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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

O fim do desperdício na pesca europeia

Setor em expansão na economia europeia, a pesca tem vindo a ser debatida e a ser alvo de medidas comuns para permitir a recuperação das reservas (unidades populacionais) biológicas marinhas.

As novas regras de pesca entre os "28" estão em destaque nesta primeira edição de "Oceano", uma nova rúbrica da Euronews onde vamos aprofundar as novas oportunidades e os desafios colocados ao Homem pelo profundo azul do nosso planeta.

Mar do Norte

Viajámos até à Suécia e conhecemos Johan Grahn, "um género de lobo solitario", como ele próprio se definiu à nossa equipa de reportagem liderada por Denis Loctier.

Pescador "desde 1984", Grahn declarou-nos o seu amor pelo mar e pela pesca, numa saída pelo Mar do Norte na pequena traineira onde é um dos sócios-capitães.

Costumavam apanhar em tempos 20 toneladas de camarões e lagostins, por ano. Agora conseguem capturar o dobro porque as diversas espécies marinhas estão a aumentar devido às regras que têm vindo a ser impostas na Europa.

"Hoje em dia, temos enormes quantidades de camarões e as reservas de peixe também melhoraram", enaltece Johan Grahn.


Denis Loctier conta-nos que "no Mar do Norte, no Báltico e no Atlântico a pesca-excessiva têm vindo a reduzir-se nos últimos dez anos" e aponta-nos para os dados oficiais disponíveis.

Em 2008, apenas uma em cada sete reservas analisadas de espécies marinhas eram alvo de pesca sustentável. O resto sofria de pesca excessiva, aponta a Direção-geral europeia do Mar e das Pescas, liderada pelo português João Aguiar Machado.

Este último ano, já foram sete em cada dez as reservas alvo de pesca sustentável, respeitando as quotas estabelecidas pela União Europeia.


A União Europeia conseguiu reverter a pesca-excessiva atacando, por exemplo, o problema do desperdício do peixe que os pescadores capturavam, mas que não queriam e despejavam borda fora.

Obrigação de desembarque

Cerca de um quarto do que era pescado era devolvido ao mar e, muitos desses peixes, já iam mortos.

Agora, os pescadores estão a mudar os equipamentos e os comportamentos para deixarem de capturar os peixes demasiado pequenos ou as espécies que não conseguem rentabilizar.

"Ninguém com bom senso quer deitar borda fora bom peixe. É tontice", acusa Johan Grahn, explicando-nos que a solução começou por uma regra conhecida como "obrigação de desembarque", aprovada em 2013, com 573 votos a favor, 96 contra e 21 abstenções.

Esta "obrigação de desembarque" foi implementada de forma gradual entre 2015 e o final de 2018, está totalmente em vigor desde 01 de janeiro e impõe a apresentação em terra de tudo o que os pescadores recolheram das redes, sobretudo as capturas involuntárias não comercializáveis, quer pela falta de quota disponível, quer pela tamanho abaixo da referência mínima de conservação.

"Uma vez que as devoluções ao mar são um desperdício considerável e comprometem a exploração sustentável dos organismos e ecossistemas marinhos, e uma vez que o cumprimento geral pelos operadores da obrigação de desembarque é essencial para que a mesma surta os efeitos esperados, o incumprimento da obrigação de desembarque deverá ser categorizado como infração grave", lia-se no regulamento acordado entre os negociadores do Parlamento Europeu e do Conselho de Ministros da UE.

Pesca seletiva

Para ajudar os pescadores a evitar capturar o que não querem, as técnicas de pesca em quantidade têm vindo a ser modernizadas, nomeadamente pelo desenvolvimento de redes seletivas, que permitem, por exemplo, a fuga a espécimes juvenis ou de porte não rentável.

Johan Grahn mostra-nos uma das redes seletivas que utiliza na captura de crustáceos no Mar do Norte.

A entrada integra umas barras, nas quais "os peixes indesejados batem", acabando por "nadar para longe das redes."

Aproveitando a dica, fomos a Lorient, no sul da Bretanha, em França, onde uma equipa do Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla original) têm vindo a desenvolver redes de pesca mais eficientes.

Os pescadores bretãos reclamam um maior leque de escolha no tipo de redes disponíveis para a captura de certos tamanhos de peixe ou para determinadas espécies.

Pascal Larnaud, do Ifremer, mostra-nos uma "malha clássica, em losango, que se fecha com a tração do arrasto e da água a pressionar os fios e os nós."

"É suficiente para fazer as malhas quadradas moverem-se a 45 graus e abrir mais a malha. Se continuar a forçar, consigo a malha com que temos tido muito bons resultados, tanto no Mar Celta como na Mancha, porque permite a fuga de peixes. Alguns pescadores já nos disseram que deixaram de ter desperdício", regozija-se Larnaud.

Esta grande evolução nos métodos de captura piscatória não teria sido possível sem os esforços coordenados dos 28 Estados-membros nos últimos quatro anos em torno da "obrigação de desembarque."

Na Bretanha, um terço dos barcos já se adaptou às novas regras. Em Portugal, a ministra do Mar enalteceu o "novo máximo histórico" na quota de pesca de 2019, que atinge as 131 mil toneladas.

Ana Paula Vitorino garante que a "obrigação de desembarque" não irá afetar a frota pesqueira portuguesa.

"Todos os pescadores europeus estão, de certa forma, no mesmo barco, têm as mesmas quotas de pesca, vendem nos mesmos mercados e, por isso, é normal que tenha de haver regras comuns para impor equidade entre os pescadores dos diferentes países", disse à Euronews Marion Fiche, chefe de projeto da organização de produtores "Les Pêcheurs de Bretagne."

A pesca é agora um dos setores económicos em crescendo e mais fortes da Europa.

A maior seletividade nas capturas está a ajudar.

Os pescadores estão a cumprir as quotas de forma mas proveitosa e isso permite-lhes também melhorar os lucros.

