas é feita de uma forma amadora. Com a autorização do uso de águas, ganha corpo a implementação do ações como as do Projeto de Desenvolvimento da Aquicultura e Pesca do Litoral do Paraná, que prevê subsídios para a produção de ostra, mexilhão, camarão e outros moluscos. Desenvolvido em parceria entre Secretaria de Estado da Agricultura, Emater, Fundação Terra, Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos/PUC-PR (CPPOM) e Prefeituras da região, o projeto é financiado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e visa a promoção da pesquisa e geração de alternativas de renda para as famílias de pescadores artesanais.

Fonte: Parané Online

domingo, 18 de julho de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Golfo do México: Boa Noticia


Excelente notícia! Ficamos na torcida para que o vazamento tenha sido controlado definitivamente.

Primeira tarefa concluída, a mais de 24 horas que não entrar mais petroleo no ambiente, mas agora tem uma tarefa enorme para ser resolvida que é retirar tudo que foi derramado no Golfo desde 20 de abril.

NOVA ORLEANS, EUA — A petroleira britânica BP revelou nesta sexta-feira que as primeiras 24 horas de testes não revelaram indícios de vazamento na zona onde foi instalado um sistema para conter a fuga de petróleo, no fundo do mar no Golfo do México.

"Não temos qualquer indício de fuga de petróleo ou gás" no fundo do mar, disse o vice-presidente da BP, Kent Wells, em entrevista coletiva.

O vazamento de milhões de litros de petróleo no Golfo do México deteve-se na quinta-feira, depois do fechamento de três válvulas da tampa instalada na segunda-feira sobre o poço danificado há três meses, depois da explosão e do naufrágio da plataforma da BP Deepwater Horizon.

Um alto funcionário americano afirmou mais cedo que as primeiras 24 horas de leituras de pressão no poço não eram conclusivas, e que o governo tinha ordenado à BP monitorar tanto o poço como o leito marinho.

A possibilidade de que o petróleo busque brechas de saída para o oceano é uma das principais preocupações.

"Nesse momento, não há evidências de que não haja integridade do poço. Isso é bom", afirmou Wells, destacando que os testes continuam segundo o planejado.

Os engenheiros da BP medem a temperatura do poço, que ficou constante nas últimas 24 horas, o que indica que não há vazamento de petróleo, disse o vice-presidente da companhia.

Mesmo assim, foram colocados sensores acústicos para detectar um eventual fluxo de petróleo, mas as câmeras instaladas não detectaram sinais de vazamento tanto no poço como no leito marinho, afirmou Wells.

Os testes de pressão, desde o fechamento das válvulas na quinta-feira, devem durar 48 horas.

Mais cedo, o presidente americano, Barack Obama, reconheceu que a contenção do vazamento representa uma boa notícia, mas pediu prudência até que seja encontrada uma solução permanente.

"O novo sistema é uma boa notícia (...) Há muitas informações que parecem indicar que isso aconteceu (...) Mas é importante que não nos precipitemos".

Apesar da prudência, Obama destacou que "mesmo que não seja possível impedir a fuga de petróleo, o novo dispositivo e o equipamento adicional instalado na área do vazamento serão capazes de capturar até 80 mil barris por dia", o suficiente para impedir que o óleo siga contaminando a água do mar.

Fonte: AFP

quarta-feira, 14 de julho de 2010

SC - Pesca de Tainha menor que o esperado


Quase no fim da temporada foram capturadas menos da metade do ano anterior

O prazo para a pesca da tainha em Santa Catarina termina na próxima quinta-feira, mas tem sido difícil encontrar um rancho de pesca trabalhando a todo vapor, em Florianópolis. Para os pescadores, a tainha já passou por aqui.

— Na verdade, estamos esperando o último vento sul antes do fim da temporada. Mas vai ser difícil recuperar o prejuízo — lamenta Alex Sandro Fenabio, 34 anos.

Além dos R$ 1,5 mil investidos pelos pescadores, na praia do Moçambique, no Leste da Ilha de Santa Catarina, foi preciso reconstruir o rancho, destruído pela ressaca, há cerca de um mês. Os planos de juntar dinheiro para comprar mais uma rede (cada uma custa, em média, R$ 16 mil), ficaram só na vontade.

