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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Pirarucu é primeiro animal a entrar em política de preços mínimos


O peixe pirarucu entrou na lista da Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade.

Com a medida, o pescador artesanal que não conseguir vender o pescado pelo preço mínimo estabelecido na lista recebe do governo a diferença da negociação entre produtor e comprador.

Para 2020, o valor mínimo do quilo do pirarucu é de R$ 7,83.

A espécie é o primeiro produto de origem animal a entrar na lista. A relação era formada, até então, apenas por mercadoria de origem vegetal, como o cacau.

Ianelli Sobral, gerente de Produtos da Biodiversidade da Conab, afirma que a iniciativa vai permitir o incremento de renda para o pescador e ribeirinhos. Ela explica o que produtor deve fazer para ter acesso ao benefício.

Em 2018, 32 áreas de 19 municípios no estado do Amazonas foram autorizadas pelo Ibama a efetuarem a pesca manejada do peixe, envolvendo pouco mais de 4 mil famílias de pescadores.

Ianelli Sobral acredita que o estabelecimento do preço mínimo para o pirarucu também ajude na preservação da espécie. A publicação da norma da Conab será feita no primeiro trimestre de 2020, pois o período de defeso da espécie vai até o fim de maio.

O pirarucu é um peixe raro e estava desaparecendo com a pesca predatória. A pesca controlada é exemplo de uso sustentável dos recursos naturais da floresta amazônica.

Imagem: O ECO

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Ceará: Setor pesqueiro espera voltar a exportar para Europa em 2019

O mercado de pesca do Ceará espera retomar as exportações para a União Europeia (UE) ainda este ano após promessa do secretário Nacional de Pesca e Aquicultura, Jorge Seif Junior, durante visita a Fortaleza na última sexta-feira (22). De acordo com Paulo Gonçalves, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Ceará (Sindfrios), o secretário “está trabalhando desde o primeiro dia de Governo para isso”.

A volta do bloco econômico para o rol de compradores do produto cearense significaria um aumento de 20% no volume exportado e no faturamento do setor, de acordo com Paulo. “Nós queremos estar enviando para lá novamente ainda este ano, mas é um processo lento”, diz Gonçalves.
O Brasil deixou de mandar pescado para a UE desde janeiro do ano passado. O motivo é o não cumprimento das exigências feitas pelo bloco por parte do Governo brasileiro.


Pesca ilegal

Segundo maior exportador de pescados do Brasil, o Ceará ainda enfrenta gargalos tanto na parte logística como na fiscalização da pesca irregular. Paul Gonçalves revela que cerca de 25% do produzido são perdidos com pesca irregular, o que representa um prejuízo de R$ 40 milhões por ano.

No entanto, o setor aposta no aumento do consumo interno para alavancar a produção. “Estamos enfrentando problemas estruturais, como pesca irregular, embarcações sem licença”, disse Jorge Seif.

O secretário, que participou de um almoço com representantes dos setores da lagosta, camarão, atum e tilápia, disse que o novo Governo irá atuar para dar segurança jurídica para os empreendedores do setor e que pretende facilitar processos que acabam gerando distorções e punições que poderiam ser evitadas. No encontro, foi firmado um acordo de cooperação pelo qual o Estado cede servidores para dar agilidade aos processos de concessão de licenças.

Sobre a atuação da Pasta no Ceará, Jorge Seif Junior destacou o combate à pesca clandestina da lagosta. “O Ceará é um Estado que tem um potencial muito maior. Se cuidarmos das espécies juvenis, da procriação da lagosta sem capturar as espécies ovadas e respeitar o defeso, teremos uma maior produtividade”, disse.

Em 2018, o Estado exportou US$ 62,5 milhões de Peixes e crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, referente a 6,7 mil toneladas, ficando atrás apenas do Estado do Pará, que exportou US$ 62,8 milhões (8,3 mil toneladas). Com o resultado, o Ceará apresentou um crescimento de 14,2% no valor exportado e de 40,4% no volume em toneladas, o que representou 25% da exportação nacional de pescados.

No entanto, segundo o diretor do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Ceará (Sindfrio), Paulo Gonçalves, o resultado nas exportações poderia ter sido ainda melhor se houvesse contêineres refrigerados disponíveis para atender à demanda, o que acabou limitando o envio de pescados na última semana de 2018. “O consumo e a exportação de pescados no País pode aumentar bastante e isso beneficia diretamente o Ceará. Precisamos de uma visão estratégica e profissional do setor pesqueiro, para aproveitar de forma sustentável nosso potencial”, disse Gonçalves.

No ano passado, os principais mercados consumidores de frutos do mar cearenses foram os Estados Unidos (US$ 34,7 mi), China (US$ 7 mi), Guatemala (US$ 4,9 mi), Austrália (US$ 4,6 mi) e Taiwan (US$ 3,8 mi). Ao todo, mais de 41 países compraram produtos cearenses.

Cuidados na exportação de itens perecíveis

Ferramenta essencial para garantir boa parte das exportações do Ceará, a logística aplicada a itens perecíveis como frutas e pescados garante a chegada e a reputação dos produtos cearenses no exterior.

“Esse mercado movimenta milhões de dólares todos os anos. Então tudo o que puder ser feito para garantir a qualidade na entrega, tentando minimizar ao máximo os custos, será feito. Esse é o papel dos despachantes aduaneiros. No atual contexto de competitividade dos mercados, não é possível elaborar uma análise simplista que resulte em operações de risco para os clientes”, ressalta o diretor do Grupo FTrade, Zakaria Benzaama.

A empresa realiza exportações de alimentos perecíveis, como frutas e carnes congeladas, há 13 anos, e decidiu investir em vários tipos de deslocamentos de cargas, como terrestre, aéreo e de cabotagem, para ganhar mais espaço no mercado. No ano passado, do total de 26 mil contêineres com frutas transportados do Norte e do Nordeste para outros países, a empresa movimentou 60%. Os cuidados nesses transportes são, basicamente, com três tipos de deterioração: biológica/química e/ou físicas. Qualquer uma delas pode prejudicar a qualidade do produto para o comércio exterior, que segue critérios rigorosos para a entrada em outros países.

“Hoje em dia, para se exportar um contêiner para a Europa, o custo aproximado, incluindo frete em dólar, é em torno de R$ 25 mil, em termos de logística”, revela.

Sobre os investimentos em tecnologia para chegar a outros países, Benzaama declara que a empresa consegue aumentar em até 10% o lucro por transporte se o produto estiver com bom aspecto. “Se o produto tem boa coloração, você reduz custos no armazenamento, no combustível e principalmente na recepção que os importadores terão desse alimento”, declara.

Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Crush+Sustentável divulga balanço


Um total de 21 restaurantes japoneses do Rio aderiram ao Crush+Sustentável, campanha promovida pela ONG Conservação Internacional e o app JAPP em prol da pesca sustentável. Esta etapa trabalhou mais de 200 kg da tainha pescada na Lagoa de Araruama. O peixe está sendo rastreado da água ao prato e é fonte de sobrevivência para 600 famílias da Região dos Lagos, no Rio.



Durante a campanha, os chefs fizeram crushes, peças inéditas, com a tainha rastreada. Os crushes seguiram como cortesia para os clientes que fizeram pedidos pelo JAPP entre os dias 26 e 31 de julho. Das vendas no período, 1% foi doado ao projeto Pesca+Sustentável, da CI-Brasil. Ao receber o pedido em casa, o consumidor acessou, através de um QR Code, informações sobre a data da pesca, características da espécie, garantindo ter feito uma escolha ambientalmente correta.

Chico Pescador, presidente da Associação dos Pescadores Artesanais e Amigos da Praia da Pitória, afirmou que a parceria com restaurantes japoneses foi um passo muito importante para a autonomia dos pescadores, já que a venda é feita diretamente, sem atravessadores, e também um desafio para a comunidade. Nesta campanha, houve impacto direto no preço do produto. O pescador recebeu R$ 7 pelo Kg da tainha, acima do valor praticado na venda local (entre R$ 4 e R$ 5) e o peixe ainda chegou com preço competitivo ao varejo.

Não menos importante, a Crush+Sustentável chamou atenção para o período de defeso lagunar da tainha, que começou dia 1 de agosto. A pesca fica suspensa até final de outubro.

