O setor pesqueiro tem reagido com bastante preocupação as declarações do presidente da República divulgadas neste domingo.
O presidente Jair Bolsonaro neste domingo, 17 de março, disse por meio de seu Twitter, que o Ministério do Meio Ambiente discute com o Secretário Nacional de Pesca projetos embrionários de redução de frota pesqueira e "inclusão dos pescadores no setor de turismo e preservação".
O objetivo segundo ele, seria o de fomentar o turismo de mergulho e pesca esportiva: "A ideia é reduzir esforços de pesca, aumentar o turismo de mergulho e pesca esportiva e criar novos recifes com embarcações naufragadas como já é feito no mundo todo gerando um ambiente de consciência, preservação e empregabilidade natural".
A pesca artesanal está bastante preocupada: "Será que irão reduzir a frota industrial ou só os pequenos serão penalizados?" Questiona o presidente da Colônia de Pescadores Z-4 de Cabo Frio - RJ, Alexandre da Colônia.
A redução do esforço de pesca proposta pelo Governo Federal poderia de fato ser voltada para reduzir sobrepesca de espécies ameaçadas. "Nós da Z-4 somos a favor da proibição da pesca de espada pela frota industrial, por exemplo" complementa Alexandre.
Fonte: Twitter
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segunda-feira, 18 de março de 2019
sábado, 21 de março de 2015
Vazamento de 560 Litros de óleo nas baías de Sepetiba e Ilha Grande
Transpetro recebe multa de R$ 50 milhões por vazamento no RJ
O Conselho Diretor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro aplicou multa de R$ 50 milhões à Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), por causa do vazamento de óleo, segunda-feira, no Terminal Baía da Ilha Grande, no município fluminense de Angra dos Reis.
A decisão foi tomada em reunião emergencial na tarde de quarta-feira. O Inea acusa a Transpetro de não ter dado as informações corretas. De acordo com o instituto, após a empresa revelar que houve o vazamento, equipes de emergência do órgão se dirigiram ao local e sobrevoaram a área indicada pela Transpetro, e na área a quantidade observada foi pouco significativa, estimada em cerca de 560 litros de óleo. No entanto, em novo sobrevoo na quarta-feira, os técnicos verificaram que a extensão da mancha é muito maior, “o que leva a crer que a empresa omitiu informações ao Inea”, completou o órgão em nota.
Também em comunicado, a Transpetro confirmou que logo após o vazamento ser detectado informou sobre o problema aos órgãos ambientais e marítimos, mas negou que tenha dado informações incorretas. “A Transpetro não omitiu qualquer informação das autoridades competentes, que acompanham desde o início os trabalhos de contenção e remoção. A companhia esclarece ainda que em nenhum momento transmitiu a esses órgãos informações sobre o volume derramado, pois a apuração ainda não foi concluída”.
A Transpetro revelou também que as operações foram imediatamente interrompidas e o vazamento contido, logo que foi identificado o transbordamento de um dos tanques de lastro do navio Gothemburg, onde havia óleo misturado com água.
De acordo com a empresa, as suas equipes estão usando embarcações, barreiras de contenção e barreiras absorventes para combater o vazamento e recolher o produto derramado. Além disso, instaurou comissão interna para apurar as causas do incidente.
A companhia completou a nota destacando que todas as suas operações obedecem à legislação vigente, e permanece trabalhando no local do vazamento para reduzir os efeitos causados pelo incidente.
Fonte: Terra
Imagem: G1
terça-feira, 22 de abril de 2014
IV Congresso Nacional de Unidades de Conservação do Delta do Parnaíba
O curso de Turismo da UFPI Campus de Parnaíba realiza entre os dias 14 e 16 de maio o IV Congresso Nacional de Unidades de Conservação do Delta do Parnaíba (CORUC), sob orientação da professora Msc Simone Cristina Putrick em parceria com a Mega Turismo e Eventos. O Congresso visa analisar e debater as atividades presentes nas Unidades de Conservação (UC´s) e tem como temática "Territórios e Comunidades" e quatro eixos temáticos para submissão de trabalhos em duas modalidades apresentação oral e exposição em pôster, sendo estes: Redes de Empreendimentos Solidários; Território, Turismo e Meio Ambiente; Unidades de Conservação, Políticas Públicas e Gestão; Pesca Artesanal e Sustentabilidade Ambiental.
Os objetivos do evento são:
- Abordar e fortalecer o planejamento e a gestão territorial das Unidades de Conservação Federais, Estaduais e Municipais, aliado a pratica turísticas para o desenvolvimento e divulgação das UC’s;
- Incentivar a atividade turística de forma integrada a comunidade para fortalecer a diversidade dos saberes, fazeres e do conhecimento tradicional no processo de desenvolvimento;
- Fortalecer e consolidar a rede de articulação entre comunidades pesqueiras, o extrativismo da cera da carnaúba e o município, que proporcione e melhore as trocas de informações, as condições e a qualidade de trabalhos das famílias envolvidas através da pesca artesanal n a s re d e s d e empreendimentos solidários
Em sua quarta edição, o evento abrange diversos estados do nordeste, dentre os quais se destacam Piauí, Ceará e Maranhão, que juntos englobam quatro unidades de conservação, a saber: APA Delta do Parnaíba (PI), Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (MA), Parque Nacional de Jericoacoara (CE) e Parque Nacional de Ubajara (CE).
Seminário Redes Solidárias na Pesca Artesanal
Durante o IV CORUC ocorre também o "Seminário Redes Solidárias na Pesca Artesanal", que contará com a participação de todos os Campus da UFPI. O propósito é debater aspectos relacionados à pesca artesanal em suas múltiplas dimensões, com foco nas redes de articulação solidárias.
O Seminário é voltado a pescadores artesanais, aquicultores familiares, educadores populares, técnicos ligados a trabalhos com pesca e aquicultura familiar, representantes de entidades de apoio técnico governamentais e não governamentais, estudantes e professores universitários, representantes do poder público das três esferas, entre outros.
Jornalistas de turismo que atuam em jornais, revistas, sites, e em assessorias de imprensa de órgãos públicos e empresas do setor de turismo virão a Parnaíba cobrir a IV Edição do Congresso Nacional de Unidades de Conservação do Delta do Parnaíba - CORUC, o segundo maior evento do Brasil sobre Unidades de Conservação.
Para mais informações: http://www.coruc.com.br/
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
CE - Pesca de curral em Bitupitá
Localizado há quase 400 quilômetros de Fortaleza, o município faz parte da Área de Preservação Ambiental (Apa) do Delta da Parnaíba, com o distrito de Bitupitá, há 24 quilômetros da sede. Com cerca de sete mil habitantes, o lugar hoje sobrevive quase exclusivamente da pesca, tendo 192 embarcações registradas e mais de dois mil pescadores que vão diariamente ao mar com técnicas completamente artesanais.
Um dos meios mais usados em Bitupitá é o Curral de Peixes, que prende os animais em uma armadilha durante a maré alta. Com isso, os vaqueiros de currais, como são chamados os pescadores que trabalham com este tipo de técnica, têm facilidade de tirar o animal na maré baixa.
Mas para construir um curral é preciso ter um alto investimento. Segundo o presidente da Colônia de Pescadores de Bitupitá, Jonas Veras, o recurso aplicado é de aproximadamente R$100 mil para um primeiro curral. Do segundo em diante, a manutenção fica em torno de R$ 30 mil.
"A compra do material mais pesado, licenciamento, contratação de pessoal para marca o local, tudo isso demanda um forte investimento que os pequenos pescadores não têm como fazer. O curral dura em média sete a oito meses. Depois, o curral é retirado e se preciso, passa por manutenções", explica Veras.
Na vila de pescadores, existem dois tipos de curral, chamados de curral de fora e curral de terra. A diferença entre eles é que um é construído próximo da costa e outro em alto mar. "Hoje, quase todos são currais de terra. Antigamente, era mais de dez milhas de distância da costa", lembra Veras, que trabalhou mais de 40 anos como pescador e há 20 é responsável pela colônia de pescadores.