Alex explica que os cerca de 1,2 mil peixes capturados pelo grupo nem foram vendidos. Foram distribuídos entre eles e as pessoas que ajudaram a puxar a rede do mar.

Estimativa 

A safra só não foi pior do que em 2005, no Estado. O presidente da Federação dos Pescadores de Santa Catarina, Ivo da Silva, afirma que, até agora, foram capturadas 620 toneladas de tainha em todo o litoral catarinense. Bem diferente do ano passado, quando o montante foi de 1.900 toneladas, e de 2008, quando foram pescadas 1.800 toneladas.

Safra de amigos na Barra da Lagoa

Na Barra da Lagoa, metade das redes já seca, ao sol, para ser guardada. A outra está pronta para ser usada, em um dos barcos do rancho Saragaço.

— A esperança é a última que morre — garantiu o pescador Marcio Polidoro Vieira, 39 anos.

Lá, não houve prejuízo, nem lucro. O grupo de 31 homens capturou 6 mil tainhas — a quantidade que normalmente se pescava em um lanço, no ano passado. Mas também não falta bom humor.

— Fizemos muitos amigos e conseguimos até doar peixes para a Festa de São Pedro, um colégio e duas creches — comemora o coordenador do grupo, Laurentino Benedito Neves, 48 anos.

Fonte: Diário Catarinense

terça-feira, 13 de julho de 2010

Invento de piscicultor mineiro facilita a retirada de escamas de peixes

Texto Gustavo Laredo*
Ilustração Filipe Borin

Quando voltou dos Estados Unidos, em agosto de 2005, o produtor José Rodrigues de Rezende, também chamado de Zé Batata, quis investir os dólares ganhos lá fora em piscicultura. Começou do zero, fazendo cursos, indo a seminários da Emater de Minas Gerais e perguntando aqui e acolá o que de fato era real , que, segundo ele, ainda não está saturado. Em pouco tempo, o negócio prosperou. “Comecei com um tanque-rede. Hoje tenho nove e estou negociando mais três”, afirma.Na propriedade, em Central de Minas, Rezende retira cerca de 600 quilos de tilápias por tanque. Ele percebeu que ganhava mais ao entregar os peixes já descamados, mas faltava um equipamento para fazer o serviço.

Com muita sucata e criatividade, Rezende inventou uma máquina capaz de limpar os peixes em pouco tempo. O pescado é colocado em uma bandeja de metal e, ao passar por cerdas de borracha fixadas a um eixo e acionadas por um motor, é descamado. O equipamento de Zé Batata lhe rendeu a quinta colocação no Prêmio Criatividade Rural de 2009, da Emater mineira. Uma surpresa, segundo ele: “Estava mais interessado em agilizar o processo de limpeza. O prêmio veio de lambuja”.

O custo da descamadora pode chegar a 300 reais, dependendo de quem irá soldar as peças. No caso de Zé Batata, um amigo o ajudou nessa parte.

A manutenção do equipamento é bastante simples: basta lubrificar as partes móveis e trocar as cerdas quando estiverem desgastadas.
Mãos à obra

Material
• 7 barras de metalon de 3/2″ e 35 cm de comprimento cada
• 4 barras de metalon de 3/2″ e 55 cm de comprimento cada
• 2 barras de metalon de 3/2″ e 70 centímetros de comprimento cada
• 2 metros de barra de 1″ de espessura e 2 cm de largura
• 2 mancais e 1 eixo
• 2 rolamentos de moto
• 1 polia de 10 cm de diâmetro
• 1 polia de 6 cm de diâmetro
• 1 motor de 1/3 cv (cavalo-vapor)
• 1 bandeja de metal de 45 cm de comprimento por 35 cm de largura
• 2 dobradiças de 6 cm cada
• 2 chapas de metal de 7 cm de comprimento por 2 cm de largura cada
• 9 parafusos, porcas e arruelas para a fixação das cerdas de borracha
• 4 parafusos, porcas e arruelas para a fixação do motor
• 4 parafusos, porcas e arruelas para a fixação dos mancais
• 1 correia
• 1 pneu de moto
• 1 chapa de lata de 40 cm de comprimento por 15 cm de largura
• Fios
• Tomada macho
• Chave liga-desliga
• Tinta zarcão e alumínio

