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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Cananéia-SP: Fechamento da Fabrica de Gelo afeta a pesca e a economia local


Reclamar com quem se a Superintendência (ex-MPA) está fechada? 


O complexo responsável por armazenar e produzir gelo para pescadores de Cananéia, na região do Vale do Ribeira, está fechado há mais de dois meses e causando prejuízos ao comércio local. A situação piorou depois que a empresa terceirizada que administrava o Ceagesp da cidade encerrou o trabalho em agosto deste ano e fechou a sala onde funcionava a máquina de gelo.

Sem uma solução para o problema, os pescadores da cidade do interior paulista se uniram para protestar. Eles espalharam faixas pela cidade para chamar atenção das autoridades.

“Praticamente 70% da cidade sofrendo com a falta de gelo, da água do terminal, energia que não podemos usar para manutenção das embarcações. Muitas pessoas que moram no sítio não podem ficar sem gelo, porque tem remédios e outras coisas que levam que depende disso”, explicou o pescador Jocílio da Costa.

Há cinco meses, a máquina já havia apresentado problemas e os pescadores arrecadaram dinheiro para reformá-la. Eles gastaram R$ 40 mil na época, no entanto, a paralisação do complexo, que aconteceu depois disso, está aumentando a conta. “Cada barco que colocamos para trabalhar, só de gelo, sai na faixa de R$ 2 mil", disse o empresário Juraci José Santana.

Baixa qualidade

Além do prejuízo financeiro para os pescadores, os comerciantes que dependem do pescado também reclamam da qualidade, já que não há local adequado para armazenar o produto e é preciso improvisar.

De acordo com a categoria, o fechamento do local atinge diretamente mais de 300 pescadores artesanais. "O setor pesqueiro não pede verba ou investimento, nós só precisamos voltar a operar", reforça o comerciante Juarez Matias.

Até o momento, o Ministério da Pesca e o Ministério da Agricultura não se posicionaram sobre o caso.

Fonte: TV Tribuna (Veja o vídeo da reportagem)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Pescadores alertam para colapso do setor com a extinção do Ministério da Pesca

Representantes de pescadores de São Paulo, Ceará, Alagoas, Piauí e Amazonas alertaram para o colapso do setor com a extinção do Ministério da Pesca. O tema foi debatido nesta quarta-feira (28) em audiência pública na comissão mista que analisa a Medida Provisória da Reforma Ministerial (MP 696/15).



A MP faz parte do pacote fiscal, com o qual o governo espera elevar a arrecadação federal em 2016, diminuir gastos públicos e fazer economia com maior superávit primário. Uma das reformas em pauta é a extinção do Ministério da Pesca, que será incorporado ao Ministério da Agricultura.

O presidente da Associação de Pescadores de São Paulo, Edvando Soares, reconhece as deficiências do ministério, mas acredita que a pasta, criada em 2009, é uma conquista da categoria.

- Se comparado a outros ministérios, [o Ministério da Pesca] tem bem menos recursos e faltam profissionais capacitados para dialogar com os pescadores e conhecer suas demandas. Não adianta ir para a mansão do vizinho, que não é minha. O que a gente quer é a nossa casa - disse.

O sindicalista também atribuiu os problemas do setor pesqueiro paulista à prevalência de afinidades políticas na gestão.

- A pesca está em petição de miséria em São Paulo, porque cada superintendente quer ver seu lado, seu interesse político - afirmou, defendendo a presença do especialista em pesca na margem do rio, em contato com as famílias.
Seguro defeso

A decisão do governo federal de suspender por quatro meses o pagamento do seguro defeso é outro impasse enfrentado pela categoria. O benefício é repassado ao pescador profissional artesanal durante o período de paralisação da pesca para conservar as espécies.

Essa também é uma das preocupações da presidente da Federação de Pescadores do Piauí, Raimunda de Souza.

- O prejuízo é enorme. Porque não vai ter defeso, o pescador vai estar liberado para pescar e os peixes vão estar ovados. O prejuízo para o meio ambiente é incalculável. Até o momento, o pescador não tem uma real noção do que está acontecendo - alertou

O deputado Padre João (PT-MG) acredita que a demanda dos pescadores artesanais seria mais bem atendida dentro do Ministério de Desenvolvimento Agrário, cujas políticas públicas alcançam os trabalhadores artesanais.

- O fim do ministério já é um retrocesso, uma perda. E se a pescaria artesanal ficar no Ministério da Agricultura, o prejuízo será maior, porque seriam perdidas as demandas do setor. O mais certo seria manter apenas a pescaria industrial no Ministério da Agricultura - afirmou.

O relator, senador Donizeti Nogueira (PT-TO), por sua vez, comprometeu-se a evitar retrocessos no setor pesqueiro. Segundo ele, a criação do Centro da Embrapa de Aquicultura e Pesca, em Tocantins, fortalece a pesquisa no setor.

- Estamos perdendo o caráter de ministério, mas não de importância pública -explicou.

Fonte: Agência Câmara

quinta-feira, 11 de junho de 2015

6ª Vara Cível de Santos, julgou improcedente uma ação de pescadores contra a Ultracargo

Improcedente? Cuja decisão foi baseada na ausência de laudos conclusivos e no resultado da investigação policial? Para o juiz entender que houve impacto no meio de vida destes pescadores bastava refletir através desta imagem:

   Imagem: Instituto EcoFaxina

Tribuna de Santos (10/06/2015):

Dois meses após o fim do incêndio no terminal da Ultracargo, em Santos, a água do canal do estuário não está mais contaminada com combustíveis e o índice de oxigênio já voltou ao normal. A informação é da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), que agora concentra os trabalhos na vegetação atingida pela poluição.

Apesar de constatar a recuperação da água, a Cetesb afirma ainda não ser possível avaliar a qualidade do pescado para consumo. Pode haver o comprometimento dos animais com outras substâncias que não são provenientes do incêndio.

A estatal informa que o nível de oxigênio da água na região afetada pela explosão de tanques – o que interromperam a pesca artesanal – está entre 4 e 5 miligramas por litro (mg/l). Isto é, assemelha-se à concentração de 4,34 mg/l registrada em 25 de março, quase uma semana antes do incêndio.

As análises de cinco amostras colhidas antes, durante e depois do sinistro foram utilizadas pela Cetesb para constatar a volta à normalidade. Nos dias que sucederam as explosões, o baixo nível de oxigênio , a temperatura elevada e a toxicidade da água de rescaldo mataram quase dez toneladas de peixes.