Procedimentos
Para a construção dos currais é preciso um documento de licenciamento de terra no mar autorizado pela capitania dos portos local, em Camocim. Depois há as despesas com materiais e mão de obra. Já a madeira provem do Piauí ou Maranhão e legalizada pelos órgãos responsáveis.
"Quem vai construir um curral precisa contratar alguém que saiba marcar o local. Profundidade, época do ano, maré e correntezas são as maiores influências. Aqui, essas técnicas foram passadas de pai para filho", diz Veras.
Em dias de boa pescaria em Bitupitá é possível pescar cinco toneladas de peixe
A média de construção é de um mês ou mais. Primeiro se marca o terreno com a "planta" do curral. O próximo passo é fixar os mourões no fundo do mar, com um mergulhador segurando uma das pontas embaixo d´água e outro batendo em cima.
Depois são fixadas as telas de arames ou nylon por toda a arapuca, deixando uma entrada única para os peixes. "Rede, mourão, canoas, são materiais que podem ser reutilizados. A rede custa em média R$8 mil, a canoa R$15 mil. Só o banco para tecer custa R$ 2 mil", explica Veras.
Finalizada essa etapa, é feita uma cerca de madeira com mais de 100 metros de barreiras para que os peixes entrem na armadilha e não possam sair. "Já vi currais darem mais de R$250 mil nesses seis meses que ele produz", revela o presidente da Colônia de Pescadores de Bitupitá.
Os pescadores ganham 25% da produção do curral para o qual trabalham. Em cada um trabalham uma média de quatro pescadores. Segundo Veras não há um parâmetro de dia de pagamento. Pode ser por mês, ciclo de vida do curral ou ano. "Essa é uma das coisas nós da colônia queremos regularizar", explica o presidente da entidade. Para a manutenção do peixe de curral, a técnica também é artesanal. Depois de pescados, são levados em carrinhos de mão até o local de conservação, onde as mulheres, principalmente esposas e familiares de pescadores, trabalham na limpeza.
"Hoje, além de pescadores formalizados com direito aposentadoria, temos também quase o mesmo tanto de mulheres que se enquadram na profissão da pesca", ressalta. Após a limpeza, os peixes ficam 24 horas na salmoura e é lavado no mar. Dali, eles ficam de dois a três dias no sol, em um varal feito de madeira.
"Nosso peixe é hoje levado para quase todas as cidades do Ceará, mas nossas principais compradoras são Camocim, Chaval e Acaraú. Porém, uma das nossas grandes dificuldades hoje são os atravessadores. Eles compram todos os peixes e revendem para a comunidade por um preço mais alto", frisa Veras.
O camurupim, por exemplo, nas mãos de quem pesca é vendido a R$8,50 o quilo, mas o consumidor final paga R$15,00, inclusive o próprio pescador que tirou o peixe do mar. Ele é um peixe de escamas grandes, com corpo comprido. Dentro dos currais são comuns pegar alguns com mais de dois metros e acima de 70 quilos.
Outro ponto lembrado pelo presidente da Colônia de Pescadores local é o turismo na região. Mesmo com águas calmas, praia limpa e calma, Veras destaca que a estrada que liga o distrito ao Município tem prejudicado o turismo na região.
"Temos uma praia linda que muitos ainda não conhecem porque é difícil andar mais de 20 Km na estrada de piçarra. E o turismo seria mais um avanço para a nossa comunidade, pois valorizaria nossos produtos da pesca, nossas barraquinhas na beira da praia e outros setores do pequeno comércio que tem aqui", ressalta Veras.
De acordo com a chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Barroquinha, Iolanda Fernandes Gomes, o projeto para asfaltar a estrada que liga sede e distrito já foi licitada e deve iniciar as atividades em fevereiro.
Texto: Diário do Nordeste
Imagem: Ricardo Bastos
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
MA - A Maré do Maranhão
Final de ano, festas, turistas, desavisados ou desprevenidos, ano a ano a notícia se repete no Norte do país, onde a variação de maré pode chegar a depender da lua e época do ano, de até 8 metros em um intervalo de 6 horas. Veja abaixo a tábua de maré para os 7 primeiros dias do ano em São Luís:
Fonte: Tábua de Marés
Notícia:
Carros são engolidos pelo mar em praias de São Luís
Cerca de 15 carros, incluindo uma carreta, foram engolidos pela maré nesta quarta-feira (1º), na praia do Araçagi, na capital maranhense, e ficaram boiando no mar. A maré começou a subir por volta das 15h30 e, como as praias estavam lotadas, muitos condutores tentaram sair ao mesmo tempo, o que provocou um grande engarrafamento, de acordo com o Corpo de Bombeiros.Alguns carros ficaram atolados e condutores precisaram de auxílio de demais banhistas para sair do local. Um grande tumulto se formou. Houve muito desespero. A situação também foi registrada na Praia do Meio.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, ainda houve a tentativa da abertura de uma outra via para o escoamento dos carros, mas a medida foi em vão.
Imagem: Blog do Hilton Franco
Mais imagens: Blog do Gilberto Lima
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Búzios - Ordem no Cais do Centro
Estiveram reunidos na ACEB – Associação Comercial e Empresarial de Búzios, no começo da tarde de sexta-feira (21), representantes do Turismo Náutico da Cidade e o futuro secretário de Turismo, José Marcio, para dar continuidade às propostas que farão valer o TAC – Termo de Ajuste de Conduta, que vêm sendo discutido desde o final das eleições municipais, visando principalmente o ordenamento do Cais público, no Centro, a partir de 1º de Janeiro.
Associação de Táxis Marítimos, Associação dos Pescadores do Centro, Colônia Z-23, Associação dos Guias de Turismo, Associação das Agências de Viagem e proprietários de Agências de Turismo encaminharam ao futuro secretário propostas com as reivindicações de cada segmento, depois de discutirem em plenária uma a uma. – É preciso retirar os vendedores ilegais do Cais do Centro. Esperamos que a nova prefeitura faça valer a Lei 11.771, do Ministério do Turismo, já temos até um projeto para organizar as atividades dos pescadores e das traineiras naquele local – disse o pescador Jean.
– Manter contato permanente com a prefeitura é primordial para os guias de turismo de Búzios. Ao contrário do que foi publicado no Peru Molhado, os grupos de turistas que geram bagunça são exatamente os que não têm guias. Esses é que não param nos lugares determinados. Pedimos a nova prefeitura que fiscalize a atuação das agências para que contratem somente guias credenciados. Somos um dos principais receptivos do setor. – reivindicou Jaqueline, guia de Turismo e representante da Aguitab.
Roberto Guionni, engenheiro e proprietário da Agência de Turismo Babylon, acredita que todas as sugestões levantadas para o ordenamento são válidas, mas que o principal problema do Pier do Centro atualmente é a sua estrutura, que precisa ser revista com urgência. – Vejo que o problema maior é a estrutura física do píer. Ele não foi projetado para suportar o peso que sustenta na alta temporada, com o fluxo das escunas, dos navios, dos turistas e vendedores. Se continuar como está, pode acontecer uma tragédia – avaliou.
- A ampliação do píer deve ser feita já. Do jeito que está é muito inseguro. A própria Capitania dos Portos já está ciente disso. O píer está fora do Parque dos Corais e não vejo problemas que impeçam a obra. A ampliação resolveria o problema das traineiras, das escunas e dos navios. É preciso fiscalizar também as bananas boat, que ficam na frente dos quiosques e restaurantes das praias. Outro problema grave é o esgoto lançado na praia do Canto, ao lado do píer – argumentou Amarildo, presidente da Colônia dos pescadores Z-23.