"Em muitos casos, temos quotas ainda muito baixas. Mas os pescadores perceberam rapidamente que para se adaptarem às regras tinham de começar a preparar-se para a 'obrigação de desembarque'. Só desta forma podemos ter uma pesca mais sustentável e, claro, preços mais justos para aquilo que pescamos", sublinha Malin Skog, gestor de sustentabilidade da Organização de Produtores Pesqueiros da Suécia (SFPO).

O objetivo europeu passa pela recuperação até 2020 de todas as reservas de peixe e marisco para níveis de sustentabilidade a longo prazo, sendo que em dezembro pelo menos 53 reservas identificadas já estavam a ser alvo de pesca sustentável e esse número prevê-se que suba até às 59 ao longo deste ano.

Uma década de trabalho e de difícil persuasão dos pescadores europeus que está já a dar frutos... no mar.


Fonte: Euronews
Imagem de Embarcação Sueca: Fisker Forum 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O peixe que tem no prato pode ter sido pescado por um escravo

Antigamente, as preocupações ambientais – como a sobrepesca, a poluição e a pesca ilegal – dominavam as conversas sobre o marisco. Contudo, essa realidade mudou há algum tempo, com a divulgação de relatos sobre escravatura moderna a bordo dos barcos pesqueiros. Anos depois da polêmica, terão as condições de trabalho melhorado?
A resposta é não. Segundo um estudo de 2017 do Issara Institute e da International Justice Mission, sobre os pescadores cambojanos e birmaneses na Tailândia, entre 2011 e 2016, 76% dos trabalhadores migrantes foram mantidos em escravatura durante esse período e 38% foram traficados para trabalhar no setor.



O problema parece, agora, estar a alastrar-se também à Europa. Nos 20 maiores países pesqueiros, Espanha já aparece no grupo com maior risco de trabalho escravo.

Escravatura é uma prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo, imposta por meio da força. Apesar de ter sido abolida em quase todo o mundo, continua a existir de forma legal no Sudão e ilegal em muitos países, sobretudo na África e na Ásia.

A mudança de paradigma sobre as questões do marisco intensificou-se em 2014, com a divulgação de relatórios (1,2), desenvolvidos por Organizações Não Governamentais (ONG’s) e pelos media.

Nesses relatórios, criados a partir de relatos de testemunhas e entrevistas com as vítimas, foi revelado que os frutos do mar que abasteciam algumas das cadeias de revendedores dos Estados Unidos (EUA) – como a Walmart, a Kroger e a Safeway -, eram capturados ou processados por trabalho forçado.

No entanto, apesar do aumento da consciencialização e dos esforços do governo da Tailândia – que é o quarto maior exportador de marisco do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) – para lidar com esta questão, as condições de trabalho mantêm-se.

Contudo, este país não é o único com trabalho forçado na sua indústria pesqueira, existindo relatos sobre abusos laborais a bordo de barcos americanos, britânicos, chineses, escoceses e taiwaneses.

Em fevereiro de 2018, o Guardian publicou um artigo onde revelava um alerta lançado por ativistas da conservação marinha sobre o risco de estar a ser utilizado trabalho escravo em barcos de pesca britânicos.

Segundo a Walk Free Foundation, os pescadores migrantes, principalmente da Birmânia, do Cambodja e de Laos, assim como tailandeses de zonas empobrecidas, são atraídos para situações de escravatura moderna através de ofertas de emprego aparentemente legítimas. Uma vez recrutados, são ameaçados de violência contra si ou contra membros da sua família, ficam aprisionados e têm os salários retidos.

Trabalho piscatório escravo pelo mundo

O Índice de Escravatura Global 2018, desenvolvido pela Walk Free Foundation, reitera a continuação do trabalho forçado ao nível da indústria pesqueira. Porém, apesar de a escravatura moderna na maior parte do mundo ser reconhecida, são poucas as estimativas confiáveis ​relativamente à sua ocorrência.

Para colmatar essa lacuna, a fundação, em conjunto com outras ONG’s, identificou uma série de fatores associados ao fenômeno. Tendo por base nessa análise, os responsáveis agruparam os 20 principais países pesqueiros consoante o seu grau de risco. Juntas, estas nações fornecem mais de 80% da pesca mundial.

O relatório mostra que a China, a Espanha, a Coreia do Sul e a Tailândia são alguns dos países inseridos no grupo com maior risco de escravatura moderna na indústria pesqueira, que é responsável por 39% das capturas do mundo.

O segundo grupo engloba países com pesca predominantemente doméstica ou geograficamente local, como o Chile e a Índia. Tendencialmente, estes possuem baixos níveis de subsídios por parte do governo, capturas de baixo valor, altos níveis de pesca não declarada e baixo PIB ‘per capita’. No total, devem-se a estes 31% das capturas do mundo.



Os países considerados de baixo risco compõem o terceiro grupo, como é o caso da Dinamarca, da Islândia e dos Estados Unidos (EUA), caraterizados por baixos níveis de captura não declarada, pescado de alto valor e alto PIB ‘per capita’. Esses países geram, no total, 12% da captura mundial.

Neste ‘ranking’, Portugal aparece com um risco médio de escravatura moderna na indústria pesqueira, à frente da Eslovênia, do Quênia e do Iraque – nos quais o risco é elevado -, mas atrás do Uruguai e da Nova Zelândia, onde o risco é baixo.

Para chegar a estas conclusões a fundação analisou seis diferentes fatores, verificando que a escravatura moderna está associada à pesca fora das águas nacionais(conhecidas como Zonas Econômicas Exclusivas ou ZEE), onde a regulamentação pode não ser tão apertada.

Além disso, a pesca em águas distantes aumenta a vulnerabilidade da tripulação à exploração, visto que os navios podem permanecer em locais de pesca remotos por longos períodos de tempo, limitando a monitorização e a supervisão por parte das autoridades.

