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sábado, 27 de setembro de 2014

Pará: Tecnologia social transforma pesca do camarão em atividade sustentável


Com a adoção de técnicas simples e consciência ambiental, pescadores de camarão da Ilha das Cinzas, município de Gurupá (PA), a 349 quilômetros de Belém, melhoraram a qualidade da pesca na região por meio do uso do Matapi Ecológico, um instrumento para pesca adaptada que permite que apenas os camarões grandes sejam capturados. Desta forma, os camarões menores – ainda não aptos para o consumo – conseguem sair, o que permite preservar a espécie. O projeto Manejo Comunitário de Camarão de Água Doce, criado pela Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC) foi o vencedor do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social em 2005, na categoria Região Norte.



A tecnologia social potencializou os saberes locais e valorizou o trabalho das mulheres na produção dos matapis, confeccionados com tala do jupati – palmeira da família das Arecáceas – e complementado com nylon. Além disso, com a adoção da técnica, a qualidade do pescado melhorou e fez o valor de venda aumentar de R$ 0,80 o quilo, em 1997, quando ainda não era utilizada, para R$ 10 nos dias atuais.

Após a premiação da Fundação BB, a tecnologia ganhou ainda mais força para investir na preservação dos estoques naturais e, com isso, foi possível expandir para outras cinco comunidades do Marajó – Cojuba, Arapapá, Sarapoí, Aruãs e Icatu. Hoje o projeto conta com 200 viveiros, atende 400 famílias e não se limita mais ao camarão: trabalha também com o manejo integrado dos recursos ambientais da região, como açaí e pescado, além de ações relacionadas à promoção de saúde e educação.

Josineide Malheiros, que trabalha no projeto desde a criação, conta que a premiação tornou possível realizar diversas atividades, entre elas, o encontro regional de mulheres; o estudo de mercado do camarão; o manejo da plantação de açaí e a aquisição de equipamentos de manejo florestal e de pesca; assim como a compra de insumos para os pescadores. Por meio de outra parceria com a Fundação BB, o projeto foi contemplado também com uma estação digital, com 20 computadores que atendem a toda a comunidade.

Fonte: Fundação BB

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

PE: Curso de beneficiamento de pescado


O escritório do IPA em Escada promoveu curso de beneficiamento do pescado , afim de habilitar os agricultores do município a agregar valor ao pescado produzido na região. A capacitação realizada nos dias 16 e 17/09/14 tiveram como instrutores, Gilvan Lira e Joana Darc, e apoio de Jackson Reis, Gustavo Lucas, Yullianna Cybelle e Cleide Miriam e parceiros o Núcleo de Articulação e Fomento para o Desenvolvimento Sustentável, além da Prefeitura de Escada. Os peixes forma fornecidos pelo piscicultor, Joaquim Barreto.


O conteúdo apresentado envolveu as boas práticas de manipulação do pescado, que vão desde o cultivo em viveiros até a comercialização, compreendendo as etapas do manejo de cultivo, despesca, abate, sangria, limpeza do pescado, retirada da pele, filé, barriguinha, aparas do filé e por ultimo descarne da carcaça. A partir desses produtos foi realizada a parte culinária, onde são preparados os pratos: delícia de peixe, isca de barriguinha, bolinho de peixe, isca de aparas e torresmo de peixe.

Segundo o Engenheiro de Pesca do IPA, Gilvan Lira, a monocultura tradicional da cana de açúcar limitou durante anos o conhecimento agropecuário dos produtores familiares, além de continuar diminuindo o seu rendimento financeiro. É necessário apresentarmos outras opções para as comunidades. Esse tipo de capacitação é uma forma de aumentar a renda gerada pela piscicultura, a partir do desenvolvimento de uma atividade que otimiza o valor ao pescado, podendo ser praticada pelos agricultores, e principalmente pelas suas esposas e filhos.

Fonte: IPA

terça-feira, 4 de junho de 2013

Artigo: Pesca industrial provoca destruição na África

Principal importador de peixe do planeta, a União Europeia põe em prática uma política comum de pesca destinada a satisfazer as necessidades de seus consumidores. Garantindo ter como objetivo a “preservação dos recursos naturais”, o novo programa encoraja práticas industriais destrutivas.

Seria errado reduzir o esgotamento dos recursos marinhos a uma “crença” dos ambientalistas. O súbito desaparecimento do bacalhau dos grandes cardumes da Terra Nova, no final do século XX − o que ninguém havia previsto −, teve o efeito de um eletrochoque planetário. Lançada pelos bascos no século XV, a pesca e depois a sobrepesca desse grande peixe de água fria levaram ao impensável. Ao Canadá, apesar da moratória de 1992, o bacalhau nunca mais voltou. E o que ocorreu no Atlântico Norte está acontecendo em outros mares. Os maiores navios do mundo seguem agora em direção ao sul, até os limites da Antártida, para competir pelos estoques remanescentes. Em duas décadas, a biomassa de carapau caiu de 30 milhões de toneladas para menos de 3 milhões no Pacífico Sul. No mesmo período, a população de garoupa diminuiu mais de 80% na África ocidental.