O futuro secretário de Turismo, José Marcio, que já foi presidente da ACEB, afirma conhecer bem o lado empresarial de Búzios e as suas demandas, do comércio e das pessoas envolvidas no Turismo da Cidade, e diz estar disposto a conciliar as duas vertentes, objetivando uma parceria entre governo municipal e iniciativa privada. – Temos que buscar este equilíbrio para podermos trabalhar juntos, porque a Cidade vive do Turismo e se não conseguirmos a união dessas forças, nós, de fato, não seremos uma cidade turística com organização e profissionalismo.
- Hoje estamos recebendo as propostas do setor náutico e conhecendo melhor as entidades, ouvindo suas sugestões e deficiências, enfim, colhendo as informações necessárias para formular o TAC e depois dessa reunião passar para todos que aqui estão a posição do prefeito André Granado, que pretende fazer esse trabalho agora, emergencialmente para o verão, junto ao MP.
Em relação à desordem que se instalou no Cais do Centro, José Marcio foi taxativo: - A intenção do Dr. André é de organizar e ordenar os vários setores da Cidade, a começar pelo Pier do Centro, fazendo as mudanças necessárias. Como pessoas que vêm da iniciativa privada, com experiência em gestão, o que não nos falta é experiência administrativa.
Fonte: Primeira Hora
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Orla de municípios pernambucanos é tema de audiência
Pescadores são contra a mudança
Representantes do Ministério Público, pescadores, biólogos, membros de ONGs e outros setores da sociedade civil lotaram, nesta terça-feira (10), o Auditório das Tabocas, no Centro de Convenções, para discutir em audiência pública o estudo de impacto ambiental a respeito da recuperação da orla marítima dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista. O projeto para contenção do nível do mar prevê que 7,6 milhões de metros cúbicos de areia sejam retirados de uma área em alto mar próximo ao município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, e colocados em áreas onde já existe areia. A audiência pública foi convocada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco e é etapa obrigatória do processo de licenciamento ambiental. A população foi convocada para ser ouvida e as opiniões a respeito do projeto eram diversas.
" A proposta é que aconteça com 19 praias, o que vai facilitar o turismo, o lazer e o comércio local. Além disso, vai preparar o Litoral para o enfrentamento das mudanças climáticas. Com o aquecimento global, o nível do mar vai ser elevado e os municípios precisam ter maiores condições de enfrentar essas mudanças", é o que explica o secretário de Meio Ambiente, Sérgio Xavier.
A proposta é que não seja retirado nenhum metro de mar. De acordo com o secretário executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, Hélvio Polito, não está previsto que nenhuma propriedade seja desapropriada. O secretário explica que ao longo do tempo o projeto precisa ser monitorado. "O movimento das faixas de areia é natural e espera-se que em cinco anos se perca 40% do que vai ser posto na praia de Boa Viagem. Já em Olinda, é esperado que haja um acréscimo de 20%, mas esse é um tipo de intervenção bastante comum no mundo inteiro, não estamos inventando nada", pontuou.
Os pescadores lotaram ônibus para se dirigirem ao Centro de Convenções e eram contra a proposta. Maria da Guia, 50 anos, é a primeira pescadora de Pernambuco, mora no Janga e chegou em Olinda às 7h. "Vim defender a mãe natureza que está pedindo clemência, só ficamos sabendo da audiência ontem, ao meio-dia, e muitos não podem vir porque não têm dinheiro para a passagem". De acordo com Marcos Antônio, diretor da colônia de pescadores de Gaibu, a retirada da areia no Cabo prejudicará o escossistema da região já que a areia leva alevinos e mariscos: "Vai ser uma tragédia total para todo o manguezal, no momento em que se desvia o leito, todos os seres vão se exterminar". Os pescadores alegam que o projeto pensa apenas na preservação da orla e não no estuário.
Já para Gabriel de Queiroz, membro do Grupo de Estudo de Sirênios, Cetáceos e Quelônio (Gescq), o projeto é bastante interessante. "Nós monitoramos desovas de Tamandaré a Itamaracá e está cada vez mais difícil encontrar lugar para os ovos de tartarugas. Acredito que isso vai ser bom para o turismo e para a preservação. No entanto, é preciso ter cuidado, não se sabe como vai ficar a correnteza, por exemplo". Maria Lúcia de Oliveira é ensusiasta do projeto pela recuperação do espaço das praias: "A praia é um bem de todos e o espaço de lazer mais democrático, há muito tempo se buscava uma solução mais efetiva para essa situação".
As incertezas a respeito do projeto ainda são muitas e o próprio secretário executivo admite que a intervenção deve ser feita com todo cuidado apesar de já serem sete anos de estudo. Sobre a situação dos pescadores, o secretário Sérgio Xavier afirma que essa era uma das finalidades da audiência pública: "Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio e todos serão ouvidos". As obras devem começar no início de 2013 e Jaboatão dos Guararapes é o município que tem mais condições de iniciar as obras.
Fonte: UOL
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
AL - Federação dos Pescadores pede apoio para fiscalizar a atividade de pesca de arrastão
Pescadores reclamam da pesca de arrastão feita por veranistas
O secretário adjunto de Estado da Pesca e Aquicultura, Juca Carvalho e a superintendente de Pesca, Nadja Baía foram nesta quarta-feira (18) à Colônia de Pescadores Z-14, na Barra de Santo Antônio para atender às solicitações feitas pela Federação dos Pescadores de Alagoas (Fepeal). As demandas também envolvem as cidades de Coruripe, Pontal do Peba, Barra de Camaragibe, Japaratinga, Maragogi, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras.
Responder às questões dos pescadores locais, quanto a construções de cercas feitas por moradores veranistas, atrapalhando a atividade pesqueira e prejudicando a utilização do espaço das embarcações e apetrechos, foi um dos pleitos. O outro se refere à ajuda no pedido de fiscalização, por meio dos órgãos competentes, da pesca de arrastão de camarão em jangadas e balsas não motorizadas, no sentido de reconhecê-las como atividade de arrasto, já que esta é regulamentada para receber o seguro-defeso.
Quanto à construção de cercas, atrapalhando a atividade pesqueira na Barra de Santo Antônio, Nadja Baía esclareceu que a Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura (Sepaq), já entrou com documentação para acionar o Ministério Público Federal e o Patrimônio da União, já que são os órgãos competentes para fiscalizar essa demanda.
Para esclarecer o outro pleito, a superintendente Nadja Baía, citou a Lei da Pesca de 2009. Segundo a lei é permitido a qualquer pessoa que tenha envolvimento com a pesca, de receber o seguro-defeso. “Viemos aqui na Barra de Santo Antônio, que é um dos lugares que vem solicitando ajuda, para identificar o que está acontecendo. Entendo que se existe uma lei, ela deve ser cumprida. Não devemos penalizar ninguém sem critério. O que está faltando é fiscalização. E nós, enquanto Estado, ainda não temos esse competência”, explicou a superintendente.
O presidente da Colônia dos Pescadores Z-14, Biu Capela, falou que a situação da fiscalização da pesca de arrastão, precisa se organizar. “Nós não temos condições e nem obrigação de fiscalizar quem realiza a pesca de arrasto e quem não. Se isso não acontecer, in loco, esse tipo de pesca, que também chamamos de pesca artesanal, vai se acabar. E não teremos como sobreviver, muito menos complementar nossa renda, que já é pouca”, disse ele.
Ainda segundo Capela, esse fato vem acontecendo porque envolve repasse de dinheiro. “Tem gente colocando o nome de um lado da embarcação, e outro nome, no outro lado, para dessa forma receber duas vezes o seguro-defeso. Já que a forma de fiscalizar atual é pela identificação do nome, por foto. Porém, quem faz a pesca de arrasto corretamente fica sem receber”, lamenta.
Biu Capela explicou também que em contrapartida a esse e outros tipos de ações indevidas, o Ministério da Pesca e do Trabalho vêm tomando medidas restritivas para controlar o repasse impróprio do seguro-defeso.
Por meio de ofício, a presidente da Fepeal, Maria Eliane Morais, notificou que esse tipo de pesca de arrasto – de camarão – deve ser reconhecido como tal, pois direta e indiretamente gera renda para cerca de cinco mil pessoas, entre homens e mulheres.