Sobre o Japp

Com uma plataforma de fidelidade e delivery que permite aos seus membros uma seleção simples e prática da customização do pedido, o JAPP conseguiu reunir muitos dos melhores restaurantes japoneses do Rio. A cada compra, os restaurantes do Clube oferecem aos seus membros como cortesia peças especiais criadas pelos chefs, os Crushes. O JAPP acredita que como integrante da cadeia de consumo da fauna marinha é importante ter uma responsabilidade com o setor, incentivando o consumo consciente. Assim, deu origem ao Fundo Corrente Marinha para garantir a preservação da fauna marinha e consequente perpetuação da culinária japonesa, viabilizado com a doação de 1% da venda dos restaurantes através do aplicativo.



Sobre o Pesca+Sustentável

Desenvolvido pela CI-Brasil e premiado em 2014 no Desafio de Impacto Social Google, o programa atua junto a 5 mil famílias pesqueiras no RJ, PA e BA. O objetivo é criar regiões de referência para a conservação marinha, incentivar boas práticas de pesca, propiciar a conservação de espécies e ecossistemas, valorizar as comunidades para que se beneficiem desse desenvolvimento, além de iniciar um processo de consumo responsável junto ao mercado brasileiro de pescados.

Fonte: CI-Brasil

segunda-feira, 7 de março de 2016

Entra em vigor decreto que proíbe a saída de pescado do Pará

Nota: esta suspensão prejudica os pescadores que perdem uma alternativa de venda. Provavelmente os portos de desembarque do litoral maranhense, como Apicum-Açu receberam embarcações paraenses. Por outro lado regula o preço para os consumidores locais a medida que terão maior oferta de pescado.




Agência Pará de Notícias
Atualizado em 04/03/2016 11:20:00

Para garantir o abastecimento de pescado e equilibrar os preços do produto durante o período da Semana Santa, entrou em vigor nesta sexta-feira, 4, o decreto, assinado pelo governador Simão Jatene, que suspende a emissão de guias de transporte de qualquer espécie de pescado fresco, resfriado e salgado para fora do Estado do Pará. A proibição valerá até o dia 25 deste mês. Apenas os produtos industrializados e com Selo de Inspeção Federal (SIF) poderão sair do Estado.

Os órgãos de fiscalização e controle estaduais vão intensificar a fiscalização nos postos de fronteira para assegurar o cumprimento do decreto. De forma integrada com a ação do governo estadual, a Prefeitura de Belém também publicou decreto controlando a entrada e saída de pescado nos entrepostos da capital. O decreto municipal entrou em vigor nesta sexta-feira e vai valer até o dia 25 de março. Durante este período, apenas os comerciantes previamente cadastrados na Secretaria Municipal de Economia (Secon) poderão transportar peixe de Belém para outros municípios paraenses.

Além da publicação do decreto, a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) vai promover a Feira do Pescado na Região Metropolitana de Belém, além de apoiar a realização de feiras semelhantes nos demais municípios do Estado, como parte das estratégias do governo para assegurar o abastecimento durante a Semana Santa, a fim de evitar a escassez do produto e o aumento abusivo de preços.

Na Região Metropolitana de Belém, a Feira do Pescado será realizada nos dias 23 e 24 de março, em oito pontos espalhados pelos municípios de Belém e Ananindeua. A expectativa da Sedap é que sejam comercializadas entre 120 e 150 toneladas de pescado, por meio da venda direta do produtor ao consumidor. Uma novidade este ano é a venda de ostra cultivada pelas comunidades da região do Salgado e que participam do programa de estímulo à ostreicultura da Sedap.

Também serão montados na capital, três pontos de venda de caranguejo, vendido diretamente pelas comunidades extrativistas na região nordeste do Estado, e um ponto de venda de peixe vivo, que funcionará no Parque de Exposições Agropecuárias, no Entrocamamento.

No interior do Estado, a estimativa é que 50 municípios realizem suas próprias feiras, com apoio da secretaria, e comercializem um total de 60 toneladas de pescado. Em 2015, a Sedap apoiou a realização das Feiras do Pescado em 31 municípios paraenses, ajudando a garantir o abastecimento, estimulando o crescimento da produção dos piscicultores locais e colaborando para manter o equilíbrio de preços durante o período de maior demanda.






terça-feira, 5 de maio de 2015

Pescado manda no mercado mundial

O comércio de pescado é o maior negócio global entre todas as proteínas animais no mundo, superando as grandes commodities animais: carnes bovina, suína e de aves. De acordo com o Rabobank, só em 2014 foram movimentados mais de US$ 140 bilhões em compras e vendas de pescado. E o mais impressionante: essa quantia dobrou nos últimos cinco anos.

“A indústria é muito diversa e oferece uma ampla gama de produtos. Tanto a indústria quanto o fluxo de comércio devem permanecer em constante fluxo”, diz relatório do banco a que a Seafood Brasil teve acesso. A instituição avalia ainda que a indústria aquícola em ascensão, especialmente de peixes brancos, está se tornando cada vez mais importante para o fluxo comercial de pescado, particularmente da Ásia para o Ocidente.

Na opinião do Rabobank, a aquicultura, uma enorme indústria de reprocessamento e um aumento da afluência de consumidores domésticos são as razões principais pelas quais a China é, de longe, o maior player mundial no mercado de pescado. E isso só deve crescer. “Esperamos que a China aumente cada vez mais a importação de produtos de alto valor agregado no futuro, enquanto sua indústria vai se concentrar mais na demanda doméstica, gradualmente estabilizando sua balança comercial altamente positiva”, diz o relatório.

Consumo x exportação

Os maiores mercados consumidores de pescado são a União Europeia, Estados Unidos e Japão. Entretanto, a China, como o maior exportador e quarta região que mais importa pescado no mundo, tem papel fundamental na análise do consumo, diz o Rabobank. Como se nota no mapa, o volume de comércio do Peru para a China sublinha a quantidade de pequenos peixes pelágicos capturados para o uso em ração para a aquicultura chinesa.

De qualquer forma, os Estados Unidos seguem na liderança da importação, com US$ 26 bilhões em 2013, enquanto a União Europeia respondeu por US$ 19 bilhões nos dados de 2013 analisados pelo Rabobank. O Brasil aparece no ranking, ocupando a 10º posição.





A Noruega e, novamente, a China, lideram as vendas. O país asiático comercializou o equivalente a US$ 20 bilhões em 2013, o dobro dos nórdicos, que ocupam a segunda posição na lista dos maiores exportadores mundiais.

Fonte: Seafood Brasil e Rabobank

terça-feira, 5 de março de 2013

Pirarucu da Amazônia será certificado pelo Inmetro



Instituto irá conceder selo de identificação da conformidade a fornecedores que atenderem a indicadores de sustentabilidade e sociais.

Peixe é o primeiro produto regulamentado para receber o Selo Amazônico

O Inmetro acaba de publicar o regulamento para a certificação voluntária do Pirarucu Salgado Seco, popularmente conhecido como bacalhau da Amazônia. Para obter o Selo de Identificação da Conformidade, o peixe típico da região será avaliado desde o processo produtivo até a venda, e deve garantir a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva e atender a aspectos sociais, como não utilizar mão de obra escrava e oferecer aos trabalhadores todo o equipamento de proteção necessário.

— A certificação também tem o objetivo de ser um diferencial de vendas para o micro empresário, tanto no país como no exterior, com avaliação do Inmetro, que tem reconhecimento internacional — acrescenta Gustavo Kuster, chefe da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade do instituto.

Alfredo Lobo, diretor de Qualidade do Inmetro, ressalta que o selo dará ao consumidor a garantia de estar adquirindo produto de uma região nobre, que é a Amazônia, e de forma sustentável, preservando o meio ambiente para as futuras gerações.

A certificação do pirarucu integra o programa Selo Amazônico, criado há pouco mais de um ano pelo Inmetro, que consiste no monitoramento de requisitos de qualidade, impacto social econômico e ambiental de produtos manufaturados com matéria-prima vinda da Amazônia brasileira, e que tenham parte ou todo o processo produtivo instalado na região.

O pirarucu é o primeiro produto regulamentado para receber o Selo Amazônico. No entanto, Lobo conta que há fitoterápicos, fármacos, biojoias, embalagens sustentáveis, outros alimentos e cosméticos em estudo.

Fonte: O GLOBO

Imagem: Blog do Colares

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

CE - Pescadores de lagosta querem suspensão da atividade por 18 meses


A razão é queda nos estoques do crustáceo no litoral cearense, causada pela pesca ilegal. Período seria necessário para a recuperação

Pescadores e entidades ligadas à pesca da lagosta reivindicam a suspensão da atividade por 18 meses. A proposta causa é o impacto da pesca ilegal, que diminui estoque do crustáceo em alto-mar. O intervalo permitiria a recuperação do estoque.