“Vamos ter um mar sem peixes?”, pergunta Philippe Cury, (1) pesquisador do Instituto de Pesquisa Francês para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Segundo ele, por causa do progresso excessivo da tecnologia e dos subsídios, a pesca mundial captura duas vezes e meia o que é aceitável. A preservação de espécies marinhas selvagens, além de uma questão de ecologia e biodiversidade, é principalmente uma luta pela sobrevivência humana. O peixe constitui um alimento altamente nutritivo, rico em ácidos graxos essenciais e, assim, contribui com cerca de 50% do consumo de proteína animal em muitos países do Hemisfério Sul: Bangladesh, Gâmbia, Senegal, Somália, Serra Leoa... Na África, durante os episódios de seca, os produtos provenientes do mar têm sido uma fonte alternativa de alimento, como na Somália, em 1974 e em 1975, quando a economia pastoril foi devastada. Mas, quando os grandes atores do setor – Europa, Rússia, Coreia, Japão e a partir de agora a China – se deslocam em águas tropicais ao largo das costas africanas, eles competem com a pesca artesanal e colocam diretamente em perigo a autossuficiência alimentar dos países do terceiro mundo.

Em dezembro de 2006, uma equipe liderada por Boris Worm, da Universidade Dalhousie (Canadá), calculou que, em meados deste século, as espécies mais pescadas hoje poderão desaparecer em virtude da sobrepesca, da destruição de biótipos e da poluição. Worm faz parte de uma nova geração de pesquisadores, concentrados principalmente na América do Norte, que colocam a sobrepesca como uma questão planetária, tal como as alterações climáticas e o esgotamento dos combustíveis fósseis. Contrariamente à crença popular, não basta parar de pescar para os peixes regressarem, e a resistência das populações não é apenas uma questão de número de ovos depositados no oceano. Agraciado com as mais altas honrarias em ecologia (2) e diretor do Centro de Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica, o biólogo marinho francês Daniel Pauly descobriu que a pesca excessiva, ao prejudicar o conjunto da rede alimentar, isto é, todas as cadeias alimentares que existem entre os organismos, está destruindo os ecossistemas marinhos, por vezes de forma irreversível. “O mar é como um castelo de cartas; sem peixe, ele pode se transformar em uma vasta extensão de água barrenta, saturada de algas tóxicas e águas-vivas, como já se pode constatar em algumas áreas”, comenta Cury.

Um modelo da agricultura produtivista

Se, durante as últimas duas décadas, a China finalmente colocou a Ásia numa posição de peso pesado da pesca mundial, a União Europeia continua ocupando um bom lugar no banco dos réus. “O desastre está chegando”, martela Maria Damanaki, comissária europeia responsável pela pesca. Em julho de 2011, ela apresentou em Bruxelas a reforma da política comum de pesca (PCP). Desde sua criação em 1970, a PCP é construída sobre um modelo inaplicável à pesca, o da agricultura intensiva. As famosas taxas admissíveis de captura (TACs) concedidas pela Comissão Europeia são, em média, 48% mais elevadas do que as recomendadas pelos cientistas.

Para resolver o excesso de capacidade da pesca europeia, a Comissão Europeia propõe como principal medida a aplicação de “concessões de pesca transferíveis” (CPTs), cotas que podem ser revendidas no mercado por pescadores. Se elas têm a vantagem de não custar nada para Bruxelas, sua generalização levanta sérias preocupações: privatização do conteúdo dos oceanos, cotas à mercê dos mercados financeiros, fim programado da pesca artesanal etc. Na Dinamarca, desde 2003, após a introdução de um sistema de ações das capturas, as concessões dos pescadores menores foram rapidamente adquiridas por um punhado de grandes empresas, apelidadas de “magnatas das cotas” pela imprensa dinamarquesa.

A comissária Maria Damanaki garante, diante de seus detratores, que um conjunto de salvaguardas vai limitar a concentração dos direitos de pesca e proteger a atividade em pequena escala. Respeitada por seu passado militante durante o levante contra a ditadura grega em 1973, Maria, porém, está isolada em uma comissão ultraliberal sob a influência das grandes associações patronais (Comissão Geral de Cooperação Agrícola da União Europeia, Europesca etc.). São elas que, nos bastidores, determinam os rumos para as propostas da comissão.

Às CPTs, soma-se uma segunda medida emblemática que também tem o mérito de não custar nada: a Comissão Europeia pretende proibir as devoluções (de pescados sem valor de mercado, que costumam chegar a dois terços do total recolhido pelas redes) ao mar, mas prevê para isso que os navios desembarquem todas as capturas no cais, a fim de que os resíduos sejam transformados em farinha de peixe para a aquicultura. Cientistas como Jean-Pascal Bergé, pesquisador do Ifremer, questionam o impacto que a obrigação de desembarcar todas as capturas terá nas condições de trabalho da tripulação. François Chartier, do Greenpeace, acredita por seu lado que se trata de uma “falsa solução, que não faz sentido algum para a preservação do recurso”. No final de julho de 2012, no entanto, o Conselho de Ministros da União Europeia preconizou uma aplicação gradual da medida, sem fornecer outras soluções para o problema dos resíduos.

É de perguntar também como a Comissão Europeia vai verificar a aplicação do regulamento, sabendo-se que na prática os controles continuam a ser uma caça muito bem guardada dos governos, e que Paris e especialmente Madri toleram as fraudes com uma complacência desconcertante. No final de 2011, a França foi condenada pela justiça comunitária a pagar uma multa de 57,7 milhões de euros pelo não cumprimento de suas obrigações. Na Espanha, as desventuras de uma equipe de inspetores enviados pela Comissão em dois portos da Galícia em 2009 dão uma boa ideia da dificuldade. Depois de encontrar os quatro pneus do carro furados no estacionamento do hotel, eles conseguiram inspecionar uma dúzia de barcos e contabilizar em um dia 200 toneladas de pescado, enquanto durante todo o mês anterior a Espanha só havia declarado 622 nos dois portos em questão.