Fonte: Primeira Edição
terça-feira, 23 de agosto de 2011
PR - Conflitos da Pesca Artesanal em Guaratuba
Imprensados entre a legislação ambiental em permanente mutação e os interesses da elite, os pescadores artesanais de Guaratuba correm o risco de perder uma das conquistas recentes: autorização para pescar em áreas da baía.
Fato histórico pouco conhecido pelas novas gerações de Guaratuba foi a expulsão das comunidades de pescadores que viviam na orla marítima que hoje é ocupada por mansões nos balneários de Brejatuba e Eliane. O mesmo aconteceu nas margens da baía, um espaço público que foi privatizado por casas de luxo.
O pescador Célio Manoel de Borba denuncia a nova ameça através de uma campanha para alterar a legislação que permite atividade artesanal em algumas áreas da baía de Guaratuba. “O pescador tem direito ao sustento e, mais do isto, merece respeito”, brada Célio, que não é de meias palavras.
Célio esteve duas vezes no Correio do Litoral.com. Primeiramente em junho para falar da ameaça aos pescadores e agora em agosto para confirmar que o risco para eles continua e para acrescentar que os pescadores e outras comunidades tradicionais não recebem apoio da prefeitura e ainda veem conquistas sendo ameaçadas. O Correio estava devendo uma reportagem há meses, portanto.
Célio vê risco na mudança de legislação criada no governo Requião, quando o secretário do Meio Ambiente era o atual deputado estadual Rasca Rodrigues (PV). Depois de aumentar as restrições em algumas áreas no interior da baía para pesca, Rasca ouviu pescadores esportivos e artesanais e voltou atrás.
Aliás deu passo adiante ao estabelecer critérios condizentes para a atividade pesqueira artesanal nas baías de Guaratuba, Paranaguá, Guaraqueçaba, Antonina e Laranjeiras. Em meados de 2009, estes locais ficaram de fora da distância mínima de 100 metros para a pesca de fundeio (rede fixa armada no fundo do mar) e de 50 metros para a pesca de caceio (rede é jogada e a maré vai levando), mantida para as demais ilhas da costa paranaense. Ou seja, a mudança possibilitou o trabalho do pescador artesanal que, do contrário, quase não teria onde trabalhar já que as margens das baías são extremamente recortadas e praticamente não haveria áreas fora destes limites.
Também como fruto da pressão dos pescadores artesanais, o governo anterior acabou liberando definitivamente a pesca da tainha nos meses de junho e julho em toda a Baía de Guaratuba.
Um campanha contra o suposto prejuízo que a pesca profissional estaria causando ao turismo dos pescadores esportivos ocupou páginas da imprensa local e ganhou expressão política na boca do vereador Natanael Correia de Araújo “Nato” (PTdoB), primeiro-secretário da Câmara Municipal de Guaratuba.
Nato chegou a procurar o novo secretário estadual do Meio Ambiente, Jonel Yurk, em Curitiba, para pedir que as portarias e resoluções do governo anterior fossem revogadas. Além de defender os donos de iates e lanchas e os recursos que estes turistas deixam na cidade, Nato chegou a dizer que a legislação que foi fruto de debate e acordo entre os pescadores esportivos e os artesanais, não passava de “eleitoreira”.
A campanha alega que o turismo da pesca esportiva está em extinção em Guaratuba, assim o peixe preferido por este público, o robalo. Os bons resultados do VIII Campeonato Sul Brasileiro de Pesca ao Robalo, realizado no dia 9 de julho, em Guaratuba, contrariaram os pessimistas, tanto na presença de competidores, quanto na quantidade de peixes capturados.
Proteção é necessária
Célio de Castro reconhece que a produtividade na pesca vem diminuindo ano a ano, mas assegura que não é a pesca artesanal da responsável por isto. “O pescador é o maior interessado em preservar a sua atividade”, afirma. Ele considera importante a existência de normas e leis que protejam a fauna aquática e todo meio ambiente, mas exige que as pessoas que mais vivem em contato com a natureza sejam levados em consideração. “Tanto o pescador, quando morador da área rural, precisa de alternativas econômicas para viver. Sustentabilidade é também dar condições para o ser humano viver dignamente”, diz Célio.
“O povo daqui tem de viver da suas próprias pernas e ainda tem que tentar se livrar das rasteiras”, desabafa.
Fato histórico pouco conhecido pelas novas gerações de Guaratuba foi a expulsão das comunidades de pescadores que viviam na orla marítima que hoje é ocupada por mansões nos balneários de Brejatuba e Eliane. O mesmo aconteceu nas margens da baía, um espaço público que foi privatizado por casas de luxo.
O pescador Célio Manoel de Borba denuncia a nova ameça através de uma campanha para alterar a legislação que permite atividade artesanal em algumas áreas da baía de Guaratuba. “O pescador tem direito ao sustento e, mais do isto, merece respeito”, brada Célio, que não é de meias palavras.
Célio esteve duas vezes no Correio do Litoral.com. Primeiramente em junho para falar da ameaça aos pescadores e agora em agosto para confirmar que o risco para eles continua e para acrescentar que os pescadores e outras comunidades tradicionais não recebem apoio da prefeitura e ainda veem conquistas sendo ameaçadas. O Correio estava devendo uma reportagem há meses, portanto.
Célio vê risco na mudança de legislação criada no governo Requião, quando o secretário do Meio Ambiente era o atual deputado estadual Rasca Rodrigues (PV). Depois de aumentar as restrições em algumas áreas no interior da baía para pesca, Rasca ouviu pescadores esportivos e artesanais e voltou atrás.
Aliás deu passo adiante ao estabelecer critérios condizentes para a atividade pesqueira artesanal nas baías de Guaratuba, Paranaguá, Guaraqueçaba, Antonina e Laranjeiras. Em meados de 2009, estes locais ficaram de fora da distância mínima de 100 metros para a pesca de fundeio (rede fixa armada no fundo do mar) e de 50 metros para a pesca de caceio (rede é jogada e a maré vai levando), mantida para as demais ilhas da costa paranaense. Ou seja, a mudança possibilitou o trabalho do pescador artesanal que, do contrário, quase não teria onde trabalhar já que as margens das baías são extremamente recortadas e praticamente não haveria áreas fora destes limites.
Também como fruto da pressão dos pescadores artesanais, o governo anterior acabou liberando definitivamente a pesca da tainha nos meses de junho e julho em toda a Baía de Guaratuba.
Um campanha contra o suposto prejuízo que a pesca profissional estaria causando ao turismo dos pescadores esportivos ocupou páginas da imprensa local e ganhou expressão política na boca do vereador Natanael Correia de Araújo “Nato” (PTdoB), primeiro-secretário da Câmara Municipal de Guaratuba.
Nato chegou a procurar o novo secretário estadual do Meio Ambiente, Jonel Yurk, em Curitiba, para pedir que as portarias e resoluções do governo anterior fossem revogadas. Além de defender os donos de iates e lanchas e os recursos que estes turistas deixam na cidade, Nato chegou a dizer que a legislação que foi fruto de debate e acordo entre os pescadores esportivos e os artesanais, não passava de “eleitoreira”.
A campanha alega que o turismo da pesca esportiva está em extinção em Guaratuba, assim o peixe preferido por este público, o robalo. Os bons resultados do VIII Campeonato Sul Brasileiro de Pesca ao Robalo, realizado no dia 9 de julho, em Guaratuba, contrariaram os pessimistas, tanto na presença de competidores, quanto na quantidade de peixes capturados.
Proteção é necessária
Célio de Castro reconhece que a produtividade na pesca vem diminuindo ano a ano, mas assegura que não é a pesca artesanal da responsável por isto. “O pescador é o maior interessado em preservar a sua atividade”, afirma. Ele considera importante a existência de normas e leis que protejam a fauna aquática e todo meio ambiente, mas exige que as pessoas que mais vivem em contato com a natureza sejam levados em consideração. “Tanto o pescador, quando morador da área rural, precisa de alternativas econômicas para viver. Sustentabilidade é também dar condições para o ser humano viver dignamente”, diz Célio.
