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terça-feira, 23 de agosto de 2011

PR - Conflitos da Pesca Artesanal em Guaratuba

Imprensados entre a legislação ambiental em permanente mutação e os interesses da elite, os pescadores artesanais de Guaratuba correm o risco de perder uma das conquistas recentes: autorização para pescar em áreas da baía.

Fato histórico pouco conhecido pelas novas gerações de Guaratuba foi a expulsão das comunidades de pescadores que viviam na orla marítima que hoje é ocupada por mansões nos balneários de Brejatuba e Eliane. O mesmo aconteceu nas margens da baía, um espaço público que foi privatizado por casas de luxo.

O pescador Célio Manoel de Borba denuncia a nova ameça através de uma campanha para alterar a legislação que permite atividade artesanal em algumas áreas da baía de Guaratuba. “O pescador tem direito ao sustento e, mais do isto, merece respeito”, brada Célio, que não é de meias palavras.

Célio esteve duas vezes no Correio do Litoral.com. Primeiramente em junho para falar da ameaça aos pescadores e agora em agosto para confirmar que o risco para eles continua e para acrescentar que os pescadores e outras comunidades tradicionais não recebem apoio da prefeitura e ainda veem conquistas sendo ameaçadas. O Correio estava devendo uma reportagem há meses, portanto.

Célio vê risco na mudança de legislação criada no governo Requião, quando o secretário do Meio Ambiente era o atual deputado estadual Rasca Rodrigues (PV). Depois de aumentar as restrições em algumas áreas no interior da baía para pesca, Rasca ouviu pescadores esportivos e artesanais e voltou atrás.

Aliás deu passo adiante ao estabelecer critérios condizentes para a atividade pesqueira artesanal nas baías de Guaratuba, Paranaguá, Guaraqueçaba, Antonina e Laranjeiras. Em meados de 2009, estes locais ficaram de fora da distância mínima de 100 metros para a pesca de fundeio (rede fixa armada no fundo do mar) e de 50 metros para a pesca de caceio (rede é jogada e a maré vai levando), mantida para as demais ilhas da costa paranaense. Ou seja, a mudança possibilitou o trabalho do pescador artesanal que, do contrário, quase não teria onde trabalhar já que as margens das baías são extremamente recortadas e praticamente não haveria áreas fora destes limites.

Também como fruto da pressão dos pescadores artesanais, o governo anterior acabou liberando definitivamente a pesca da tainha nos meses de junho e julho em toda a Baía de Guaratuba.

Um campanha contra o suposto prejuízo que a pesca profissional estaria causando ao turismo dos pescadores esportivos ocupou páginas da imprensa local e ganhou expressão política na boca do vereador Natanael Correia de Araújo “Nato” (PTdoB), primeiro-secretário da Câmara Municipal de Guaratuba.

Nato chegou a procurar o novo secretário estadual do Meio Ambiente, Jonel Yurk, em Curitiba, para pedir que as portarias e resoluções do governo anterior fossem revogadas. Além de defender os donos de iates e lanchas e os recursos que estes turistas deixam na cidade, Nato chegou a dizer que a legislação que foi fruto de debate e acordo entre os pescadores esportivos e os artesanais, não passava de “eleitoreira”.

A campanha alega que o turismo da pesca esportiva está em extinção em Guaratuba, assim o peixe preferido por este público, o robalo. Os bons resultados do VIII Campeonato Sul Brasileiro de Pesca ao Robalo, realizado no dia 9 de julho, em Guaratuba, contrariaram os pessimistas, tanto na presença de competidores, quanto na quantidade de peixes capturados.

Proteção é necessária

Célio de Castro reconhece que a produtividade na pesca vem diminuindo ano a ano, mas assegura que não é a pesca artesanal da responsável por isto. “O pescador é o maior interessado em preservar a sua atividade”, afirma. Ele considera importante a existência de normas e leis que protejam a fauna aquática e todo meio ambiente, mas exige que as pessoas que mais vivem em contato com a natureza sejam levados em consideração. “Tanto o pescador, quando morador da área rural, precisa de alternativas econômicas para viver. Sustentabilidade é também dar condições para o ser humano viver dignamente”, diz Célio.