como fazer descamadeira



1 Construa a armação de metalon soldando as barras de 55 e 35 cm de comprimento até formar uma estrutura retangular, conforme a figura. Não feche a frente da descamadora
2 Solde dois pedaços de 20 cm da barra de 1 polegada de espessura nas laterais superiores e interiores da estrutura de metalon. Deixe um espaço de 2 cm entre cada pedaço de barra
3 Fixe as duas dobradiças na barra de metalon de 35 cm. Solde transversalmente duas barras ao metalon de 70 cm para dar firmeza à estrutura
4 Solde na bandeja de metal as duas chapas de 7 cm de comprimento, formando um “V”. Elas servirão de suporte para colocar a cabeça do peixe
5 Monte a parte superior da descamadora, onde será colocado o motor. Solde duas barras de metalon de 70 cm a uma barra de 35 cm, formando uma estrutura em “U”. A 20 cm de distância desse último pedaço, fixe paralelamente mais uma peça de 35 cm. Deixe um espaço de 23 cm no retângulo formado e solde duas pequenas barras de 20 cm cada, uma ao lado da outra. Elas servirão de suporte para o motor
6 Fixe o motor nas duas barras de 20 cm soldadas no metalon. Coloque a polia de 6 cm no eixo
7 Parafuse os dois mancais e os dois rolamentos de moto nas extremidades da estrutura em “U” formada no passo 5. Encaixe a polia de 10 cm no rolamento colocando na mesma direção em que o motor foi fixado. Por fim, ajuste a correia nas duas polias
8 Corte a barra de metal de 1 polegada de espessura em três pedaços de 20 cm cada. Faça em todas elas três furos com distância de um palmo entre eles. Solde as barras ao eixo preso aos rolamentos da moto
9  Corte o pneu da moto em três tiras iguais de 24 cm de comprimento por 6 cm de largura. Faça pequenos recortes em cada tira, deixando-as no formato de um pente. Parafuse as tiras nas barras que foram soldadas no eixo. Coloque por cima mais uma barra de metal para fechar o suporte das cerdas “passo 8″
10 Fixe a parte superior da descamadora à estrutura retangular. Junte-as pela dobradiça colocada no passo 3, unindo os tubos de metalon de 35 cm. Para proteger os pentes de borracha, solde um chapa de lata à frente do eixo e dos mancais. Essa chapa é sustentada por dois pedaços de metal de 30 cm cada
11 Conecte os fios do motor à chave liga–desliga e à tomada macho para ligar na fonte de energia. Encape os fios para evitar choques elétricos. Passe tinta zarcão e deixe secar, depois pinte com tinta alumínio para dar acabamento
Fonte: revistagloborural.globo.com
MAIS INFORMAÇÕES: José Rodrigues de Rezende, Fazenda Lagoa Verde, Zona Rural de Central de Minas, MG, CEP 35260-000, tels. (33) 9917-5996 e (33) 8832-5817 – zezebatata@msn.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Aviso aos navegantes - Mar Grosso


AVISO NR 467/2010

AVISO DE MAR GROSSO

EMITIDO ÀS 1300 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA ALFA A SUL DE 33S A PARTIR DE 120000. ONDAS DE NE/NW PASSANDO W/SW 3.0/3.5.

VÁLIDO ATÉ 130600.


AVISO NR 468/2010

AVISO DE MAR GROSSO

EMITIDO ÀS 1300 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA ALFA PARTIR DE 130600. ONDAS DE SW 3.0/4.0.

VÁLIDO ATÉ 141200.


AVISO NR 469/2010

AVISO DE MAR GROSSO

EMITIDO ÀS 1300 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA BRAVO PARTIR DE 121800. ONDAS DE NE/NW PASSANDO SW 3.0/3.5.

VÁLIDO ATÉ 140000.