“O povo daqui tem de viver da suas próprias pernas e ainda tem que tentar se livrar das rasteiras”, desabafa.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
PI - Ibama autoriza pesca de piranhas em José de Freitas
Fonte: http://180graus.com/jose-de-freitas/ibama-autoriza-pesca-de-piranhas-em-jose-de-freitas-450529.html
Pescadores do Município de José de Freitas-PI, utilizando 66 redes, dois jequis e três canoas, iniciaram na noite desta sexta-feira (19 de agosto de 2011), uma operação na Barragem do Bezerro, em José de Freitas-PI, para capturar piranhas que estavam atacando turistas que frequentam àquele ponto turístico do Estado do Piauí.
Nas primeiras buscas feitas na barragem, na noite de ontem (19), os pescadores conseguiram capturar 97 piranhas. O Ibama autorizou a operação e emprestou aos pescadores 66 redes e ainda a utilização de jequis durante as buscas as piranhas, que levou diretores daquele órgão até à Barragem do Bezerro para mostrar a situação e a preocupação dos comerciantes estabelecidos na margem do referido ponto turístico.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
RN - O litoral e a luta pela sobrevivência
Banhado pelo mar desde a porção Norte até o Sul, o Rio Grande do Norte sustenta um mosaico de ecossistemas ao longo de 400 quilômetros de costa. Uma paisagem entrecortada por manguezais, restingas, dunas, praias, falésias, estuários e recifes de corais. Mas não é só a variedade de vegetação e diferenças climáticas e geológicas que chamam a atenção. Por trás de tanta beleza, o desenvolvimento se multiplica em diversas atividades econômicas, à custa de potenciais naturais sem conseguir sustentar um equilíbrio com a biodiversidade.
A balança, muitas vezes, tende a pesar mais para o lado do crescimento econômico e o resultado, explica o coordenador de gabinete do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama/RN) e oceanógrafo Luiz Eduardo Carvalho Bonilha, são impactos ambientais que precisam ser contidos para preservar os recursos finitos que restam.Dividido em três áreas - litoral sul, litoral oriental norte e litoral norte - os 28 municípios situados nessa faixa se agrupam em redor de atividades comuns. De Baía Formosa no extremo Sul até Natal, na chamada Zona da Mata, a vegetação predominante é a Mata Atlântica - ou o que restou dela: cerca de 0,3% da cobertura original, segundo dados do Ibama. O pungente desenvolvimento turístico e imobiliário, cuja a construção de grandes empreendimentos, como hotéis e resorts, há muito tomou o espaço da atividade pesqueira ignora as áreas de preservação ambiental.
O litoral e a luta pela sobrevivência
A ocupação imobiliária é hoje um fator marcante na intervenção na zona costeira do RN, tendo nos empreendimentos turísticos seu maior potencial. No Estado do RN, os municípios de Parnamirim, Nísia Floresta, Tibau do Sul e Extremoz são os mais procurados por estes empreendimentos.
Em Sibaúma, município de Tibau do Sul, uma obra construída sobre área de dunas foi embargada no último ano. O município passa por processo de revisão de espaços ocupados irregularmente, coordenado pelo Ibama, Idema junto com os Ministérios Públicos Federal e Estadual.
"A construção civil e o turismo estão consolidados ao longo dos últimos 15, 20 anos. E ainda é forte essa expansão imobiliária em toda costa sul. No corredor Natal-Nísia Floresta predomina as segundas residências. A devastação da vegetação nativa e de manguezais é preocupante", frisa o oceanógrafo.
Os mangues, principal fonte de renovação do ecossistema, sofrem ainda a influencia da carcinicultura. A abertura de viveiros em áreas impróprias e o derrame de efluentes tem tornado a recuperação de ambientes em Nísia Floresta, Canguaretama e mesmo no estuário do Rio Pontengi, quase irreversível.
O coordenador reconhece que a fiscalização é deficiente e que em muitos casos, é feita a partir de denúncias. "Não temos efetivo para uma atuação permanente". A implantação de três unidades de fiscalização, em parceria com o ICMBio, estão em fase de estudo para as reservas de Baía Formosa, Tibau do Sul-Georgino Avelino e parrachos de Parnamirim.
A paisagem se diversifica no litoral oriental norte, com uma caatinga "mais enriquecida", é a área de transição com a Mata Atlântica, onde cactos e algarobas se misturam a coqueirais e árvores de grande porte. Além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixam, movem-se com a ação do vento e mudam a paisagem e soterram construções.
De Extremoz a São Miguel do Gostoso é possível perceber o fenômeno da construção civil ocorrido ao sul há duas décadas - inclusive os erros - se repetir. Aos poucos, a pesca e demais atividades aquícolas vão declinando. A especulação imobiliária e o turismo cresceu, observa Bonilha, com a construção da Ponte Newton Navarro, que permitiu melhor acesso a partir de Natal para as praias do eixo Oriental Norte. "Cerca de 350 empreendimentos deram entrada com pedidos para licença ambiental no órgão estadual, de 2007 para cá. É um boom. O motor do desenvolvimento hoje está voltado para esse trecho do litoral".
Os ecossistemas e seus problemas
Litoral Norte
A costa norte, desde Pedra Grande a Tibau, onde a caatinga encontra o mar, ainda permanece a pesca artesanal. Nesse litoral árido, mais distante da capital, o turismo ainda tem espaço tímido. Em Pedra Grande, Caiçara e São Bento, o uso tradicional do mar prevalece e ao invés de estruturas arquitetônicas arrojadas, com opções de entretenimento, se vê vilas de pescadores. A área atrai parques eólicos, impulsionado pela constância dos ventos. "É preciso um estudo de locação para definir áreas e saber como podem influenciar aves migratórias".
A devastação dos mangues nessa porção afugenta ainda mais espécies em extinção. Nessas águas vivem ainda o peixe-boi marinho ameaçado de extinção. A disputa por ocupação de área entre as salinas e a carcinicultura também deixam marcas ao longo das faixas estuarinas dos Rios Piranhas-Assu e do Apodi-Mossoró. No litoral Norte, ainda segundo o inventário da Costa potiguar, lembra Bonilha, tem que
lidar com os derrames de óleo oriundos da extração e transporte inadequado de petróleo.
Sal
Montanhas de cristais brancos se erguem do mar. A ocupação de estuários para a produção salineira há
muito provoca a morte de espécies nos berçários marinhos (os manguezais) de Galinhos, Macau, Areia Branca e Grossos.
Em Macau, o rio homônimo já perdeu sua área limite. O sal se forma por toda parte na cidade. Os ribeirinhos reclamam do descarte da água graduada (onde ocorre a cristalização do sal), que devido a alta salinidade causa mortandade de espécies junto aos manguezais. Os mangues se encolheram a estreitas faixas na parte estuarina. "Três a quatro vezes por ano eles jogam a água do grau e mata tudo. Sem a larva não temos o peixe. A gente ainda pesca no mar, por que os rios tem quase nada", diz o pescador Edmar Rodrigues da Silva, 37, o 'Marzinho'. Na comunidade Gamboa do Porto São Pedro
Mas o status de grande produtor de sal do município não reflete no modo de vida dos habitantes. Boa parte
sobrevive da pesca, comércio, na indústria petroleira do pólo de Guamaré. "As salinas agora são mecanizadas", explica o aposentado Francisco Dantas Barbosa Filho, 63 anos, que trabalhou 40 anos nas
salinas. Ele conta a evolução do processo antes manual, até a dispensa em massa dos operários com a chegada das máquinas. "Houve muita demissão. Quem não conseguiu se empregar ou se aposentar virou pescador, catador de carangueijo ou saiu da cidade".
