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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CE - Lagosta à la sumiço


Mar azul, céu ainda mais azul. Na última sexta-feira, na Praia da Redonda, litoral leste do Ceará, cinco jangadas a vela apontavam no horizonte. Passava do meio-dia, o sol deixava a areia em brasa e ficar ali, na beira da água, só se justificava pela esperança de que viessem carregadas de lagostas. Uma a uma, as jangadas, que tinham saído para o mar de madrugada, foram ancorando e recolhendo as velas.

Da primeira, dois pescadores lançaram-se ao mar com pequenos baldes. Vieram nadando devagar. As ondas deram o empurrão final rumo à terra firme e eles saíram cambaleantes, short, camiseta e boné ensopados grudados na pele. Os baldes vazios. “Não tem nada. Estamos fudidos”, disse um deles. Apertaram o passo e sumiram na areia.


“Este é o pior ano de pesca de lagosta que já vi”, Geraldo Bidéi, o decano da praia, de 65 anos – 58 de pesca. FOTOS: Filipe Araújo/Estadão

A cena se repetiu naquela tarde, quando apenas duas lagostas foram capturadas após um dia inteiro no mar. Quem as exibiu, meio envergonhado, meio orgulhoso, foi Leudo Ferreira, de 36 anos. Mas ele é exceção entre os 800 pescadores da Redonda: os baldes vazios têm sido rotina. “É o pior ano para pesca da lagosta que já vi”, diz Geraldo Bidéi, o decano da praia, de 65 anos – 58 de pesca. Os colegas concordam. Há 20 anos, na Redonda, cada pescador trazia, em média, 50 kg a 60kg de lagosta por dia. Hoje não se pesca isso num ano.

A Praia da Redonda pertence ao município de Icapuí e assim como Barreiras, Tremembé, Barrinhas e Quitéria, as outras praias da região, tem a pesca como principal fonte de renda. A diferença é que só na Redonda a pesca de lagosta é artesanal: barcos a vela, armadilha feita de madeira e rede de náilon, o manzuá.

Nas outras praias, a pesca é feita com barcos motorizados e marambaias – tambores de ferro usados como armadilha. Os pescadores achatam os tambores aos milhares e os atiram no mar, marcando a localização com GPS. As lagostas entram nessas armadilhas e, sem espaço para se virar e sair, acabam capturadas por mergulhadores, que descem a até 30 metros de profundidade com ajuda de um precário sistema de compressão de ar em botijão de gás. Para criar coragem, muitos usam crack. Ou descem em apneia, com risco de embolia pulmonar. Acidentes fatais são frequentes e o método, arriscado, é proibido.

Chamados de piratas pelos pescadores da Redonda, os pescadores de compressor são acusados de ter acabado com a lagosta da região. A disputa entre eles já deixou três mortos (leia abaixo), numa briga que se arrasta há mais de 20 anos e expõe a insustentabilidade da produção de lagostas no Brasil.

A pesca com o manzuá, como é feita na Redonda, é a única permitida por lei. Os pescadores saem por volta das cinco da manhã e lançam a armadilha a até 30 quilômetros da costa. No meio do manzuá, uma cabeça de bagre serve de isca.

Deixam lá por um dia e voltam para recolher as lagostas que caíram na armadilha. Mas como saber onde foram deixados os manzuás? O pescador Cosme da Silva dá uma risada: “A gente olha as moitas na terra, tira uma base e vai lá para dentro”, diz apontando o mar. A trama da rede da armadilha é larga o suficiente para deixar passar as lagostas pequenas, que não podem ser pescadas.

A pesca como é praticada nas praias vizinhas é ilegal. No entanto, é a que mais cresce e ameaça a lagosta no Ceará, o Estado que mais produz o crustáceo, e também no Rio Grande do Norte e Pernambuco, os outros grandes produtores – onde nem há mais pesca de manzuá. Por ali, lagosta só com rede, marambaia e mergulhador.

E o problema se agrava: desde 2008, quando o Ibama parou de fazer relatórios, não há dados precisos da produção pesqueira no Brasil – a função caberia ao Ministério da Pesca, escanteado na política federal. Os dados mais confiável são os de exportação. O quadro é preocupante: no ano passado saíram 2.261 toneladas do Ceará até o fim de novembro.

Neste ano, foram apenas 1.113 toneladas até agora.

Ontem (30/10), os pescadores da Redonda fizeram um protesto em Fortaleza. Reivindicam fiscalização. E a situação está tão ruim que eles já decidiram parar de pescar um mês antes do defeso – que vai de dezembro a maio. A maioria não respeita a proibição.

