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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Japão retoma oficialmente caça comercial das baleias


O Japão anunciou nesta quarta-feira (26) sua retirada da Comissão Baleeira Internacional (CBI) com o objetivo de retomar a caça comercial em julho, desafiando os defensores dos cetáceos, 30 anos depois de ter encerrado esta prática – ao menos oficialmente.

Na realidade, o Japão nunca interrompeu completamente a caça às baleias, utilizando um cláusula da moratória de 1986 que autoriza a captura destes animais para pesquisa.

Agora, retomará a caça publicamente com fins comerciais, como já fazem Islândia e Noruega.

As críticas não demoraram a chegar: o governo australiano afirmou que está “extremamente decepcionado” e pediu ao Japão que reconsidere sua posição.

O ministro neozelandês das Relações Exteriores, Winston Peters, enviou uma mensagem similar a Tóquio e criticou uma “prática antiquada e inútil”.

O Japão não vai caçar em “águas da Antártica, ou no hemisfério Sul”, alegou Yoshihide Suga, representante do governo para o tema.

“A caça estará limitada às águas territoriais e à zona econômica exclusiva do Japão, de acordo com as cotas de capturas calculadas segundo o método da CBI para não esgotar os recursos”, disse.

O governo prevê que a saída da CBI se torne efetiva no dia 30 de junho.

– “O caminho a seguir” –

Suga justificou a decisão pela “ausência de concessões por parte dos países unicamente comprometidos com a proteção das baleias, apesar dos elementos científicos que confirmam a abundância de certas espécies de baleias”.

Uma divergência evidente foi registrada na última reunião da CBI, em setembro, recordou o representante do governo.

Na ocasião, a entidade rejeitou o texto apresentado pelo Japão, com o título “O caminho a seguir”.

A ideia de Tóquio era aplicar uma via dupla dentro da CBI, uma organização com 89 países-membros, para incluir a preservação e a caça comercial das baleias. Esta última teria sido administrada por um “comitê sustentável de caça às baleias”.

A proposta teria acabado com a moratória imposta a esta atividade em 1986, da qual o Japão é signatário.

Os países defensores das baleias, com Austrália, União Europeia e Estados Unidos à frente, rejeitaram o texto nipônico, com 41 votos contra 27, o que levou o Japão a abandonar a CBI.

Fonte: ISTO É

Imagem: 



terça-feira, 5 de maio de 2015

Pescado manda no mercado mundial

O comércio de pescado é o maior negócio global entre todas as proteínas animais no mundo, superando as grandes commodities animais: carnes bovina, suína e de aves. De acordo com o Rabobank, só em 2014 foram movimentados mais de US$ 140 bilhões em compras e vendas de pescado. E o mais impressionante: essa quantia dobrou nos últimos cinco anos.

“A indústria é muito diversa e oferece uma ampla gama de produtos. Tanto a indústria quanto o fluxo de comércio devem permanecer em constante fluxo”, diz relatório do banco a que a Seafood Brasil teve acesso. A instituição avalia ainda que a indústria aquícola em ascensão, especialmente de peixes brancos, está se tornando cada vez mais importante para o fluxo comercial de pescado, particularmente da Ásia para o Ocidente.

Na opinião do Rabobank, a aquicultura, uma enorme indústria de reprocessamento e um aumento da afluência de consumidores domésticos são as razões principais pelas quais a China é, de longe, o maior player mundial no mercado de pescado. E isso só deve crescer. “Esperamos que a China aumente cada vez mais a importação de produtos de alto valor agregado no futuro, enquanto sua indústria vai se concentrar mais na demanda doméstica, gradualmente estabilizando sua balança comercial altamente positiva”, diz o relatório.

Consumo x exportação

Os maiores mercados consumidores de pescado são a União Europeia, Estados Unidos e Japão. Entretanto, a China, como o maior exportador e quarta região que mais importa pescado no mundo, tem papel fundamental na análise do consumo, diz o Rabobank. Como se nota no mapa, o volume de comércio do Peru para a China sublinha a quantidade de pequenos peixes pelágicos capturados para o uso em ração para a aquicultura chinesa.

De qualquer forma, os Estados Unidos seguem na liderança da importação, com US$ 26 bilhões em 2013, enquanto a União Europeia respondeu por US$ 19 bilhões nos dados de 2013 analisados pelo Rabobank. O Brasil aparece no ranking, ocupando a 10º posição.





A Noruega e, novamente, a China, lideram as vendas. O país asiático comercializou o equivalente a US$ 20 bilhões em 2013, o dobro dos nórdicos, que ocupam a segunda posição na lista dos maiores exportadores mundiais.

Fonte: Seafood Brasil e Rabobank

terça-feira, 13 de maio de 2014

Mês de ocorrência de tubarão raros


Tubarão Goblin capturado no Golfo do México na costa da Flórida (Fonte: NATGEO)

Tem sido um mês de ocorrências de tubarões raros! Depois de um pescador da Flórida captura o segundo Tubarão Globin já registrado no Golfo do México, agora ocorre o registro de um raro tubarão boca-grande (Megamouth Shark) de quase 4 metros na costa japonesa, perto de Shizuoka.



Este é apenas a 55o registro desta espécie no mundo desde a primeira ocorrência, realizada em 1976 em uma captura  acidental por um navio da Marinha americana na costa de Oahu, Hawai.