Especulação Imobiliária
De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Econômico e do Meio Ambiente (Idema) foram licenciados 169 empreendimentos de construção civil para os municípios da região costeira em 2010. E de janeiro a julho desse ano, outros 55 empreendimentos. Cerca de 70 pedidos aguardam aprovação do órgão.
Não existe hoje estudos e leis consolidadas sobre todo território costeiro onde é permitido ou não receber
edificações. O programa de Zoneamento Ecológico Econômico do Idema foi interrompido em 2002. Este ano, segundo informações da assessoria de imprensa, o IDEMA conseguiu colocar em seu orçamento recursos para realizar os estudos para o Zoneamento Ecológico-Econômico do Litoral Setentrional (Norte), assim como a revisão/atualização do ZEE do Litoral Oriental.Estes estudos estão a cargo da Subcoordenadoria de Gerenciamento Costeiro - SUGERCO que está ultimando as providências para deflagrar o processo.
O órgão atua ainda no Zoneamento Econômico e Ecológico específico da Área de Proteção Ambiental de
Jenipabu, das Áreas de Proteção Ambiental da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão, da Recife de Corais. Há ainda a contratação da ZEE de Bonfim/Guaraíras.
Pesca predatória
A pesca predatória e ilegal é uma preocupação de norte a sul do estado. Mas em alguns pontos a prática já comprometeu a atividade aquícola. Os estoques de lagosta, em Cajueiro, no município de Touros, distante 78 quilômetros de Natal foram reduzidas drasticamente. "Na costa potiguar, há a abominável cultura de pesca da lagosta por uso de compressores", lembra o coordenador do gabinete do Ibama Luiz Bonilha. As ações de coerção ocorrem de forma pontual, quando há denúncias. A região já teve destaque na produção de lagosta do Rio Grande do Norte.
Mesmo na época do defeso, explica o presidente da Colônia de Pescadores Z36 Silas Baracho, a retirada da lagosta é feita livremente sem que ocorra fiscalização ou mesmo incentivos para a regularização da prática. A colônia reúne cerca de 900 pescadores. "A solução seria extinguir por 5 anos a pesca da lagosta e nesse período, a cada seis meses por ano, os pescadores terem acesso a um seguro pago pelo governo federal", avalia Baracho. A proposta foi encaminhada sem êxito, ao Ministério da Pesca, no último ano.
Sem uma fiscalização eficiente e política pública para sustento do trabalhador e financiamento de equipamentos legais, como cilindros de oxigênio e manzuá (gaiola usada na pesca), acrescenta o pescador, não há como frear a ação ilegal.
Além de ilegal, o uso de compressores é perigoso. No vilarejo é fácil encontrar vítimas do equipamento proibido por lei. Há três anos, Lindemberg Tavares dos Santos, 30 anos, está preso a uma cadeira de rodas. O mergulho por tempo excessivo, a uma profundidade de 40 a 50 metros, e a volta rápida a superfície fizeram com que o ar se alojasse na medula espinhal causando paralisia. O ex-mergulhador admite que todos são cientes do risco. Mas não há outro meio de vida na comunidade e nem condições de comprar a
gaiola, cilindros, como manda a lei. "O pescador fica entre a cruz e a espada para dar comida a família. Eu tenho quatro filhos. Vai fazer o que? Mergulha, se arrisca", desabafa. O único amparo trabalhista, segundo ele, só chega após acidentes. Aposentado por invalidez.
Paraíso sem planos
Chamar paradisíaco parece redundante se estivermos adjetivando a reserva de desenvolvimento
Sustentável Ponta do Tubarão, em Diogo Lopes. A reserva criada pela Lei nº 8.342 de 18 de julho de 2003 abriga uma área de mangue, restinga, rio, mas e dunas se mantém preservados da especulação imobiliária e da correria dos grandes centros turísticos.
A RSD Ponta do Tubarão, está em uma área de 12.960 hectares, entre os municípios de Macau e Guamaré nas quais se localizam as comunidades de Barreiras, Diogo Lopes, Sertãozinho e Mangue Seco. Apesar de ter como objetivo, além de preservar a natureza, assegurar as condições e os meios necessários para a melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais. Pouco foi feito nesse sentido.
Nestes oito anos, não houve a implantação de políticas públicas e a única intervenção visível é a construção da sede do Idema, regido por conselho gestor, mas que permanece sem técnicos para atuar no zoneamento e fiscalização. A atuação já conseguiu inibir o corte quixabeiras e algarobas usadas para a queima em fornos, gado e varas de embarcação. A criação de camarão e produção salineira também são vetadas na região.
Ramos conta que outra decisão do conselho gestor, formado por 12 entidades públicas e da sociedade civil
organizada, é a de não aceitar a implantação de parques eólicos na área pertencente a Macau. Na faixa de Guamaré existem cinco, o Miassaba 1, 2 e 3 e o Alegria 1 e 2.
O pescador Adeildo Alves dos Santos, 45 anos, foi um dos moradores que "brigou" pela transformação em reserva e defende a permanência, mas reconhece que não houve melhoria para o pescador. "Como a lei de manejo nem o Plano Diretor foram aprovados até hoje, os projetos nunca chegaram. O sonho veio pela metade", diz. O distrito é o maior produtor de sardinha do Estado, mas tem dificuldade para armazenamento e escoamento do peixe.
Fonte: Tribuna do Norte
Sara Vasconcelos - Repórter
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
Bahamas proíbe totalmente pesca e venda de tubarões em seu território
Ponto para o meio ambiente: na última terça-feira, as Bahamas proibiram a pesca de tubarão nas suas águas, bem como a venda, importação e exportação de produtos de tubarão.
O arquipélago inclui Honduras, Ilhas Maldivas e Palau. A nova lei transformará todos os 630.000 quilômetros quadrados das águas territoriais do país em um santuário de tubarões.
O governo também aumentou a multa para pesca de tubarão de 4.640 para 7.730 reais.
Os tubarões são considerados em risco devido à demanda por suas barbatanas na culinária oriental (veja shark finning e assine a petição para o Brasil). Cerca de 73 milhões desses expecionais predadores do mar são mortos a cada ano.
Em 1993, as Bahamas proibiram alguns tipos e limitou a pesca de tubarão, protegendo 40 espécies de tubarões que habitam suas águas.
Mas a pesca de tubarão não era totalmente proibida. Assim, ano passado, quando uma empresa de marisco local anunciou que planejava exportar carne de tubarão e barbatanas para Hong Kong, os ativistas pediram uma nova lei.
As autoridades das Bahamas disseram que não acham que a proibição iria afetar as relações do país com a China, que aumentou o comércio com as Bahamas nos últimos anos. Segundo eles, isso está de acordo com o compromisso do governo de prosseguir políticas de conservação e estratégias a fim de salvaguardar o ambiente marinho e terrestre.
Os ambientalistas elogiaram a nova proibição e dizem que os tubarões desempenham um papel extremamente importante no equilíbrio do ecossistema. Eles precisam desesperadamente de proteção se não quisermos levá-los à extinção.
O turismo é uma indústria importante nas Bahamas, e mergulhos para ver os tubarões somam aos cofres do país cerca de 123 milhões de reais por ano. A ilha principal da região é o lar de uma praia onde um dos filmes “Tubarão” foi filmado. No ano passado, os restos de um barqueiro que tinha desaparecido ao largo da praia foram encontrados no estômago de um tubarão tigre capturado.
Por: Natasha Romanzoti (http://hypescience.com)
Fonte: [BBC]
quinta-feira, 16 de junho de 2011
PA - Turismo comunitário é tema de debate em Belém
O turismo de base comunitária, uma experiência inédita no Estado, foi um dos assuntos debatidos sobre o turismo no Marajó, em evento promovido pelo programa Viva Marajó, realizado ontem (14) à noite, no Sesc do Boulevard Castilhos França.