AVISO NR 470/2010

AVISO DE VENTO FORTE/MUITO FORTE

EMITIDO ÀS 2200 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA ALFA A PARTIR DE 120000. VENTO NE/NW PASSANDO W/SW FORÇA 7/8 COM RAJADAS.

VÁLIDO ATÉ 140000.

ESTE AVISO SUBSTITIU O AVISO NR 464


AVISO NR 471/2010

AVISO DE VENTO FORTE/MUITO FORTE

EMITIDO ÀS 2200 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA SUL OCEÂNICA AO SUL DE 25S E OESTE DE 030W A PARTIR DE 121200. VENTO NE/NW PASSANDO NW/SW FORÇA 7/8 COM RAJADAS.

VÁLIDO ATÉ 141200.

ESTE AVISO SUBSTITIU O AVISO NR 465


AVISO NR 472/2010

AVISO DE VENTO FORTE/MUITO FORTE

EMITIDO ÀS 2200 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA SUL OCEÂNICA AO SUL DE 30S E LESTE DE 030W A PARTIR DE 140000. VENTO N/NW FORÇA 7/8 COM RAJADAS.

VÁLIDO ATÉ 141200.

AVISO NR 473/2010

AVISO DE VENTO FORTE/MUITO FORTE

EMITIDO ÀS 2200 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA BRAVO A PARTIR DE 130000. VENTO NE/NW PASSANDO NW/SW FORÇA 7/8 COM RAJADAS.

VÁLIDO ATÉ 140000.


AVISO NR 474/2010

AVISO DE MAR GROSSO

EMITIDO ÀS 2200 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA SUL OCEÂNICA AO SUL DE 25S E OESTE DE 035W A PARTIR DE 121800. ONDAS DE NE/NW PASSANDO W/SW 3.0/4.0.

VÁLIDO ATÉ 141200.

ESTE AVISO SUBSTITIU O AVISO NR 466.


AVISO NR 475/2010

AVISO DE MAR GROSSO

EMITIDO ÀS 2200 - DOM - 11/JUL/2010

ÁREA SUL OCEÂNICA AO SUL DE 28S ENTRE 035W E 030W A PARTIR DE 130600. ONDAS DE N/NW 3.0/4.0.

VÁLIDO ATÉ 141200.


Aquicultura: Pesquisas pela viabilidade do robalo



Abaixo vídeo do Globo Rural deste final de semana sobre as novidades na pesquisas para o cultivo de robalo em cativeiro.

Já estudado há mais de 10 anos na UFSC, ainda se busca a viabilidade econômica para o cultivo do apreciado robalo.





Fonte: Globo Rural

domingo, 11 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

Arraial do Cabo - Z-05: Diretoria nova, sede nova.

Ao tomar posse da Colônia de Pescadores Z-05 de Arraial do Cabo, a nova diretoria, encabeçada por Mircilene Rodrigues deu mais que nova cara a instituição: deu também novo endereço.

A Colonia Z-05 está aberta diariamente para atender seus associados na Rua Gonçalves Dias, número 10, na Praia dos Anjos. Telefone: (22) 2622-1297.


Boa sorte e sucesso a nova diretoria!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

EMBRAPA: Consórcio Nacional da Pesca e Aquicultura

O Comitê de estabelecimento do Consórcio Nacional da pesca e aquicultura iniciou os trabalhos nesta terça-feira (6) na sede da Embrapa, em Brasília. A abertura da reunião contou com a presença do ministro da pesca e aquicultura, altemir gregolin, e do presidente da Embrapa, Pedro Arraes.

O objetivo do consórcio é apoiar e financiar ações de pesquisa em pesca e aquicultura no país. A ideia é estabelecer todas as regras de funcionamento do consórcio, como as fontes de recursos, as normas de financiamento, o perfil das instituições participantes, as instâncias deliberativas, as estratégias e as normas de operação.

Para o ministro, o momento é importante, uma vez que o setor de pesca e aquicultura cresce cada vez mais no Brasil. Segundo ele, o país passou a ser atrativo nessa área superando o consumo de pescado, que antes era bastante baixo. De 2003 até os dias atuais a produção cresceu cerca de 25%. “Podemos afirmar que esse é o segmento da agropecuária brasileira que vai colocar o Brasil entre os primeiros dos grandes produtores de pescado”, afirmou. O ministro espera que até o final do ano o consórcio esteja estabelecido.