Informada por A Tribuna sobre o laudo ambiental, a chefe do escritório do Ministério da Pesca em Santos, Diana Gurgel, disse que nunca houve restrição à pesca, apenas a suspensão temporária, aguardando-se o parecer da Cetesb.

A assessoria de imprensa da Ultracargo informou ter enviado à Cetesb laudos sobre monitoramento e controle de risco ambiental. Outra medida é manter uma “base regular por meio de duas antropólogas, que estão avaliando possíveis impactos” do incêndio.

Justiça nega indenização

Na segunda-feira, o juiz Joel Birello Mandelli, da 6ª Vara Cível de Santos, julgou improcedente uma ação de pescadores contra a Ultracargo, proprietária dos tanques incendiados em abril. Eles querem ao menos R$ 10 milhões em indenização devido aos impactos ambientais que os impediram de vender pescado na região.

A decisão do juiz se baseou na ausência de laudos conclusivos e no resultado da investigação policial. O parecer foi contestado no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo pelo advogado Emerson Souza Gomes, que representa colônias de pescadores de Guarujá, São Vicente e a Associação Litorânea da Pesca (Alpesc).

Gomes defende que a Ultracargo pague aos 2,5 mil pescadores que integram a ação pelo menos três salários mínimos por mês (R$ 2.364,00), inicialmente por meio ano. É o prazo mínimo para que, segundo ele, os trabalhadores voltem a ter condições de sustentar suas famílias pelo trabalho no mar.

“Não pescamos, não vendemos e, então, não temos dinheiro”, relata a presidente da Colônia dos Pescadores em São Vicente, Maria Aparecida Nobre da Silva.

A Ultracargo não quis comentar a decisão judicial.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Conheça a Educação Ambiental do Projeto Garoupa

O Litoral Norte de São Paulo será beneficiado pelo Projeto Garoupa e suas atividades de Educação Ambiental. Desde 2014 já atuando no Estado do Rio de Janeiro, agora é a vez de Ubatuba e Caraguatatuba serem favorecidos.



O Projeto Garoupa, que é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, utiliza a Educação Ambiental de forma lúdica e participativa e tem o objetivo de conscientizar os participantes quanto a conservação do meio ambiente.

A Educação Ambiental do Projeto Garoupa trabalha com dois perfis:

1. Arte educação;
2. Arte ambiental;

O primeiro, que acontece em diversos locais abertos ao público, utiliza a contação de histórias, o teatro e o áudio e vídeo como ferramentas. A intenção é transmitir as crianças e jovens a habilidade da oralidade, da espontaneidade, da estética e suporte do audiovisual como instrumento de comunicação e divulgação do meio em que vivem.

Já o segundo atua em escolas , oferecendo palestras e buscando formar multiplicadores . O trabalho, que acontece com jovens e adultos de forma mais tradicional, aplica palestras de treinamento e sensibilização, a partir do Guia Prático de Educação Ambiental, produzido pelo próprio projeto e que está disponível no site www.projetogaroupa.org para download. Ao final desta etapa, os participantes são convidados para uma atividade prática: fazer um desenho onde irão mostrar o que é o meio ambiente para eles.

Além destas duas formas de atuação há demandas espontâneas, onde a própria população busca a orientação do Projeto Garoupa para a sua comunidade.

O Projeto conta ainda com parceiros locais como, neste momento, as secretarias municipais, Unidades de Conservação, o Aquário de Ubatuba que oferece as suas instalações para as atividades e o Projeto Tamar onde acontecerá o encerramento das ações

Se você mora na região e tem vontade de participar das oficinas poderá encontrar mais informações no Aquário de Ubatuba ou no site do Projeto.

www.projetogaroupa.org

Fonte: Fazemos Comunicação

sábado, 22 de novembro de 2014

IV Campanha de Reconhecimento dos Habitats das Garoupas Verdadeiras


No fundo do mar há tantos mistérios que só os mais corajosos desbravadores conseguem desvendar. Mas quando se trata de garoupas e seu habitat natural, os mergulhadores do Projeto Garoupa vão a fundo.

Desde 2013 o Projeto Garoupa, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, faz mergulhos autônomos no intuito de conhecer o habitat natural da Garoupa verdadeira, peixe da família Epinephiledae.

Esta semana eles iniciam a IV Campanha de Reconhecimento dos Habitats na Região dos Lagos - RJ, no Monumento Natural das Cagarras - RJ e no litoral norte de São Paulo. Estas áreas de pesquisa, estão classificadas como: pouco impactadas, impactadas e de ressurgência em relação a integridade do local.

O profissionais mergulham a uma profundidade de 5m a 10m e de 15m a 20m para verificar nos locais: dados da temperatura, rugosidade, transparência da água, da topografia, contagem e medição das tocas, além de execução do censo de peixes e verificação dos tipos de organismos do substrato, onde a Garoupa costuma habitar.

“Estamos realizando investigações para aumentar o conhecimento de uma espécie já ameaçada e pouco conhecida, examinando alternativas para a sua recuperação e desenvolvimento de atividades que visam diminuir e eliminar as causas que geraram o atual quadro para esta espécie.” – explica Mauricio da Mata, coordenador geral do Projeto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Levantamento analisa comercialização de pescados nos dois principais mercados brasileiros

A Fundação SOS Mata Atlântica, por meio do Programa Costa Atlântica, realizou um levantamento em feiras livres, peixarias, supermercados e restaurantes nas duas maiores cidades do país, com o objetivo de verificar quais eram as espécies de pescado disponíveis para o consumo, se elas estavam identificadas de forma correta e se as normas existentes, como o defeso e a proibição de captura, eram conhecidas e estavam sendo respeitadas.

O estudo “Levantamento e caracterização do comércio de pescados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo” foi realizado entre abril e maio de 2014, incluindo assim a Semana Santa, período em que a procura por pescados é maior. Coordenado pela SOS Mata Atlântica, o levantamento foi realizado em parceria com as equipes dos professores Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fabio Motta, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – Campus Baixada Santista.


No Rio de Janeiro, o levantamento abrangeu 55 estabelecimentos das Zonas Sul, Norte e Oeste. Na cidade, foram registradas a comercialização do cherne-poveiro (Polyprion americanus) – espécie criticamente ameaçada cuja captura está proibida no Brasil –, de lagostas em período de defeso (quando a pesca da espécie é proibida para garantir sua reprodução), anchovas e robalos abaixo dos tamanhos mínimos de captura, além de diversos casos de rotulagem trocada, conhecido como “gato-por-lebre”.