A coordenadora de um dos projetos do programa - o “Vem, viaje encontrando o Marajó” - Ana Cristina Vasconcelos, falou sobre a experiência do turismo de base comunitária, desenvolvido junto com a Associação das Mulheres da Vila do Pesqueiro, em Soure, a primeira reserva extrativista marinha da Amazônia.
O projeto proporciona a vivência dos turistas com os pescadores e moradores da região, hospedando-se na casa deles, convivendo com eles no dia a dia e participando de programações como a pesca artesanal, extração de turu no mangue, passeios de canoa nos igarapés, caminhadas pela praia e passeios de búfalo.
“O objetivo é gerar renda, emprego e qualidade de vida e fazer o resgate cultural dos moradores da região”, explicou Ana Cristina. Segundo ela, uma das atrações é a cozinha regional e o interessante é que os pratos são escolhidos pelas cozinheiras e não pelos clientes.
O projeto envolve 40 famílias do Pesqueiro. O próximo debate será realizado no dia 5 de julho e terá como tema a energia do linhão do Marajó.
O programa Viva Marajó é um conjunto de ações para fortalecer as comunidades do arquipélago do Marajó, desenvolvido em conjunto pelo Instituto Peabiru e o Fundo Vale para o Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
Fonte: Diário do Pará
terça-feira, 3 de maio de 2011
RJ - Projeto Mares da Ilha Grande
Situada entre as duas maiores metrópoles da América Latina (Rio de Janeiro e São Paulo), a Baía da Ilha Grande sofre com o impacto da especulação imobiliária e a intensa atividade da indústria pesqueira. Rica em biodiversidade, ela abriga um mosaico de onze unidades de conservação para proteger seu território, mas a fiscalização do governo ainda é incipiente. Para tentar preencher esta lacuna, a entidade carioca sem fins lucrativos Instituto BioAtlântica (Ibio) realizou o projeto Mares da Ilha Grande. O trabalho pretende fazer um amplo diagnóstico da pesca artesanal e entender a sua relação com as áreas protegidas.
Feito a partir de entrevistas com pescadores de 34 principais comunidades , os primeiros resultados trazem um quadro assustador. Dos 413 pescadores entrevistados e que serviram, 38,5% disseram não saber da existência de qualquer zona de proteção entre Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande (que, juntos, formam a Baía). Isto é suficiente, por exemplo, para explicar os conflitos que existem entre as comunidades e os órgãos ambientais. Alguns reclamam da truculência dos fiscais de unidades de conservação, embora não saibam que estão dentro de uma.
Abaixo o relatório síntese em pdf:
http://www.bioatlantica.org.br/bioatlantica_mares_ilha_grande_sintese_diagnostico_pesca_artesanal_jul09.pdf
Fontes: Instituto Bioatlântica e Blogs de Ciência
terça-feira, 26 de abril de 2011
Pantanal - Rios podem ganhar 62 novas hidrelétricas
Queimadas, exploração agropecuária desordenada, pesca predatória - essas ameaças ao ecossistema do Pantanal são conhecidas. Hoje, no entanto, ambientalistas apontam para um problema novo: a construção de hidrelétricas na região.
As usinas tiram proveito da queda natural entre o Planalto Central do Brasil e a planície onde fica o Pantanal. Hoje já existem 37 barragens em rios que alimentam a região e mais 62 hidrelétricas estão em construção ou em estudos. Quase todas são pequenas centrais que produzem pouca energia.
O pesquisador Paulo Petry, de uma entidade internacional de proteção do meio ambiente, diz que as usinas alteram o regime anual de cheias e secas que é responsável pela biodiversidade do Pantanal. Ele compara os barramentos a coágulos na circulação sanguínea de uma pessoa.
Pesca afetada
O município de Barão do Melgaço já foi um dos maiores produtores de peixe de água doce do Pantanal. Os pescadores das margens do Rio Cuiabá tiravam os pintados, os pacus, que eram vendidos em vários estados do brasil. Já não é assim. Muita coisa mudou por aqui.
Os pescadores são unânimes: a construção de uma barragem rio acima provocou uma queda drástica na quantidade de peixes.
Eles não estão conseguindo mais chegar aonde eles chegavam antes e a água não tem mais as mesmas características quando eles sobem os rios. isso dificulta o processo de reprodução deles.
As secretarias de Meio Ambiente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, responsáveis pela aprovação de quase todas as usinas da região, negam a existência de um grande impacto ambiental. E não pretendem barrar o plano de expansão das hidrelétricas.
“Nós precisamos de estudos cientificos, de algo concreto a fim de que possamos mudar procedimento, mudar os nossos roteiros e acompanhar como esta se desenvolvendo toda utilizaçao desta regiao do pantanal”, diz o secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Maia.
“Até o momento, não existe nenhum estudo que indique enfim alguma coisa de alto risco, ou coisa que o valha”, afirma o secretário de Meio Ambiente de Mato grossso do Sul, Carlos Alberto Said Menezes.
Cachoeira
As usinas também são acusadas de destruir belezas naturais.
A cachoeira Sumidouro do Rio Correntes já foi a maior atração turística da cidade de Sonora. Mas a barragem Ponte de Pedra desviou 70% do volume de água para as comportas. Com apenas 30%, o lugar ainda é bonito, mas perdeu a antiga força natural que maravilhava os turistas que vinham de longe para conhecer este lugar.
“Foi discutido na época do projeto, todos sabiam que ia perder essa beleza natural, infelizmente é o preço que temos que pagar. Você nao consegue gerar energia eletrica se não aproveitar essa queda natural que existe”, diz o gerente de Meio Ambiente da usina, José Lourival Magri.
Fonte: Correio do Estado
segunda-feira, 18 de abril de 2011
PE - Escola Mangue
Fiquei curioso e achei bacana a proposta.
Mais informações e contatos no site http://www.escolamangue.org/
O Centro Escola Mangue realiza um passeio pelas águas do Rio Capibaribe neste domingo (17) de lua cheia. A "Trilha dos Namorados" terá saída prevista para as 16h30, de Brasília Teimosa.
O passeio será realizado em baiteras - pequenas embarcações - guiadas por pescadores da região. A ação fortelece o ecoturismo de base comunitária e a troca de saberes, envolvendo o diálogo com os pescadores sobre preservação ambiental e cultura da pesca artesanal.
A renda do passeio será destinada para ajudar os pescadores no período de defeso de algumas espécies e para manter as atividades de educação ambiental e cultural que o centro desenvolve com crianças, jovens, adolescentes e mulheres do bairro de Brasília Teimosa.
Fonte: NE10
quinta-feira, 7 de abril de 2011
SP - No ritmo das marés
Há muito mais entre a terra e o mar, além de praias, ondas e caipirinhas. Desde o Cabo Orange, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina, na zona costeira brasileira, também existem os manguezais, berçários tropicais da vida marinha. De fácil identificação visual, porque uniformes na cor e na baixa variedade de espécies vegetais, entre árvores, arbustos e ervas — os manguezais constituem um riquíssimo ecossistema de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, ou, como preferem alguns, entre os domínios das águas doces e salgadas. Sob a influência das marés, as áreas de mangue acumulam e reciclam matéria orgânica, reduzem a velocidade dos rios em seus estuários, protegem o litoral da violência das ondas, e, assim, garantem as condições ideais para a proliferação de numerosas formas de vida: diversos organismos do plâncton (geralmente microscópicos), além de crustáceos, moluscos, vermes, aves, peixes, mamíferos, e mesmo répteis. Há espaço, alimento e abrigo para o desenvolvimento de todos.
O Lagamar é, reconhecidamente, um dos cinco maiores criatórios naturais de espécies marinhas do mundo, mas não só. A Área de Proteção Ambiental (APA) de Cananéia, Iguape e Peruíbe abriga também uma rica biodiversidade terrestre com aproximadamente 90 espécies de mamíferos e 550 espécies de aves. Muitas delas estão na lista de espécies ameaçadas de extinção, caso do papagaio-de-cara-roxa (Amazona vinacea), do guará (Eudocimus ruber) e a saracurado-mangue (Aramides mangle).