De acordo com o presidente da Embrapa, o principal desafio do consórcio vai ser a articulação forte com o intuito de catalizar resultados. Ele apontou o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e desenvolvimento do Café, coordenado pela Embrapa, como um bom modelo a ser seguido. “A Embrapa pesca e aquicultura foi criada, mas a maior parte das competências está fora do centro de pesquisa. Por isso a necessidade de se criar o consórcio para unir essas competências, e consequentemente valorizar o pessoal envolvido e fazer com que se sintam parte do processo”, comentou.

Durante a abertura, o diretor da Embrapa, Kepler Euclides Filho, falou da importância de se formar um grupo de trabalho específico para apontar as necessidades de pesquisas atuais com visão de futuro. O diretor ressaltou ainda que é preciso fazer o coletivo sem perder as individualidades e não priorizar somente a produção como o processamento e agregação de valores.

A reunião conta com a participação também do chefe geral da Embrapa pesca, aquicultura e Sistemas Agrícolas, Carlos Magno, e de profissionais da Embrapa e do Ministério da pesca e aquicultura.

Consórcio Pesquisa Café é modelo de experiência

Durante o evento, a gerente-geral da Embrapa Café (Brasília-DF), Mirian Eira, apresentou o relato da experiência do Consórcio Pesquisa Café.

“O nosso papel é servir de exemplo de execução de um modelo consorciado. Vamos mostrar as oportunidades e os desafios enfrentados nesse arranjo institucional adotado pela pesquisa em café, sucesso não só no País, mas também fora dele. O fato de estarmos sendo buscados para dividir nossa experiência representa um reconhecimento do realizado trabalho pelo Consórcio e pela Embrapa Café, executora do Programa de Pesquisa do Café explica a gerente-geral.

Desde 2007 a Embrapa coordena um projeto em rede que envolve mais de 70 pesquisadores e conta com a participação de universidades públicas e privadas, empresas de pesquisa e institutos ligados às áreas de agricultura, aquicultura e meio ambiente. O projeto Aquabrasil é coordenado pela Embrapa Pantanal, sediada em Corumbá (MS).

A crescente demanda por pesquisas relacionadas ao tema motivou também a criação de uma nova unidade, a Embrapa pesca, aquicultura e Sistemas Agrícolas, que desde o ano passado conta com uma equipe no Estado do Tocantins para coordenar a construção de instalações administrativas, laboratórios e campos experimentais. A unidade terá um papel aglutinador das pesquisas em aquicultura no país, formando redes internas e externas à Empresa.

Fonte: PORTAL DO AGRONEGÓCIO

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SC - Pesca Artesanal de Tainha: Atração turística

Por Fabrício Jachowicz

Com a chegada da temporada de pesca das tainhas, que aparecem durante o inverno, o turismo volta a se aquecer em Bombinhas, a 70 km de Florianópolis. Os turistas costumam ir até as praias da cidade para assistir ao cerco que os pescadores fazem aos cardumes do peixe, que tem a pesca liberada entre 15 de maio e 31 de julho.

O acontecimento é considerado de grande beleza, quando diversos pescadores lançam as redes ao mar, tendo como pano de fundo as paisagens naturais de Bombinhas. Segundo a turismóloga da secretaria de Turismo, Keli Regina Benvegnu, a praia de Bombas, com seus 2 km de extensão, é o local onde há maior concentração de turistas para assistir ao cerco da tainha.

"O pessoal costuma ajudar os pescadores a puxarem a rede e recolher os peixes. Muitos turistas aproveitam para comprar a tainha fresca, ali na hora", explica. De acordo com ela, a maioria dos visitantes vem de Santa Catarina e costuma passar os finais de semana na cidade, em pousadas ou casas de praia.

Ao acompanhar o processo do cerco da tainha, os turistas ainda podem fazer passeios ecológicos, como as caminhadas pelas praias da cidade. Em Bombas, a trilha da Galheta é conhecida por proporcionar aos visitantes uma das melhores visões dos cardumes do peixe.