Em São Paulo, foram analisados 44 estabelecimentos nas Zonas Sul, Norte, Leste e Oeste. Em nenhum deles a equipe encontrou espécies sendo comercializadas ilegalmente. Ações de fiscalização realizadas no ano passado podem ter contribuído para esse resultado. “Em 2013, ocorreram campanhas de fiscalização promovidas pelo Ibama e Polícia Federal no Ceagesp, o maior centro distribuidor de pescado da cidade. Em maio daquele ano, por exemplo, foram apreendidos numa única operação mais de 700 kg de peixes de comercialização proibida”, observa Fabio Motta, da Unifesp.

Um padrão comum a todas regiões pesquisadas é que falta informação de qualidade para que comerciantes e consumidores possam identificar as espécies, sobretudo aquelas ameaçadas e com comercialização restrita. “Há também um panorama generalizado de falta de informação sobre períodos e tamanhos em que determinadas espécies não devem ser capturadas e comercializadas. No Rio, por exemplo, 33% dos comerciantes não conheciam nenhum período de defeso e 78% desconheciam o tamanho mínimo de captura das espécies que vendiam. Em São Paulo, esses números são de 43% e 68%, respectivamente“, ressalta o pesquisador Rodrigo Moura, da UFRJ.

Diego Igawa Martinez, do Programa Costa Atlântica da Fundação, explica que, ao longo da cadeia de comercialização, perde-se informação sobre a captura e origem do pescado. “Ainda existe muita informalidade na cadeia de comercialização de pescado, dificultando a aquisição de informações confiáveis sobre a produção e consumo. A estatística pesqueira da produção, por exemplo, não é mantida de forma contínua em boa parte do país”, observa.

Nos restaurantes, esse processo é mais grave e, na maior parte dos casos, o cliente não tem nenhuma garantia de estar consumindo pescado capturado dentro das normas ou proveniente de pescarias que degradam menos o meio ambiente, nem mesmo se a espécie no prato corresponde ao nome no cardápio.

“A principal conclusão é que ainda precisamos avançar muito para que o consumidor possa ter informações suficientes para escolher o melhor produto. O preço e a aparência de fresco do pescado são os fatores que mais influenciam a compra, e existe um grande desconhecimento sobre a origem, identificação da espécie e a qualidade ambiental da pescaria”, afirma Martinez.

Confira o levantamento completo

Espécies mais encontradas

Considerando todos os estabelecimentos pesquisados, a maioria das espécies encontradas foi de água salgada. No total, em São Paulo foram identificadas 89 espécies, enquanto no Rio de Janeiro foram 79.

Há diferenças de oferta nas duas cidades estudadas e, também, dentro das regiões de uma mesma cidade, com espécies mais nobres, como garoupas e badejos, sendo preferencialmente comercializadas em regiões de maior renda.

Das espécies observadas em São Paulo, destaque para o salmão (presente em 55% dos estabelecimentos), sardinha (49%), pescada-branca (48%), camarão (47%), cação (43%) e tilápia (41%). No Rio, a corvina foi o peixe mais encontrado (presente em 85% dos estabelecimentos), seguido do salmão (83%), camarão (81%), anchova (79%), linguado (71%) e tilápia (71%).

Nos pontos de comercialização, além da proveniência do pescado ser difícil de ser determinada, há problemas sérios com a identificação do produto. Muitos consumidores não sabem, por exemplo, que o cação na verdade é um tubarão. Vendidos em filé ou postas, fica ainda mais difícil identicá-los. Das 88 espécies de tubarões brasileiros, 12 estão na lista das ameaçadas de extinção.

Já os camarões, em grande maioria, são oriundos de fazendas de carcinicultura.

Gato-por-lebre

A rotulagem trocada ocorre por razões que vão desde a falta de conhecimento até a troca por espécies mais caras ou com maior aceitação no mercado.

Na maior parte dos estabelecimentos foram encontrados pescados com rotulagem trocada. “Muitas vezes, essa rotulagem errada pode ser um simples deslize do comerciante, mas é evidente que espécies de menor preço são frequentemente rotuladas como espécies nobres. Do ponto de vista ambiental, essa rotulagem errada também mascara um problema sério, que é o da comercialização de espécies proibidas, ou capturadas em tamanho e épocas inadequados. Em São Paulo, por exemplo, encontramos em alguns estabelecimentos o ‘cação’ (tubarões) ofertado como ‘badejo’, algo bastante emblemático, considerando-se o status de conservação de ambos os grupos”, diz Fabio Motta, da Unifesp.

No total, em São Paulo foram registrados 29 casos de rotulagem trocada, sendo que 78% das feiras livres e 40% das peixarias tiveram pelo menos um registro. No Rio, foi registrado um total de 14 espécies com troca de rotulagem, sendo que 86% das feiras livres e 25% das peixarias mostraram pelo menos um registro.

“No Rio, observamos a comercialização de ‘filé de panga’, um peixe importado de baixo valor, como ’filé de pescada’ ou ’filé de linguado’, espécies nativas de maior valor e excelente qualidade. Na dúvida sobre a identidade do pescado, o consumidor deve sempre optar pela compra do peixe inteiro, e não de filés ou produtos processados“, esclarece Rodrigo Moura, da UFRJ.

A troca de rotulagem é um crime contra as relações de consumo, sendo passível de denúncia e punição. Quando se sente prejudicado, o consumidor pode buscar o Procon, baseado no Código de Defesa do Consumidor (lei nº 8.078/ 1990).

Fonte: SOS Mata Atlântica

Imagem: Mauricio Düppré

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SP - Poluição reduz diversidade de bactérias marinhas no litoral paulista

Quanto menos poluída a água do mar no litoral de São Paulo, maior é a diversidade de bactérias marinhas. Essa foi uma das constatações de um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB/USP), após a coleta de amostras de água do mar e de plâncton na Baixada Santista, em Ubatuba e em São Sebastião.

Eles participaram de uma pesquisa, realizada entre 2010 e 2012 com apoio da FAPESP, cujo objetivo geral era caracterizar comunidades bacterianas do litoral paulista por meio de análises moleculares e genéticas.

O foco estava nos exemplares quitinolíticos – ou seja, nas bactérias que metabolizam a quitina (polissacarídeo presente no exoesqueleto de muitos organismos marinhos) e liberam carbono e nitrogênio (utilizados em processos biológicos, fisiológicos e bioquímicos ao longo de toda a cadeia alimentar).

Após as fases de coleta e análise, foram encontrados 13 gêneros de bactérias quitinolíticas na Baixada Santista, 19 em Ubatuba e 28 em São Sebastião, somando as amostras de água do mar e de plâncton (alguns gêneros foram encontrados tanto em água do mar quanto em plâncton).

