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segunda-feira, 1 de abril de 2013

PE - Programa Água Doce (PAD)

Dois milhões e meio de moradores do semiárido brasileiro devem ser beneficiados com o acesso à água potável até 2019. Essa é a meta do Programa Água Doce (PAD), ação do governo federal, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente, que visa a implantação de sistemas de dessalinização em municípios que sofrem com a desertificação. Na próxima quarta-feira (03/04), será a vez de Pernambuco inaugurar a Unidade Demonstrativa do Programa Água Doce na Comunidade da Agrovila VIII, no município de Ibimirim, localizado a 339 quilômetros da capital.

Situado na região do Moxotó, Ibimirim, está entre os municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. “É uma área muito carente e se enquadra na nossa meta de atender primeiramente aos municípios que mais precisam”, destaca o coordenador do Programa Água Doce, Renato Saraiva Ferreira. A unidade começou a ser construída em agosto de 2012. Os 305 moradores da Agrovila VIII, que antes recebiam água salobra, sem tratamento, por meio de carros-pipa, já se beneficiam da água de boa qualidade oferecida pelo sistema de dessalinização implantado pelo PAD.

Desde 2003, o PAD beneficiou mais de 100 mil pessoas, em 152 comunidades distribuídas pela região do Semiárido e já capacitou mais de 600 pessoas. A meta é aplicar essa metodologia na recuperação, implantação e gestão de 1.200 sistemas de dessalinização nos dez estados da região até o próximo ano. Para isso, estão sendo investidos R$ 186 milhões, beneficiando 480 mil pessoas. Isso significa média de 400 pessoas por sistema.



Sistema de Produção Integrado do Programa Água Doce desenvolvido pela Embrapa

Semiárido

Uma Unidade Demonstrativa é um sistema de produção integrado de forma sustentável por três subsistemas interdependentes. No primeiro momento a água é captada por meio de poço profundo, enviada à um dessalinizador e em seguida armazenada em um reservatório para distribuição. No segundo momento, o efluente do dessalinizador (concentrado), água muito salina, é então utilizado para o cultivo da tilápia. No terceiro momento, o concentrado dessa criação, rico em matéria orgânica, é aproveitado para a irrigação da erva-sal (Atriplex nummularia), que por sua vez é utilizada na produção de feno para a alimentação de ovinos e caprinos da região, fechando assim o sistema de produção ambientalmente sustentável.

É uma combinação de ações integradas, de forte impacto social, que, além de produzir água potável para as comunidades atendidas, proporciona o aproveitamento econômico dos efluentes resultantes do processo de dessalinização. Como resultado, há melhoria da qualidade de vida da população e redução do impacto ambiental, o que não ocorreria caso não houvesse aproveitamento dos efluentes gerados no processo de dessalinização.

Fonte: MMA

Mais informações clique aqui

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Seminário Brasil-Noruega: Aquicultura em Águas da União


Nos dias 22 e 23 de novembro, o MPA e representantes da Noruega promovem em Brasília um seminário sobre aquicultura em Águas da União - Produção Sustentável da Aquicultura no Brasil. A ministra da Pesca e Assuntos Costeiros da Noruega, Lisbeth Berg-Hansen, e o ministro brasileiro, da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, participarão da abertura.

A abordagem do seminário está relacionada ao grande potencial brasileiro para a produção de pescado em grandes represas, sobretudo hidrelétricas. O fato é que o Brasil é o segundo maior produtor mundial de energia hidrelétrica, atrás da China. Assim, conta com mais de 250 grandes barragens no continente adequadas à produção de pescado em tanques-rede (gaiolas).

O Ministério da Pesca e Aquicultura prevê o aproveitamento de até 1% da lâmina d’água dos reservatórios para a piscicultura, para evitar impactos ambientais e permitir o uso múltiplo das águas.

Além da tilápia, de origem africana, o Brasil dispõe de espécies nativas promissoras para a aquicultura, como o tambaqui e o pirarucu, ambas da região Amazônica. No caso da Amazônia, a legislação brasileira só permite o cultivo de espécies nativas.

No momento, o Ministério da Pesca e Aquicultura implanta parques aquícolas em diversas regiões do País. As áreas demarcadas para o cultivo são entregues, mediante oferta pública, para pequenos, médios e grandes produtores. As famílias de menor renda recebem as áreas de lâmina d’água de forma não onerosa.

A Noruega é um grande parceiro comercial do Brasil, tanto na área de pesca como na de petróleo. Agora os dois países têm a oportunidade de estreitarem os seus laços econômicos e culturais através do desenvolvimento da aquicultura. A Noruega tem contribuído para o Fundo Amazônia, criado para fomentar ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia. A aquicultura poderá ser uma importante atividade econômica para a região, por ser sustentável e não exigir qualquer desmatamento.

O seminário
O Brasil é o País que conta com mais água doce no mundo, além de possuir um imenso litoral. Por isto, tem todas as condições naturais de se tornar um grande produtor de pescado.
Em 2014, o governo brasileiro prevê que a produção total de pescado do País irá alcançar dois milhões de toneladas.

No seminário, especialistas brasileiros e noruegueses trocarão experiências e conhecimentos sobre a atividade aquícola.

Participarão do evento especialistas do Ministério da Pesca e Aquicultura e parceiros do governo federal na área de pesca e aquicultura, como a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e também especialistas de universidades e de empresas privadas.