O PIB ‘per capita’, os subsídios dos governos para embarcações e combustíveis – que enfraquecem a competitividade e originam pressão para cortar custos -, bem como o valor médio de captura por pescador, são outros dos fatores que influenciam o trabalho forçado.

Tecnologia ajuda a combater escravatura moderna

Em fevereiro de 2018, a NPR divulgou um artigo sobre a primeira ferramenta que permite aos retalhistas e revendedores avaliar o risco de trabalho forçado ou infantil associado à captura de pescado.

O lançamento desta ferramenta, desenvolvida no âmbito do programa Seafood Watch, do Monterey Bay Aquarium, surgiu no seguimento de um relatório da Human Rights Watch, de janeiro do mesmo ano. Além de outras questões, o documento confirmava a continuação do trabalho forçado e dos abusos aos direitos humanos na indústria pesqueira da Tailândia, anos após os meios de comunicação terem documentado a prática pela primeira vez.

Esta ferramenta, que atribui classificações de risco de escravatura crítico, alto, moderado ou baixo a atividades piscatórias específicas, não aconselha os revendedores a comprar uma espécie em detrimento de outra, mas incentiva-os a criar mudanças na indústria, trabalhando com os fornecedores para alterar as suas práticas.

Os dados disponibilizados provêm de relatórios sobre os abusos conhecidos, incidências de pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, bem como o número de dias que um navio de pesca está no mar. São considerados ainda outros critérios, como a evidência de trabalho forçado ou infantil e de tráfico de pessoas noutros setores do país.

Esta solução ajuda, assim, as empresas a combater o trabalho forçado na indústria pesqueira, que, de outra forma, não seria tão fácil de identificar, devido a barreiras como a distância, o idioma, a cultura e as cadeias de fornecimento, nas quais o marisco troca várias vezes de mãos.

Fonte: ZAP
Imagem: Adam Dean

terça-feira, 2 de abril de 2013

Noruega - Indústria de processamento do bacalhau rejeita uso de aditivos


"Eu concordo com a proibição do uso de fosfatos. Se nós não usamos nos nossos filetes, não faz sentido usarmos aditivos na produção", afirmou Paul Hauan, diretor na unidade da Norway Seafoods em naquela localidade.

As ilhas Lofoten são uma das regiões com maior tradição de pesca do bacalhau, do qual Portugal é o segundo maior importador, atrás do Brasil.

Nesta unidade, o peixe é recebido diariamente fresco das traineiras de pequena dimensão, cujos pescadores não estão a par da polémica, e processado para vários tipos de produtos.

Atualmente interditado, o uso de aditivos no processo de salga úmida do pescado está em discussão na Comissão Europeia devido a uma proposta apresentada em conjunto pela Dinamarca, Islândia e uma associação de armadores da Noruega.

O objetivo é,  dizem, impedir que o peixe amarele e que mantenha uma cor branca, mas os industriais portugueses do setor afirmam que os polifosfatos resultam na retenção de água e perda de qualidade do bacalhau salgado seco.

Um estudo científico de 2010 pelo instituto islandês Matis concluiu que os fosfatos podem ser às vezes uma ajuda ao processamento e não são detetados no produto final de consumo.

Porém, admite que também podem ser usados como aditivos alimentares, contrariando diretivas existentes, pelo que sugere a limitação de quantidades e a discussão entre produtores, compradores e autoridades reguladoras da alimentação.

Oslo tem vincado a disponibilidade para conceder uma exceção para proteger o processo de secagem tradicional usado em Portugal, mas o impasse forçou o adiamento de uma decisão em Bruxelas.

Terje Engø, jornalista da revista especializada Norther Seafood, recorda-se do debate na Noruega há alguns anos atrás e dos rumores de uso ilegal de aditivos no bacalhau.

As multas elevadas definidas para os infratores terão sido suficientes para desencorajar a prática, mas admite que poderá haver interessados no uso de polifosfatos na indústria de processamento, sobretudo porque é feito por outros países, nomeadamente asiáticos.

"Suponho que a discussão regressará", previu.

Fonte: Diário Digital com Lusa

sexta-feira, 1 de março de 2013

Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social"



O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpuf
O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpufv
O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpuf
O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpuf
O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa, no dia 8 de março de 2013.

Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar.

Fonte: Náutica Press

A Mútua dos Pescadores é uma seguradora, que iniciou a sua atividade em 1942 no setor da pesca e se transformou na maior associação portuguesa do setor marítimo, com cerca de 16 000 associados. Em 2004 tornou-se na 1ª e única cooperativa portuguesa de utentes (consumidores) de seguros, e está representada em todo o Continente, Madeira e Açores, operando já em França, especialistas e líderes nos seguros da pesca profissional.
Fonte: Mútua dos Pescadores

O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpuf
O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpuf
O Livro "Mútua dos Pescadores - Biografia de uma Seguradora da Economia Social", da autoria do Professor Álvaro Garrido, será apresentado na Livraria Sá da Costa, no coração da nossa Lisboa *, no dia 8 de março de 2013.
A iniciativa é promovida pelo coro da Mútua dos Pescadores/Ponto Seguro, que também fará uma atuação, dando a conhecer o seu trabalho mais recente, que inclui harmonizações de canções do Zeca Afonso, trabalhadas pelo maestro Ivo Castro.
A sessão terá início pelas 17h30.


O professor Álvaro Garrido fará a apresentação do Livro e de seguida atuará o coro.
Durante essa semana – a partir do dia 4 de março, até ao dia do lançamento - a livraria vai ter sabor a mar, já que a sua montra de livros vai ser composta por obras relacionadas com o mar, e sobretudo com a pesca.
A exposição de pintura de Stella Maris Vallejo, que evoca o mar e as suas gentes, estará também patente na livraria durante essa semana.
A Stella é pintora e amiga da Mútua há muitos anos, e desde 2012, amiga especial do coro, a quem devemos a atuação no Museu do Mar de Cascais por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Mar. Fonte: Mútua. - See more at: http://www.nauticapress.com/modules/news/article.php?storyid=2725#sthash.7K3xykb3.dpuf

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pescadores fazem proposta para repovoamento da lampreia


Os pescadores de pesca artesanal registados na Capitania do Porto da Figueira da Foz enviaram um abaixo-assinado ao secretário de Estado das Pescas, Manuel Pinto de Abreu, contra o defeso intermédio da lampreia (de 24 de fevereiro a 5 de março) e a favor do repovoamento do ciclóstomo.