Piratas e piratas

Os peixes e os frutos do mar tornaram-se uma questão de comércio internacional, com 37% da tonelagem destinada ao mercado mundial contra 24% em 1975. Pauly descreve assim o paradoxo social e geopolítico dessa globalização: “São aqueles que não têm peixe, os habitantes dos países ricos, que consomem 80% das capturas”. Em 1979, a União Europeia deslocou para o Sul seu excesso crônico de capacidade, tirando partido da fraqueza das estruturas estatais para abrir mercados muito lucrativos, que os acordos de parceria de pesca (APPs) bilaterais favoreceram amplamente a partir de 1979. Os APPs, que representam 8% do volume de peixe capturado pela frota europeia (muito mais em valor de mercado), envolvem uma dezena de países da África, Caribe e Pacífico. Ratificado no final de julho de 2012, o novo acordo entre a Mauritânia e a União Europeia concentra todos os excessos da PCP. Tendo como fundo a competição entre a União Europeia e a China, o ex-diretor de pesca da Mauritânia, Cheikh Ould Ahmed, soube aumentar as apostas. A partir de agora, Bruxelas paga anualmente a Nouakchott uma compensação financeira de 113 milhões de euros, o maior contrato de pesca do mundo. Em troca, um número ilimitado de navios europeus obtém o direito de acesso às águas territoriais, sem restrições reais de captura e, sobretudo, em concorrência direta com a pesca artesanal local. Como a maioria dos signatários dos APPs, a Mauritânia não tem recursos técnicos e logísticos para a realização de controles sobre as atividades de pesca europeia. Embora esta seja a primeira e a mais interessante das rendas, metade da população mauritana vive abaixo da linha de pobreza, e, em dez anos, o consumo de produtos do mar passou de 11 kg/ano/habitante para 9,5 kg/ano/habitante.

O acordo bilateral levanta também questões quanto à legitimidade, em razão de uma óbvia falta de garantias democráticas sobre o uso das compensações financeiras. No norte, a baía de Nouadhibou é tristemente célebre por seus duzentos destroços de navios estrangeiros abandonados, enquanto se distinguem facilmente as grandes traineiras espanholas no horizonte: “O dinheiro de Bruxelas deveria nos ajudar a desenvolver nossa pesca, mas, na wilaya [região administrativa], nunca se viu nada da Europa a não ser seus imensos navios”, afirma Salim Ouerdani, um velho pescador. De fato, nesse país onde a corrupção está profundamente enraizada, os próximos do regime de Mohamed Abdel Aziz controlam as compensações financeiras, as licenças de pesca e os direitos alfandegários.

Reconvertidos à pirataria

“Bruxelas desliza suavemente para uma gestão liberal em que as patronais europeias participarão mais da contrapartida financeira. A União Europeia corre o risco de perder qualquer direito de intervenção”, analisa Béatrice Gorez, coordenadora da Coalizão para Acordos de Pesca Justos (Cape, na sigla em francês). Esse é o grande paradoxo desses acordos: no país onde eles estão ausentes, os resultados são ainda piores. Alguns − como Senegal, Ilhas Maurício e Angola − declinaram, a partir de 2006, da renovação dos acordos de pesca com a União Europeia, mas se veem confrontados com o que se denomina no meio de “senegalização” dos navios europeus. O princípio é conhecido: os navios exibem a bandeira do Senegal, mas seu capital e gestão são essencialmente estrangeiros. “Os pescadores locais abandonaram a pesca de subsistência para se concentrar nas espécies destinadas ao comércio internacional, provocando uma crise de abastecimento no mercado local”, analisa Stéphan Beaucher, da coalizão de associações Ocean 2012. Depois de vinte anos durante os quais houve a combinação de acordo de pesca e “senegalização” das frotas, uma constatação se impõe: os estoques das quatro espécies principais (linguado, pargo, garoupa branca e perca) caíram 75%.

Finalmente, quando o Estado entrou em colapso, como na Somália, os europeus passaram a pescar na pior das hipóteses sem uma licença e, na melhor, graças a autorizações falsas emitidas por empresas mafiosas criadas no Catar por chefes de guerra − um sistema do qual se beneficiam a gigante espanhola Pesca Nova e a Companhia Bretã de Cargas Frigoríficas (Cobrecaf), que totaliza 70 mil toneladas de atum por ano, no Oceano Índico.(3) Em Kismayoo, Berbera, Mogadíscio, a palavra malai (“peixe”, no idioma somali) é ouvida diariamente nas rádios locais que denunciam a presença de embarcações estrangeiras. “A escala dos volumes pescados afeta as capacidades de subsistência somalis, porque os navios ocidentais recolhem em uma noite o que os moradores locais pegam em um ano”, analisa Roger Middleton, do Instituto Chatham House. Na Somália, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) estima que oitocentos navios estrangeiros pesquem de US$ 300 milhões a US$ 450 milhões por ano, principalmente atum, camarão e lagosta. Já o governo de transição somali tem um orçamento global anual de US$ 100 milhões e não possui mais marinha militar para fazer valer seus direitos ao longo de 3,3 mil quilômetros de litoral. Segundo Abdul Jama, um pescador encontrado no velho porto de Mogadíscio, a fim de proteger suas costas e sobreviver, os somalis de Puntland abandonaram a pesca e se voltaram para a pirataria. Sabe-se que o Alakrana e o Artza, dois barcos frigoríficos gigantes para a pesca do atum registrados no País Basco, percorriam a zona econômica exclusiva da Somália quando foram vítimas de ataques piratas, respectivamente em 2009 e 2010. À frente do sindicato dos pescadores de Berbera, na Somalilândia, Hukun Hussein Yussuf ameniza essas informações: “Na verdade, eles fazem os navios estrangeiros fugir, mas alguns não hesitam em extorquir dinheiro de nós”. Ao longo dos anos, milicianos, especialistas em navegação e empresários vêm se juntando às fileiras dos “ex-pescadores”, constituindo cinco organizações para um total de mil homens. Em resposta, a União Europeia começou, em dezembro de 2008, a “Operação Atalanta”, a um custo de cerca de 150 milhões de euros.(4) Cruzadores, aviões de patrulha: as marinhas espanhola e francesa investiram plenamente nessas operações. Infelizmente, a Atalanta não tem por missão combater a pesca ilegal europeia: “Não é meu papel nem meu mandato”, afirmava, em 2009, o almirante britânico Peter Hudson, encarregado das operações. (5)