Por meio de estudos anteriores realizados pelo próprio ICB/USP, os pesquisadores conheciam os níveis de poluição antrópica (pelo homem) nos três locais: alto na Baixada Santista, médio em São Sebastião e baixo em Ubatuba.

Cruzando os resultados, concluiu-se que a maior diversidade é encontrada onde há poluição baixa ou mediana. “Os microrganismos nativos de um sistema competem com outros que chegam até ele, por meio de esgotos não tratados, por exemplo. E sobrevivem os mais fortes – no caso, aqueles associados aos poluentes”, disse Irma Nelly Gutierrez Rivera, professora e pesquisadora do ICB/USP.

De acordo com Rivera, tal redução na diversidade de bactérias quitinolíticas gera preocupações em ao menos três esferas. A primeira remete aos prejuízos diretos para a cadeia alimentar marinha, que necessita do carbono e do nitrogênio liberados pela metabolização da quitina. A segunda diz respeito a perdas para uma série de processos biotecnológicos nos quais essas bactérias são aplicáveis, como controle de insetos e fungos.

Já a terceira implica em riscos relacionados à perda de biodiversidade nos ecossistemas costeiros do país. “Há espécies desaparecendo antes mesmo de serem catalogadas. Isso é ruim porque devemos saber o que é nosso e o que não é – caso, por exemplo, dos microrganismos que chegam com a água de lastro dos navios e cuja interação com as espécies locais pode dar origem a espécies patogênicas que, por sua vez, podem causar doenças para o homem, para os animais marinhos e para o próprio ecossistema”, disse Rivera.

Metodologias e desenvolvimento

Entre 2007 e 2010, Rivera coordenou uma pesquisa com Auxílio Regular da FAPESP sobre a diversidade de microrganismos marinhos na Baixada Santista, em Ubatuba e em São Sebastião.

A partir de então e até o segundo semestre de 2012, com novo projeto de pesquisa, Rivera passou a coordenar a caracterização das comunidades bacterianas nesses três locais. Ou seja, a equipe focou os estudos nas bactérias – mais especificamente nas quitinolíticas – e buscou identificá-las por meio de análises moleculares e genéticas.

Para tanto, o primeiro passo foram as coletas de amostras de água e plâncton, que duraram 20 meses em São Sebastião e dois verões em Ubatuba e na Baixada Santista.

Nos três locais estudados, o filo Proteobacteria foi o mais recorrente. Em relação aos gêneros, em amostras de água, Micromonospora predominou em Ubatuba e São Sebastião, enquanto Aeromonas prevaleceu na Baixada Santista. Em amostras de plâncton, Ubatuba teve outros gêneros de bactérias, como Streptomyces e Luteimonas, enquanto as Aeromonas foram as mais encontradas em São Sebastião e na Baixada Santista.

“Para chegar ao nível das espécies, é preciso lançar mão de metodologias mais complexas”, afirmou Rivera. “Até hoje, conhecemos pouquíssimas espécies. Estudos apontam que os oceanos são os ambientes mais ricos em diversidade procariótica, com aproximadamente 3,5 x1030 espécies de bactérias. Por enquanto, apenas cerca de 6 mil delas estão descritas.”

Os pesquisadores do ICB/USP farão o sequenciamento completo do genoma de ao menos uma das bactérias quitinolíticas coletadas, a fim de identificar a que espécie ela pertence. Outro desdobramento serão estudos sobre as enzimas produzidas por bactérias de ecossistemas marinhos e suas possíveis aplicações biotecnológicas.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Projeto Garoupa


Recuperar e proteger espécies marinhas em vias de extinção é um passo importante para manter o equilíbrio de ecossistemas degradados por agentes externos. A Iniciativa da Associação Ambientalista Terra Viva / ATEVI, patrocinada pela Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, esta desenvolvendo o Projeto Garoupa que nasce com a missão de pesquisar os hábitos, habitats e formas de reprodução, para contribuir na conservação da garoupa verdadeira, (Mycteroperca marginata).

Este projeto, com duração inicial de dois anos, concluiu a fase de apresentação formal da proposta e mapeamento das redes (comunidades tradicionais, colônias / associações de pesca, unidades de conservação, instituições de pesquisa e prefeituras locais dos 11 municípios, divulgando as ações do projeto que tiveram início em outubro de 2013.

As pesquisas dos habitats tiveram início também nos meses de novembro e dezembro de 2013. Os mergulhos autônomos foram realizados em 12 sítios distribuídos entre os estados do Rio de Janeiro (Região dos Lagos e nas Ilhas Cagarras) e no estado de São Paulo (Litoral norte), para caracterização fisica e biologica destes ambientes. 


O Projeto conta também como apoio as ações, a larvicultura da garoupa verdadeira, localizada no Município de Ilhabela / SP, em uma das bases do projeto. Os indivíduos produzidos em tanques de alevinagem, a partir de matrizes naturais das regiões contempladas pelo projeto, serão acompanhados com transmissores para auxilio a telemetria e também elastômeros visiveis como ferramenta de suporte a pesquisa de repovoamentos e habitats.

Através do auxílio de arte-educadores utilizando atividades ludicas (teatro ambiental, contação de histórias com bonecos e videos comunitarios), divulgação da mídia local, conscientização da sociedade e sobretudo, das comunidades de pescadores, ao longo de sua realização o projeto passará pelos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, nos seguintes municípios: Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios (Região dos Lagos, RJ); Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty (Litoral Sul, RJ) e Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela (Litoral norte, SP).

A grande preocupação dos pesquisadores da ATEVI, reside no fato da garoupa verdadeira estar, atualmente, listada como ameaçada de extinção devido à pesca predatória e perda de habitats naturais. A espécie é encontrada na faixa litorânea compreendida entre os estados do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, a garoupa habita ambientes rochosos e possui alta fidelidade territorial. Este peixe de habito carnívoro possui lugar de destaque dentro da cadeia alimentar de seu ecossistema sendo de grande importância para o equilíbrio trófico destes ambientes.

Indo além da ação ambiental, o projeto está atento ao caráter social que a pesca e a proteção da garoupa agrega. A educação ambiental é componente chave. Não apenas pela informação transmitida para a população em geral, mas, principalmente, pela inclusão dos moradores na realização do projeto. A idéia é que a iniciativa proposta pelo Projeto Garoupa para as comunidades envolvidas seja a continuidade da iniciativa, que de posse das informações e dos cuidados necessários, possam compartilhar a transferência e dividir a responsabilidade para garantir a sustentabilidade dos resultados obtidos a conservação em longo prazo, conferindo equilíbrio ecológico e dignidade social das regiões.