“O povo daqui tem de viver da suas próprias pernas e ainda tem que tentar se livrar das rasteiras”, desabafa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Parte 06 - Rodgers River Bay x Plate Creek



Dia 05: http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/05/dois-brasileiros-no-everglades-parte-05.html



LEMBRANÇAS DO DIA 06 - 18/02/2011 - Rodgers River X Plate Creek

Hoje temos muitas baías para vencer: Rodgers River Bay, Lostman Bay, Onion Bay, Lostman 5 Bay, Third Bay, Mullet Bay até chegarmos a Plate Creek. 

Antes de sair um Café com Doce de Leite e pão com manteiga "na chapa". Acabamos saindo tarde, curtindo o primeiro chickee de nossa viagem, o que não pode ser tão bom se levarmos em consideração que nosso dia será supostamente longo.

Poderíamos fazer o percusso por inúmeros caminhos possíveis por entre estas baías e suas ilhas. Preparamos o material de pesca e às 12:30 estávamos saíndo enfim. Seguimos nosso plano original ao mesmo tempo que nos escondiamos da influência do vendo Nordeste que soprava com força.


Foto: Mapa "Google Earth" salvador

Neste trajeto a possibilidade de se perder é realmente muito fácil. Ao cortarmos a primeira e mais longa das baías do dia em apenas 36 minutos vimos que não seria tão longo o dia de remada como prevíamos.


Foto: Scooby meu filho, cadê a entrada que estava aqui? 

Mas ao longo da navegação a atenção tinha que ser redobrada para não entrar em caminho sem saída. E a remada foi segura e uma a uma as baías foram sendo vencidas. E enfim vimos um crocodilo de perto!


Foto: Enfim crocodilo


Os momentos de vento contra onde tinhamos que puxar mais a remada não foram muitos e não somaram mais que 1 hora de remo. mais uma vez temosm que agradecer a sorte por estarmos na maioria do tempo com as condições de vento, corrente e ondas a nosso favor e que continuem assim!


As baías estavam para peixe! O primeiro que fisgamos era um xaréu, depois outro muito pequeno que soltamos. A partir daí uma sequência de ubaranas que só a primeira e outras duas maiores ficaram no assoalho da canoa. Além destes mais 3 Seabass sendo que o menor foi solto.


Foto: Apurado do dia


A remada tava tão boa e a pescaria tão divertida que nos canais entre as baías (que apelidamos de "hot spots") davamos meia volta nestes canais, indo e voltando pra aumentar a quantidade de peixes capturados, onde só selecionávamos os maiores. Só não podíamos nos esquecer a direção certa pois a euforia era grande!


Ao chegarmos em Lostman 5, a última baía antes da nossa, aproveitamos para lá visitar o campingsite (Lostman 5) e ficamos felizes por termos optado em ficar em Plate Creek.


Fotos: Lostman 5 Campsite


Passamos um tempinho ali, remamos mais um canal e demos de cara com nosso pico: Plate Creek Chickee! Fim da remada #6! Faltam 3 dias!


Foto: Plate Creek Bay Chickee, lar doce lar!


Na enorme palafita nos dividimos na tarefa de limpar os peixes e fazer o rango e montar acampamento.




Este trecho de baías estava bem movimentado, era sexta-feira e segunda seria feriado nacional, e vimos ao longo do dia muitas lanchas de pescadores amadores e algumas canoas e caiaques, que continuaram passando quando já estávamos em nossa palafita. Nisso passou duas canoas motorizadas que acenamos e vieram ao nosso encontro. Dois caras, uma mulher e cada um com seu galão de tequila! Que nos ofereceram e aceitamos de bom grado, animando nosso final de tarde que ainda teve contato via rádio com pessoas queridas no Brasil, só faltou falar com meu filho Juca.



Foto: Tequila!


Depois banho de balde, macarrão com pesto, peixe frito e claro uma garrafa de vinho. 


Foto: Rango!


No começo da noite um nascer da lua cheia em frente ao nosso deck para encerrar mais um dia incrível.


Foto: Nascer da lua cheia. Obrigado!







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