A “moratória” da pesca da lagosta, como está sendo chamada, iria permitir que os barcos retornassem ao mar apenas no final do primeiro semestre de 2014. De acordo com René Schärer, presidente da ONG Terramar e um dos responsáveis pela mobilização, o prazo iria ajudar na reposição dos estoques marítimos e, até mesmo, na valorização da lagosta, que, atualmente, é comercializada, em média, por menos de R$20 pelo pescador.

“Houve um consenso que as medidas normais de fiscalização não estão funcionando e que precisava uma medida radical: fechar a pesca, durante 18 meses seguidos, fechando também a comercialização e exportação. Se não, os barcos ilegais continuariam a abastecer o mercado e nada mudaria”, explica René. Em virtude da dificuldade de encontrar lagosta no mar, no ano passado, muitos barcos suspenderam a pesca, antes do mês de outubro, considerado a época de término da captura.

Segundo René, há 16 anos, os barcos lagosteiros da Prainha do Canto Verde, no litoral Leste, chegavam a capturar até 2000 quilos de cauda do crustáceo por ano, o que dava uma renda média de R$10 mil anuais para os pescadores. Em 2012, a pesca da lagosta rendeu apenas um total de 900 quilos.



Seguro-defeso
Ainda de acordo com René, a reivindicação é para que, durante a “moratória”, os pescadores recebam o seguro-defeso de um salário mínimo, que já é pago pelo período de seis meses enquanto vigora o defeso da lagosta, que vai de dezembro ao final de maio. “Também vamos pedir compensação para os donos das jangadas, que não pescam e que não têm direito ao seguro defeso”.

No comparativo do ano passado com 2011, a queda na venda do produto para o exterior chegou a 42% em termos de valor exportado, com apenas US$ 29 milhões comercializados, o pior desempenho dos últimos sete anos. O Ceará é o maior exportador de lagosta do País, com participação de quase 60%.

Por quê ?

Os baixos estoques de lagosta em alto-mar e a pesca ilegal motivaram pescadores a reivindicar a suspensão da atividade por 18 meses. Em 2012, a exportação de lagosta teve queda de 42%.

Saiba mais
Pedido está em análise

De acordo com Henrique Almeida, diretor de Planejamento e Ordenamento da Pesca Artesanal do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o órgão já foi notificado em relação ao pedido de “moratória” da pesca da lagosta.

Conforme Almeida, o assunto foi abordado na última reunião do Comitê Permanente de Gestão da Pesca da Lagosta (CGPL), realizada nos dias 9 e 10 deste mês. Segundo ele, caberá ao Subcomitê Científico da Lagosta dar um posicionamento em relação à demanda.

“Não há o que se falar inicialmente sem análise previa do Subcomitê cientifico em parar a pesca da lagosta”, diz o diretor do MPA.


Fonte: O POVO



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

EUA - Salmão transgênico começará a ser vendido


Após passar 23 anos em testes, uma espécie de salmão transgênico - que teve seus genes modificados em laboratório - está prestes a ser liberado para consumo nos EUA, informou o El País. A agência que regula os alimentos nos EUA afirmou que a espécie modificada, que cresce duas vezes mais rápido que o selvagem, não afeta o meio ambiente. Em 2010, a agência já havia informado que o novo salmão era seguro para o consumo.


De acordo com a publicação, o peixe leva apenas 18 meses para atingir 100 gramas, enquanto a espécia selvagem leva cerca de 30 meses. O novo salmão só foi aprovado por praticamente não conseguir sobreviver na natureza sozinhos e, por isso, não criaria um desequilibro ecológico, mesmo tendo apenas três fêmeas sendo esterelizadas dentro da empresa.

Texto: Jornal do Brasil
Imagem: The Independent 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Pescadores de reserva dão exemplo de manejo no interior do Amazonas


Homens e mulheres da comunidade São Raimundo, no Médio Juruá, se organizam para ter pirarucu com mais de 1,60m


Cento e quatorze pirarucus é a cota de peixe dos pescadores da comunidade São Raimundo, na Reserva Extrativista do Médio Juruá, para este ano. Organizados em famílias, eles partem em longas canoas artesanais para o lago Manariã, onde, durante dois dias, as redes de mais de 300 metros de comprimento por seis de profundidade, retirarão das aguas doces o maior peixe de escamas do mundo.

“A gente se organiza em mutirão para a pescaria porque tudo tem que ser feito com muita rapidez e a máxima organização, senão o peixe pode estragar”, afirmou Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros e líder da comunidade São Raimundo, no municipio de Carauari (a 788 quilômetros de Manaus).

Após montarem acampamento na boca do lago, junto a um barranco de mais de dez metros, os pescadores iniciam os preparativos para a pescaria. Redes são revisadas para identificar buracos, facas são afiadas para retirar as visceras do pescado, a alimentação é preparada para 70 pessoas e até um pequeno gerador de energia é instalado, tudo para a pescaria.

Ao anoitecer, os pescadores saem para lançar as redes no lago. Trinta e cinco homens são divididos em equipes que têm a responsabilidade de monitorar as malhadeiras. Os pirarucus têm uma bexiga natatória modificada para funcionar como um pulmão, e quando presos nas redes, morrem afogados. Como os jacarés estão sempre à espreita, os pescadores têm que ser rápidos para retirá-los da água.

“Logo que cai na rede, temos que tirar. Como ele é muito grande e pesado, usamos a ‘paulada de misericordia’ na cabeça para trazê-lo para dentro da canoa”, disse Antonio da Lima da Silva, 51, um dos lideres da equipe de pescadores.

Habilidosos, os pescadores conseguem, em seis horas, pescar 74 pirarucus. E esse número poderia até ser maior, se Manoel Cunha não tivesse determinado a diminuição do ritmo, com o objetivo de conseguir peixes maiores do que um metro e sessenta.



“No ano passado despescamos 153 pirarucus, com uma media de tamanho maior do que um metro e sessenta e cinco, mas este ano eles estão menores, por isso, vamos despescar menos e controlar ainda mais o tamanho deles”, comentou. A decisão foi acatada por todos.

Contra o tempo

Ao retornaram ao acampamento, os peixes foram estendidos em um trapiche montado especificamente para a limpeza. Equipes são montadas para pescar e transportar os peixes. A carne do pirarucu não pode ficar muito tempo exposta e a partir do momento em que ele é retirado da água, inicia-se uma corrida contra o relógio para manter as caracteristicas da iguaria.

Com afiadas facas, homens e mulheres iniciam a retirada das vísceras. Em quatro horas todos os peixes são limpos. “A gente está feliz porque ganha a mesma quantia que os homens e de igual para igual”, disse Mariângela Lima Paixão, 29, que espera receber mais de R$ 1,5 mil com a despesca deste ano.

Segundo o pescador José Luiz Bispo de Lima, 40, quando a comitiva de pesca do São Raimundo chega em Carauari, imediatamente, já tem compradores. “A gente é especializado em oferecer o que povo gosta: os restaurantes compram o filé, mas as tripas e a ossada é o povão que gosta”.

Exemplo de manejo na floresta

Convidado pela comunidade do São Raimundo para acompanhar a pescaria, o superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, acompanhou todas as atividades do mutirão.

“A técnica deles na mobilização, preparativos, pesca, limpeza e transporte é extraordinária. São pessoas que estão revolucionando a geração de renda dentro da floresta e, ao mesmo tempo, preservando uma espécie com manejo adequado”, disse.

A chefe da reserva do Medio Juruá, Rosi Batista da Silva, 49, participou da pescaria. Representante do governo federal em uma area de mais de 253 mil hectares, ela afirmou que quer estabelecer parcerias. “Governo Federal e FAS têm muito a contribuir para a melhora da qualidade de vida dos povos da floresta”, disse Rosi.

Mercado

Praticamente todas as partes do pirarucu são comercializadas no interior do Amazonas. A procura é tanta, que os pescadores dividem o peixe em várias partes. O quilo do filé c\sai, em média, a R$ 8, mas também pode ser encontrado a R$ 9 e R$ 10. A ossada com cabeça custa R$ 4,50 o quilo; o couro com escamas vale R$ 7 o quilo e as vísceras, muito apreciadas em Juruá, sai por R$ 2,50 o quilo.