Na petição, os subscritores propõem a doação de, no mínimo, cinco lampreias por embarcação e por época para a preservação da espécie. As lampreias doadas serão colocadas numa zona que lhes permita seguir viagem para a nascente do rio Mondego, onde fazem a desova.

Fonte: Diário As Beiras

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Armador português perdeu 750 mil euros em dois anos depois do afundamento do Prestige



Um armador de Viana do Castelo diz ter perdido mais de 750 mil euros nos dois anos que se seguiram ao afundamento do petroleiro "Prestige", ao largo da Galiza, Espanha, devido à desvalorização do pescado proveniente da zona. 

"A 300 quilómetros da costa e a mais de 300 metros de profundidade não  se faziam sentir os efeitos do crude que foi libertado no peixe. Mas chegávamos  a terra com os instrumentos e o barco todos negros e isso desvalorizava  o que levávamos a bordo. Acontecia com todos", admitiu à agência Lusa o  "mestre" Vítor Ferreira. 

Um "pesadelo" que durou entre 2002 e 2004, período em que a desvalorização  do peixe o obrigou a abandonar a zona de afundamento do "Prestige", a mesma  em que trabalhava há quase duas décadas com o seu barco de 24 metros e uma  tripulação de 16 homens. "A nossa pesca era à linha, ao tubarão lusitano, e apesar de ter licença  para trabalhar em Espanha e de ninguém nos impedir de ir para aquela zona,  tive de o deixar de fazer durante dois anos devido à desvalorização. Perdi  mais de 750 mil euros em pescado que não apanhei", admitiu. 

Só o fígado do tubarão, que depois enviava para o Japão, rendia mais  de 2.500 euros por cada cuba de 200 quilos, "já para não falar" das toneladas  de cherne e brótias que deixou de pescar.  

O mestre do "Nossa Senhora do Minho", de Viana do Castelo, barco que  entretanto abateu e substitui por um mais pequeno, é um dos vários pescadores,  sobretudo espanhóis, que exige na Justiça de Espanha uma compensação pelos  efeitos provocados pela maior catástrofe ambiental na Europa. 
A 13 de novembro de 2002, o petroleiro "Prestige" foi apanhado numa  tempestade ao largo do Cabo Finisterra e sofreu um rombo de 35 metros no  casco. 

Seis dias depois, o navio liberiano com pavilhão das Bahamas afundou-se  a 270 quilómetros da costa da Galiza, derramando mais de 50 mil das 77 mil  toneladas de fuelóleo que transportava.  

O total dos danos causados pelo naufrágio está estimado em 4.120 milhões  de euros. "Foram tempos muito difíceis, estive para vender logo na altura o barco,  mas felizmente descobri em Portugal outra arte e consegui dar a volta. Depois  deu para voltar a pescar na zona", conta ainda. 

Pescador de alto mar há mais de trinta anos e conhecedor profundo das  águas do Atlântico onde o "Prestige" afundou, o denominado banco de pesca  da Galiza, garante que a "qualidade" em alto mar "nunca" esteve em causa."Foi sobretudo uma questão de imagem mas chegamos a encontrar algumas  dessas bolas de crude. Em Portugal, como a maré negra não se fez sentir,  o preço do peixe até disparou e foi uma forma de salvar o negócio", recorda  Vítor Ferreira. 

O porta-voz da plataforma cívica "Nunca mais", constituída na Galiza  após a maré negra provocada pelo "Prestige", explicou à agência Lusa que  os efeitos do derrame fizeram-se sentir sobretudo a pesca costeira, em que  a faturação de 2011 "foi menor" à registada em 2000. 

"O tamanho da frota costeira diminuiu significativamente, assim como  o número de pescadores. O mesmo aconteceu no marisco, como é o caso da produção  de mexilhão, em que as perdas no período entre 2003 e 2010 chegaram a 45  milhões de euros", explicou Xaquin Rubido. 

Fonte: SIC NOTÍCIAS

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Portugal: A sardinha já não é para todos os bolsos

Dar 20 euros por um quilo de sardinhas não é para todas as carteiras. Que o digam os portugueses quem em dias de festas populares tentam comprar a rainha dos santos.

A falta de pescado e o forte consumo devido aos Santos Populares e ao Euro 2012 são as principais causas do aumento de preço, mas mesmo assim há quem nunca tenha visto nada assim e não arrisque a desembolsar o preço do quilo.

Vídeo: http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---sociedade/ultimas-noticias-sardinha-tvi24-preco/1357150-5795.html

Sardinha atinge preços históricos
O preço do cabaz de sardinha bateu, esta sexta-feira, todos os recordes: 300 euros na lota de Matosinhos, o dobro de 2011. Apesar disso, comerciantes garantiam que, este sábado, cada sardinha assada não ultrapassa 1,50 euros.

Ainda na quarta-feira, o mar tinha sido amigo dos pescadores e forneceu abundância, depois de quase duas semanas sem sequer lançarem as redes ao mar por não encontrarem peixe. Em resultado, a sardinha nacional encheu a lota de Matosinhos e o preço ao quilo caiu para cinco euros, metade do que estava a ser pedido no início da semana.

Um dia depois, contudo, o mesmo mar deixou de ser generoso e a maior parte dos barcos regressaram ao porto de pesca de Matosinhos com as redes vazias, deixando pescadores com receio de não ganharem a comissão que habitualmente lhes compõe o salário e peixeiras sem forma de satisfazer as encomendas.