Comparecerão ao seminário especialistas noruegueses do Instituto Norueguês de Investigação Marinha (IMR), do Instituto Norueguês de Pesquisa de Alimentos, Pesca e Aquicultura (NOFIMA) e dos grupos Pharmaq e AKVA.

Ao final do encontro será elaborada uma lista com as prioridades em pesquisa e desenvolvimento para o setor aquícola, bem como as ações específicas a serem executadas.

Fonte: MPA

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pesca de tucunaré diminui 90% nos açudes públicos





 
Iguatu Um dos pescados mais apreciados da água doce é o tucunaré. Frito ou cozido, é o preferido entre a maioria dos consumidores. A espécie, entretanto, está escassa na região Centro-Sul. Nos últimos meses, houve queda de cerca de 90% na quantidade de captura nos açudes públicos. No Açude Orós, por exemplo, o segundo maior do Ceará, os pescadores se queixam do "sumiço" do peixe. Essa reclamação ocorre também no Açude Trussu, em Iguatu, no Muquém, em Cariús, e no Ubaldinho, em Cedro.

Na localidade de Barrocas, na bacia do Açude Orós, na zona rural de Iguatu, os pescadores dizem que, desde o ano passado, está cada vez mais difícil pescar tucunaré. "Aqui na nossa comunidade, a queda foi de 90%. Praticamente desapareceu", diz o presidente da Associação de Pescadores, Evanilson Saraiva. Ele informa que o grupo pescava uma média de 300 quilos de tucunaré por semana. Hoje, o número caiu para 30 quilos.

No Açude Trussu, o tucunaré também está difícil de ser capturado. No período da Quaresma de 2011, o piscicultor Ernani Lima lembra que mantinha um estoque diário em torno de 40 quilos da espécie. "Hoje, só tenho uns seis quilos", lamenta. A captura não ocorre mais diariamente. As linhas ficam armadas com isca permanentemente, mas parece que o peixe mudou-se para outras águas", lamenta.

Nas comunidades ribeirinhas do Açude Orós, a reclamação é geral. O tucunaré é uma espécie de alto valor comercial e não faz parte da relação das espécies de piracema, que são proibidas de serem capturadas nessa época do ano devido a uma portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Era uma fonte de renda para todos nós", observa o pescador artesanal Paulo da Silva. "Centenas de pescadores eram beneficiados com a captura do tucunaré", fala.

Produção de filé

Evanilson Saraiva conta que a pesca predatória das espécies pequenas é feita por meio de redes de arrasto para a produção de filé. Já a pesca das fêmeas maiores acontece com arpão.

Na localidade de Barrocas, a queda da quantidade de tucunaré capturado vem sendo observada desde 2010. Um dos maiores consumidores da espécie na região, as peixadas de Lima Campos adquirem o peixe do Açude Castanhão e de reservatórios da região Norte do País. "Em Lima Campos e no Orós, o tucunaré acabou. No passado, atendia grande parte da nossa demanda, mas agora praticamente acabou", observa o empresário José Gomes.

O engenheiro de pesca Roberto Bezerra, coordenador do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), em Iguatu, acredita que a pesca predatória do tucunaré menor do que 20 centímetros contribuiu para a situação atual. "O uso de rede com malhas reduzidas captura espécies pequenas, impedindo sequer uma reprodução", diz. "Com o tempo, o estoque tende a acabar", completa.

Bezerra defende o controle de pirambeba, outra espécie carnívora que tem em abundância no Açude Orós, mas não tem valor comercial. "O governo poderia incentivar a captura dessa espécie, que pode ser aproveitada como componente de ração ou produção de farinha", defende.

Outra medida seria intensificar o peixamento de tilápias e outras espécies que servem de alimento para tucunaré. "É preciso ampliar e ter mais rigor na fiscalização que é praticamente inexistente, e permite a pesca predatória. Os dados sugerem que o ecossistema do Orós está em desequilíbrio", observa.

Coleta anual

A Unidade Administrativa do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), no Açude Orós, faz a coleta anual de quantidade capturada de 11 espécies. A informação é dada pelos pescadores cadastrados. Não há checagem. Os dados revelam uma variação nos últimos dez anos e, curiosamente, mostram um crescimento entre 2002 e 2009.

Em 2002, quando o reservatório estava quase seco, foram capturados apenas 260 quilos de tucunaré. Já em 2005, um ano após a sangria, foram informados 20 mil quilos. Em 2009, 70 mil quilos. Em 2010, 42 mil quilos e, em 2011, caiu para 39 mil. O coordenador de Pesca e Aquicultura do Dnocs, Pedro Eymard Mesquita, informa que a produção do tucunaré é cíclica, variando entre a quadra invernosa e o período posterior. "Quando os açudes estão cheios a produção estabiliza-se", explica. "Não há motivo para preocupação". Ele esclareceu que a fiscalização de captura do pescado é de responsabilidade do Ibama e lembra que o Dnocs não realiza o peixamento da espécie tucunaré.

Quanto ao incentivo governamental para a captura de pirambeba, defende a ideia de que a iniciativa privada é quem deve encontrar alternativa de aproveitamento e comercialização do subproduto. "Cabe ao governo orientar, ensinar, mas o piscicultor é que deve buscar o mercado para o pescado, transformado em farinha ou outro produto".

Fonte: Diário do Nordeste
HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER

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