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quinta-feira, 4 de julho de 2013

O salmão natural


O salmão é um peixe mediano da família Salmonidae, naturalmente encontrados nos oceanos Atlântico e Pacífico, eles retornam à água doce na época da procriação, quase sempre escolhendo o mesmo rio em que nasceu.

A cor vermelha da carne é gerada pelo pigmento Astaxantina, que o peixe absorve ao se alimentar de camarões. Mas como a dieta do salmão é variada, também variam as cores de sua carne - desde branco ou rosa suave, até um vermelho vivo. O salmão permanece na água doce nos dois ou três primeiros anos de vida antes de ir para o mar, suportando temperaturas baixas em água doce ou salgada.

Por todos esses hábitos o salmão é um poderoso antioxidante que ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, inflamatórias, e atua no sistema imune. É fonte de Triptofano, Vitamina D, Ácidos Graxos, Selênio, Proteína, Vitamina B3, Vitamina B12, Vitamina B6, Fósforo e Magnésio. É excelente fonte de Ômega 3, substância que reduz em até 81% a chance de ataque cardíaco, segundo estudos recentes.

O salmão de cativeiro

Não haveria razão para polêmica se fosse esse o salmão que consumimos. O problema é que somente 5% de todo o salmão vendido nos Estados Unidos é natural, e a quantidade que chega ao Brasil é irrisória. Mais da metade do consumo mundial atualmente tem como origem viveiros do Chile, Canadá, Estados Unidos e norte da Europa, que reduzem imensamente suas importantes qualidades nutricionais.

Esses criadores abarrotam tanques com peixes, em condições de higiene muitas vezes duvidosas, e os alimentam com farinha e corantes para tentar obter a cor rosada do salmão natural. Pior: utilizam grande quantidade de gordura e altas doses de antibióticos para crescerem rápido, gerando mais lucro.

Em cativeiro, as Astaxantinas que tingem a carne do salmão são substâncias sintéticas derivadas do Petróleo, que, em grandes quantidades, podem causar problemas de visão e alergias e, segundo estudos recentes, podem ser tóxicas e carcinogênicas. A título de comparação, 100g de salmão com corante tem as mesmas toxinas que um ano consumindo enlatados.

Como identificar

Se você deseja os benefícios do salmão verdadeiro, primeiro certifique-se de que da procedência. Infelizmente, não há uma exigência da Anvisa que os rótulos identifiquem se o peixe foi criado em cativeiro ou ao natural, mas muitas embalagens trazem o país de origem. Os melhores são provenientes do Alasca e da Rússia. Se for do Chile, evite, pois metade do salmão consumido no mundo vem de cativeiros chilenos.

O preço também é uma boa referência e, infelizmente, o salmão natural é caro. Um salmão que custe menos de R$ 40 o quilo provavelmente é de cativeiro. Outra dica importante é que o peixe de criadouro não resiste bem quando enlatado, logo, o salmão em lata provavelmente é verdadeiro.

Por conta do preço, os restaurantes costuma utilizar o salmão de cativeiro. Cobram caro e, na maioria das vezes, oferecem um peixe com valor nutricional baixo e elevada gordura ruim, que contém corantes, antibióticos e demais substâncias indesejáveis. Para comer o verdadeiro salmão, o ideal é comprá-lo em peixarias que possam informar a procedência, e prepará-lo em casa.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A nutrição de peixes e a fome mundial


Até o ano de 2050, o mundo passará dos atuais 6,7 bilhões para mais de 9 bilhões de habitantes agravando um problema já existente: a fome mundial. Os dados são da Divisão de Estatísticas das Nações Unidas (Unstat) e foram apresentados pelo professor Daniel Eduardo Lavanholi de Lemos do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) durante o World Aquaculture 2011, realizado de 6 a 10 de junho em Natal (RN).

O crescimento populacional é agravado pela desigualdade, já que o grupo dos mais ricos cresce menos que o grupo dos mais pobres, segundo o pesquisador. No cenário de 2050 delineado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta.

Diante desse quadro, Lemos acredita que a aquicultura possui um importante papel a cumprir. “O pescado já é segunda maior fonte de proteína animal atrás apenas dos suínos”, assinalou o professor da USP, ressaltando que a aquicultura já divide igualmente com a pesca o fornecimento de pescado mundial.

A diferença é que a produção pesqueira não cresce desde o ano 2000 enquanto que a aquicultura aumenta a cada ano e ainda tem muito potencial para se expandir, segundo o especialista. “Assim como ocorreu com a caça, que não responde mais pelo suprimento de alimentos para o homem, era previsível que o mesmo ocorresse com a pesca”, assinalou Lemos em seu trabalho.

No entanto, para crescer de maneira sustentável, a criação de pescado deve enfrentar vários desafios. Um dos maiores será o de encontrar fontes alternativas de nutrientes para as rações de piscicultura.

Isso ocorre porque ainda se usam recursos marinhos na aquicultura. Boa parte da alimentação dos animais criados em tanques são rações compostas por farinha feita com peixes pescados e a redução dos estoques naturais tem tornado a matéria-prima mais rara e o produto a cada dia mais caro. “A escassez desse insumo levará a buscas mundiais cada vez maiores por fontes de nutrientes-chave”, aventou.

Encontrar soluções sustentáveis para a nutrição na aquicultura é o desafio atual de Lemos que coordena o projeto “Determinação in vitro da digestibilidade da proteína alimentar para peixes em aquicultura” , que tem o apoio FAPESP na modalidade Auxílio a Projeto de Pesquisa – Regular.

Subprodutos da agricultura

Boa parte da resposta para a questão da aquicultura sustentável estaria na agricultura. Com produção mundial crescente, muitos subprodutos agrícolas poderão entrar na composição de rações sem prejuízo para a produção de alimentos, acredita o professor.

“A tendência é usar fontes cada vez mais grosseiras para as rações e deixar as matérias-primas mais nobres para o consumo humano”, afirmou. Segundo ele, o arroz quebrado, por exemplo, é componente de rações no Ocidente, mas a China não se dá mais ao luxo de lançá-lo aos animais, pois prefere destiná-lo à população.

Com um setor agropecuário superavitário, o Brasil desponta como um potencial fornecedor de insumos para a aquicultura, na opinião de Lemos, além de possuir vastas extensões de espelhos d’água a serem exploradas.

E mesmo com os desafios relacionados à nutrição sustentável, a aquicultura ainda apresenta inúmeras vantagens em relação aos outros tipos de criação animal. Lemos lembra que mais de 50% da produção aquícola prescinde de ração como algas, ostras, vieiras e mexilhões ou de peixes que não consomem proteína animal.

Os animais aquáticos também são os que melhor convertem nutrientes em carne, pois não gastam energia para produzir calor como os animais homeotérmicos e sofrem menos a ação da força da gravidade, o que também demanda energia para a manutenção estrutural do corpo.

“Teremos que saber administrar cada vez melhor os nutrientes-chave e saber usar os recursos nutritivos para a aquicultura de modo que ela se torne solução para a falta de alimentos, e não parte desse problema”, concluiu.

Fonte: Agência FAPESP / por Fábio Reynol

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