No mês de julho, os visitantes também podem degustar pratos diferenciados na Rota Gastronômica, onde as mais diversas receitas - também com a tainha - são preparadas nos restaurantes da cidade. Os turistas ainda podem aproveitar o passeio e conhecerem o Museu Naval, que funciona de quarta a domingo.

Fonte: Terra

quarta-feira, 7 de julho de 2010

RJ - Emenda ao Plano Diretor facilita terminal pesqueiro



RIO - O projeto do Ministério da Pesca e Aquicultura para construir o novo terminal pesqueiro do Rio na Praia da Ribeira, na Ilha do Governador, entrou na polêmica do novo Plano Diretor, em discussão na Câmara de Vereadores. Enquanto o superintendente do ministério no Rio, Jayme Tavares Ferreira Filho, garante que o início das obras só dependeria de uma licença do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) um grupo de vereadores acredita que o novo Plano Diretor será usado para alterar a legislação urbanística que, segundo eles, impede esse tipo de atividade na Ilha.

Segundo Paulo Messina (PV), a legislação urbanística no endereço proposto para o terminal não permitiria o projeto, já que seria área predominantemente residencial. Mas uma emenda ao projeto passa a classificar o bairro como uma região em que o poder público deve agir para atrair mais investimentos. Nas chamadas Zona de Ocupação Incentivada, seriam permitidas atividades pesqueiras, de acordo com o texto em tramitação. Se for aprovada, a orientação do Plano Diretor abriria caminho para a construção do terminal.

A Secretaria municipal de Meio Ambiente já deu sinal verde à construção. Já a secretaria municipal de Urbanismo ainda analisa o projeto.

A instalação do terminal pesqueiro vem sendo marcada por idas e vindas nas decisões das autoridades responsáveis pelo licenciamento. Uma comissão de acompanhamento do projeto foi criada na Câmara a pedido de vizinhos do futuro terminal. Ele temem que as instalações degradem a Ilha do Governador e acabem atraindo aves para a região, aumentando os riscos de acidentes aéreos, já que o terminal ficará a menos de 20 quilômetros dos aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim. Além disso, criaria transtornos ao tráfego no bairro, com o aumento da circulação de caminhões. O superintendente do ministério, por sua vez, exibe cópia de abaixo-assinado de dezenas de outras associações de moradores da Ilha favoráveis ao projeto.

Em outubro de 2009, o Ministério da Aeronáutica chegou a emitir um parecer contrário ao terminal, com base em análise do Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Em novo ofício, datado de 28 de maio, o Ministério da Aeronáutica informou que não se opõe ao projeto desde que implementadas medidas para evitar atração de aves.

Fonte: O Globo

terça-feira, 6 de julho de 2010

CE - Lagosta: Conflito no mar


Neste domingo, às 8h30min, os pescadores da Prainha do Canto Verde, em Beberibe, fazem uma assembleia para se solidarizar com os pescadores da Praia de Redonda, em Icapuí, que estão em permanente conflito com pescadores ilegais. Nesse ano, a guerra da lagosta já feriu quatro pescadores que utilizam compressores, proibidos por lei. Os pescadores foram atingidos por tiros enquanto pescavam na costa de Icapuí.

Na Prainha, o mesmo problema vem causando uma crise aguda na pesca artesanal. Amanhã, os pescadores vão definir se ainda vale a pena sair para o mar nessa temporada. “Com o compressor, eles limpam o mar, não sobra mais nada para os pescadores artesanais. O custo de uma operação não é recompensado”, explica René Shärer, ambientalista que acompanha os pescadores da Prainha do Canto Verde há mais de uma década.

René conta que em 1995, oito toneladas de lagosta foram pescadas artesanalmente na Prainha do Canto Verde. Esse ano o volume não deve passar de 500 quilos. A pesca é a principal atividade da comunidade.

