A extensa costa angolana e os inúmeros recursos hídricos onde abunda a
fauna piscícola fazem da pesca um importante recurso para o sustento de
muitas famílias.
Profissão nobre, em Angola como em qualquer parte do
mundo, ser pescador implica correr riscos, a maioria dos quais
relacionados com a adversidade dos elementos: temporais, calemas,
ciclones.
Quase todos os dias, os nossos pescadores artesanais partem
nas suas chatas, sem equipamento adequado ou aparelhos de orientação,
para lançar as redes ao mar, esperançados numa boa faina.
O Jornal de
Angola conversou com alguns destes valorosos homens do mar, no bairro
do Lobito Velho, sobre o dia-a-dia dos pescadores artesanais, para se
inteirar das vicissitudes que enfrentam para pôr o peixe em terra,
sabendo que muitos deles perecem nessa dura profissão.
A partida para
o mar alto é feita, em geral, ao fim da tarde, para lá chegarem já
noite cerrada. Sem pregar olho, ali pernoitam, expostos às adversidades e
no desejo que nada de mal perturbe o trabalho, uma vez que a surgir
algum imprevisto não têm modo de pedir ajuda.
Após chegarem do mar, o
que acontece entre as 5h00 e as 7h00, fazem as vendas, verificam os
lucros que obtiveram e repartem-nos entre os membros da equipa. Depois,
cada um segue o seu caminho, na certeza do reencontro nesse mesmo dia ao
fim da tarde, para mais uma jornada.
Durante o período em que estão
em terra, reparam as redes quando estão esburacadas, ou preparam a isca e
as linhas, se efectuam a pesca com anzóis. O resto da manhã é ocupado a
resolver os problemas do lar, entre os quais a compra de alimentos ou
de outros géneros necessários.
Após um breve descanso, há que
verificar se está tudo em ordem para o “embarque”, conviver um pouco com
os parentes e amigos, até que chega a hora da partida. Sob o olhar de
familiares e conhecidos, as embarcações afastam-se no mar.
Fonte: Jornal de Angola
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