Junto com a redefinição de alguns APPs, a União Europeia pressiona pela colocação em prática de acordos de parceria econômica (APEs) muito mais amplos, com o objetivo de liberalizar o comércio por meio da supressão dos direitos alfandegários. Estes incluem um item de pesca, considerado por muitos observadores como “pior” do que os APPs. A manutenção de um acesso ininterrupto ao mercado europeu para os produtos do mar tem sido uma das principais razões que estimularam a maioria dos países africanos a rejeitar os APEs provisórios, no final de 2007. Desde então, Bruxelas não abandonou o caso. Associações, parlamentares como Christiane Taubira (ministra efetiva da Justiça quando era parlamentar) (6) ou ainda o relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, afirmam que a União Europeia exerce pressão em países do terceiro mundo, ameaçando “a ajuda ao desenvolvimento”. (7) A Europa também começou a dividir a oposição organizando polos regionais de negociação e privilegiando certos Estados-chave, como a Costa do Marfim. Bruxelas se esquece, no entanto, de considerar o peixe pelo que ele é – um animal selvagem, e não um “produto” biológico.

Por: Jean-Sébastien Mora
Fonte: Diplomatique

terça-feira, 2 de abril de 2013

Noruega - Indústria de processamento do bacalhau rejeita uso de aditivos


"Eu concordo com a proibição do uso de fosfatos. Se nós não usamos nos nossos filetes, não faz sentido usarmos aditivos na produção", afirmou Paul Hauan, diretor na unidade da Norway Seafoods em naquela localidade.

As ilhas Lofoten são uma das regiões com maior tradição de pesca do bacalhau, do qual Portugal é o segundo maior importador, atrás do Brasil.

Nesta unidade, o peixe é recebido diariamente fresco das traineiras de pequena dimensão, cujos pescadores não estão a par da polémica, e processado para vários tipos de produtos.

Atualmente interditado, o uso de aditivos no processo de salga úmida do pescado está em discussão na Comissão Europeia devido a uma proposta apresentada em conjunto pela Dinamarca, Islândia e uma associação de armadores da Noruega.

O objetivo é,  dizem, impedir que o peixe amarele e que mantenha uma cor branca, mas os industriais portugueses do setor afirmam que os polifosfatos resultam na retenção de água e perda de qualidade do bacalhau salgado seco.

Um estudo científico de 2010 pelo instituto islandês Matis concluiu que os fosfatos podem ser às vezes uma ajuda ao processamento e não são detetados no produto final de consumo.

Porém, admite que também podem ser usados como aditivos alimentares, contrariando diretivas existentes, pelo que sugere a limitação de quantidades e a discussão entre produtores, compradores e autoridades reguladoras da alimentação.

Oslo tem vincado a disponibilidade para conceder uma exceção para proteger o processo de secagem tradicional usado em Portugal, mas o impasse forçou o adiamento de uma decisão em Bruxelas.

Terje Engø, jornalista da revista especializada Norther Seafood, recorda-se do debate na Noruega há alguns anos atrás e dos rumores de uso ilegal de aditivos no bacalhau.

As multas elevadas definidas para os infratores terão sido suficientes para desencorajar a prática, mas admite que poderá haver interessados no uso de polifosfatos na indústria de processamento, sobretudo porque é feito por outros países, nomeadamente asiáticos.

"Suponho que a discussão regressará", previu.

Fonte: Diário Digital com Lusa

terça-feira, 5 de março de 2013

Pirarucu da Amazônia será certificado pelo Inmetro



Instituto irá conceder selo de identificação da conformidade a fornecedores que atenderem a indicadores de sustentabilidade e sociais.

Peixe é o primeiro produto regulamentado para receber o Selo Amazônico

O Inmetro acaba de publicar o regulamento para a certificação voluntária do Pirarucu Salgado Seco, popularmente conhecido como bacalhau da Amazônia. Para obter o Selo de Identificação da Conformidade, o peixe típico da região será avaliado desde o processo produtivo até a venda, e deve garantir a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva e atender a aspectos sociais, como não utilizar mão de obra escrava e oferecer aos trabalhadores todo o equipamento de proteção necessário.

— A certificação também tem o objetivo de ser um diferencial de vendas para o micro empresário, tanto no país como no exterior, com avaliação do Inmetro, que tem reconhecimento internacional — acrescenta Gustavo Kuster, chefe da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade do instituto.