Nos mangues, o ritmo da vida não é determinado apenas pelas horas de sol, vento ou chuva. Direta ou indiretamente, o movimento das marés dita o comportamento de bichos e condiciona o tempo do próprio homem. A captura artesanal de ostra, praticada até hoje por dezenas de famílias caiçaras, por exemplo, só é possível durante os horários de maré baixa.
Fora do lodo, nas águas livres do Lagamar — doces, salobras ou salgadas — a pesca é uma atividade antiga e culturalmente arraigada. Começou de modo artesanal, profissionalizou-se e hoje atravessa nova fase.
Um estudo feito pela pesquisadora Milena Ramirez de Souza, mestre em Ecologia de Agrossistemas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), mostra que a idade média dos pescadores artesanais nas comunidades caiçaras das barras do Ribeira (Iguape), Pedrinhas (Ilha Comprida) e Porto Cubatão (Cananéia) é de 45 anos. A pesca ainda é fonte de renda relevante para a maioria.
No entanto, grande parte da força de trabalho caiçara do Lagamar já migra da pesca e da agricultura para atividades ligadas ao turismo, seja na prestação de serviços em casas de veraneio, no comércio de iscas naturais, ou no aluguel de barcos para passeio e pesca esportiva ou amadora. Mais de 30% dos pescadores artesanais atuam paralelamente como 'piloteiros'.
A pesquisa também mostra, através de dados estatísticos, que a sazonalidade da pesca artesanal, praticada com redes 'malhadeiras' e cercos de espera, está diretamente relacionada à época reprodutiva de algumas espécies. São exemplos a manjuba, no verão, e a tainha, no inverno. Todos os pescadores entrevistados foram unânimes ao afirmar que a qualidade da pesca nos pontos tradicionais piorou nos últimos anos.
O xingó e o corte-de-faca são capturados com o auxílio de tarrafas, e o camarão, com o 'jerivau', uma rede de arrasto adaptada para esse fim. Um peixe curioso e pouco conhecido também usado na pesca de robalos e pescadas é o mossorongo (Gobioides broussonnetii) ou 'peixe-dragão', que vive no fundo lodoso do mangue e se alimenta basicamente de zooplâncton, ficando mais ativo à noite.
Os peixes estuarinos, em especial, ficam ativos quando a maré se movimenta, trazendo alimento dos mangues ou do mar. Fisgar um cobiçado robaloflecha (Centropomus undecimalis), por exemplo, exige observação, habilidade — e, por que não? — uma boa dose de sorte. Caçador oportunista, o robalo se posiciona nas saídas de rios, em bancos de areia, moitas, pedras e raízes de mangue, à espera de suas presas.
O desenvolvimento do turismo de pesca amadora aumentou a demanda por iscas vivas. Segundo Ronaldo Ikebe, dono de marina no distrito de Porto Cubatão, em Cananéia, pelo menos 50 barcos de pescadores amadores vão para a água num fim de semana movimentado, partindo somente desse pólo. “A maioria leva camarão vivo, uma média de 100, por embarcação. A atividade (captura e venda de iscas vivas) sustenta pelo menos dez famílias da região”, diz. Porém tem seus impactos: o arrasto de jerivau mata organismos bentônicos (crustáceos, moluscos, vermes), que se desenvolvem no fundo lodoso dos canais.
Além disso, o homem passou a competir com aves aquáticas e peixes, predadores naturais de xingós, camarões e cortes-defaca. Eis a deixa, portanto, para uma participação maior da isca artificial como agente de equilíbrio ambiental, pois esse é um instrumento comprovadamente eficaz para fisgar a maior parte das espécies visadas pelos pescadores, principalmente o robalo. Diminui-se a pressão de pesca sobre as espécies de pequeno porte, ao mesmo tempo em que se eleva a esportividade, o nível técnico, e a produtividade na pesca de mangue.
Claro, para usar iscas artificiais e ainda ‘dançar’ ao ritmo das marés, é preciso treinar! Mas é um esforço com retorno garantido, tanto na ponta da linha, como dentro d’água.
Claro, para usar iscas artificiais e ainda ‘dançar’ ao ritmo das marés, é preciso treinar! Mas é um esforço com retorno garantido, tanto na ponta da linha, como dentro d’água.
Fonte: EPTV
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Hidronave é atração para quem quer conhecer o fundo do mar de Noronha
Turistas e pesquisadores poderão conhecer o fundo do mar do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, sem entrar na água. A experiência é possível graças à hidronave, uma embarcação de tecnologia russa que abriga uma lente de visão subaquática.
“A ideia nasceu de uma iniciativa para democratizar o acesso ao fundo marinho. Para possibilitar que crianças, idosos, deficientes físicos e aqueles que têm medo de mergulhar conhecessem o mar, reuni três sócios e começamos a pesquisar no mundo tecnologias que proporcionassem essa experiência”, diz ao G1 o engenheiro de pesca Leonardo Bertrand Veras, diretor de pesquisa do Projeto Navi, Natureza Viva.
Foi na Rússia que o grupo encontrou o que estava procurando. “A hidronave é diferente de tudo o que havíamos encontrado, ela tem uma lente especial de 3 m de comprimento por 2,5 m de largura, e aproxima o fundo do mar em até três vezes”, afirma.
Passeio didático
A presença da embarcação no arquipélago tem como princípio, segundo o engenheiro, disponibilizar a navegação para pesquisa do ambiente marinho. Mas turistas também podem, e devem, participar das chamadas “expedições de ensaio de oceanografia”.
“Os turistas irão viver a experiência de cientistas por um dia. Antes da visita, eles receberão um material didático com parâmetros ambientais como a força do vento, a direção, a agitação do mar, e os animais que deverão encontrar durante a visita. Depois do passeio, esse material se transforma em um certificado”, conta Veras.
Os passeios experimentais já começaram, e a hidronave deve ser aberta ao público ainda em abril.
Os responsáveis por trazer a embarcação ao Brasil não revelam o custo da “aventura”, mas acreditam que o turismo ajudará a mantê-la. A estimativa inicial é que o passeio custe R$ 150 por pessoa. A hidronave pode receber até 28 passageiros.
Fonte: G1, iParaíba
Galeria de fotos da primeira expedição:
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Evento: Peixe em Lisboa 2011
Assistir a apresentações de cozinha ao vivo de alguns dos mais conceituado chefes de cozinha da actualidade?
Tudo isto e muito mais nos reserva a 4.ª edição do Peixe em Lisboa, o evento gastronómico por excelência da capital portuguesa.
Sob as belas e históricas arcadas do Pátio da Galé (Praça do Comércio), 23 prestigiados chefes nacionais e estrangeiros revelarão a sua mestria na arte de cozinhar peixe e mariscos, demonstrando perante o público as suas criações gastronómicas. Destaque para as presenças dos chefes Sergi Arola (duas estrelas Michelin) e Gennaro Esposito, duas grandes nomes das cozinhas espanhola e italiana, respectivamente.
O evento conta ainda com a participação de três jovens chefes de origem portuguesa a trabalhar intencionalmente no mundo da alta cozinha: Nuno Mendes, George Mendes e Serge Vieira, distinguidos com estrela Michelin.
Os visitantes terão também a oportunidade de saborear as propostas gastronómicas de 13 dos melhores restaurantes da cidade e da região de Lisboa.
Durante o festival, haverá ainda oportunidade para conhecer os produtos típicos da região de Lisboa, disponíveis no espaço Mercado Gourmet, conhecer as melhor harmonizações entre gastronomia e vinhos , participar em cursos culinários, entre outras iniciativas para todos os públicos.
O Peixe em Lisboa encerrará no dia 17 de Abril, em ambiente de confraternização, com a uma Grande Caldeirada, à hora de almoço, preparada pelos chefes participantes.
Mais informações: http://www.peixemlisboa.com/
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