Fonte: A Crítica

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Importação de camarão da Argentina gera impasse



Um estudo concluído em julho pelo Ministério da Pesca (MPA) avaliou que havia condições para o país importar camarões congelados provenientes da pesca extrativista da Argentina, desde que cumpridos requisitos de sanidade. No entanto, depois de divulgar o documento dentro do governo, o MPA sofreu forte pressão dos produtores brasileiros e recuou sua posição.

O impasse veio à tona com o anúncio nos últimos dias dos argentinos sobre a liberação das exportações para o Brasil, com o desmentido do governo sobre o acordo. Em nota, a Pasta informou que "a importação de camarão da Argentina não está liberada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA)" e que o assunto "está sendo discutido com outros órgãos do governo federal e autoridades da Argentina, e com o setor produtivo brasileiro". "O ministério avalia a questão sanitária envolvida e a pertinência desta importação considerando o interesse nacional", completa a nota.

A Análise de Risco de Importação identificou 98 potenciais perigos de infecção para a espécie de camarão analisada (Pleoticus muelleri). No fim, o estudo deixa claro que "após aplicação dos critérios avaliados, nenhum dos potenciais perigos foi considerado real, podendo ser considerada a importação da commodity aprovada". A conclusão do estudo reforça a tese de que a proibição de importação, imposta desde 1999, é causada por fatores sociais e não sanitários. Fontes da Pesca admitiram ao Valor que o veto é uma medida protecionista. A abertura do mercado brasileiro, dizem, eliminaria o emprego de milhares de pescadores com baixa escolaridade na região Nordeste.

Oficialmente, a assessoria de imprensa do MPA diz que o estudo, divulgado no mês passado era um "esboço" e que ainda faltavam elementos para comprovar a viabilidade técnica da decisão. Com a pressão para autorizar as importações, o MPA declarou a necessidade de aprofundar suas avaliações e requisitos para o comércio.

Fonte: Valor Econômico

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

AM - Toneladas de peixe são jogadas no lixo diariamente em feira de Manaus


Com a época de fartura nos rios do Amazonas, um problema se repete nas feiras de Manaus: diariamente, toneladas de peixe são jogadas no lixo. Sem local para estocar o pescado, vendedores acabam perdendo a carga.

Na Feira da Panair, Zona Sul de Manaus, não há vaga para os pescadores atracarem na balsa. Um dos prejudicados é o pescador Antônio Batista: ele está com seis toneladas de peixe no barco, e caso não consiga lugar para parar e vender no prazo de cinco dias, poderá perder a todo o peixe. "Quando a gente chega, não existe um lugar em que possamos vender o peixe para o consumidor. É por isso que estraga", relatou.

Uma embarcação chegou a Manaus após 20 dias de viagem, trazendo seis toneladas de peixe. Para atracar na balsa da feira, ele esperou mais três dias. No entanto, nem todo o pescado foi vendido e o pescador calcula que teve prejuízo de aproximadamente duas toneladas.

A situação na Feira da Panair é ainda pior: sem infraestrutura, o pescado fica no chão dos barcos, balsas e em bancas ao ar livre. Para não perder toda a mercadoria, feirantes buscam vender peixes em bairros da periferia da capital. "Vou vender os peixes de maneira mais barata, mesmo porque muitas pessoas estão precisando para se alimentar", disse o feirante Sebastião dos Santos.

A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) informou que já foram tomadas medidas para reduzir o problema de desperdício de peixe na Feira da Panair. A partir da próxima semana, uma nova balsa frigorífica e um frigorífico deverão ser disponibilizados aos pescadores.

A pasta disse ainda que pretende criar pontos fixos de vendas em quatro zonas da capital, na tentativa de equilibrar a venda e o armazenamento do pescado. A Sepror afirmou também que não é responsável pela administração do porto onde ficam instalados os pescadores. A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), mas não obteve resposta.

Fonte: Olhar Direto

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Portugal: A sardinha já não é para todos os bolsos

Dar 20 euros por um quilo de sardinhas não é para todas as carteiras. Que o digam os portugueses quem em dias de festas populares tentam comprar a rainha dos santos.

A falta de pescado e o forte consumo devido aos Santos Populares e ao Euro 2012 são as principais causas do aumento de preço, mas mesmo assim há quem nunca tenha visto nada assim e não arrisque a desembolsar o preço do quilo.

Vídeo: http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---sociedade/ultimas-noticias-sardinha-tvi24-preco/1357150-5795.html

Sardinha atinge preços históricos
O preço do cabaz de sardinha bateu, esta sexta-feira, todos os recordes: 300 euros na lota de Matosinhos, o dobro de 2011. Apesar disso, comerciantes garantiam que, este sábado, cada sardinha assada não ultrapassa 1,50 euros.

Ainda na quarta-feira, o mar tinha sido amigo dos pescadores e forneceu abundância, depois de quase duas semanas sem sequer lançarem as redes ao mar por não encontrarem peixe. Em resultado, a sardinha nacional encheu a lota de Matosinhos e o preço ao quilo caiu para cinco euros, metade do que estava a ser pedido no início da semana.

Um dia depois, contudo, o mesmo mar deixou de ser generoso e a maior parte dos barcos regressaram ao porto de pesca de Matosinhos com as redes vazias, deixando pescadores com receio de não ganharem a comissão que habitualmente lhes compõe o salário e peixeiras sem forma de satisfazer as encomendas.

Fonte: Dinheiro Vivo  e TVI24

Cabaz da sardinha sobe de 10 para 100 euros

A sardinha é pouca e cara. De nada valeram as longas horas de espera por um bom negócio na Docapesca, em Matosinhos. A maioria dos cabazes dos pescadores foi vendida a 100 euros e, fora da lota, o preço subiu mais. Num dia normal, o cabaz ronda os 10 euros. Para quem compra, os dias que antecedem o S. João são os piores. Só os pescadores sorriem com o agigantar do lucro.

"Havia de festejar-se o S. João mais vezes. É nestes dias que ganhamos alguma coisa que se veja. No S. João, só não se vende o barco, porque não podemos", graceja Delfim Vilaça, contramestre do barco "Virgem das Dores", lado a lado com os homens das Caxinas e da Póvoa que compõem a tripulação. Atracados, apressam-se a colocar o pescado em cabazes (o cabaz pesa 22,5 quilos e carrega 400 a 450 sardinhas), deixando no porto os peixes mutilados pelas redes. As gaivotas aguardam pelo petisco.

Fonte: Jornal de Notícias

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ibama combate pesca ilegal da lagosta durante defeso


Nota: O MPA adquiriu a pouco uma dezena de embarcações que estão inativas, nõa seria uma solução a estas embarcações serem doadas ao Ibama para melhor sua fiscalização na costa brasileira?

Somente neste ano, já foram apreendidos seis barcos em atividade ilegal da pesca da lagosta no Ceará



A apreensão de embarcações ilegais é feita também pela comunidade.

Falta um mês para o reinício legal da pesca da lagosta, mas enquanto pescadores começam a receber as licenças de pesca do crustáceo, Ibama e Ministério da Pesca e Aquicultura discutem as formas de combater a atividade predatória. Mais do que a pesca no período do defeso, o grande inimigo ainda é a pesca predatória em qualquer período do ano.

Com equipe reduzida e um barco velho para atender toda a costa de Ceará e Rio Grande do Norte, o Ibama tenta vigiar o mar e assumir duas outras frentes: a comercialização ilegal em terra e o transporte de lagostas para exportação que, em boa parte, é de procedência predatória.

O Departamento de Fiscalização do Ibama é daqueles mecanismos públicos pequenos para combater problemas grandes e mesmo assim consegue obter os resultados ao alcance. Feito perseguição de gato e rato, o barco de fiscalização tem que vigiar 573km de costa durante metade do mês para que o restante seja disponibilizado para o Rio Grande do Norte. Os fiscais entram na água, os predadores saem ou se escondem mais; a fiscalização sai da água e os barcos com marambaias e compressores improvisados de ar (equipamentos ilegais para a pesca da lagosta) voltam com tudo.

Barcos apreendidos

Mesmo assim, foram apreendidos, neste ano, seis barcos, quatro deles com compressores de botijão de gás, um mal também para a saúde do pescador. Pelo menos 15 comércios foram multados por não comprovarem a procedência legal da lagosta.