Fonte: National Geographic

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Década de 1920: Sereias japonesas




No Japão da década de 20, centenas de mulheres mergulhavam nuas em busca de ostras e pérolas. Com um fôlego invejável, elas chegavam a ficar mais de 2 minutos debaixo d’água, inclusive durante o inverno. Chamadas de Amas, essas mulheres foram registradas por Iwase Yoshiyuki em sua Kodak. As fotografias são um dos únicos registros dessa milenar profissão que se extinguiu algumas décadas depois.



Utilizando uma máscara para os olhos e chinelos especiais, mulheres e meninas, também conhecidas como sereias, enfrentavam os mares por toda a costa japonesa. O motivo de fazerem isso nuas? Enquanto que roupas de mergulho não chegaram ao país até 1950, roupas de algodão atrapalhavam o mergulho, além de serem desconfortáveis quando molhadas e demorarem para secar.

Cada mergulho de 2 minutos em busca de ostras era intercalado com pequenos intervalos de respiro. A maratona era feita até 60 vezes por dia. Tanto esforço, contudo, pagava-se. Em poucas semanas de trabalho, uma Ama conseguia mais dinheiro que um homem comum que trabalhasse por um ano.

Os homens, aliás, raramente participavam da busca por ostras. Acreditava-se que o corpo da mulher, por conter mais gordura, era mais apropriado para controlar a respiração e as baixas temperaturas.







Fonte: Hypeness

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Japão confirma fim do programa de pesca de baleias na Antártida

O governo do Japão confirmou nesta sexta-feira (11) que acatará a recente sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que, em março passado, ordenou o país asiático a revogar as permissões de caça de baleias na Antártida por considerar uma atividade ilegal.

O Executivo japonês enviou um escrito a um parlamentar que já havia questionado o cumprimento dessa ordem e cobrado uma decisão definitiva a respeito.

O Japão está "profundamente decepcionado" com a decisão da CIJ, mas "cumprirá com a sentença" como um país que respeita a legalidade, dizia o texto encaminhado ao parlamentar.

Em 2010, a Austrália denunciou o Japão perante o CIJ por considerar que seu "programa de pesquisa científica" no oceano Antártico, na realidade, escondia um programa de pesca com fins comerciais.

Em seu veredicto, divulgado no último dia 31 de março, a CIJ apontou que este programa não era legal porque não se ajustava aos "fins científicos" exigidos pela legislação internacional para poder realizar este tipo de práticas.

No texto enviado ao parlamentar, o governo também disse que estudará a fundo a sentença e estudará futuros passos, o que não descarta a possibilidade de uma possível adequação.

Neste aspecto, o país asiático pode propor no futuro um novo programa científico, cujas características seriam diferentes das atuais, para poder pescar de novo na Antártida.

Nesta semana, o Japão informou que durante a última campanha no oceano Antártico pescou 251 baleias, mais que o dobro do ano anterior (quando pescou seu mínimo histórico). No entanto, devido ao assédio realizado contra os baleeiros japoneses pelo grupo ecologista Sea Shepherd, esse número supõe apenas uma quarta parte do previsto.

O Japão tem vigente outra campanha de captura de baleias com fins científicos no Pacífico Norte e, além disso, segue pescando espécies menores de cetáceos com fins comerciais, inclusive golfinhos, em suas costas judiciais.

Fonte: UOL

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Japão: pesca de golfinhos

O governo japonês defendeu nesta terça-feira a caça de golfinhos na costa do país, depois das polêmicas imagens feitas por ativistas de dezenas de animais sendo capturados, muitos deles com ferimentos. A embaixadora dos Estados Unidos em Tóquio, Caroline Kennedy, também criticou a prática, segundo ela uma “falta de humanidade”.

O secretário-chefe de gabinete do Japão, Yoshihide Suga, defendeu a estratégia usada pelos pescadores, que, por meio de redes e barcos, encurrala os golfinhos em pequenos espaços, para que não possam escapar. Muitos animais acabam com ferimentos graves, ou até mesmo mortos.

“A pesca de golfinhos é uma forma de pesca tradicional em nosso país. Nós iremos explicar a posição do Japão para os americanos”, afirmou Suga, de acordo com informações do jornal The New York Times.

No final de semana, Caroline Kennedy afirmou que o governo americano está “profundamente preocupado pela falta de humanidade pela caça de golfinhos”, e que se opõe à prática. A embaixadora assumiu seu posto no país nipônico em novembro do ano passado, e sua posição é vista como significante, dada a sua proximidade com o presidente Barack Obama.


Pescadores japoneses mataram nesta terça-feira, na cidade de Taiji, um grupo de pelo menos 30 golfinhos, dentre os mais de 200 capturados e mantidos presos desde a última sexta no local, usando uma grande lona para evitar que a morte dos animais fosse documentada, de acordo com a agência Reuters.

Antes de iniciar a matança dos mamíferos, os pescadores tentaram bloquear a visão da enseada onde se encontravam os animais. Depois de alguns minutos, no entanto, era possível ver uma grande mancha de sangue se espalhando pelo local.

A ativista Melissa Sehgal, da ONG ambientalista Sea Shepherd, disse que foi usada uma barra de metal para atingir a medula dos animais, que “foram deixados para sangrar, sufocar e morrer. Depois de quatro dias traumáticos capturados na enseada, eles (golfinhos) passaram por uma seleção violenta, sendo separados de suas famílias, e então foram eventualmente mortos hoje”.

Os ativistas afirmaram que do grupo levado para a enseada de Taiji neste ano, mais de 50 foram separados e vendidos para aquários, um negócio que pode gerar milhões de dólares.