Alfredo Lobo, diretor de Qualidade do Inmetro, ressalta que o selo dará ao consumidor a garantia de estar adquirindo produto de uma região nobre, que é a Amazônia, e de forma sustentável, preservando o meio ambiente para as futuras gerações.

A certificação do pirarucu integra o programa Selo Amazônico, criado há pouco mais de um ano pelo Inmetro, que consiste no monitoramento de requisitos de qualidade, impacto social econômico e ambiental de produtos manufaturados com matéria-prima vinda da Amazônia brasileira, e que tenham parte ou todo o processo produtivo instalado na região.

O pirarucu é o primeiro produto regulamentado para receber o Selo Amazônico. No entanto, Lobo conta que há fitoterápicos, fármacos, biojoias, embalagens sustentáveis, outros alimentos e cosméticos em estudo.

Fonte: O GLOBO

Imagem: Blog do Colares

terça-feira, 27 de março de 2012

Portugal - Sobre o Bacalhau (parte 2 - processamento))


A Seca

A seca natural, após a salga, é um dos mais primitivos processos tecnológicos de preservação dos alimentos, tendo desde a Antiguidade sido um dos recursos económicos
mais importantes das populações, e obviamente para o caso do pescado, sustentando o desenvolvimento da pesca.




A secagem natural é, contudo, um processo com enorme dependência das condições climáticas. Se estiver tempo húmido ou chuvoso não ocorre a evaporação, podendo mesmo, no caso de o pescado apanhar chuva, o efeito da salga ficar irremediavelmente perdido, pondo em causa o próprio produto.

Por outro lado, se o tempo estiver muito quente, acima dos 26º/28ºC e conforme as condições de humidade e salinidade do bacalhau, podem ocorrer alterações na massa muscular e pele – vulgarmente designadas por “melado” e, depois, por “queimado” – ficando o peixe praticamente sem condições de recuperação para o consumo humano.

Porém, dadas as condições do nosso clima (e porque o bacalhau não deve estar sujeito a temperaturas superiores a 26ºC), durante as estações mais quentes o peixe era espalhado pela manhãzinha, levantado pelas 9 ou 10 da manhã com a subida de temperatura, e voltava a ser espalhado com o arrefecimento do fim do dia.

Por vezes deixava-se o peixe estendido durante a noite, se a humidade nocturna permitisse tal decisão. Entre o levantar e o estender, o peixe era empilhado um sobre o outro, repetindo-se o procedimento tantas vezes quantas as necessárias para se obter o grau de cura pretendido.

Esta tarefa rotineira de espalhar o peixe durante a manhã, levantá-lo, voltar a espalhar e deixá-lo até ao pôr do sol, conforme a fortuna do clima, implicava a disponibilidade de um considerável número de pessoas, só possível em determinado contexto social, sendo inconcebível à luz da sociedade actual e dos respectivos ritmos salariais.

A secagem artificial de bacalhau será introduzida em Portugal, necessariamente, por imperativos de ordem económica das empresas secadoras.Os primeiros túneis de secagem artificial instalados, nos moldes considerados como de sistema convencional, foram-no em 1951 na Empresa Comercial e Industrial de Pesca – Pescal, Ldª, em Alcochete, a que rapidamente se juntaram os da Empresa de Pesca de Aveiro, em Aveiro, e da Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Ldª (SNAB), primeiro em Alcochete, depois em Lavadores, no Porto.



Instalações de Alcochete

A SNAB irá reintroduzir nova tecnologia, esta de patente nacional, no início dos anos 70, sistema que será difundido depois por vários secadouros nacionais.

E é na implementação desta nova tecnologia que eu participo, pois sou funcionário da empresa detentora da patente dessa tecnologia.

Quando inicio a minha actividade como técnico de frio, estavam em fase de conclusão as instalações de secagem de bacalhau da Figueira da Foz e tínhamos muito trabalho de manutenção nas instalações de secagem de Alcochete.

Tínhamos também em construção, nas nossas instalações, um protótipo de túnel de secagem que permitia redimensionar todo o sistema às dimensões de um contentor, de que viríamos a construir algumas unidades.

O sistema era simples, no tecto do contentor. Na parte exterior estava a unidade de tratamento de ar composta pelo evaporador, ventilador e condensador.

O ar vindo do túnel, ao passar no evaporador, largava a humidade retirada ao bacalhau sendo depois aquecido no condensador e novamente enviado para o interior do túnel.

Num dos topos do contentor estava o grupo de condensação e o quadro de comandos, e no outro topo estavam as portas que abriam a toda a largura do túnel, o bacalhau era posto nuns tabuleiros semelhantes a uma cama de rede em nylon, com um aro em madeira, e eram colocados numa estrutura com rodas. Esses tabuleiros, já com os bacalhaus, encaixavam na estrutura, ficando sobrepostos, com um espaço entre eles para o ar poder circular, sendo que o ar era uniformemente distribuído do tecto até ao chão e ao longo do túnel.



No túnel cabiam quatro carros, dois a dois, e cada carro levava vinte tabuleiros, cada tabuleiro dez bacalhaus, o que totalizava oitocentos bacalhaus por ciclo.



Após a conclusão do protótipo, em que participei activamente, e que considero a tarefa mais entusiasmante de toda a minha carreira como técnico de frio, fiquei encarregue de registar todos os parâmetros, tais como: consumo energético, carga de refrigerante, velocidade do ar interior, pressões, temperaturas, etc. Relativamente ao bacalhau, era preciso determinar o tempo de seca, grau de humidade, etc.