Em 2011, o Ibama apreendeu 12 barcos pescando com compressores de ar, 260 mil metros de rede caçoeira (proibida pela legislação) e quatro toneladas e meia de lagosta pescada ilegalmente. "É muito complicado. Para fazer um trabalho de forma a combater fortemente a pesca ilegal, é necessária uma frente com atuação de todos os órgãos relacionados à pesca", afirma Rolfran Castro Ribeiro, chefe de fiscalização do Ibama no Ceará. Ele recebeu, nesta semana, denúncia de pesca da lagosta neste período de defeso, em que a pesca é proibida para reprodução da espécie, na região do Litoral Oeste e seguirá para lá com fiscais e o barco. O departamento conta com 40 fiscais credenciados no Ceará, mas na pesca são apenas oito fiscais.

A pesca predatória, com mergulhos auxiliados por compressores improvisados e rede caçoeira que, enquanto pegam lagosta, arrastam o que tem pela frente é proibida e de, forma geral, todos os pescadores sabem.

Comércio

Porém, apesar da fiscalização maior nos últimos anos, a atividade ilegal não tem mostrado intimidação com os órgãos fiscalizadores no Ceará. O chefe de fiscalização, Rolfran Castro, admite que é necessário combater o comércio que se abastece da pesca predatória - o que inclui o transporte para exportação via Aeroporto Pinto Martins e Porto do Pecém. "Essa fiscalização direta é feita por outros organismos, como o Ministério da Pesca, mas é importante também atuarmos no transporte até esses pontos", afirmou o fiscal do Ibama.

O Ceará é o maior produtor de lagostas do País. Corresponde a aproximadamente 60% das três mil embarcações brasileiras com permissão do Ministério da Pesca e Aquicultura para a atividade. Estima-se que, ao menos um terço da lagosta exportada do Ceará, foi capturada de forma predatória.

Isto torna-se um grande problema para a fiscalização. Quando um carregamento de lagosta chega ao porto para exportação, o dono deve comprovar que a lagosta foi capturada por uma embarcação licenciada. Mas o Ibama tem investigado casos em que os empresários simplesmente compram licenças "frias" para comprovar a procedência. E, por trás disso, estaria a captura predatória, principal responsável pela grande redução na oferta da lagosta em mares cearenses.

Na última terça-feira, o Ministro de Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, esteve em Fortaleza e Icapuí entregando cerca de 1.640 licenças das embarcações para a pesca da lagosta no Ceará.

Infraestrutura precária

A superintendência estadual do Ibama dispõe de R$ 1,2 milhão para fiscalização na pesca da lagosta durante o ano inteiro. Valor baixo se comparado à demanda: manutenção do barco, combustível, alimentação e pagamento aos fiscais para o trabalho em terra e mar.

O barco utilizado atualmente pelo Ibama é de madeira, tem 20 anos de uso, e não tem o mesmo potencial do que fora utilizado até o ano passado (um bote inflável bimotorizado). Mesmo assim, está percorrendo os mares do Ceará antes e, principalmente, depois que a pesca da lagosta for retomada, em 1ºde junho.

MELQUÍADES JÚNIO - REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

EUA - Sushigate! O atum que era tilápia

Cientista dos Estados Unidos promove aulas para analisar o DNA de alimentos com estudantes do ensino médio. Trabalho já revelou que restaurantes enganam os clientes servindo produtos adulterados. 
 
Uma das vantagens de ser cientista é que, às vezes, calha saber a resposta para uma daquelas perguntas-chave que crianças e adolescentes fazem sobre os mistérios da vida.

Foi mais ou menos o que aconteceu com o médico infectologista estadunidense Mark Stoeckle, que ouviu de sua filha a seguinte dúvida existencial: seria possível descobrir se o peixe do qual é feito o sushi é mesmo o indicado pelos restaurantes?

Stoeckle achou que sim, que era possível, embora não tivesse certeza se alguém já havia tentado desbravar o DNA dos peixes de Nova Iorque. Que se faça justiça: a pergunta da filha não foi assim tão disparatada, já que ela tinha conhecimento de que o pai trabalhava, há anos, com barcoding DNA na Universidade Rockefeller.

A pesquisa revelou que 25% dos restaurantes vendiam falsos pratos
 
O barcoding DNA – ou código de barras de DNA – é uma técnica desenvolvida há cerca de dez anos que identifica de modo rápido e relativamente fácil uma espécie por meio da análise de um trecho específico do DNA.

A técnica é promissora, e alguns cientistas já a chamam de “assinatura molecular”, porque, tal qual uma impressão digital ou um código de barras, o fragmento do ácido desoxirribonucleico teria característica específica que apontaria a singularidade da espécie.

Pois bem. Fato é que, apesar da complexidade inerente a todo experimento de genética de ponta, a filha de Stoeckle compreendeu o procedimento e com supervisão do pai empreendeu uma visita a vários restaurantes de Nova Iorque. O resultado da investigação revelou que 25% dos restaurantes, se não vendiam gato por lebre, serviam tilápia no lugar de atum.

A descoberta valeu matéria no New York Times, o projeto familiar ficou famoso e a empreitada ganhou até apelido: a sugestiva alcunha de sushi-gate.

O sucesso da iniciativa animou Stoeckle, que decidiu levar o projeto com o código de barras de DNA aos alunos do ensino médio de escolas de Nova Iorque. O apartamento do cientista virou um laboratório improvisado, mas com material adequado o suficiente para dar prosseguimento à pesquisa iniciada pela filha.

Por lá, alimentos continuam passando pelo crivo dos adolescentes, que já analisaram a procedência de mozarelas de búfala e ervas para chás.

O Alô, Professor conversou com Stoeckle por e-mail. Leia, a seguir, a entrevista com o cientista, que falou com entusiasmo sobre a sua empreitada com estudantes – um dos destaques no site da revista The Scientist no mês passado. O médico também mostrou empolgação com dois novos projetos que envolvem código de barras de DNA e adolescentes nos Estados Unidos.

CH On-line: Quando você decidiu que seria interessante ensinar genética de alto nível para adolescentes?
Mark Stoeckle: Sempre tive interesse em deixar as pessoas empolgadas sobre assuntos que envolvem ciência e natureza, particularmente as pessoas que não são especializadas nessas áreas. Em 2008, minha filha fez uma pergunta simples: se era possível identificar o DNA de peixes de sushi vendidos em restaurantes. Eu já trabalhava com o código de barras de DNA há vários anos, então ela sabia que cientistas já identificavam espécies pelo DNA. Disse a ela que achava possível, mas que ninguém havia tentado testar o DNA do sushi.

E como foi o primeiro teste?
Minha filha e uma amiga recolheram peixes e outros produtos à base de peixe vendidos em restaurantes e lojas no nosso bairro, em Nova Iorque. Enviei essas amostras para a Universidade de Guelph (Canadá) para testes com código de barras. Eles descobriram que 1/4 dos peixes era ‘falso’. Esses peixes foram vendidos sempre como uma espécie mais cara e desejada.
Minha filha acabou na capa do New York Times com a história do sushi-gate, que chamou a atenção em muitos países. Ajudá-las nesse projeto foi muito divertido, então decidi continuar trabalhando com pequenos grupos de alunos do ensino médio.

E é fácil ensinar a técnica do código de barras aos alunos?

A ideia de código de barras de DNA é simples e há muitas coisas no ambiente cotidiano que são interessantes de testar. Desde o seu início em 2003, um dos objetivos do projeto de código de barras em que trabalho é tornar fácil para qualquer pessoa, e não apenas para um especialista, a identificação de uma espécie.

Mas como transportar esse tipo de experiência para uma realidade menos favorecida educacional e economicamente?
Em 2012, várias empresas começarão a fazer kits de código de barras de DNA que tornarão mais fáceis as análises de amostras. Por outro lado, ainda é necessário um supervisor experiente e alguns equipamentos especializados, por isso o uso da técnica ainda é restrito.

E quanto você gastou para construir o seu laboratório caseiro?
Ano passado, construímos um laboratório caseiro para trabalhar com código de barras de DNA por 5 mil dólares. Foi o necessário para encomendar equipamentos de segunda mão à venda na internet. Os alunos usaram o laboratório para analisar amostras de chá, que custaram, cada uma, 15 dólares. Espero que com o tempo esses valores caiam substancialmente.