A prática de caça de golfinhos utilizada pelos japoneses é bastante criticada pelo mundo, principalmente depois do lançamento do documentário The Cove, de 2009, que levou o Oscar da categoria no ano seguinte e que mostra a pesca e matança dos animais em Taiji.

Enquanto a caça de baleias é banida em todo mundo há três décadas, não há uma proibição similar para mamíferos menores, como os golfinhos, muito por causa da oposição do Japão.

Fonte: Terra
Imagens Sea Sheppard

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Japão: Lula gigante (8 metros - 163kg)


Um grupo de pescadores foi surpreendido ao largo da costa do Japão, quando se deparou com uma lula de cerca de oito metros na rede de pesca.


Depois de os tentáculos terem sido parcialmente cortados por acidente durante a captura, os peritos estimam que no total, o espécime media oito metros, já que o tamanho de cada tentáculo iguala o tamanho do corpo em comprimento.

A lula, com cerca de 163 kg, ainda estava viva quando foi apanhada numa rede de pesca, mas acabou por morrer pouco depois de ser trazida para a superfície.



O capitão da embarcação que protagonizou a captura lamentou o facto de o animal ter sofrido, mas explicou que não existem técnicas de pesca para capturar uma lula gigante. De outro modo, disse, a equipa poderia tê-la tratado "com mais gentileza".

A maior lula já pescada, com cerca de 18 metros desde a cabeça até à ponta dos tentáculos, está em exposição no Museu Nacional de Ciências da Natureza do Japão.


Veja o vídeo:


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Japão: Os Riscos de Fukoshima


No dia 7 de setembro de 2013, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe disse o seguinte na sessão nº 125 do Comitê Olímpico Internacional: “Pode ser que alguns tenham suspeitas no que diz respeito a Fukushima. Deixem-me assegurar-lhes que a situação está sob controle. Nunca houve nem jamais haverá qualquer dano a Tóquio”.

Os porta-vozes do governo japonês defendem a afirmação de Abe, dizendo que os níveis de radiação no oceano Pacífico ainda não ultrapassaram os limites das normas de segurança.

Isto faz lembrar a história do homem que saltou de um edifício de dez andares e, à medida que ia passando por cada andar, dizia: “Até aqui, tudo bem”.

Trata-se, recordem, do Oceano Pacífico – o maior depósito de água na Terra e, até onde sabemos, do universo. A empresa Tokyo Electric Power (TEPCO) verteu para o mar água do seu reator de Fukushima durante dois anos e meio e, até agora, o oceano Pacífico foi capaz de diluí-la sem superar os limites de segurança. Até aqui, tudo bem. Mas não há nenhuma perspetiva à vista de que a torneira vá ser fechada.

Há oito coisas que deveriam saber:

1. Numa zona verde residencial de Tóquio, a 230 quilômetros de Fukushima, descobriu-se que a terra tinha um nível de radiação de 92.335 bécquerels por metro quadrado. Esse é um nível perigoso, comparável ao que se encontrou ao redor de Chernobyl (o marco de uma catástrofe nuclear em 1986). A razão pela qual na capital se descobre tal nível de contaminação é que entre Tóquio e Fukushima não há montanhas suficientemente altas para bloquear as nuvens radioativas. Na capital, as pessoas que entendem o perigo recusam-se radicalmente a comer produtos provenientes da zona Leste do Japão.

2. No interior dos reatores nucleares Daiichi de Fukushima 1 e 3 as canalizações (pelas quais circulava a água fria) romperam-se, o que causou uma fusão. Isto significa que o combustível nuclear superaqueceu, derreteu-se e continuou a derreter qualquer coisa que aparecesse no caminho. Daí continuou para o fundo do reator e depois para o próprio solo do edifício, onde se afundou solo abaixo. Como se disse mais acima, durante dois anos e meio, os trabalhadores da TEPCO lançaram desesperadamente água no reator, mas não se sabe se a água está realmente atingindo o combustível derretido. Se houvesse um terremoto de força média, seria suficiente para destruir totalmente o já combalido edifício. De fato, nos últimos dois anos e meio os terremotos têm continuado a abalar Fukushima. (como dado adicional, precisamente enquanto esta carta era escrita, Fukushima foi castigada por outro terremoto de força média, ainda que no entanto pareça que o edifício resistiu uma vez mais. Até aqui, tudo bem). Está em estado especialmente perigoso o reator 4, no qual, numa piscina, se conserva uma grande quantidade de combustível nuclear, o que pode provocar outro desastre, dadas as circunstâncias.

3. No Japão, considera-se que o maior problema é a água fria que foi lançada sobre o reator. Os jornais e as cadeias de televisão que antes se tinham esforçado por esconder os perigos da energia nuclear, agora informam sobre eles todos os dias, e criticam Shinzo Abe pela mentira que contou ao COI. A questão é que a água altamente radioativa está se infiltrando e misturando-se com a água do subsolo, uma goteira que não se pode parar, o que significa que está escorrendo para o oceano. É uma situação impossível de controlar. Em agosto de 2013 (um mês antes do discurso de Abe ao COI) no interior do lugar onde se encontra o reator Daiichi de Fukushima, a radiação medida atingiu os 8.500 micro Sieverts por hora. Suficiente para matar qualquer um que ficasse ali durante um mês. O que torna muito difícil que os trabalhadores possam fazer alguma coisa. Em Ohkuma-machi, a cidade onde se encontra o reator nuclear Daiichi, a radiação, em julho do 2013 – dois meses antes do discurso de Abe –, chegou, segundo as medições, aos 320 micro Sieverts por hora. Este nível de radiação mataria uma pessoa em dois anos e meio. Daí que, numa área de vários quilômetros à volta, esteja a aumentar o número de cidades fantasma.