“No último defeso se comprava lagosta fresca todo dia no mercado de Mucuripe”, diz Paulo Lira, engenheiro de pesca e pesquisador da Universidade Federal do Ceará. “É um problema seriíssimo de sobrepesca.”
A continuar nessa toada, a renovação desse cobiçado fruto do mar no Brasil fica comprometida. E a lagosta, cada vez mais rara, cara e menor.

Por: Jose Orenstein
Fonte: Paladar

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PE - Comitê pede proibição da pesca de arrasto para evitar ataques


Para cada quilo de camarão capturado com redes de arrasto são descartados mortos no mar ao menos nove quilos de peixes pequenos. Na opinião da nova presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), empossada ontem, os resíduos atraem cabeças-chatas e tigres, apontados como responsáveis pelos 55 ataques, com 20 mortes, ocorridos desde 1992 em Pernambuco.


“Por isso precisamos estender a área de proibição da atividade, hoje estabelecida em 1 para cinco milhas náuticas”, defendeu Rosângela Lessa. Na prática, a zona de exclusão da frotaroneira que usa essa técnica de pesca seria ampliada de 1,8 para nove quilômetros.

O pedido para estender a área de proibição da pesca de arrasto será encaminhado, mais uma vez, ao Ibama. A primeira solicitação, em 2007, foi indeferida. “Não estou dizendo que essa é a causa dos ataques, mas certamente é um dos fatores”, disse a presidente do Cemit, que pediu mais fiscalização do instituto.

O engenheiro de pesca do Ibama Euclides Dourado esclarece que as ações de fiscalização na costa ocorrem quando há denúncias. “Ao contrário da lagosta, em Pernambuco o camarão não tem período de defeso, quando a captura é proibida por conta da reprodução da espécie”, justifica.

Na solenidade de posse, à tarde, na Secretaria de Defesa Social, em Santo Amaro (área central do Recife), houve bate-bocas entre integrantes do Cemit e de entidades que defendem a pesca intensiva de tubarões no litoral pernambucano como forma de evitar ataques, como o Propesca e o P5.

Durante o encontro, Fábio Hazin e os representantes do Instituto Oceanário e do Projeto Praia Segura criticaram o Propesca, o P5 e a imprensa, que não tiveram a palavra franqueada para defesa. “A tese de subnotificação levantada recentemente pela imprensa não procede”, disse o presidente da ONG, Alexandre Carvalho.

É o instituto, segundo a secretária-executiva do Cemit, Claudia Matos, que elabora a lista das vítimas. De acordo com a Secretaria de Defesa Social, à qual o comitê é vinculado, a entidade recebeu, em 2010 e 2011, R$ 1 milhão por ano para atividades de educação ambiental e custeio de pesquisas realizadas pela UFRPE.

Para Rosângela Lessa, é preciso rever os critérios de contabilização dos ataques. “Sempre que existe dúvida as coisas podem ser rediscutidas.” Sobre os recursos destinados pelo Cemit, a oceanóloga sugere que sejam disponibilizados na internet. “É preciso colocar no site da SDS não só as atas das reuniões do Cemit, mas também os projetos aprovados e seus valores.”


PLACAS

Na reunião, o Corpo de Bombeiros anunciou a substituição das placas que indicam as áreas perigosas para banho no litoral do Grande Recife. “Usaremos mais imagens e menos textos”, adianta o diretor de Operações da corporação, Daniel Ferreira.

As novas placas, com previsão de serem instaladas até 2013, em função da Copa das Confederações, seguirão padronização internacional.

Leia aqui entrevista com Rosângela Lessa.

Fonte: Jornal do Comércio
Imagens: Google Imagens

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Amazonas - Uma amazônia sem peixe

Abaixo postagem do craque Pedro Martinelli em seu blog.
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Quanto mais se sobe o rio Negro no rumo da Colômbia menos peixe. Os índios da Cabeça do Cachorro, que habitam os principais afluentes do Rio Negro como rio Içana e Rio Tiquié fazem malabarismos para conseguir o peixe de cada dia. Comem mais frango do que peixe. Não se sabe extamente o que acontece. Cachoeiras enormes com desníveis imensos impedem a subida para a desova, acidez da água, falta de lagos e, claro, crescimento da população estão entre as principais causas. O caiá da foto acima é uma armadilha feita de esteira de palha que é colocada no pé da queda da cachoeira para aparar as piabinhas que rodam sem controle corredeira abaixo. A coleta é a conta certa para fazer a quinhampira do dia. Um cozido com muita pimenta de diversos tipos engrossado com beiju.
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