Quais outros projetos com adolescentes e código de barras de DNA você apontaria como promissores?
O interesse que as pessoas tiveram pelo nosso projeto estimulou um laboratório a abrir uma competição que incentiva grupos de alunos do ensino médio de Nova Iorque a explorar a biodiversidade da cidade. O grupo vencedor será premiado com 10 mil dólares. No biolaboratório da marinha costeira, na Califórnia, pesquisadores estão trabalhando com alunos de ensino médio e coletando o código de barras de DNA de espécimes marinhos. Eles estão ajudando, de fato, a aumentar a biblioteca de referência de código de barras da vida. Estou bastante animado com esses dois projetos.

E qual avaliação você faz da sua experiência com os alunos?
A ciência feita com o coração é uma viagem de descoberta que torna tudo muito interessante. O código de barras de DNA é uma maneira de manter os alunos interessados em ciência, fazendo realmente uma investigação. Em cada um dos projetos, os alunos descobriram coisas que ninguém sabia. Os alunos que fizeram os experimentos com chá são coautores de um artigo na seção de relatórios científicos da Nature. Esse tipo de conquista deixa qualquer um muito animado.


Ciência Hoje On-line

sábado, 25 de junho de 2011

Encontro debate planejamento da Rede de Comercialização de Pescados


O Projeto Rede de Comercialização de Pescados da Região Sul do Rio Grande do Sul, em execução pelo Núcleo de Desenvolvimento Social e Econômico da Universidade Federal do Rio Grande (Nudese/Furg), realizou, hoje, 21, pela manhã e à tarde, seu encontro geral.

A reunião ocorreu no auditório do Centro de Convívio dos Meninos do Mar e objetivou a apresentação dos resultados das discussões setoriais, nas quais foi abordado como esses empreendimentos conseguem desenvolver a pesca artesanal na comercialização, e o planejamento da Rede a curto, médio e longo prazos. Estão envolvidos na Rede representantes de 18 empreendimentos - associações, cooperativas e grupos informais da pesca artesanal, em sete municípios. As reuniões setoriais foram realizadas em cada um dos sete municípios.

Conforme a coordenadora do Nudese, Lúcia Nobre, esta é a quarta edição do Projeto, que se iniciou em 2006, mas sofreu momentos de descontinuidade. A edição atual começou em março deste ano. A superintendente regional do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Adriane Lobo, participou do encontro e na abertura destacou a grande expectativa em torno da retomada do trabalho que chegou a ter paradas em termos de apoio. Os participantes não interromperam as atividades, mas ficaram períodos sem o auxílio formal, que envolve recursos do governo Federal. Segundo ela, o trabalho que a Rede vem fazendo é importante pelo tempo que vem sendo construído. "Está dando certo. Houve erros e acertos. Não se conseguiu fazer tudo, mas temos os pescadores e pescadoras cada vez mais fortalecidos em suas organizações", salientou.

Loredi Vinagre Borges, presidente da Associação de Pescadores do bairro São Miguel, que participou do evento, disse que o Projeto Rede é fundamental para aproximação das organizações construídas. "Quando há descontinuidade, a rede de comercialização se mantém, mas enfraquece, porque faltam recursos para as organizações manterem contato, reunir-se", explicou. Conforme ele, o Projeto consegue ajudar os pescadores a verem onde estão os gargalos e a solucioná-los para melhorar a comercialização.

A Rede de Comercialização Solidária de Pescado está articulada nos municípios do entorno da Lagoa Mirim e do Estuário da Laguna dos Patos. E busca promover, através de relações mais justas e solidárias de comercialização, uma mudança na relação estabelecida entre os recursos pesqueiros e os pescadores dessa região.

Fonte: Jornal Agora

terça-feira, 19 de abril de 2011

CEAGESP: Feira do Peixe 2011




Para o consumidor garantir o peixe para a Semana Santa, a Ceagesp promove a partir de hoje (19) até o dia 21, das 15h às 21h, a 6ª Santa Feira do Peixe, no Pátio do Pescado do Entreposto Terminal São Paulo, na Vila Leopoldina. A entrada é pelo portão 13, localizado na avenida das Nações Unidas. O estacionamento para a Santa Feira do Peixe é gratuito.

O evento já é tradicional na cidade e atrai, todos os anos, milhares de pessoas da Grande São Paulo, que aproveitam a oferta de pescado de qualidade durante a Semana Santa. Exclusivamente nesse período, os Permissionários do setor de Pescado da Ceagesp vendem no varejo uma grande variedade de peixes frescos, além de bacalhaus, legumes e temperos em geral.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Os caminhos do pescado


O Canal Rural Na Estrada mostra os caminhos e o transporte do pescado no Brasil. A equipe esteve em Minas Gerais, onde peixe chega congelado, acompanhou as indas e vindas do produto pela costa brasileira e os problemas em um dos principais polos de pesca artesanal do país. O programa termina na Bahia, com uma deliciosa moqueca feita com peixe do litoral catarinense.

Clique aqui e confira a galeria de fotos do programa


Minas Gerais

A equipe começa o trabalho na rua Bonfim, em Belo Horizonte (MG). A terra do leite, do queijo e do café também é um dos pontos principais de comércio de peixe no Estado.

Minas Gerais não tem praia, mas mesmo assim se come bastante peixe no Estado. A equipe está em uma das ruas com o maior número de peixarias de Belo Horizonte.

O caminhoneiro Adriano Gonçalves de Oliveira traz o peixe de Santarém, no Pará.

- São dois dias e duas noites de água, descendo pela balsa, de Santarém para Belém do Pará. Aí espera a maré, fico parado 12 horas. Depois são mais três dias e três noites rodando. É uma viagem longa e cansativa. É muito quente, difícil para segurar o frio da carga. O peixe é uma carga muito delicada, muito sensível.

Do outro lado da rua, tem outro caminhão de peixe chegando.

Vamos lá dar uma olhada de onde vem esse outro caminhão que está descarregando na rua Bonfim em Belo Horizonte.

– Estamos vindo de Piçarras,em Santa Catarina. É bem longinho. Viemos até São Paulo, depois Rio de Janeiro e agora aqui – explica o motorista Daniel Pereira.

Na peixaria é confirmado que o produto consumido na capital mineira chega de várias partes do país.

– 90% é congelado e 10%, fresco. Isso é em função da logística. O peixe fresco dura dois dias. Mais que isso ele não aguenta. Ele fica no barco, vai para a Central de Abastecimento (Cease), depois a gente busca lá O peixe fresco atrai mais. É mais bonito. Mas ele não aguenta – explica o dono do estabelecimento, Lúcio Castro Rodrigues.

Em muitos casos, o peixe chega em embalagens maiores. As funcionárias precisam colocar em sacos plásticos, que vão para o freezer, esperar pelo comprador.

– O peixe que vem de Santa Catarina sempre vem congelado, nunca vem inteiro. Ele vem pronto, congelado e empacotado.

Santa Catarina

O peixe encontrado em Belo Horizonte vem de Itajaí (SC), o principal polo de pesca industrial e de beneficiamento de pescado do Brasil. As fábricas desta região processam 220 mil toneladas por ano.

Nesta unidade são 900 toneladas por mês. Os peixes passam por um processo de limpeza, corte e seleção. Eles são preparados para o congelamento. Depois de passar por uma máquina de resfriamento rápido, o produto é colocado em embalagens. Dentro de uma câmara fica estocado o produto pronto, já esperando para ser carregado nos caminhões. A temperatura câmara é de cerca de -20ºC.

No pátio estão os caminhões que levam o peixe para todos os cantos do Brasil.

- As fábricas de processamento estão aqui. Existe este custo enorme de transportar para todo o país. O custo no Brasil hoje é muito alto. Desafio que a gente tem com o governo federal é baixar estes custos, para aumentar o consumo e expandir realmente na aquicultura e piscicultura para a mesa do consumidor – diz o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Pesca de Santa Catarina, Giovani Monteiro.

O representante dos donos de embarcações e das indústrias revela que muitas vezes os barcos precisam viajar milhares de quilômetros pela costa para encontrar os melhores cardumes.

- Dependendo da época, a sardinha está em outra parte da costa. Os cardumes estavam no Rio e nossas embarcações foram para lá, ao invés de uma embarcação trazer o pescado para cá. O caminhão é bem mais rápido e mais barato.

Rio de Janeiro

A equipe cruzou a Baia de Guanabara, pela sexta maior ponte do mundo, em direção a Niterói.

No terminal pesqueiro em Niterói, no Rio de Janeiro, um barco de Itajaí (SC) está descarregando peixe. Apesar de o barco ser catarinense, não vale a pena voltar com o produto para o porto de origem. Por isso, os peixes são vendidos aqui mesmo. Quem recebe a equipe é o dono do barco, o catarinense Mailton de Souza.