4. Por causa dos jogos olímpicos de Tóquio de 2020, deixou-se de lado um facto crucial nos relatórios para o exterior. Só se informa que a água radioativa continua a escorrer pela superfície do solo em redor do reator. No entanto, a água do subsolo também está recebendo radiação, e essa água flui para o mar e mistura-se com a água marinha através das correntes subterrâneas. É demasiado tarde para impedi-lo.

5. Se for ao mercado central de peixe perto de Tóquio e medir a radiação no ar, registará cerca de 0,05 micro Sieverts – um pouco mais do nível normal. Mas se medir a radiação perto do lugar onde se situa o instrumento que mede a radiação do peixe, o nível é duas ou três vezes maior (segundo as medições em 2013). As verduras e o peixe que provém da zona de Tóquio, mesmo as que receberam radiação, não são jogados fora. A razão é o nível de tolerância à radiação na comida estabelecido pelo governo japonês – que, caso seja superado, não pode ser posta à venda – é o mesmo que o nível tolerado nos lixos de baixa radiação. É o mesmo que dizer que no Japão, hoje em dia, ao estar contaminado o país na sua totalidade, a única opção que resta é servir à mesa lixo radioativo. A distribuição da comida radioativa também se torna um problema. A comida proveniente da zona de Fukushima era enviada para outro município e, então, voltava a ser enviada, reetiquetada, como se tivesse sido produzida nesse segundo município. Um caso concreto: a comida distribuída pelas maiores empresas alimentares, bem como a que é servida nos restaurantes caros, não passa quase nunca por um teste de radiação.

6. No Japão, a única radiação provinda dos reatores nucleares Daiichi de Fukushima que se mede é o césio radioativo. Não obstante, grandes quantidades de estrôncio 90 e de trítio estão espalhando-se por todo o Japão. A radiação do estrôncio e do trítio consiste em raios beta, e são muito difíceis de medir. Mas ambos são extremamente perigosos: o estrôncio pode causar leucemia e o trítio pode produzir desordens cromossómicas.

7. Mais perigoso ainda: dizem que para se livrar da contaminação que invadiu a vasta zona do Leste do Japão, estão raspando a camada superior da terra e a armazenando em sacos plásticos, como se fosse lixo. Grandes montanhas destes sacos plásticos, todos expostos às inclemências climáticas, amontoam-se em campos do Leste do Japão, expostas ao ataque de chuvas torrenciais e de tufões. O plástico pode rasgar-se e o seu conteúdo espalhar-se. Quando isso ocorrer, não haverá qualquer outro lugar onde os levar.

8. Dia 21 de setembro de 2013 (de novo, enquanto escrevia esta carta) o jornal Tokyo Shimbum informou que o governador de Tóquio, Naoki Inose, disse numa conferência de imprensa que o que Abe comunicou ao COI foi a sua intenção de pôr a situação sob controle.

“Não está – disse Inose – “sob controle neste momento.”.

É uma triste história, mas esta é a situação atual do Japão e de Tóquio. Eu amava a comida japonesa e esta terra, até o acidente de Fukushima. Mas agora…

Os meus melhores desejos para a sua saúde e uma longa vida.

Takashi Hirose é o autor de “The Fukushima Meltdown: The World’s First Earthquake-Tsunami-Nuclear Disaster” (2011)
Publicado originalmente em Counterpunch
Tradução para castelhano de Betsabé García Álvarez, publicada em Sin Permiso
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net


domingo, 5 de maio de 2013

Carp (1777)

Por Tsukioka Settei (1710-1787)

No Japão, todos os anos no dia 5 de maio é comemorado o dia dos meninos. A data é comemorada com a população hasteando flâmulas e birutas representando carpas (koinobori) que simbolizam aguerrimento, tenacidade e obstinação, características essas que os pais apreciariam ver incorporadas em seus filhos.

Como koi (a palavra japonesa para carpa) também significa amor, a carpa é um dos emblemas da boa sorte e duas carpas representam a felicidade conjugal.

A carpa é também conhecido por sua perseverança em superar obstáculos, e por isso é frequentemente retratado lutando o seu caminho até a cachoeira.

Fonte: CCJAC e Wikipedia

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O caviar verde

O umibudo _ cuja tradução é uva do mar _ é uma iguaria da culinária japonesa ainda pouco conhecida no exterior, mas muito valorizada nas mesas orientais. Também chamado de "caviar verde", o umibudo é uma alga com sabor bem suave, mais delicado que o já globalizado nori. Em Tóquio, esse tipo de alga é mais comum nos restaurantes especializados em comida de Okinawa, ilha ao Sul do Japão. Mas se encontrá-lo em algum cardápio, pode pedir sem medo. É gostoso, faz bem e não engorda. Os japoneses comem umibudo com sashimi ou puro, com um pouco de shoyo, como uma entrada. Chefs ocidentais, atentos para tudo o que sai da cozinha japonesa, já andam usando o "caviar verde" como um toque final, para enfeitar os pratos.


Fonte: Ela Blogs
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ONG do Japão vai dar formação a pescadores e peixeiras da Praia, em Cabo Verde


A “Overseas Fishery Cooperation Foundation”, uma organização não-governamental japonesa, vai financiar ações de formação para melhorar as condições de trabalho dos cerca de 600 pescadores e 400 peixeiras que frequentam o cais de pesca da Praia, informou o diário digital A Semana.