Fonte: Dinheiro Vivo  e TVI24

Cabaz da sardinha sobe de 10 para 100 euros

A sardinha é pouca e cara. De nada valeram as longas horas de espera por um bom negócio na Docapesca, em Matosinhos. A maioria dos cabazes dos pescadores foi vendida a 100 euros e, fora da lota, o preço subiu mais. Num dia normal, o cabaz ronda os 10 euros. Para quem compra, os dias que antecedem o S. João são os piores. Só os pescadores sorriem com o agigantar do lucro.

"Havia de festejar-se o S. João mais vezes. É nestes dias que ganhamos alguma coisa que se veja. No S. João, só não se vende o barco, porque não podemos", graceja Delfim Vilaça, contramestre do barco "Virgem das Dores", lado a lado com os homens das Caxinas e da Póvoa que compõem a tripulação. Atracados, apressam-se a colocar o pescado em cabazes (o cabaz pesa 22,5 quilos e carrega 400 a 450 sardinhas), deixando no porto os peixes mutilados pelas redes. As gaivotas aguardam pelo petisco.

Fonte: Jornal de Notícias

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Portugal: Tudo sobre sardinha


QUAL É A MELHOR SARDINHA, A DO SUL OU A DO NORTE?

Não queremos armar zaragatas nem ferir sensibilidades, mas o que se pode dizer sobre a matéria é que o tamanho conta alguma coisa. E aqui a regra é que quanto maior, pior. Uma sardinha muito grande pode ter gordura em excesso, tão enjoativa que não se consegue comer mais do que duas ou três. Como de costume, os pescadores são a melhor referência.

Quem comer com eles verá que nem tocam nas sardinhas grandes. Preferem – na linguagem de Sesimbra – as ‘meio-peixe’, que é uma sardinha de tamanho logo a seguir a uma petinga. E faz sentido porque uma sardinha ‘meio-peixe’ pinga na mesma no pão, mas não tem escamas duras nem aquelas espinhas rijas que por vezes pregam partidas. As meio-peixe deixam-se comer mais facilmente.

SE ESTIVER FARTO DE SARDINHAS GRELHADAS, QUE OUTRA SOLUÇÃO TEM PARA AS APRECIAR DE FORMA SIMPLES?

Albardadas. É um petisco e tanto. Marinam-se os filetes em limão, passam-se por um polme e fritam-se. Receitas na internet não faltam. Mais difícil é fazer filetes das sardinhas, visto que o peixe é muito frágil. Mas uma cadeia de supermercados que agora anda na boca de toda a gente costuma vender os filetes já limpinhos.

PORQUE SERÁ QUE A SARDINHA DO SUL É MAIS PEQUENA DO QUE A DO NORTE?

A sardinha capturada no Algarve é mais pequena do que aquela capturada no Atlântico mais a norte porque as águas quentes do Sul são mais pobres em alimento para a sardinha (plâncton e fitoplâncton). A Norte, com mais frio, há mais alimento nas águas. Daí que a sardinha cresça mais.

A Norte - 12 a 14 sardinhas por quilo

A Sul - 18 a 20 sardinhas por quilo

QUANDO É QUE A SARDINHA ESTÁ MESMO NO PONTO?

Diz o ditado que no ‘São João a sardinha pinga no pão’, o que significa que já está gorda, mas isso, como se compreende, depende muito das temperaturas das águas e da alimentação dos peixes. Primaveras mais frias atrasam o ciclo de vida dos peixes, pelo que o tal nível de gordura desejável pode só ser atingido no início de Julho. Donde, pingar ou não no pão, tudo depende do tempo.

O QUE É O MSC?

É um selo de certificação internacional (Marine Stewardship Council), que podemos traduzir por Conselho de Protecção Marinha. Um peixe que ostente este selo revela que os stocks são abundantes e as artes de pesca correctas. A sardinha foi o único peixe ibérico a ter direito a este selo durante dois anos. Em 2012 o selo foi suspenso porque o nível do stock de sardinha caiu abruptamente.

Fonte: Correio da Manhã

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Livro: Sardinha


Um livro que é vendido na rua, não nas livrarias. Não podia ser de outra forma quando o tema pede ar livre. A sardinha é bem capaz de ser o maior monumento à vida pública portuguesa. Diz a tradição que deve ser cozinhada e comida na rua, de preferência com boa conversa. E foi por isso mesmo que a Limão Edições decidiu criar um novo conceito literário. SARDINHA é o primeiro livro de rua português.

Este é um livro vendido exclusivamente em espaços públicos, quase sempre ao ar livre. Várias Sardinettes andarão durante o mês de Junho a vender os livros nos principais eventos das festas da cidade. Das noites de fado no Castelo de São Jorge às Marchas Populares. Não vai ser por isso possível comprá-lo nos circuitos característicos do mercado livreiro. Apenas na rua e na web.

São 64 páginas todas dedicadas ao peixe mais emblemático do país – seja no volume de pesca, seja no de consumo. Bem vistas as coisas, um português sabe que o verão está a chegar quando sente o cheiro das sardinhas a assar na brasa. Com séculos e séculos de presença no território, é um peixe transversal a escalões etários e classes sociais. A sardinha tem um sério caso de amor com Portugal. Discreto, mas arrebatador. Já era tempo de lhe prestar a devida homenagem.

Neste livro, faz-se o relato e a apologia de um peixe, por texto e imagem. Os pescadores e as peixeiras, os assadores e os comensais, fogareiros e carvão, pimentos e batatas – todo o universo da sardinhada é tratado como se de um tesouro se tratasse. Não fosse a sardinha o peixe que chega à brasa prata e se torna ouro. Um tesouro, lá está.