Para isso, tive que dormir na fábrica durante alguns dias, para não interromper o processo, uma vez que era necessário fazer o registo dos parâmetros a cada duas horas, e virar os carros com o bacalhau para tornar mais uniforme a distribuição do ar.

Após esta breve descrição, da pesca e seca do bacalhau, assim como da penosa vida a bordo, mostro também a minha relação “lateral” com o bacalhau.

Resta dizer que a pesca do bacalhau foi uma actividade que condicionou gerações inteiras de algumas zonas do país, constituindo, também por isso, um património de memórias a preservar, embora muitas vezes doloroso.

Fonte: Eduardo Freitas

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Plástico feito de escamas de peixes




São Paulo - Um novo tipo de plástico foi 100% desenvolvido a partir de escamas de peixes. O projeto do designer Erik de Laurens oferece mais uma alternativa de matéria prima sustentável para o desenvolvimento de produtos.

O The Fish Feast (ou a festa dos peixes, em tradução livre) foi desenvolvido por Laurens durante seu projeto de conclusão de curso do Royal College of Art, universidade de artes localizada em Londres, Inglaterra. Reaproveitando as escamas que seriam descartadas como resíduos da indústria de pescados, o designer criou copos, armações de óculos de grau e de mergulho e objetos de decoração. O novo plástico foi desenvolvido usando apenas calor, pressão e, para dar o colorido, corante.

Em seu site, Laurens conta que deu início ao The Fish Feast quando foi convidado para projetar objetos para a cantina de uma escola primária. “Quando eu era criança, o mar foi para mim uma fonte muito importante de alegria e isso certamente me levou a criar”, escreveu sobre sua inspiração. O designer está em busca de investimento para dar continuidade à pesquisa.

Fonte: info (abril)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Panga invadiu o Brasil


Ao almoçar em Barra de Itabapoana (São Francisco de Itabapoana - RJ) na última sexta feira como faço uma vez por mês, a Dona Eugênia, que trabalha no simples e competente restaurante do Espanhol, além de nos ofereceu o habitual beijupirá, sarda, pescada, peroá, dentre outros citou um tal de "pango" que segundo ela era muito bom e parecia filé de pescada. De cara identifiquei que tratava do já popular panga (Pangasius hypophthalmus) facilmente encontrado nas gondolas dos supermecados brasileiros.

Mas até aqui em uma comunidade pesqueira, a beira da foz do Rio Itabapoana na fronteira dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e com uma frota pesqueira que abastece o local com a mais variada qualidade de pescados de rio, estuário e mar como os peixes citados acima? Como o panga consegue chegar em quantidade e preço competitivo, mesmo vindo do outro lado do mundo?


Desde 2009 quando o Panga (Pangasius hypophthalmus) desembarcou no Brasil foi gerada muita polêmica acerca deste pescado que chegou ao mercado brasileiro e pelo seu preço atrativo tomou a fatia do mercado de outros pescados importados, nacionais seja oriundos da pesca como e principalmente da aquicultura (Exemplo: em 2009 chegou 25% mais barato que a Merluza).

O Panga é cultivado há mais de mil anos no Rio Mekong, no Vietnã, um dos maiores rios do mundo, localizado no sudeste asiático. Há muitos anos, é exportado para mais de 240 nações, entre elas os Estados Unidos, todos os países da Comunidade Européia, Japão, Rússia, Austrália, entre outros.

Pangasius hypopthalamus é um Siluriformes que pertence à família Pangasidae com mais de 20 espécies diferentes e é popularmente chamado de “tubarão-bagre” por causa de suas acentuadas nadadeiras dorsais. Dois membros desta família podem ser cultivados, o Pangasius hypophthalmus (vietnamita: Tra) e o P. bocourti (vietnamita: Basa).

O mercado do panga no mundo já movimenta milhões e gera milhões de emprego, pelo menos no Vietnan, mas vem tirando muito o sono de aquicultores brasileiros de tilápia entre outros.

Abaixo vídeo de uma das maiores empresas de processamento de pescado mostrando todas as etapas do processamento, da despesca ao filé congelado e embalado pronto pra correr o mundo.


Desprovido de preconceito, mas sem querer entender a lógica que proporciona um peixe correr meio mundo e chegar mais barato que outro pescado a poucas milhas de distância, preferi comer meu beijupirá capturado na rede de emalhe por pescadores brasileiros. 

Mas o preço e oferta de pescados produzidos no Brasil conseguirão conter a entrada do Panga no mercado brasileiro?

terça-feira, 14 de junho de 2011

Livro - Tecnologia do Pescado - Ciência, Tecnologia, Inovação e Legislação



O livro é destinado a vários níveis e contém informação tanto atual quanto inovadora, além de ser muito relevante para futuras consultas e aplicações práticas. Cada capítulo é extensivamente relacionado com informações chaves, exemplos práticos e referências bibliográficas, sendo outro diferencial das obras até então publicadas.

Poderá ser um complemento importante para indústrias, instituições de pesquisa, instituições de ensino técnico e superior e bibliotecas pessoais. Será inestimável para tecnólogos da industria do pescado, consultores, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e autoridades do governo envolvidas na regulação ou fiscalização e controle de qualidade do pescado.