“O projeto financiado pela fundação japonesa visa melhorar e proporcionar mais valor e qualidade aos produtos da pesca, aumentar a competitividade e o rendimento dos pescadores e peixeiras”, disse José Maria Santos, diretor do porto de pesca.

José Maria Santos disse ainda que depois de 31 de Março haverá melhores condições de higiene e apresentação do pescado no cais de pesca da Praia, a capital de Cabo Verde.

De acordo com aquele responsável, a ONG, além das ações de formação, vai entregar aos pescadores e peixeiras equipamentos avaliados em quase 17 mil contos cabo-verdianos.

Todos os dias há mais de 1200 pessoas que circulam pelo cais de pesca no porto da Praia, entre elas pescadores, peixeiras, funcionários, clientes e outros, onde atracam dezenas de embarcações, entre semi-industriais e artesanais, que descarregam até 5 toneladas de peixe. O cais de pesca do porto da Praia foi construído em 1992 com a ajuda de um financiamento da cooperação japonesa.

Fonte: Macau Hub

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pescadores buscam oceano sustentável na COP11


Nenhum tipo de área protegida tem efeito tão positivo sobre a recuperação da biodiversidade como as reservas e os parques marinhos. A experiência mostra que os estoques de peixes, moluscos e crustáceos respondem rapidamente à proteção, ainda que os corais se recuperem mais lentamente. Mesmo assim, os ecossistemas marinhos estão entre os menos protegidos na maioria dos países signatários da Convenção de Diversidade Biológica (CDB).

Acabar com esta incoerência é o objetivo de diversos grupos sociais, organizações conservacionistas, órgãos governamentais e organismos internacionais presentes na 11ª Conferência das Partes, em Hyderabad, na Índia. Eles se reúnem em torno da Iniciativa Oceano Sustentável (ou SOI, sigla de Sustainable Ocean Initiative), que promove diversos encontros e eventos paralelos durante a COP11, como a reunião ocorrida 10/10.

A SOI conta com recursos do Fundo de Biodiversidade do Japão, país muito dependente da pesca para abastecimento interno, e da Agência de Áreas Marinhas Protegida da França. Uma de suas prioridades - e um de seus objetivos mais difíceis - é contar com a participação de comunidades pesqueiras do entorno das áreas protegidas para assegurar a efetiva proteção da biodiversidade.

O convencimento das comunidades pesqueiras não é simples. Depende tanto do empenho dos atores nacionais, como das alternativas de renda para substituir o pescado em recuperação, como também da divulgação de experiências bem sucedidas. Assim, vale citar o caso do Equador, que desde 2010 conta com recursos da ordem de US$ 4 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mais US$ 13 milhões da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e uma contrapartida nacional de US$ 4,3 milhões para implementar suas áreas marinhas protegidas.

Fonte: EXAME

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

EUA - Suspeita de atum contaminado com radiaçāo de Fukoshima


Pequenas quantidades de césio foram encontradas em uma espécie de atum na costa oeste dos Estados Unidos. Após pesquisa, cientistas norte-americanos acreditam que a contaminação pode ter sido originada pela radiação causada pelo vazamento ocorrido na usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi. A suspeita foi publicada nesta segunda-feira (28/05) pela revista científica PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Segundo o estudo, em 15 exemplares de atum-rabilho de um grupo que foi coletado para avaliação no litoral de San Diego, na Califórnia, em agosto do ano passado, foram dectatadas a presenção de 4 becqueréis de césio-137 e de 6,3 becqueréis de césio-134. Cinco meses antes, em 11 de março, a usina nuclear japonesa foi atingida por um terremoto e um tsunami, e entrou em colapso, o que resultou em vazamento de materiais radioativos. O becquerel é a unidade de medida de radioatividade adotada pelo Sistema Internacional. Um becquerel corresponde à atividade de um material no qual se produz uma desintegração nuclear espontânea por segundo.

O nível encontrado nesses exemplares é dez vezes maior do encontrado nos atuns da mesma espécie e na mesma área nos anos anteriores. Entretanto, continuam abaixo dos níveis considerados prejudiciais à saúde pelos governos dos EUA e do Japão. Recentemente,o governo estipulou um limite de segurança de 100 beqcueréis por quilo de alimentos.

A descoberta sugere que o peixe levou a radiação de um lado do Pacífico para o outro de forma mais rápida do que a água ou o vento. O atum pode nadar a profundidade de até mil metros e atinge a velocidade de 64 quilômetros por hora.

“Eu não diria às pessoas o que elas devem ou não devem comer. Algumas pessoas acreditam que, por mais modestos que sejam, quaisquer níveis de radiação são ruins e devem ser evitado. Mas comparando o que encontramos e os níveis de segurança estabelecidos, não é uma grande quantidade”, diz Daniel Madigan, pesquisador da Universidade de Stanford que comandou as pesquisas.

A empresa operadora da usina de Fukushima, Tokyo Electric Power, estima que 18 terabecqueréis de material radioativo foram jogados no Pacífico após a tragédia, sob a forma de chuva ou se misturando-se diretamente à água do mar. Um terabecquerel é equivalente a um trilhão de becqueréis.