Maurício Roque da Mata.
Coordenador Geral do Projeto Garoupa

Mais informações;
www.projetogaroupa.org

contatos@projetogaroupa.org

terça-feira, 11 de junho de 2013

25 Anos do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro


Data: 27 e 28 de junho de 2013 
Local: Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo

Inscrições: Gratuitas pelo site http://www.oceanosesociedade.io.usp.br/

A relação entre os oceanos e a sociedade é a base para o entendimento dos processos que interferem diretamente na qualidade de vida e bem estar da humanidade, devendo ser discutida, aprofundada e divulgada. No Brasil, um marco nesta discussão é o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, que completa 25 anos em 2013.

Em comemoração a esses 25 anos será realizado o evento “Oceanos & Sociedade”, que visa promover uma reflexão crítica sobre os avanços da gestão costeira e marinha no Brasil, bem como das possibilidades de ações para o aprimoramento de sua implementação, incluindo a integração com políticas focadas na gestão continental.

Também será discutida a atuação dos diversos integrantes do Grupo de Integração do Gerenciamento Costeiro (GI-GERCO). Para isso, o evento pretende possibilitar o diálogo entre instituto de pesquisa, órgãos governamentais, iniciativa privada e sociedade civil organizada para avaliação e discussão do processo de gestão costeira no Brasil.

O “Oceanos & Sociedade” está sendo organizado em parceria entre a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SeCIRM), Ministério do Meio Ambiente, Laboratório de Manejo, Ecologia e Conservação Marinha e o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP).

Fonte: Instituto Costa Brasilis


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Navio oceanográfico Alpha Crucis é inaugurado em Santos


O navio oceanográfico Alpha Crucis foi inaugurado nesta quarta-feira (30/05), em cerimônia realizada no porto de Santos (SP). A embarcação, adquirida pela FAPESP para o Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP), substituirá o Professor W. Besnard.

O antigo navio foi utilizado entre 1967 e 2008, quando sofreu um incêndio e ficou sem condições operacionais de pesquisa, limitando drasticamente os estudos oceanográficos no Estado de São Paulo. A aquisição do Alpha Crucis faz parte de um projeto de incremento da capacidade de pesquisa submetido à FAPESP pelo IO-USP, no âmbito do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU).

O presidente da FAPESP, Celso Lafer destacou que o navio, cuja manutenção e gestão serão de responsabilidade do IO-USP, poderá ser utilizado por cientistas de outras instituições, dentro das diretrizes do programa EMU. A expectativa é que o navio proporcione um grande salto qualitativo na pesquisa oceanográfica do país.

“Este é um grande dia para a oceanografia brasileira. O navio permitirá que o IO-USP dê continuidade à sua missão, enquanto toda a comunidade científica e toda a sociedade paulista serão beneficiadas por esse importante desdobramento do Programa Equipamentos Multiusuários da FAPESP”, disse Lafer.

Rodas lembrou que o navio dará uma nova dimensão à pesquisa oceanográfica feita pelo Estado de São Paulo. “Pesquisadores das universidades estaduais paulistas e de outras instituições brasileiras que tiverem projetos de pesquisa importantes serão beneficiados. Na luta para adquirir o novo navio, todos nós saímos vencedores”, declarou Rodas.

“O professor Mahiques foi o responsável por colocar no papel essa demanda da comunidade científica, na forma de um projeto muito bem elaborado para desenvolver a oceanografia no Estado de São Paulo. Esse esforço foi decisivo para que a aquisição do navio se tornasse uma realidade”, disse Brito Cruz.

Segundo Mahiques, a USP agora possui o navio oceanográfico mais moderno do Brasil, que, além de impulsionar a pesquisa oceanográfica propriamente dita, deverá incrementar grandes programas de pesquisa da FAPESP como o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e o programa BIOTA-FAPESP.

“Este é o passo mais importante da ciência oceanográfica no país desde 1967, quando o Professor Besnard foi adquirido. Agora temos um navio muito mais moderno, que permitirá pesquisas mais avançadas e com maior duração. O Alpha Crucis terá papel fundamental na formação de graduandos e pós-graduandos e produzirá conhecimento que poderá ser aplicado em políticas públicas, beneficiando toda a sociedade”, disse Mahiques.

Originalmente, o navio pertencia à Universidade do Havaí e tinha o nome Moana Wave. Depois da aquisição pela FAPESP, a embarcação passou por reformas e modificações durante dez meses, em Seattle, nos Estados Unidos.

Rigor na manutenção

Com 64 metros de comprimento por 11 metros de largura, o navio tem capacidade para levar 20 pesquisadores – além de cerca de 20 tripulantes – e pode deslocar 972 toneladas. O custo total da embarcação, incluindo a reforma, foi de US$ 11 milhões.

“O Alpha Crucis possui equipamentos modernos como um sistema de posicionamento dinâmico – que permite manter a posição em estações oceanográficas –, perfilador de subfundo, dois perfilhadores de corrente, ecointegrador, guinchos e guindastes apropriados para diversas tarefas e mais de 100 metros quadrados de laboratórios”, contou Mahiques.

De acordo com o pesquisador-chefe do navio, Luiz Vianna Nonnato, o navio é equipado com um sonar multifeixe. “É um equipamento fantástico, que permite produzir um mapa tridimensional do fundo do oceano. Conforme a navegação avança, o aparelho lê o relevo do fundo, em tempo real, em uma faixa ao redor do navio”, explicou.

A manutenção do navio terá uma atenção especial. “Um dos problemas do Professor Besnard é que ele não teve manutenção adequada. Um dos pressupostos da FAPESP para a aquisição do navio foi que nos comprometêssemos a cuidar do Alpha Crucis com todo o rigor. A manutenção de um navio é algo muito dispendioso. Temos a expectativa de que vamos trabalhar com ele por muitos anos”, disse.

Nonnato afirmou que o custo de operação do navio varia entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por dia. O seguro e o combustível – cerca de 10 mil litros por dia em média quando em navegação – estão entre os itens mais dispendiosos. “Mesmo quando está docado, isto é, colocado em dique seco, os custos são altos”, disse.

Uma das vantagens do Alpha Crucis, segundo Nonnato, é que se trata de um navio de uso geral projetado especialmente para o uso em pesquisa oceanográfica. “Podemos trabalhar com pesca, com petróleo ou com meio ambiente, por exemplo. Os laboratórios permitem que várias equipes trabalhem simultaneamente em diferentes projetos, otimizando o uso do navio. Outro ponto positivo é que o navio já foi amplamente testado na pesquisa oceanográfica. O projeto do Alpha Crucis é excepcionalmente bom. Além disso, o navio foi muito bem mantido e muito bem reformado”, afirmou.