Fonte: Atheneu


segunda-feira, 30 de maio de 2011

SP - Fast Food à base de pescado


A professora Marilia Oetterer, coordenadora do Grupo de Estudo e Extensão em Inovação Tecnológica e Qualidade do Pescado (Getep), é a orientadora de projeto de pesquisa que desenvolveu o Fast Food à base de pescado, utilizando resíduos da industrialização da tilápia como matéria prima. O trabalho conta com a colaboração de alunos de iniciação científica, mestrandos e doutorandos da área de Ciências dos Alimentos e Nutrição.


Fonte: TV USP

terça-feira, 15 de março de 2011

Novo coletor solar beneficiará 150 pescadores de Itaguaí


Mais de 150 pescadores de Itaguaí poderão melhorar a qualidade do seu pescado e, assim, aumentar o valor de venda dos peixes no mercado. A partir de abril, o município ganhará um novo coletor solar. O equipamento capta e processa energia solar e eólica, que é usada na câmara de secagem para conservação de peixes. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Itaguaí, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O projeto tem o objetivo de melhorar a renda dos pescadores ao valorizar espécies de peixes mais baratas, como o bagre amarelo, que depois de passar por um processo de secagem e salga passam a custar sete vezes mais. Segundo Priscila Massi, diretora de pesca do município, a espécie de menor valor comercial, depois de salgada, passa a se chamar mulato velho, cujo preço pode chegar a R$15.

Para que os pescadores aprendam a operar o equipamento a Secretaria está oferecendo um curso de capacitação, com aulas voltadas para os pescadores que atuam no Canal do Trapiche, Ilha dos Martins, Ilha da Madeira, Ponte Preta e Rio da Guarda. Além de aprenderem sobre a câmera de secagem, os alunos também têm aulas de como fazer produtos usando como matéria-prima o pescado: linguiça, hambúrguer e outros derivados.

Fonte: O GLOBO/ Razão Social



segunda-feira, 14 de junho de 2010

MPA - Resultado "Kit-despolpadeira"


Na última sexta-feira o MPA divulgou o resultado das entidades privadas, sem fins lucrativos interessadas em participar do programa de inclusão do pescado na alimentação escolar. 


Ata da Comissão de Seleção do Edital Público n. º 03/2010

Das 76 propostas, 70 foram inabilitadas, e 6 habilitadas e classificadas para receber o "Kit -despolpadeira" .
A maioria das justificativas para o corte das outras 70 entidades foi a falta de registro de inspeção sanitária (SIM, SIE e SIF), além da idade da entidade (menos que 1 ano), da insuficiência de matéria-prima (pescado), terreno da entidade e ,como no caso de colônias e associações de pescadores, o fato de conter o pagamento de pró-labore em seu estatutos.

Na Bahia, 5 entidades se inscreveram, nenhuma foi habilitada.

No Espírito Santo, 3 entidades se inscreveram, inclusive a Colônia Z-10 de Itapemirim, mas apenas 1 entidade de piscicultura foi habilitada.

No Rio de Janeiro, 1 Cooperativa de Saquarema se inscreveu, mas não foi habilitada pela idade.

No estado de São Paulo, 3 entidades se inscreveram, todas associações de produtores rurais, mas nenhuma se habilitou.
Todas as 6 entidades habilitadas são todas associações e cooperativas de produtores rurais / piscicultores.

Ou seja, nenhuma entidade de pesca e consequentemente pescador foi beneficiado pelo presente edital.

Este caso acima é mais um exemplo e constitui-se no desafio atual para as entidades de pesca do Brasil na busca de adequação estatutária e estrutural para terem aceso a muitos dos editais. 

Neste caso especifico, já querer da entidade algum registro de inspeção dificultou ainda mais o acesso ao benefício.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Biodiesel de pescado



Abaixo coletamos informações baseadas no artigo Biodiesel Aquicola, que aqui denominamos como Biodiesel de Pescado pois este processo não precisa se limitar a aproveitar sobras de pescado oriundos da aquicultura. Muito dos peixes produzidos pela pesca tem suas sobras provenientes da evisceração e outros métodos de beneficiamento dispostos de forma inadequada. 

A matéria abaixo mostra mais uma fonte de aproveitamento deste resíduo e mais uma vez apresenta que além de se estar poluindo o ambiente com as sobras de pescado está se jogando dinheiro no lixo e não aproveitando uma potencial alternativa de geração de renda, emprego e no caso do Biodiesel do Pescado, de energia.

Biodiesel de Pescado

Tecnologias atuais permitem que os resíduos, restos, escórias, amparas e outras sobras de processamento de pescado sejam usados como excelentes matérias primas para produção de Biodiesel Aquícola e outros tipos de biocombustíveis.

O uso de gordura animal para produção de biodiesel não é uma tecnologia nova, entretanto a capacidade de adaptação desta tecnologia para produir o Biodiesel tem recentemente atraído o interesse da indústria de produção de pescados.

A controvérsia da produção de alimentos versus combustíveis ou seja a competição de produtos agrícolas para produzir bioenergia está se tornando bastante significativa e será ainda mais nos próximos anos. Tanto nos USA como em várias partes do mundo há uma corrida para achar matéria prima para biocombustíveis que não competem com a produção de alimento.

Após o óleo de peixe ser extraído, a partir dos resíduos de processamento do pescado, o mesmo passa por um processo químico chamado de transesterificação com o uso de um catalizador (normalmente soda potássica ou cáustica) e adição de um álcool (metanol ou etanol), o biodiesel é produzido.

Dez litros de óleo de peixe + um litro de álcool produzem cerca de 10 litros de Biodiesel de Pescado e 1 litro de glicerina. Dependendo do conteúdo de óleo nos resíduos aquícolas, é possível produzir até meio litro de biodiesel para cada kg de resíduos de pescados.