Na reunião, os pescadores vão organizar algum ato de protesto e devem preparar um pedido de intervenção do Ministério Público. “Hoje os pescadores ilegais desafiam o Estado. São eles que mandam no mar, embora o Ibama se esforce”, lamenta Re
né.
Fonte: O Povo (Ceará)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ceará - Regata colore o mar e revigora pesca artesanal

por Fernando Brito

Velas içadas, homens intrépidos se jogaram ao mar sobre minúsculas embarcações. Mas, desta vez, eles não partiam para longa jornada. Os pescadores se divertiram numa competição que coloriu o litoral de Fortaleza no trecho próximo ao quebra-mar erguido, recentemente, no início da Avenida Doutor Theberge, no bairro Pirambu.

Esse foi o cenário, na manhã de ontem, da I Regata Vila do Mar, comemorativa ao Dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores, e destinada a manter acesa a tradição da pesca artesanal no litoral oeste da Capital, atividade que, ainda hoje, assegura o sustento de muitas famílias.

A competição, dividida em duas baterias, envolveu 69 embarcações, entre jangadas e botes, com a participação de cerca de 200 jangadeiros. O evento foi uma iniciativa da Colônia de Pescadores Z-8, em parceria com a Prefeitura Municipal, por meio do Projeto Vila do Mar e da Secretaria de Esporte e Lazer (Secel). Familiares e amigos dos pescadores, além de curiosos, desceram a duna junto à Avenida Doutor Theberge e se aglomeraram à beira-mar para acompanhar a competição, fazendo a festa com os participantes, ao ritmo do forró do grupo Regional Asa Branca.

A I Regata Vila do Mar começou por volta das 10 da manhã. Fogos de artifício anunciaram a largada. Inicialmente, partiram os botes. Em seguida, foi a vez das jangadas. Impulsionadas pelo vento e contando com a perícia de jangadeiros entre 18 e 65 anos, as embarcações de velas coloridas mudaram o visual do mar naquele pedaço da costa.

"É uma grande emoção", disse o pescador Francisco de Assis da Silva, o Mestre Quinô, 58. Ele não foi para o mar, mas organizou toda a disputa entre os companheiros de labuta. "Vamos manter estas velas içadas", ressaltou, referindo-se à preservação da pesca artesanal.

Os mestres condutores das três primeiras embarcações que chegaram à beira-mar nas duas baterias da regata foram agraciados com troféus, além de ganhar velas de 35, 30 e 25 metros por conta da colocação alcançada (primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente).

Vencedores

Entre as jangadas, as embarcações vencedoras foram Amigo, Tetê e Raquel e Beatriz 2. Já entre os botes, chegaram à frente, pela ordem, as embarcações Porquinho Filho, Joelson e Abrão e Lívia.

Diante do sucesso do evento, a ideia dos idealizadores é repetir a competição a cada ano, sempre no início do mês de julho, incluindo-a no calendário de eventos turísticos de Fortaleza e ampliando sempre o número de participantes, que, nesta primeira edição, envolveu apenas pescadores do Pirambu, Cristo Redentor e Barra do Ceará. Se depender dos competidores da manhã de ontem, a animação é total.

ENQUETE
Ofício emociona

Antônio de Góis Martins
72 ANOS
Pescador

É uma alegria ver as jangadas cortando os verdes mares como observo agora. Minha vida é isso

Francisco Eduardo da Silva
72 ANOS
Pescador

Meu corpo está em terra, mas meus pensamentos estão com meus companheiros, lá no mar

Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

Ceará: Pesca ilegal reduz estoque da lagosta no mar

Enquanto um pescador artesanal captura 12 quilos de lagosta no dia, o ilegal pesca 250kg/dia

por Melquiades Júnior

Icapuí. O mar é azul no fundo, verde no raso, e se pinta de vermelho quando dois diferentes grupos de homens entram no embate de fogo para decidir quem está mais correto, quando ao final o que mais querem é levar lagosta para comprar o feijão do almoço. "Entre morrer de fome e morrer porque tô trabalhando, prefiro sair pro mar e trazer o sustento", é no que resume um pescador enraivecido por ser chamado de ilegal, pirata, predador. Utilizando equipamentos proibidos como compressores de ar e marambaia, esses pescadores travam uma guerra com os pescadores artesanais. Balas, mortes, incêndios, protestos, e os órgãos estatais do poder pouco intervêm no conflito social, econômico e até de saúde pública, em que a ilegalidade na pesca só tem beneficiado os atravessadores comerciais da lagosta.