– Estamos descarregando aqui no Rio devido à distância. A pescaria é próxima e o mercado aqui é melhor que em Santa Catarina.

Faz 27 anos que Mailton de Souza trabalha no mar. Ele e outros três homens da equipe costumam passar muito tempo longe de casa.

– Como estamos fora da nossa região, ficamos de dois a três meses fora. Aí a gente para o barco e segue viagem, para o pessoal ir visitar a família. E no mar a gente fica entre 15 a 18 dias. A família reclama um pouco da saudade – diz um dos pescadores.

A equipe do Canal Rural na Estrada vai conhecer como é a vida dentro de um barco de pesca.

– A gente come pouco peixe durante a viagem. Preferimos comer carne. O pessoal convive tanto com o peixe que não tem vontade de comer – diz um dos pescadores. É ele quem apresenta o barco para a equipe.

- Na parte de baixo do barco, temos espaço para 12 mil litros de óleo. São sete mil litros de água e o resto é onde a gente coloca o gelo e o peixe.

A ponte de comando nunca fica vazia. Os tripulantes se revezam em turnos de quatro horas.

- Na época da pesca, o barco fica funcionando 24 horas. Em todo o momento do dia tem alguém. Temos 27 anos de mar e pelo GPS a gente sabe as posições dos cardumes.

Quem compra o peixe é Paulo Renato Andrade. Além de administrar o ponto de recebimento, ele também é dono de embarcações. Ele faz os cálculos e explica porque às vezes o peixe chega muito caro à mesa do consumidor.

- Com certeza o que encarece o peixe é o óleo diesel. É o vilão de tudo. Você tem que correr atrás do peixe. Você gasta para correr atrás do peixe. Às vezes meus barcos ficam 10 a 15 dias com o motor trabalhando, atrás do peixe – explica.

– Um barco de arrasto desses gasta num mês 15 mil litros de óleo diesel. Aí você junta o gelo, a comida do pescador, toda a parte do INSS. Isso tudo explica o preço do peixe.

Em outro ponto da orla de Niterói encontramos um cais público, onde atracam outros barcos pesqueiros. Aqui a situação é bem mais precária. O assessor técnico do Sindicato de Armadores de Pesca do Rio de Janeiro, Flávio Leme, calcula que a pesca seja responsável por 60 mil empregos diretos no Estado. Mesmo assim, falta infraestrutura logística para o setor.

– Temos uma falta de infraestrutura em termos de descarga e comercialização do pescado. O pescador é obrigado a trazer seu barco aqui, contratar um caminhão para recolher seu peixe e levar para a Ceasa. Isso, além de encarecer, provoca uma perda na qualidade do pescado – explica o comandante Leme, como é conhecido por todos.

A descarga de peixe é pulverizada em vários pontos da costa fluminense, o que prejudica as estatísticas oficiais. Mesmo assim, o comandante Leme estima que o Rio de Janeiro seja o terceiro maior produtor de pescado do país.

– Na costa fluminense, nós não temos terminais legalizados de pesca, que tenham toda a infraestrutura, inclusive com inspeção federal.

– Aquela descarga de gelo que está acontecendo, não é a ideal. O ideal seria haver uma indústria de gelo aqui ao lado de onde ancoram os barcos. Toda infraestrutura que precisamos deve prever o abastecimento da embarcação. Além da descarga, precisaríamos ter uma fábrica de gelo, que é um insumo fundamental para a produção do pescado. Esse sistema além de ser improvisado, encarece. É contratado um caminhão. Isso encarece de 20% a 30% no produto, que poderia ser obtido com uma fábrica de gelo nessa situação – diz Leme.

– Um dos problemas que o pessoal enfrenta por aqui é justamente essa situação, em que a descarga, o transporte, o manuseio do peixe é feito a céu aberto. Para se ter uma ideia, olha só a quantidade de pássaros que são atraídos aqui para o local, justamente porque esse entreposto deveria ficar em um local fechado. Mas as condições não são favoráveis para o transporte e operação do peixe em Niterói.

Depois que o produto sai do barco, uma boa parte dele vai para o mercado de São Pedro, um dos mais tradicionais do Estado do Rio de Janeiro, que fica no centro de Niterói e é especializado na venda de peixe.

Os corredores são movimentados. Com tanta opção para os clientes, os vendedores precisam encontrar um jeito de chamar a atenção.

Na peixaria de Antônio Mannarino, tem peixe da região e de todas as partes do Brasil.

– Congrio, namorado. Tem também curvina, viola, pescado. O peixe do sul vem de caminhão. Os barcos são descarregados em Niterói mesmo. Do Norte e do Nordeste vem o camarão. Mandamos buscar na Bahia, de caminhão. E aí vai R$2,00 ou R$ 3,00 de despesas por cada quilo. Muito pouco que viaja pouco.


BAHIA

A equipe do Canal Rural Na Estrada está agora em Alcobaça, um dos principais polos de pesca artesanal da Bahia. A intenção é mostrar as dificuldades de infraestrutura que o pessoal enfrenta.

O presidente da Colônia de Pescadores da cidade, Ricarte Medeiros, aponta para os problemas: a riqueza destas águas não se reflete nos equipamentos disponíveis.

– É uma estrutura precária. A dificuldade do pescador em transportar seu peixe, em entregar nos locais, nos frigoríficos. São trapiches mal feitos. O pescador faz o possível para trazer um bom peixe, mas nessa transportação o peixe já perde um pouco do seu valor.

– A importância da pescaria aqui na região é de quase 100%. Quem não tiver o peixe para entregar, não sobrevive. Ou é funcionário público, ou é pescador – diz Medeiros.

A estrutura de comercialização é simples e tem pouca organização. Quem conta é o pescador Máximo Carlos Rosa, conhecido por aqui como Cicinho.

– O peixe chega e já vamos negociar a venda. Negociamos com os frigoríficos aqui da cidade. Aí vai e descarrega. Depois ele vai decidir o destino, para onde vai.

– Temos uma época de maio, junho e julho em que o preço é péssimo. Baixa mesmo, mas as despesas não baixam. A maior despesa é com barcos, em torno de R$ 20 mil. É que tem que levar esse material. Um barco não pode ir com menos de três mil litros de óleo. Tem que levar mantimento, isca, materiais que são caros. Anzol linhas também são caros – diz Cicinho.

Bem perto dali, a equipe flagra os problemas causados pela falta de uma estrutura adequada. Um barco está descarregando peixe. A retirada é manual, com ajuda de cordas. O produto é despejado em uma esteira, no cais. Um peixe da espécie meca, com dezenas de quilos, dá trabalho para os pescadores.

A equipe também foi conhecer um dos pequenos frigoríficos da cidade. São empresas onde o produto passa apenas por um resfriamento e de onde precisa sair em poucas horas, para não perder qualidade.

– O peixe é descarrega, lavado, encaixotado e resfriado. Ele só sai se estiver resfriado. Não temos indústria para fazer o beneficiamento. Nossa região é carente nessa modalidade – explica o proprietário do frigorífico, Bernardo Olívio.

– Mandamos para Vitória, Rio de Janeiro, Salvador e demais cidades da região. Estão faltando investimentos para melhorar a logística do peixe congelado. O fresco tem uma logística muito boa, temos mercados fortes como Vitória e Rio de Janeiro.

A idade da frota de pequenos barcos também preocupa.

– São sucatas. Devido à falta de investimento na pesca, o pescador fica de oito a 10 anos com o barco, sem poder fazer reforma. Quando faz, já muda a estrutura e não é mais a mesma coisa. Tem motores que já foram reformados quatro ou cinco vezes. E velocidade é importante para pescar bem, principalmente o camarão – confirma o presidente da Colônia de Pescadores de Alcobaça, Ricarte Medeiros.

- É preciso que haja uma forma de financiamento que permita ao pescador estar sempre com seu barco em dia, novo, legalizado, para que ele possa trabalhar e produzir melhor, com mais tranquilidade. Se você vai para o mar com a tábua podre, você até vai, mas não vai tranquilo. Pode quebrar e ir para o fundo. E aí tem que sair nadando. Se ele aguentar nadar – completa.

A equipe conseguiu pegar carona em um desses barcos de pesca artesanal, que está chegando do mar, trazendo o peixe.