Fonte: Portal PA

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Como me apaixonei por um peixe.



Olá, amigos.

Abaixo vídeo muito interessante (Obrigado, Juliana!) com a palestra de um chef de cozinha americano onde versa sobre produção sustentável de alimentos onde ele compara duas formas de produção de pescado através da aquicultura (cultivos intensivos e extensivos).

Obs: No canto esquerdo do vídeo clique em View Subtitle e escolha a legenda
Portuguese (Brazil).

Boa palestra e reflexões!


SINOPSE: O chef Dan Barber elucida um dilema de muitos dos chefs de hoje: como manter o peixe nos menus. Com pesquisa impecável e humor impassível, ele relata sua busca por um peixe sustentável que ele pudesse amar, e a lua de mel gastronômica que desfrutou após descobrir um peixe tremendamente delicioso, criado através de um método revolucionário de cativeiro, na Espanha.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Reaberta a pesca de camarão no litoral Sul/Sudeste



Hoje reabre a temporada de pesca do camarão no sul e sudeste do país, depois de 3 meses de interrupção pelo período de defeso, 1 de março a 31 de maio (Instrução Normativa IBAMA 189).


Abaixo pesquisa interessante sobre o alto valor proteíco do camarão:

Camarão-rosa têm alto valor proteico por Raquel do Carmo SantosS

As partes do camarão-rosa normalmente desprezadas pelo consumidor – a cabeça, a casca e a cauda – são justamente as que apresentam altos valores de proteínas e óleo rico em ácidos graxos com valores consideráveis de ômega 3 – gorduras essenciais ao funcionamento do organismo e que estão sendo amplamente estudadas por pesquisadores do mundo todo.



A descoberta foi feita pela engenheira química Andrea Del Pilar Sánchez Camargo em pesquisa desenvolvida na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), sob orientação do professor Fernando Antonio Cabral, que afirma existir poucos estudos na identificação dos teores de ômega 3 nos resíduos de camarão-rosa nacional.
Enquanto a carne, a parte mais apreciada pelo brasileiro, possui 1% do óleo contendo ácidos graxos, o resíduo, em geral descartado, possui 5%, sendo que, deste, 25% é representado pelos ácidos graxos ômega 3 – EPA e DHA –, amplamente conhecidos no mercado nutracêutico. Ademais, as partes residuais do camarão-rosa possuem um alto teor de astaxantina, composto que dá sua cor alaranjada e consiste em um carotenóide, com alto poder antioxidante e também importante para a saúde humana. Ou seja, cerca de 50% do crustáceo descartado no meio ambiente, ou às vezes usado para ração animal, poderia ser utilizado como suplemento alimentar e, quem sabe, no desenvolvimento de um novo produto.

“O objetivo a partir destas informações seria deixar um caminho aberto para estudos de viabilidade técnica e econômica, pois este não foi o foco do nosso trabalho. Mas é certo que a pesquisa apontou que o resíduo possui um valor agregado significativo e poderia ser reaproveitado para o consumo humano de alguma forma”, explica o professor Fernando Cabral. 

Ademais, explica Andrea, o descarte do resíduo do camarão-rosa no meio ambiente é extremamente crítico. Trata-se de uma espécie comum em grande parte do litoral brasileiro e também criado em cativeiro. Por isso, representa uma fatia boa do mercado de animais marinhos, especificamente de camarão, em que o Brasil é o sexto maior produtor do continente americano, sendo este produto o mais exportado. Neste sentido, o estudo desenvolvido na FEA ganha em importância. 

A engenheira química chegou aos valores de lipídeos e astaxantina ao testar uma técnica intitulada “Extração Supercrítica com Dióxido de Carbono (CO2)”. Trata-se de um processo limpo considerado ecologicamente correto, pois a extração das substâncias não deixa resíduo e é feita de maneira semelhante ao líquido. Segundo Cabral, vale lembrar que a utilização do dióxido de carbono cada vez mais é destacada para extração em alimentos que precisam de um alto grau de pureza, uma vez que não possui toxicidade e é inerte. Os resultados obtidos foram submetidos ao periódico científico Journal of Food Engineering.

Publicação: Dissertação “Extração supercrítica de astaxantina e lipídeos ricos em ácidos graxos w-3 a partir de resíduos de camarão-rosa (Farfantepenaeus paulensis)”

Autor: Andrea Del Pilar Sánchez Camargo

Orientador: Fernando Antonio Cabral

Unidade: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA)

Financiamento: Fapesp
 http://www.fea.unicamp.br/index.php/documento/537

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Divulgação: Curso Técnico (Gratuito) Processamento Pescado em Piúma - ES

O IFES (antigo Cefet- ES) lançou edital com 20 vagas para o curso técnico em Processamento de Pescado no Campus Piúma.

As inscrições estão abertas até 09 de junho de 2010 pela internet no site: www.ifes.edu.br ou no próprio Campus à Rua Augusto Costa de Oliveira, 660 – Praia Doce – Piúma, onde funcionava a antiga Escola de Pesca.

Para concorrer o candidato deve ter o Ensino Médio completo ou estar cursando o 3º ano do Ensino Médio.

As provas serão realizadas no dia 27 de junho de 2010. O curso é de nível técnico e é gratuito.

Mais informações: (27) 3331-2152 (na reitoria) ou (28) 3520 3205 (Campus Piúma -Débora ).

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