Fonte: UOL

sábado, 14 de julho de 2012

Comissão aprova abate de 1.104 baleias por aborígenes


A Comissão Internacional Baleeira aprovou na terça-feira (3), no Panamá, em uma única votação, as cotas de captura aborígene de subsistência para populações dos Estados Unidos, Rússia e do arquipélago de São Vicente e Granadinas. Entre 2013 e 2018, americanos e russos vão poder matar 336 baleias-da-groenlandia e 744 baleias-cinzentas. A comissão entendeu, quase por unanimidade, que estes dois países cumprem as regras estabelecidas pela CIB, como relatórios, e que a matança de baleias é realizada para a subsistência de populações humanas.
 
Na votação, foi aprovada também o pedido de São Vicente e Granadinas, um pequeno arquipélago do Caribe que pretende matar 24 baleias-jubarte no próximo período de seis anos. No total, foi aprovado o abate de 1.104 baleias. As cotas para os três países foram aprovadas em uma única votação (48 votos a favor, 10 contra, 2 abstenções e 01 ausência ).

Não faltaram acusações contra as ilhas caribenhas. Para os países-membros da comissão, faltam registros históricos que comprovem o uso das baleias para a subsistência da comunidade das ilhas. Além disso, o país é acusado de violar os princípios da CIB, ao matar baleias fêmeas e filhotes.

Na quarta-feira, foram apresentadas duas outras propostas que podem aumentar a matança de baleias. A Coréia do Sul também quer liberação para abater baleias com a desculpa de fazer pesquisa científica. O país argumenta que é preciso capturar baleias-minkes para conhecer melhor os hábitos alimentares da espécie e assim invetigar o impacto delas nos estoques pesqueiros. O plano de abate "científico" da Coréia deve ser apresentado na próxima reunião anual da comissão.

O Japão, que já tem autorização para a "caça científica", quer liberdade também para abate de baleias próximo a regiões costeiras em pequena escala. Essa proposta, já havia sido apresentada em 2010, foi questionada por diversos países, que vêem acreditam que a idéia busca, na verdade, a permissão para a caça comercial. Mas a idéia deve continuar a ser discutida ainda no Panamá.

A reunião da CIB termina sexta (6). Até lá, pode ser que a Dinamarca consiga também uma quota de abate. O ativista José Truda Palazzo Júnior transmitiu a reunião por meio do twitter @brasildeovelhas e anunciou, com desconfiança, que o país nórdico recuou. “Dinamarca vê que não tem apoio pra passar a quota de caça da Groenlândia e pede pra adiar a decisão... vão seguir tentando algum golpe”, postou no twitter.

Fonte: O Eco

terça-feira, 1 de maio de 2012

Navio fantasma japones cruza o pacífico e aparece na costa canadense


Após ser arrastado pelo gigantesco tsunami que atingiu o Japão em 2011, um navio pesqueiro de lula japonês ficou a deriva no oceano Pacífico até atingir a costa do Canadá. O navio de 150 pés (cerca de 50 metros) foi encontrado a 260km  ao Norte de British Columbia no Canadá.


"Ele está a deriva no Pacíico a um ano, por isso que conseguiu atravessá-lo" disse Jefv Olson oceanografo coordenador do Centro de Pesquisa Marinha de Vitoria no Canadá.

Através do número de registro da embarcaçãos e chegou até o armador que confirmou que ninguém estava no navio no momento do acidente.

O navio deverá ser inutilizado já que seriam alto os custos de rebocá-lo de volta até o Japão em viagem de volta atravessando o Pacífico de Leste a Oeste.

Fonte: Vancouver Sun

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Japão - Atum de 269 quilos é vendido por US$ 739 mil em Tóquio


O mercado de peixes de Tsukiji, em Tóquio, vendeu nesta quinta-feira pelo valor recorde de 56,49 milhões de ienes (US$ 739 mil) um Atum vermelho de 269 quilos durante o tradicional primeiro leilão do ano.O exemplar, que foi capturado em águas de Oma, na província de Aomori, superou o antigo preço máximo, registrado neste mesmo mercado no ano passado, quando um Atum vermelho pescado na ilha de Hokkaido foi vendido por 32,49 milhões de ienes (US$ 425 mil).

O quilo do Atum vendido nesta quinta-feira saiu por 210 mil ienes (US$ 2.750), muito acima dos 95 mil ienes o quilo (US$ 1.235) do exemplar que ostentava o recorde.

O comprador do Atum foi o distribuidor de pescados para a cadeia de restaurantes de sushi Kiyomura, informou a agência de notícias Kyodo .

O proprietário da empresa, Kiyoshi Kimura, de 59 anos, assegurou que sua intenção com a compra foi a de apoiar o Japão , que sofre as consequências dos devastadores terremoto e tsunami que em março do ano passado causaram a crise nuclear de Fukushima, além da estagnação econômica que o país atravessa. EFE

Fonte: Agência Efe

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Japoneses vão começar a caçar baleias com escolta


O Japão vai lançar a campanha anual de caça à baleia na Antártida nas próximas semanas, reforçando a segurança dos navios baleeiros contra acções dos defensores dos cetáceos, anunciou hoje o ministro da Pesca japonês.

Japoneses vão começar a caçar baleias com escolta

"O Japão vai realizar a campanha de caça à baleia, reforçando as medidas contra os atos de sabotagem, o que incluirá o destacamento de navios de escolta", anunciou o ministro da Agricultura, Florestas e Pesca, Michihiko Kano.

Em Fevereiro, Tóquio encurtou, pela primeira vez, em um mês a campanha baleeira na Antártida, depois de não ter conseguido capturar um quinto dos animais previstos. As autoridades japonesas evocaram as perturbações causadas pela associação norte-americana de defesa das baleias Sea Sheperd para explicar a decisão.