Fonte: FAPESP

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Detalhes da reprodução dos moluscos cefalópodes são revelados



Em artigo de capa publicado no periódico Journal of Morphology, pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) descreveram detalhes até então obscuros do processo reprodutivo de moluscos cefalópodes, classe de animais marinhos a que pertencem os polvos, as lulas, as sépias e os náutilos.

A pesquisa foi feita com lulas da espécie Doryteuthis plei, coletadas no litoral de São Sebastião, em São Paulo, durante o doutorado de José Eduardo Amoroso Rodriguez Marian, com Bolsa da FAPESP, orientado pelo professor Osmar Domaneschi (in memoriam) e pela professora Sônia Godoy Bueno Carvalho Lopes.

“As lulas e os demais cefalópodes entram na fase reprodutiva no fim do ciclo de vida. Durante a cópula, os machos transferem seus gametas para as fêmeas por meio de um braço modificado conhecido como hectocótilo”, disse Marian.

Os espermatozoides são transferidos dentro de cápsulas chamadas espermatóforos, explicou o pesquisador. Essas estruturas são produzidas continuamente pelo macho quando ele atinge a maturidade sexual e ficam armazenadas no saco espermatofórico. A cada cópula, algumas dezenas de cápsulas são transferidas para as fêmeas.

“Já se conhecia esse processo, mas não se sabia por que os cefalópodes possuíam espermatóforos tão complexos. Para alguns autores, são as estruturas reprodutivas mais complexas do reino animal”, disse Marian.

Ao perceber a carência de trabalhos na área, Marian decidiu focar sua pesquisa de doutorado, que havia começado com tema mais amplo, no entendimento da estrutura e do funcionamento dos espermatóforos.

“Acreditava-se anteriormente que os machos desempenhavam um papel mais ativo na transferência de espermatozoides. Mas mostramos que o espermatóforo sozinho é capaz de se ancorar no corpo da fêmea, perfurar o tecido e se aderir a ele por meio da liberação de substâncias adesivas. Todo esse processo é autônomo, ou seja, realizado pelo próprio espermatóforo, e extracorpóreo”, explicou.

O espermatóforo tem três componentes principais, cada um deles com uma função diferente. “Além da massa espermática, que contém os espermatozoides, há o aparato ejaculatório, responsável pela ancoragem no corpo da fêmea e pela escarificação do tecido. Há ainda o corpo cimentante, estrutura que libera as substâncias adesivas”, disse Marian.

No artigo publicado no Journal of Morphology, Marian descreve em detalhes a chamada reação espermatofórica – processo durante o qual o aparato ejaculatório é projetado e a massa espermática e o corpo cimentante são liberados.

O tempo de duração desse fenômeno varia de acordo com a espécie. No caso das lulas estudadas, gira em torno de 30 segundos. “Mas, no caso do polvo gigante do Pacífico, cujo espermatóforo pode atingir um metro de comprimento, pode chegar a uma hora”, contou.

Para entender melhor cada etapa do processo, Marian, com auxílio de colegas do Centro de Biologia Marinha da USP, removeu os espermatóforos das lulas, engatilhou a reação espermatofórica vitro e observou o fenômeno sob as lentes do microscópio.

“O espermatóforo é uma cápsula alongada com cerca de um centímetro no caso da maioria das lulas. Em um dos ápices há um filamento. Quando esse filamento é tensionado, tem início a reação espermatofórica”, disse.

A pesquisa também deu origem a outras publicações. No periódico Acta Zoologica foi descrita uma análise morfológica detalhada do espermatóforo.

A constatação de que os espermatóforos tinham capacidade de perfurar o tecido das fêmeas rendeu um artigo no Journal of Molluscan Studies. Já na revista Papéis Avulsos de Zoologia foi publicado um outro artigo de revisão sobre o tema.

“Com base nas evidências que conseguimos reunir, desenvolvemos um modelo teórico para explicar o processo de implante de espermatóforos, fenômeno que permaneceu obscuro durante muito tempo”, contou Marian. Esse modelo foi divulgado em artigo no Biological Journal of the Linnean Society.

“Esses animais estão sempre nadando por meio de jato-propulsão e há muita turbulência na superfície de seus corpos. Isso, em teoria, dificulta a deposição de espermatóforos. O sistema de fixação por implante observado nos cefalópodes é eficiente a ponto de suportar a resistência imposta pelo modo de vida desses animais”, disse Marian.

Além do financiamento da FAPESP, o projeto contou com apoio do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap) da Capes, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, da American Malacological Society e da Houston Conchology Society. A pesquisa recebeu quatro prêmios oferecidos por sociedades de malacologia – ramo da biologia que estuda os moluscos: American Malacological Society, Houston Conchology Society, Unitas Malacologica e Sociedade Brasileira de Malacologia.

Fonte: Agência FAPESP

quarta-feira, 9 de maio de 2012

SP - Seminário de Aquicultura


Seminário : Aquicultura no IOUSP: destaque nas pesquisas e mercado de trabalho 


Ano comemorativo aos 40 anos dos cursos de Pós-Graduação e 10 anos do curso de Bacharelado em Oceanografia do Instituto Oceanográfico da USP

Aquicultura no IOUSP: destaque nas pesquisas e mercado de trabalho

O seminário pretende oferecer à comunidade do IO e da USP referências sobre atividades profissionais de aquicultura, por meio de uma programação composta por profissionais renomados no cenário nacional e internacional, alguns deles oceanógrafos e/ou com passagem pelo IO.

Data: 25 de maio de 2012 (sexta feira).
Local: Anfiteatro “Profa. Dra. Ana Emília Amato Moraes Vazzoler”, Instituto Oceanográfico, São Paulo (SP)

Programação:

09h15 - Abertura dos trabalhos

09h30 - Aquicultura no Instituto Oceanográfico e na USP.
Palestrante: Prof. Dr. Daniel Eduardo Lavanholi de Lemos. Oceanógrafo, líder do Laboratório de Aquicultura do IO e coordenador da Rede de Aquicultura da USP.

10h15 - Aquicultura sustentável: princípios e oportunidades.
Palestrante: M.Sc. Alexandre Alter Wainberg. Aquicultor com mais de vinte e cinco anos de experiência. Mestre em ecologia e proprietário da Primar, primeira fazenda orgânica de aquicultura do Brasil.