 

SARDINHA

Fotografia: Luís Silva Campos e Pedro Loureiro

Design: Luís Alegre

Textos: Ricardo J. Rodrigues

N.º de páginas: 64

Capa dura: 19×19 cm

Data de lançamento: 31 de Maio

Edição: Bilingue Português/Inglês

Preço de lançamento: 10 €

Contactos informações/vendas

www.limao-edicoes.com

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limao@limao-edicoes.com

Cristina Matos (T. 213 430 408)

Pedro Loureiro
loureirop@gmail.com

sexta-feira, 30 de março de 2012

Livro - Faina Maior




Obra da autoria do Capitão Francisco Marques, antigo homem da pesca ao bacalhau em lugres como o “Creoula” e Drª Ana Maria Lopes, directora do Museu Marítimo de Ílhavo durante os anos 90. É um livro editado em 1996 pela Quetzal.

O livro faz “a reportagem ou o relato – de uma campanha de barra a barra (neste caso, da de Aveiro), de um lugre da pesca do bacalhau à linha, dos anos 30, com toda a azáfama, dureza, angústia, saudade, sacrifício e empenho, nos gelos perpétuos.”

A edição tem 112 páginas e cerca de 142 fotografias da época.

Fonte: Associação dos Portos de Portugal e Blog Marintimidades



quarta-feira, 28 de março de 2012

A história do Bacalhau o "Fiel Amigo"


Um Alimento Milenar:

O início do Bacalhau com os Espanhóis e os Vikings

Bacalhau para os povos de língua portuguesa; Stockfish para os anglo-saxônicos; Torsk para os dinamarqueses; Baccalà para os italianos; Bacalao para os espanhóis; Morue, Cabillaud para os franceses; Codfish para os ingleses.

(O nome bacalhau, de acordo com o Dicionário Universal da Língua Portuguesa, tem origem no latim baccalaureu. )

Mundialmente apreciado, a história do bacalhau é milenar. Existem registros de existirem fábricas para processamento do Bacalhau na Islândia e na Noruega no Século IX. Os Vikings são considerados os pioneiros na descoberta do cod gadus morhua, espécie que era farta nos mares que navegavam. Como não tinham sal, apenas secavam o peixe ao ar livre, até que perdesse quase a quinta parte de seu peso e endurecesse como uma tábua de madeira, para ser consumido aos pedaços nas longas viagens que faziam pelos oceanos.

Mas deve-se aos bascos, povo que habitava as duas vertentes dos Pirineus Ocidentais, do lado da Espanha e da França, o comércio do bacalhau. Os bascos conheciam o sal e existem registros de que já no ano 1000, realizavam o comércio do bacalhau curado, salgado e seco. Foi na costa da Espanha, portanto, que o bacalhau começou a ser salgado e depois seco nas rochas, ao ar livre, para que o peixe fosse melhor conservado.

As Guerras do Bacalhau
O bacalhau foi uma revolução na alimentação, porque na época os alimentos estragavam pela precária conservação e tinham sua comercialização limitada ( a geladeira surgiu no século XX). O método de salgar e secar o alimento, além de garantir a sua perfeita conservação mantinha todos os nutrientes e apurava o paladar. A carne do bacalhau ainda facilitava a sua conservação salgada e seca, devido ao baixíssimo teor de gordura e à alta concentração de proteínas.

Um produto de tamanho valor sempre despertou o interesse comercial dos países com frotas pesqueiras. Em 1510, Portugal e Inglaterra firmaram um acordo contra a França. Em 1532, o controle da pesca do bacalhau na Islândia deflagrou um conflito entre ingleses e alemães conhecido como as "Guerras do Bacalhau". Em 1585, outro grande conflito envolveu ingleses e espanhóis.

Por isso, ao longo dos séculos, várias legislações e tratados internacionais foram assinados para regular os direitos de pesca e comercialização do tão cobiçado pescado. Atualmente, com a espécie ameaçada de extinção em vários países, como o Canadá, tratados internacionais de controle da pesca estão sendo revistos, com o objetivo de assegurar a reprodução e a preservação do "Príncipe dos Mares".

A industrialização na Noruega

Foi o mercador holandês Yapes Ypess que fundou a primeira indústria de transformação na Noruega e é considerado o pioneiro na industrialização do peixe.

A partir daí, a crescente demanda na Europa, América e África foi aumentando o número de barcos pesqueiros e de pequenas e médias indústrias pela costa norueguesa, transformando a Noruega no principal pólo mundial de pesca e exportação do bacalhau.

"Se o bacalhau nos abandonar, a que nos agarraremos? O que levaremos a Bergen para trocar por ouro?" Peter Daas, Trumpet of Nordland, Noruega, 1735

Portugal e o "fiel amigo"

Os portugueses descobriram o bacalhau no século XV, na época das grandes navegações. Precisavam de produtos que não fossem perecíveis, que suportassem as longas viagens, que levavam às vezes mais de 3 meses de travessia pelo Atlântico.

Fizeram tentativas com vários peixes da costa portuguesa, mas foram encontrar o peixe ideal perto do Pólo Norte. Foram os portugueses os primeiros a ir pescar o bacalhau na Terra Nova ( Canadá ), que foi descoberta em 1497. Existem registros de que em 1508 o bacalhau correspondia a 10% do pescado comercializado em Portugal.

Já em 1596, no reinado de D. Manuel, se mandava cobrar o dízimo da pescaria da Terra Nova nos portos de Entre Douro e Minho. Também pescavam o bacalhau na costa da África.

O bacalhau foi imediatamente incorporado aos hábitos alimentares e é até hoje uma de suas principais tradições. Os portugueses se tornaram os maiores consumidores de bacalhau do mundo, chamado por eles carinhosamente de "fiel amigo". Este termo carinhoso dá bem uma idéia do papel do bacalhau na alimentação dos portugueses.

A Pesca do Bacalhau em Portugal
O bacalhau chegava a Portugal de várias formas. Até o meio do século XX, os próprios portugueses aventuravam-se pelos perigosos mares da Terra Nova, no Canadá, para a pesca do bacalhau.

