quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Poço da Chevron em Frade é interditado por gerar gás de enxofre
RIO - Após o vazamento de petróleo na bacia de Campos, ainda não totalmente encerrado, e que rendeu duas autuações à Chevron, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) abriu um terceiro processo administrativo contra a companhia.
Segundo a diretora do órgão regulador, Magda Chambriard, um dos dez poços que estavam em produção estava gerando gás sulfídrico (H2S) e, por não ter relatado o fato à ANP, a empresa será multada e, por enquanto, a produção no local foi suspensa.
Em auditoria presencial programada na plataforma de produção, realizada na terça-feira da semana passada, a agência reguladora descobriu que um dos poços estava gerando o gás, que pode ser letal. “H2S é veneno para trabalhador”, disse Magda. Ela ressaltou que “certamente” o gás não estava vazando, “já que não morreu ninguém”.
O gás sulfídrico, conhecido como gás de enxofre, é gerado pela natureza, mas precisa ser tratado corretamente para não causar riscos à saúde.
“Estamos autuando e oficiando o Ministério do Trabalho e Emprego e também o Ministério Público do Trabalho para que eles tomem ciência e também as ações cabíveis”, disse.
Ela lembrou que o contrato de concessão exige que o concessionário deve comunicar ao órgão regulador todas as ocorrências e ter análise de risco e as ações decorrentes dessa análise notificadas à ANP. “Isso não existia, então [a empresa] vai ser autuada”, explicou.
A diretora disse ainda que a presença desse gás deveria mudar a postura da empresa em reação á produção daquele poço, especificamente, inclusive em relação à metalurgia utilizada no local. “Em função disso, mandamos interromper essa produção”, disse Magda.
A Chevron deveria, primeiro, ter informado, além de ter mostrado na análise de risco que foram tomadas todas as providências necessárias para a redução dos riscos. A diretora disse estar investigando se o gás foi tratado corretamente e se os trabalhadores chegaram a ser expostos a riscos. “O procedimento correto teria sido não ter o H2S escondido da ANP. O resto ainda vamos investigar”, contou a diretora. "A gente só descobriu porque foi a bordo".
A produção no campo de Frade em outubro, segundo a ANP, era de 70,5 mil barris de petróleo por dia, com os dez poços em funcionamento, mas a diretora não soube detalhar de quanto era a produção do poço suspenso.
Magda Chambriard participou da despedida ao diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, que deixa o cargo no próximo dia 11, após sete anos à frente do órgão regulador. Ela é uma das pessoas cotadas para a vaga.
Fonte: Valor (Juliana Ennes | Valor)
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