11h00 - Perguntas da audiência e discussões

11h30 às 12h30 – Almoço (será servido “brunch” no saguão do anfiteatro)

13h30 - AQUATEC AQUACULTURA: 23 anos de lições na produção de pós-larvas de camarão marinho.
Palestrante: Ana Carolina Guerrelhas. Bióloga, uma das maiores autoridades internacionais em reprodução e produção de pós-larvas de camarão marinho. Proprietária da AQUATEC, maior provedor nacional de pós-larvas, e da GENEARCH, empresa de melhoramento genético de camarões marinhos. Foi estagiária e pós-graduanda do IOUSP.

14h15 - Perguntas da audiência e discussões

14h45 - Interação Universidade-Empresa: Pesquisas Aplicadas sobre a Nutrição de Camarões Marinhos.
Palestrantes: M.Sc. João Manoel Cordeiro Alves. Mestre em aquicultura, gerente de produto de aquicultura da Guabi Nutrição Animal, mais de vinte anos de experiência em aquicultura comercial. Prof. Dr. Rodrigo Antonio Ponce de Leon Ferreira de Carvalho. Mestre em aquicultura, Doutor em Oceanografia Biológica pelo IOUSP. Professor da Escola Agrícola de Jundiaí - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com passagem significativa pela indústria do camarão cultivado.

15h30 - Perguntas da audiência e discussões

16h00 - Intervalo para o café

16h15 - Extensão aquícola: o que isso tem a ver comigo?
Palestrante Prof. Dr. Antonio Ostrensky Neto. Oceanógrafo, Doutor em Zootecnia, Professor da Universidade Federal do Paraná. Consultor da FAO e do Governo Federal.

17h00 - Perguntas da audiência e discussões

17h30 – Encerramento dos trabalhos



Fonte: IOUSP

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

SP - Queda no volume de desembarques pesqueiros

 

O desembarque de pescados no estado de São Paulo diminuiu nos últimos anos. A movimentação no ano passado apresentou uma queda de 18% em relação a 2009. Segundo dados do instituto da pesca, este foi o menor volume dos últimos 43 anos. Representantes do setor defendem a criação de políticas públicas pra reverter a situação no Estado

Fonte: Bom Dia Campo

sábado, 29 de outubro de 2011

Conferência USP Sobre o Mar



Objetivo: Promover uma reflexão sobre os temas “Oceano e Clima”, “Biodiversidade” e “Exploração em Águas Profundas” na USP, considerando referências internacionais de relevância acadêmica, com o objetivo de se incorporar novas áreas de conhecimento nos temas e ampliar a interatividade interinstitucional, visando patamares acadêmicos de excelência.

Palestrantes:

Tema: Oceano e clima
1) Paul G. Falkowski - Rutgers University, Institute of Marine and Coastal Sciences - Ciclos Biogeoquímicos.

2) Antonio Busalacchi - University of Maryland, Earth System Science Interdisciplinary Center - Variabilidade climática e previsões, Circulação do Oceano Tropical.

3) Jorge Sarmiento - Columbia University, Atmospheric and Oceanic Sciences - Circulação e biogeoquímica marinha.

4) William Curry - Woods Hole Oceanographic Institution, Ocean and Climate Change Institute - Paleoclimatologia e paleo-oceanografia quantitativas.

Tema: Biodiversidade

1) Daniel Pauly - University of British Columbia, Fisheries Centre and Zoology Department - Pesca.

2) William Fenical - University of California at San Diego, Scripps Institution of Oceanography, Center for Marine Biotechnology and Biomedicine - Bioprospecção e Biotecnologia Marinha.

3) Stephen Palumbi - Stanford University, Hopkins Marine Station - Genética de reservas marinhas para conservação e pesca.

4) David Michael Karl - University of Hawaii, Department of Oceanography - Microorganismos marinhos.

Tema: Exploração em águas profundas

1) Michael Vecchione - National Systematics Laboratory (NOAA), National Museum of Natural History - Expedições em submersíveis em águas profundas, biólogo.

2) Daniel J. Fornari - Woods Hole Oceanographic Institution, Deep Ocean Exploration Institute - Morfologia e estrutura de feições de oceano profundo.

3) Juan Luis Suárez de Vivero - Universidad de Sevilla, Espanha - Aspectos jurídicos da exploração em águas profundas.

4) Gary D. Libecap - Bren School of Environmental Science & Management, University of California - Aspectos econômicos da exploração em águas profundas.

Datas: 6, 7, 8 Dezembro, 2011.

Local: Anfiteatro da FAU/USP

Horários: das 9h30 às 17h.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cananéia - IV Festa da Ostra





Convido vcs a prestigiar a IV Festa da Ostra da Comunidade Quilombola do Mandira- Cananéia SP, que se realizará nos dias 18,19 e 20 de novembro de 2011, haverá muitas apresentações culturais e musicais, vários pratos a base de ostra e outros frutos do mar, artesanatos e etc...

Estaremos com uma pousada funcionando à 5 km da comunidade www.maryriodaspedras.com.br, e uma área de camping, próximo a cachoeira do Mandira, tudo com preços especiais para atender os visitantes, contato para reservas.

Fone 013 91833587 ou E-mail neimandira@yahoo.com.br.

Contamos com vossa presença!

Atensiosamente!
Sidnei Coutinho
Secretário da Associação do Quilombo Mandira

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SP - Pescadores esclarecem dúvidas sobre a emissão de nota fiscal


Na tarde deste sábado (6), a Administração Municipal de São Sebastião e a Colônia de Pescadores Z-14 Almirante Tamandaré, prepararam um encontro que reuniu os pescadores da cidade e um contador, para esclarecer as dúvidas frequentes relacionadas à emissão de notas fiscais, obrigatória nas novas leis federais. Aproximadamente 50 pescadores e familiares participaram da reunião.

O convidado para sanar os questionamentos e ensinar a comunidade pesqueira a preencher corretamente as notas fiscais foi o contador Dimas Otaviano Noronha, de Caraguatatuba.

De acordo com as novas regras do Ministério da Pesca e Aquicultura, o proprietário precisa ter a nota como empregador. É ele quem fará a venda da mercadoria, sendo assim necessita da emissão para recolhimento de
imposto. Já o empregado não necessita, pois apenas presta serviço ao dono da embarcação.

A nota serve como um documento também para comprovar à previdência que o pescador exerceu a atividade. A nova legislação trata da atividade pesqueira no território nacional e exige que em toda venda emita-se a nota fiscal, seja ela de vendas dentro ou fora do estado e de remessa, dentro ou fora do estado.

Nota de remessa

O funcionamento desta nota de remessa foi igualmente explicado pelo contador: “Toda circulação de
mercadoria necessita de uma nota acompanhando. Como exemplo, cito um carregamento que sai de São
Sebastião em direção a São Paulo ou a outros estados. A nota fiscal que acompanha essa mercadoria é
chamada de nota de remessa”, disse.