À primeira vista (e só até aí) não há nada mais eficiente e lucrativo economicamente do que pescar mergulhando no mar com auxílio de compressores de ar. É o que faz o pescador ilegal, que num só dia pode pescar até 250kg de lagosta. E nada menos alentador do que quem só tem um barco a vela com gaiolas de madeira e náilon para capturar o crustáceo. É o que faz o pescador artesanal, legal, que em um dia inteiro consegue pescar em média 12 quilos de lagosta. É essa diferença (o pescador ilegal conseguir em um dia de pesca o que o artesanal conquista em um mês) o principal atrativo para a pesca predatória, que responde por grande parte da produção e venda da lagosta no Ceará, bem como a redução desse produto no mar.

Mesmo com profissionais o dia inteiro no mar, com equipes que incluem fiscais do Ibama, policiais militares e mergulhadores do Corpo de Bombeiros, a fiscalização da pesca ilegal no mar do Ceará é paliativa e precária. Quem confirma são os próprios agentes que participam da operação (orientados a não dar entrevistas), muitas vezes frustrados com as ocorrências que não puderam combater.

Bastou que o bote inflável motorizado da Operação Impacto Profundo, do Ibama, se afastasse da área marítima entre as cidades de Aracati e Icapuí, divisa em que se concentra a reprodução e desova da lagosta, para o reinício dos conflitos. Os pescadores artesanais da Praia de Redonda deslizam entre heróis e vilões nos capítulos da história da "Guerra da lagosta" - que o Caderno Regional vem cobrindo em reportagem. Eles utilizam o manzuá -, instrumento permitido por Lei, não agridem o meio ambiente, garantem sustentabilidade e a preservação do animal, fonte de renda de milhares de famílias, inclusive dos ilegais. Mas são também os "redondeiros" que fazem da camisa capuz, revólver no cunho e seguem no embate contra os pescadores ilegais, que capturam mais lagosta em detrimento da degradação ao meio ambiente e com o risco da própria extinção da fonte de renda.

"É uma contradição, eles agindo assim estão acabando com a lagosta não só para nós como para eles mesmos. A gente tem que pensar no amanhã, é isso que eles não tão fazendo", pontua Maurício Valente, pescador da comunidade de Redonda, onde se defende a pesca artesanal. Um resumo da guerra: os pescadores ilegais protestam que os legais (artesanais) não têm poder de fiscalização (dever do Ibama), mas os ilegais predadores não dão sinais de que querem fazer a pesca dentro da lei, e a queda de braço persiste no mar.

Mas o mal da pesca ilegal ultrapassa as fronteiras marítimas, atinge a saúde pública. De acordo com o próprio pescador ´ilegal´, que prefere preservar a identidade, a pesca com compressor é complicada e nem um pouco saudável. Para aguentar a atividade, altamente de risco, muitos pescadores fumam maconha ou mesmo pedras de crack. Em Icapuí, há jovens pescadores viciados em crack, conhecido no mar.

Quem não fuma, ou não admite, não deixa de reconhecer que o ar que recebem do compressor "faz mal". Não só o ar poluído que levam aos pulmões, como também o procedimento errado de mergulho e saída do mar (fora do ritmo de pressão do corpo) tem causado sequelas em pescadores ilegais, os "alternativos". A principal delas é a embolia pulmonar. Os mais afoitos passam do limite de profundidade em que se pode respirar com o compressor e "prendem o ar" no pulmão para garantir a captura do maior número de lagostas. A pesca com compressor já causou deficiência física em alguns pescadores.

A guerra do mar desembarca em terra por meio de protestos dos dois lados, ameaças, e comunidades como Mutamba e Redonda tornando-se arquirrivais. Dos dois lados, pais de família fazendo juras de morte, querendo justificar atitudes violentas e de vandalismo em nome da sobrevivência.

"Os pescadores ilegais estão acabando com a lagosta não só para nós como para eles mesmos"
Maurício Valente
Pescador da comunidade da Praia de Redonda



Fonte: Diário do Nordeste

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