"Nos finais do séc. XIX, as embarcações portuguesas enviadas à pesca do Bacalhau eram de madeira e à vela, sendo praticada a pesca à linha. Tratava-se de uma prática muito trabalhosa, apenas rentável em regiões onde abundava o peixe. Este tipo de pesca era praticado a partir dos dóri: pequenas embarcações de fundo chato e tabuado rincado, introduzidas em Portugal nos finais do século passado."( Extraído de Apontamentos Etnográficos de Aveiros - Universidade de Aveiros - http://www.dlc.ua.pt/etnografia).

O artigo de Teresa Reis, sobre a Pesca do Bacalhau, retrata um pouco desta aventura:
"Na pesca do bacalhau, tudo era duplamente complicado. Maus tratos, má comida, má dormida...Trabalhavam vinte horas, com quatro horas de descanso e isto, durante seis meses. A fragilidade das embarcações ameaçava a vida dos tripulantes" dizia Mário Neto, um pescador que viveu estes episódios e pode falar deles com conhecimento de causa.

Quando chegava à Terra Nova ou Groenlândia, o navio ancorava e largava os botes. Os pescadores saíam do navio às quatro da manhã e só regressavam à mesma hora do dia seguinte, com ou sem peixe e uma mínima refeição: chá num termo, pão e peixe frito. No navio, o bacalhau era preparado até às duas ou três da manhã. Às cinco ou seis horas retomava-se a mesma faina. Isto, dias e dias a fio, rodeados apenas de mar e céu. ... Vidas duras...!" Nos dias atuais, Portugal importa praticamente todo o bacalhau salgado e seco que consome. Também importa muito bacalhau "verde", que é salgado e curado nas próprias indústrias portuguesas, como a Riberalves, localizada em Torres Vedras.

O começo do bacalhau no Brasil
O hábito de comer bacalhau veio para o Brasil com os portugueses, já na época do descobrimento. Mas foi com a vinda da corte portuguesa, no início do século XIX, que este hábito alimentar começou a se difundir. Data dessa época a primeira exportação oficial de bacalhau da Noruega para o Brasil, que aconteceu em 1843. Na edição do Jornal do Brasil de 1891 está registrado que os intelectuais da época, liderados por Machado de Assis, reuniam-se todos os domingos em restaurantes do centro do Rio de Janeiro para comer um autêntico "Bacalhau do Porto" e discutir os problemas brasileiros. Mais de um século depois, ainda são muito comuns nos restaurantes especializados estes "almoços executivos", onde a conversa sobre negócios é feita saboreando um bom bacalhau.



A tradição religiosa do Bacalhau na Páscoa e no Natal
A Igreja Católica, na época da Idade Média, mantinha um rigoroso calendário onde os cristãos deveriam obedecer os dias de jejum, excluindo de sua dieta alimentar as carnes consideradas "quentes". O bacalhau era uma comida "fria" e seu consumo era incentivado pelos comerciantes nos dias de jejum. Com isso, passou a ter forte identificação com a religiosidade e a cultura do povo português.

Conforme relatam os autores do livro "O Bacalhau na Vida e na Cultura dos Portugueses":
"O número de dias de jejum e abstinência a que se sujeitavam anualmente os portugueses era considerável, não se limitando ao período da Quaresma, a época do ano em que o bacalhau era "rei" à mesa. Segundo Carlos Veloso, durante mais de um terço do ano não se podia comer carne. Assim era na "Quarta-Feira de Cinzas e todas as Sextas e Sábados da Quaresma, nas Quartas, Sextas e Sábados das Têmperas, (n)as vésperas do Pentecostes, da Assunção, de Todos-os-Santos e do dia de Natal e ainda nos dias de simples abstinência, ou seja, todas as Sextas-Feiras do ano não coincidentes com dias enumerados para as solenidades, os restantes dias da Quaresma, a Circuncisão, a Imaculada Conceição, a Bem-Aventurada Virgem Maria e os Santos Apóstolos Pedro e Paulo."

O rigoroso calendário de jejum foi aos poucos sendo desfeito, mas a tradição do bacalhau se mantém forte nos países de língua portuguesa até os dias de hoje, principalmente no Natal e na Páscoa, as datas mais expressivas da religião católica, onde se comemoram o Nascimento e a Ressurreição de Cristo.

Fonte: Bacalhau.com.br


terça-feira, 27 de março de 2012

A Heróica Pesca do Bacalhau

A pesca do bacalhau, mais do que um trabalho, era um ato de heroísmo! 
 

Até 1974, navios portugueses partiam em abril para uma missão heroica
até outubro nas águas frias da costa da Noruega e da Groelândia. 
 
 
Cada navio levava entre 40 a 60 barquinhos de 5 metros, chamados Dóris.
Eles podiam transportar quase 1 tonelada de peixe cada um e como se encaixavam
uns nos outros, tornavam mais fácil a arrumação no navio.
 

Chegando nos locais de pesca, os pescadores nos dóris se afastavam a remo do navio e depois, com a  ajuda de pequenas velas, partiam para a pesca. Chegavam a se afastar até 30 Km dos navios.
 

Eles partiam às 4 da manhã e cada um recebia um balde de iscas e uma bússola.
Pescavam sozinhos e com grandes riscos, porque naquela região fria eram comuns as tempestades, nevoeiros e icebergues.
 

Quase mil anzois eram presos a um linha que chegava a ter 1,5 Km. Pescar assim só era possível
porque o bacalhau depois de fisgado não luta e fica esperando quieto ser içado para o barco.
 

A cada 2 horas as linhas eram recolhidas e se os peixes fossem suficientes eles voltavam ao navio, partindo depois para uma segunda pesca. Para comer eles levavam apenas azeitonas e um pão com bacalhau.
 

Trabalhavam 20 horas por dia e raramente ficavam fora por mais de 4 horas de cada vez.
No fim do dia o navio apitava ou, no caso de haver neblina, dava um toque de sirene e todos regressavam. 
 


Os dóris eram então descarregados, içados, limpos e empilhados para o dia seguinte.
 

Enquanto o navio não estivesse totalmente carregado eles não voltavam a Portugal.
 