Concluindo a explicação, o contador afirmou que é nesta nota onde o preço de venda ainda não está definido, pois é somente para trânsito da mercadoria. O importante nela não é o valor e sim, a quantidade. Se a carga descrita em nota não condiz com a pesagem, o carregamento pode ser apreendido. Esta nota não gera recolhimento de imposto e serve somente para trâmites legais.

Os pescadores também tomaram conhecimento sobre os códigos fiscais para preenchimento das notas. Para
vendas dentro do Estado de São Paulo “5102”, vendas para outros estados “6102”. Já para notas de remessa, dentro do estado “5949”, fora do estado “6949”. Os valores e cálculos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) também foram destaques nas discussões da reunião.

Fonte: O Noticiado

sábado, 6 de agosto de 2011

SP - São Sebastião - Administração realiza encontro entre Petrobras e comunidade para apresentar relatório diagnóstico


Na terça-feira 2, a Administração Municipal, através do departamento de Pesca da Semam (Secretaria de Meio Ambiente) e comunidade pesqueira do bairro de São Francisco, região Central de São Sebastião, reuniu-se com representantes da Petrobras no Centro Cultural ‘Batuíra’.

Na ocasião, os funcionários da empresa apresentaram à comissão pesqueira do bairro um relatório diagnóstico com informações referentes a construção do píer do bairro. Construção essa que foi motivo de inúmeras reivindicações da comunidade.

O relatório faz parte do PAPP (Projeto de Ação Participativa para a Pesca), ação desenvolvida para compensar as comunidades pesqueiras artesanais impactadas pela instalação do gasoduto do Projeto Mexilhão.

Dentro do projeto, a Petrobrás irá criar um plano técnico de construção de um píer voltado à pesca e ao turismo náutico. O documento será cedido à comunidade para apresentação na Prefeitura. A Administração
por sua vez, será responsável por realizar o licenciamento ambiental e execução da obra.

O relatório apresentado contem informações como posição do píer, batimetria, calado, fluxo previsto de embarcações, capacidade, dentre outros dados para elaboração do projeto. Tudo o que foi discutido e decidido na reunião, será repassado para a empresa licenciadora da PAPP. Dentre as reivindicações dos pescadores, a posição do píer e a chegada dele na praia foram destaques da conversa.

Essa é só mais uma das etapas do projeto, motivo de reuniões entre Petrobrás, Prefeitura e comunidade há dois anos. A próxima etapa será repassar todas as informações e pedidos dos pescadores para os engenheiros responsáveis, que por sua vez será enviado para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) – RJ.

Comunidade e PAPP
O envolvimento da comunidade é a base do PAPP, implementado de forma participativa: um modelo de trabalho em que os atores sociais (comunidade, Petrobras, Ibama e outros agentes envolvidos), interagem para que os grupos construam projetos de acordo com suas necessidades.

Por meio de cursos, palestras e oficinas, a comunidade pesqueira garante um espaço de discussão sobre a necessidade de se organizar para o seu fortalecimento dentro da cadeia produtiva da pesca.

Fonte: O Noticiado

sábado, 9 de julho de 2011

SP - Festival da Tainha de Caraguatatuba



Festival da Tainha tem cultura e gastronomia caiçara
Veja fotos: Apresentação dos pratos: Tainha 2011

Música, artesanato e culinária tradicional à base de tainha, esses são os principais ingredientes da 8ª edição do Festival da Tainha. Os festejos começam no dia 14 de julho de 2011, às 19h30, no entreposto de pesca do Porto Novo, nas margens do rio Juqueriquerê.

Ao longo dos quatro dias de festa, turistas e moradores poderão apreciar as delícias da culinária caiçara e assistir apresentações musicais no palco do evento. Além disso, quem saborear os pratos do festival ganhará convites para passear de barco pelo Rio Juqueriquerê. Ao todo, serão quatro embarcações fazendo o trajeto.

O presidente da Associação de Pescadores da Zona Sul de Caraguá, Ronan Carvalho da Silva Júnior, afirma que o festival cresce a cada ano e a expectativa é muito boa para a 8ª edição da festa. “As pessoas estão se familiarizando com o festival. Muitos me ligam para saber mais informações. Isso é bom para todos. A cidade ganha, os pescadores, moradores e turistas também. É uma opção de diversão para eles e um lucro a mais para nós”.

Júnior ainda lembra que todos os responsáveis por barracas de alimentos receberam uma capacitação sobre higiene e manipulação de comida. Ao longo do festival serão feitas seis fiscalizações diárias em cada barraca. “Esse processo dá ainda mais credibilidade ao evento e faz com que as pessoas fiquem mais a vontade para consumir na festa. Dá mais credibilidade”, afirma.

Além de experimentar o prato principal da festa, a tainha assada, os visitantes ainda podem experimentar outras variedades de pratos com o peixe, como a tainha recheada, escabeche de tainha e lasanha de tainha.

O evento ainda terá exposição de artesanato caiçara, além de “causos” de Caraguá narrados por contadores de histórias da cidade. As crianças têm espaço garantido nas oficinas de artesanato voltadas especialmente para elas.

O festival é uma realização do Governo Municipal, por meio da secretaria municipal de Turismo, em parceria com a Associação dos Pescadores da Zona Sul de Caraguatatuba (Assopazca) e patrocinado pela Petrobras.

Fonte: Caraguatur / Agora Vale / Diário de Taubaté


terça-feira, 31 de maio de 2011

SP - FESTA DE SANTO ANTONIO 2011



COMUNIDADE QUILOMBOLA DO MANDIRA-Cananéia SP.
Programação da Festa:

Sábado - dia 11 de junho de 2011
10h00 – Torneio de vôlei
14h00 - Corrida de pedestres
15h00 - Gincanas com as crianças
19h00 – Bingo
22h30 - Bingo Especial
23h00 – Grande Bailão ao vivo

Domingo - dia 12 de junho de 2011
9h30 - Sorteio dos times para torneio de futsal
10h00 - Início do torneio de futsal Transitório
19h00 – Terço cantado
21h00 - Bingo

Segundo - dia 13 de junho de 2011
05h00 - Alvorada
10h00 - Missa e Procissão
12h30 – Almoço Comunitário


Realização: Associação da Comunidade Remanescente de
Quilombo da Reserva Extrativista do Mandira(REMA)

Fonte: Comunidade Mandira

Mais informações:


http://www.cananeiatur.com/mandira.htm

http://www.quilombosdoribeira.org.br/comunidades/5

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