O Japão tinha anunciado, logo após o regresso desta missão, que ia estudar se prosseguia, ou não, com a "pesca científica", prática tolerada pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), que proíbe qualquer apreensão de cetáceos para fins comerciais.

Os países protectores das baleias e os defensores do ambiente denunciam a pesca científica como caça comercial disfarçada.

"Decepcionada" com o anúncio de Michihiko Kano, a Austrália reafirmou "firme oposição a qualquer pesca comercial da baleia, incluindo a pesca alegadamente científica praticada pelo Japão", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Kevin Rudd.

Fonte: DN GLOBO

Mais:
http://cardumebrasil.blogspot.com/2010/06/pesca-de-baleia-sem-acordo.html

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Opinião: Internacionalização do setor pesqueiro no Brasil: neoliberalismo fora do lugar


Por Pedro Henrique e Leandra Gonçalves

No limiar do novo século conviveram à entrada do neoliberalismo e a chamada transição democrática no continente latino-americano. O Brasil experimentou o receituário do Consenso de Washington em um grande processo de privatizações. O Estado precisava ser pequeno e, ao mesmo tempo, atrair grande volume de capital. No campo da questão pesqueira a história não foi diferente, senão trágica, como verdadeira farsa.

A história presente nos ajuda a compreender que o notório problema da gestão governamental da pesca, por muitos uma “desarticulação institucional”, não é um problema técnico, mas o resultado de algumas décadas de disputa entre grupos de interesse sobre o paradigma do qual a gestão da pesca no Brasil deve ser feita no Brasil: ora dominam os “desenvolvimentistas” e ora os “preservacionistas”. A disputa levou a um constante re-ordenamento institucional das tarefas, o que foi agravado no contexto de enfraquecimento do Estado no final da década de 80, e assim as competências/instrumentos de gestão continuam até hoje oscilando de um órgão para o outro. Nesse jogo do “empurra-empurra”, é o capital privado que sai ganhando, produzindo e re-produzindo seus lucros.

Em 2009 é criado um novo Ministério – gestado desde a criação da antiga Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca, no primeiro ano do Governo Lula. O Ministério da Pesca e Aqüicultura foi criado visando uma gestão pesqueira eficiente, para um setor que andava abandonado - ou estrategicamente descuidado, mas que poderia beneficiar pelo menos 3 milhões de pescadores, que aguardavam do Presidente Lula e, hoje, da Presidente Dilma, uma maior atenção.

Mas, os grupos de pescadores têm testemunhado o oposto. Recém criado, uma das ações do novo ministério foi abrir o mar para empresas estrangeiras virem aqui levar nossos recursos marinhos. E, ainda, patrocinar uma verdadeira corrida para sermos uma potência pesqueira nunca antes vista na história deste país.

O Brasil possui cerca de 9 mil km de litoral tropical banhado pelo Oceano Atlântico. É nessa região que vivem cerca de 25% da população brasileira. Proporcionalmente a estes dados, a atividade pesqueira não é, para alguns, financeiramente representativa para economia nacional.

Produção

Temos hoje uma produção pesqueira de 1 milhão de toneladas, aparentemente pouco se comparado aos vizinhos Chile (2 milhões de toneladas) ou Peru (9 milhões). No entanto, não é possível comparar os recursos pesqueiros disponíveis aqui com os dos demais sul-americanos, ou ainda de outros territórios.

Esses dois países, em seu conjunto, têm uma costa equivalente em extensão à do Brasil e possuem um dos mares mais ricos em produtividade pesqueira do mundo. Em parte conseqüência da Corrente de Humboldt que traz as águas frias carregadas de plâncton desde a Antártida e, ainda, ao fato de ser essa corrente do tipo revolvente, permitindo o afloramento dos sedimentos ricos em nutrientes erodidos da Cordilheira dos Andes. É uma condição sui generis que não existe na costa Atlântica da América do Sul e, menos ainda, na sua porção tropical. Portanto não há vergonha para o Brasil, no fato de produzir menos pescado que os “pequenos” Peru e Chile. Afinal, apesar de extensa, a costa brasileira, assim como demais regiões tropicais, apresentam uma alta diversidade de espécies, mas não necessariamente quantidade de indivíduos de cada uma delas.

A pesca extrativa marinha no Brasil consiste na captura de 507.858,5 toneladas de pescado ao ano (IBAMA, 2005), distribuídas entre os 17 Estados da Federação que são banhados pelo mar. Pouco mais metade da pesca brasileira é extrativa e marinha. No mesmo ano de 2005, a captura marinha mundial foi de 84 milhões de toneladas (dados da FAO), ou seja, o Brasil contribui com pouco mais de 1% do total da pesca marinha do mundo.

De maneira geral a pesca é praticada por grupos sociais com grande vulnerabilidade sócio-territorial, impactados com a apropriação dos recursos naturais pelo grande capital e pela exposição às injustiças ambientais. Seja em Estados como a Bahia e o Maranhão, que tem 100% de produção nas mãos de pescadores artesanais, ou nos Estados do Sul e Sudeste, aonde há grande número de trabalhadores assalariados da pesca (IBAMA, 2005).

A pesca é, ainda, amplamente praticada por trabalhadores desempregados/empregados de outros setores em busca da subsistência, ou complemento de renda. São 834 mil empregos diretos, 2,5 milhões de indiretos e uma renda anual de 4 bilhões de reais, além da incalculável influência na segurança alimentar e nutricional de muitas populações (SEAP, 2007).