Quando a captura era suficientemente grande, os pescadores ajudavam a tripulação
que ficara a bordo a preparar o peixe, antes de jantarem e irem para as camas beliches.
A etapa final era a de salgar o bacalhau e armazená-lo nos porões.
 



Banho não havia. Eles trocavam de roupa uma vez por mês e a roupa de baixo, uma vez por semana.
Ao fim do dia o cozinheiro lhes dava 1 litro de água doce para se lavarem, já que a água era ultra racionada.


Se houvesse nevoeiro, era estendido um cabo de 2.000 metros, suspenso em bóias para que fosse mais fácil encontrar o navio. Mas mesmo assim não era incomum um pescador se perder e ser deixado para trás.

Fonte:  Cozinha Santa

Portugal - Sobre o Bacalhau (parte 2 - processamento))


A Seca

A seca natural, após a salga, é um dos mais primitivos processos tecnológicos de preservação dos alimentos, tendo desde a Antiguidade sido um dos recursos económicos
mais importantes das populações, e obviamente para o caso do pescado, sustentando o desenvolvimento da pesca.




A secagem natural é, contudo, um processo com enorme dependência das condições climáticas. Se estiver tempo húmido ou chuvoso não ocorre a evaporação, podendo mesmo, no caso de o pescado apanhar chuva, o efeito da salga ficar irremediavelmente perdido, pondo em causa o próprio produto.

Por outro lado, se o tempo estiver muito quente, acima dos 26º/28ºC e conforme as condições de humidade e salinidade do bacalhau, podem ocorrer alterações na massa muscular e pele – vulgarmente designadas por “melado” e, depois, por “queimado” – ficando o peixe praticamente sem condições de recuperação para o consumo humano.

Porém, dadas as condições do nosso clima (e porque o bacalhau não deve estar sujeito a temperaturas superiores a 26ºC), durante as estações mais quentes o peixe era espalhado pela manhãzinha, levantado pelas 9 ou 10 da manhã com a subida de temperatura, e voltava a ser espalhado com o arrefecimento do fim do dia.

Por vezes deixava-se o peixe estendido durante a noite, se a humidade nocturna permitisse tal decisão. Entre o levantar e o estender, o peixe era empilhado um sobre o outro, repetindo-se o procedimento tantas vezes quantas as necessárias para se obter o grau de cura pretendido.

Esta tarefa rotineira de espalhar o peixe durante a manhã, levantá-lo, voltar a espalhar e deixá-lo até ao pôr do sol, conforme a fortuna do clima, implicava a disponibilidade de um considerável número de pessoas, só possível em determinado contexto social, sendo inconcebível à luz da sociedade actual e dos respectivos ritmos salariais.

A secagem artificial de bacalhau será introduzida em Portugal, necessariamente, por imperativos de ordem económica das empresas secadoras.Os primeiros túneis de secagem artificial instalados, nos moldes considerados como de sistema convencional, foram-no em 1951 na Empresa Comercial e Industrial de Pesca – Pescal, Ldª, em Alcochete, a que rapidamente se juntaram os da Empresa de Pesca de Aveiro, em Aveiro, e da Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Ldª (SNAB), primeiro em Alcochete, depois em Lavadores, no Porto.



Instalações de Alcochete

A SNAB irá reintroduzir nova tecnologia, esta de patente nacional, no início dos anos 70, sistema que será difundido depois por vários secadouros nacionais.

E é na implementação desta nova tecnologia que eu participo, pois sou funcionário da empresa detentora da patente dessa tecnologia.

Quando inicio a minha actividade como técnico de frio, estavam em fase de conclusão as instalações de secagem de bacalhau da Figueira da Foz e tínhamos muito trabalho de manutenção nas instalações de secagem de Alcochete.

Tínhamos também em construção, nas nossas instalações, um protótipo de túnel de secagem que permitia redimensionar todo o sistema às dimensões de um contentor, de que viríamos a construir algumas unidades.

O sistema era simples, no tecto do contentor. Na parte exterior estava a unidade de tratamento de ar composta pelo evaporador, ventilador e condensador.

O ar vindo do túnel, ao passar no evaporador, largava a humidade retirada ao bacalhau sendo depois aquecido no condensador e novamente enviado para o interior do túnel.

Num dos topos do contentor estava o grupo de condensação e o quadro de comandos, e no outro topo estavam as portas que abriam a toda a largura do túnel, o bacalhau era posto nuns tabuleiros semelhantes a uma cama de rede em nylon, com um aro em madeira, e eram colocados numa estrutura com rodas. Esses tabuleiros, já com os bacalhaus, encaixavam na estrutura, ficando sobrepostos, com um espaço entre eles para o ar poder circular, sendo que o ar era uniformemente distribuído do tecto até ao chão e ao longo do túnel.



No túnel cabiam quatro carros, dois a dois, e cada carro levava vinte tabuleiros, cada tabuleiro dez bacalhaus, o que totalizava oitocentos bacalhaus por ciclo.



Após a conclusão do protótipo, em que participei activamente, e que considero a tarefa mais entusiasmante de toda a minha carreira como técnico de frio, fiquei encarregue de registar todos os parâmetros, tais como: consumo energético, carga de refrigerante, velocidade do ar interior, pressões, temperaturas, etc. Relativamente ao bacalhau, era preciso determinar o tempo de seca, grau de humidade, etc.

Para isso, tive que dormir na fábrica durante alguns dias, para não interromper o processo, uma vez que era necessário fazer o registo dos parâmetros a cada duas horas, e virar os carros com o bacalhau para tornar mais uniforme a distribuição do ar.

Após esta breve descrição, da pesca e seca do bacalhau, assim como da penosa vida a bordo, mostro também a minha relação “lateral” com o bacalhau.

Resta dizer que a pesca do bacalhau foi uma actividade que condicionou gerações inteiras de algumas zonas do país, constituindo, também por isso, um património de memórias a preservar, embora muitas vezes doloroso.

Fonte: Eduardo Freitas

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