– Saímos às 4h da manhã para o mar. Daí deu problema e estamos retornando. Às vezes ficamos três ou quatro dias no mar – diz o pescador Arilson Dionísio.

– A gente joga a rede, joga a âncora e fica esperando. Dá o tempo de uma hora e começa a recolher. Recolhendo e jogando. Não tem muito como selecionar o cardume na rede. O que vier, a gente pega. Cada um tem um preço, a gente seleciona.

– O mais comum são os barcos pescarem perto da costa. Até quatro ou cinco milhas distante da praia. A maioria dos barcos são pequenos, de oito a nove metros – explica o mestre do barco, Valmir da Silva.

Ele faz a manobra e se aproxima do cais. Da embarcação já é possível avistar o caminhão do Na Estrada caminhão estacionado. É preciso continuar a viagem!

A equipe está agora em Ilhéus, cidade histórica baiana e com uma localização privilegiada. Ela está bem no meio do litoral brasileiro, na rota de passagem da maioria dos barcos de pesca. Além disso, as formações geológicas permitem uma pescaria abundante a poucos quilômetros da costa.

O presidente da Bahia Pesca, uma empresa pública que trabalha para organizar o setor, Isaac Albagli foi conversar com a equipe:

– A situação da logística do pescado na região é uma logística sem lógica. Hoje nós não temos uma situação que nos dê conforto. O peixe é baiano, mas não tira carteira de identidade na Bahia. Na medida que ele é descarregado no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, ele não entra na estatística da Bahia.

– Peixes de qualidade são pescados aqui e vão para o sul do país para serem beneficiados no Espírito Santo e no Rio, às vezes em Santa Catarina, e volta para a Bahia. Tem peixe baiano que vai para outros Estados para ser beneficiado e volta para ser consumido aqui. O principal exemplo é o badejo. É o peixe mais utilizado para a moqueca. Todos sabem que a Bahia tem essa tradição da moqueca. Salvador é o maior município consumidor de pescado e esse peixe vai para os outros Estados e volta para a Bahia.

– É precária também a situação dos pequenos pescadores. Você tem abastecimento de gelo em um local, abastecimento em outra situação, não tem local para conserto. Até a própria descarga é complicada. Um verdadeiro malabarismo.

O pescador Francisco Azevedo Filho é mestre do barco e coordena toda a operação de descarregamento de peixe.

– A estrutura de descarregamento está difícil, a ponte está deteriorada. Nós não temos o diesel no porto, tem que vir nas bombonas. Ou senão o carro trás até aqui e vocês traz no carrinho até a beira do cais. Tudo é muito precário. E essa situação é igual para todos os pescadores da região – diz ele.

Mas já nos próximos meses a situação dos pescadores daqui deve começar a melhorar. No local onde funcionava o primeiro porto de Ilhéus está sendo realizada uma obra que vai mudar a infraestrutura de logística da pesca nesta região. Os engenheiros mostram a planta do novo terminal pesqueiro de Ilhéus. As obras já começaram e devem estar prontas em meados de 2011.

– Tudo que é necessário para um terminal pesqueiro, esse aqui de Ilhéus terá. Além de beneficiamento, teremos fábrica de gelo, abastecimento de combustíveis, conserto de embarcações. Vai mudar toda a logística do pescado da região, com certeza. Agora teremos uma estrutura adequada. Antigamente ia para qualquer canto, sem nenhuma estrutura – explica o presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli.

A próxima parada é em Salvador, cidade de cores e de sabores. E, para falar de peixe, nada melhor do que procurar um bom prato da culinária baiana, feito a base de pescado.

Mesmo a Bahia produzindo 120 mil toneladas de pescado por ano, o consumidor precisa pagar por um produto mais caro, que rodou centenas de quilômetros em outros Estados para depois voltar novamente ao seu Estado de origem.

A busca começa em um dos principais mercados da cidade, o Mercado do Peixe. Não é difícil encontrar peixe que rodou por muitas estradas para chegar até aqui.

– Aqui temos o peixe vermelho, que é de Porto Seguro, o badejo, que é de Santa Catarina, o bejupirá e a pescada amarela, que são de Santa Catarina. Tem o dourado que é do Pará. O peixe vendido aqui em Salvador viaja o Brasil inteiro, por vários cantos do Brasil. O valor lá é menor. Quando chega aqui, chega um pouco mais alto, mas ainda dá para competir com os peixes mais nobres aqui do Nordeste – afirma Gilvan Silva, proprietário de uma das peixarias.

E foi lá no mercado que encontramos dona Alaíde, uma baiana que não abre mão de comer peixe pelo menos uma vez por semana. O peixe escolhido é uma pescada amarela, que veio direto de Santa Catarina. Antes de ir para casa, é preciso comprar mais alguns complementos. O leite de coco não pode faltar.

Já na cozinha de sua residência, dona Alaíde lava os pedaços do peixe com água e limão. Para fazer a típica moqueca baiana, o melhor é usar uma panela de barro. O peixe e os outros ingredientes são colocados em camadas alternadas. Quase no final vai o leite de coco, que foi batido no liquidificador.

– Essa é a receita de uma legítima moqueca baiana. Vai coentro, cebola, tomate, pimentão, leite de coco, azeite de dendê. E o peixe tem que ser bem escolhido, de qualidade – diz ela.

Na mesa tem ainda arroz, farofa e feijão fradinho.

Das águas vem o sustento. Das águas vem o alimento. A natureza dá de presente, mas não é assim tão fácil ir buscar. São barcos apertados, são dias no mar. São ondas e tempestades a atrapalhar. O que parece simples se revela complicado. Tudo tem um preço e nem sempre esse preço é pequeno. No Brasil, a tarefa de pescar e transportar por muito tempo ainda deve ser uma rede emaranhada de longas jornadas e de muito esforço, de gente que tem os pés no chão e o coração no oceano.

Fonte: Canal Rural

terça-feira, 1 de março de 2011

MPA - Pescado artesanal deve integrar merenda escolar de 20% dos municípios até 2012

O Ministério da Pesca e Aquicultura quer que o pescado coletado por pescadores artesanais ou criado por aquicultores familiares integre o cardápio da merenda escolar em pelo menos 20% das cidades brasileiras até 2012. Atualmente o governo federal já exige que a merenda contenha, no mínimo, 30% de produtos agrícolas de pequenos produtores familiares.

No entanto, segundo a ministra Ideli Salvatti, a dificuldade para incluir o pescado é maior do que para incluir produtos agrícolas.

– Diferentemente do agricultor, que entrega o feijão, o arroz, a batata, a cebola, a abobrinha, sem precisar processar o produto, no caso do pescador é diferente. Tem que tirar a espinha, tem que processar o pescado. Nós não temos como fazer automaticamente a entrada do pescado na merenda escolar – disse.

Por isso, segundo a ministra, o governo federal está fazendo um levantamento para conhecer os locais que já têm equipamentos suficientes para fazer o beneficiamento do pescado e que se organizam em cooperativas ou associações, a fim de que possam receber o pagamento da prefeitura.

– Acredito que, até ano que vem, conseguiremos colocar o pescado na merenda de 20% dos municípios brasileiros – afirmou.

Segundo o Ministério, grupos com três ou mais pescadores podem se unir para criar uma cooperativa e receber o pagamento das prefeituras.

Fonte: Canal Rural

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

China vai comprar 40t de peixe/dia à Guiné-Bissau


A China vai comprar diariamente 40 toneladas (t) do pescado artesanal da Guiné-Bissau e pretende ajudar na criação e divulgação da marca da pesca do país, afirmou Michel Wang, representante de uma delegação de empresários chineses.

Os empresários chineses, que hoje terminam uma visita de uma semana à Guiné-Bissau, analisaram as potencialidades nos setores da agricultura, pesca, energia e indústria, nomeadamente na área do processamento da castanha de caju, que é o principal produto de exportação da Guiné-Bissau.

Acompanhados pelo secretário de Estado das Pescas da Guiné-Bissau, Mário Sami, os empresários chineses visitaram a ilha de Uracane, no extremo sul do país, tendo anunciado aí que vão passar a comprar diariamente 40 toneladas do pescado artesanal.

Ao mesmo tempo, pretendem fornecer material de pesca, nomeadamente remos e redes aos pescadores artesanais a preços favoráveis. As empresas chinesas do ramo também irão passar a ensinar aos guineenses as melhores técnicas para construção de embarcações de pesca, sublinhou Michel Wang.

Fonte: Dinheiro Digital 

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