Em suma, a pesca no Brasil, antes de representar um setor de produtividade estratégica para a nação é um setor que garante a subsistência, e fonte de renda, para uma boa parcela da população menos favorecida do país.

O Brasil pode e deve produzir mais pescado – sobretudo estimular o consumo diversificado de espécies locais - e garantir o sustento dos pescadores artesanais. Porém para evitar o colapso dos estoques pesqueiros ameaçados como do Atum e outros, por exemplo, a sua primeira preocupação deveria ser para com a preservação e manejo sustentável do recurso, já tão ameaçado tanto em águas marinhas como continentais.

Um Ministério da Pesca, em um grande país como o Brasil, onde todo mundo sabe quão caótica e depredadora é a pesca; onde os estoques naturais já caíram muito; onde se concentram no mar e nos rios enormes ameaças decorrentes da contaminação tóxica ou das mudanças climáticas; não pode ter como primeiro objetivo o simples aumento da produção. E, sobretudo, atuar sem envolver seus principais atores.

Ameaça

Uma parceria inédita confirmada entre a brasileira Norpeixe e a japonesa Japan Tuna vem anunciando que levará o Brasil a se tornar protagonista na pesca oceânica de atum – uma espécie ameaçada. A empresa japonesa com larga experiência no setor rapidamente arrendou 10 barcos brasileiros para pescar em nossas águas. Com o acordo, o País poderá capturar até 68 mil toneladas do pescado por ano, ante as 4,1 mil toneladas registradas hoje. Mesmo porque nossos amigos nipônicos já depredaram seus recursos vivos marinhos, e agora também convivem com os que se contaminaram radioativamente, pós-desastre de Fukushima, buscam em águas brasileiras pescados para alimentar o apetite – de fome e ganhos - de sua população, preocupados com a falta de pescados saudáveis e não-contaminados. Como o consumo das espécies de atum no Japão é maior do que seus barcos são outorgados a pescar, os objetivos dessa indústria pesqueira passaram a incluir a cota de outros países (ou melhor, a comprar o atum que outros países pescam). Nessa hora, o Brasil apresentou-se como um sócio de qualidades sem par.

Dessa forma, o governo brasileiro não está resolvendo o problema da falta de governança pesqueira, apenas terceirizando a exploração de seus recursos naturais, já deteriorado, para empresas estrangeiras. O Japão já pegou sua fatia no mercado, quem será o próximo?

Quando a lógica do mercado subverte o julgo da política na formulação de políticas públicas governamentais a fábula está denotada. Não podemos aceitar que a título de se criar uma governança sobre o setor pesqueiro o Governo Federal seja mecenas do avanço neoliberal, sobretudo por empresas estrangeiras – não só da pesca, mas também da exploração de gás e óleo – em nossos mares. O poder público não pode ser sócio na produção, distribuição e do consumo de mercadorias impostos pelo grande capital.

É preciso que seja garantido aos atores atingidos pelo brutal processo de injustiça ambiental uma mobilização forte e seu direito de constituição como grupo de resistência à opressão econômica e sócio-territorial.

O Ministério da Pesca, hoje moeda de troca da presidência, tem representado a legitimação dessa política de liberalização de nossos mares às empresas pesqueiras, em sua maioria multinacionais. Os pescadores tradicionais hoje lutam não apenas pela sobrevivência da pesca, mas também pela não extinção da categoria. Quem se somará nesta luta pela biodiversidade ameaçada?

* Pedro Henrique é historiador, especialista em política urbana pelo IPPUR/UFRJ, e mestrando em planejamento e política urbana IPPUR/UFRJ. Integra a Coordenação de campanha do Greenpeace Brasil.

* Leandra Gonçalves é bióloga, mestre em ecologia e comportamento animal. Integra a Coordenação de campanha do Greenpeace Brasil.

Fonte: Caros Amigos



quarta-feira, 23 de março de 2011

Tsunami - Imagens pelo Japão


Foi criado um Blog que está recolhendo trabalhos artisticos sobre o desastre, como os apresentado abaixo, para posteriormente serem vendidas (as 50 melhores) em um evento no dia 30 de abril.

















O dinheiro arrecadado será enviado a uma entidade de ajuda humanitário no Japão.

Mais imagens: http://cfsl.net/tsunami/

Fonte: O GLOBO



Japão - Radiação elevada no mar perto de Fukushima


Os efeitos do desastre nuclear em Fukushima não param. Depois dos legumes e do leite contaminado, a ameaça vem agora do Oceano Pacífico. Nas águas perto de Fukushima foram detectados valores de substâncias radioativas, como o iodo e o césio, muito superiores ao normal. No caso do iodo a concentração é 127 vezes superior ao limite permitido.

O governo japonês garante que estes níveis de radiação não ameaçam a saúde humana. Ainda assim, o ministério da Saúde pediu que as províncias a leste de Tóquio reforcem o controlo e inspecção dos produtos pescados na sua costa. Uma situação que é preocupante para os pescadores. O medo das radiações está a afastar os clientes.

Os países vizinhos do Japão também estão a levar a sério o perigo das radiações. Em Taiwan, na China e na Coreia do Sul as autoridades desdobram-se na inspecção de alimentos oriundos do Japão. Nos restaurantes há até máquinas para controlar a radioatividade.

A Organização Mundial de Saúde emitiu segunda-feira um alerta que avisa que a ameaça é mais séria do que se julgou no início, quando se pensou que se poderia limitar o problema a um perímetro de 20 ou 30 quilómetros em redor de Fukushima.


Fonte: tvi 24

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