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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Campanhas promovem gestão sustentável da pesca artesanal no litoral Norte e Nordeste do país

Ancoradas na participação comunitária e na ciência da conservação, 10 campanhas serão lançadas em quatro Estados; iniciativa é da ONG Rare, especializada em mobilização social para a adoção de práticas sustentáveis.


Proteger os recursos marinhos e melhorar a qualidade de vida da população costeira tradicional – por meio da gestão participativa e da prática sustentável da pesca – são os objetivos das Campanhas por Orgulho que começaram a ser lançadas no último  sábado (28/07) no litoral norte e nordeste do Brasil. Nos próximos 30 dias, dez áreas marinhas protegidas inauguram a segunda temporada de campanhas no país. O foco é o engajamento de comunidades costeiras que vivem da pesca artesanal, que  responde por 50% de toda a produção anual de pescado marinho nacional.

Na atual temporada de campanhas no Brasil, que vai de 2017 a 2019, a Rare está trabalhando em Resex Marinhas e em Áreas de Proteção Ambiental (APA), sendo sete áreas novas – cinco no Pará e duas em Pernambuco – e três áreas de replicação nos Estados do Maranhão e Piauí, que dão continuidade às ações realizadas no ciclo anterior. As dez áreas somam um total de 161 mil hectares, envolvendo 4,3 mil pescadores de 53 comunidades e beneficiando direta e indiretamente mais de 17,2 mil pessoas. Os parceiros estratégicos na implementação nacional são o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativistas Marinhas (Confrem).

O Pesca para Sempre tem como eixo central de sua abordagem a delimitação de áreas de uso exclusivo para pescadores beneficiários de uma determinada unidade de conservação de uso sustentável e a definição de zonas protegidas onde os peixes podem se reproduzir livremente, sem a pressão da pesca.  Estas últimas são chamadas de Áreas de Conservação e Recuperação de Espécies (Acres). 

AGENDA DE LANÇAMENTO DAS CAMPANHAS POR ORGULHO 

28/07 
              Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu (PA) 
                         Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (PE) 
 
29/07                Reserva Extrativista Marinha Gurupi-Piriá (PA) 
                         Área de Proteção Ambiental Guadalupe (PE) 
 
04/08                Reserva Extrativista Marinha de Soure (PA) 
                         Reserva Extrativista Mar. Arapiranga-Tromaí (MA) 
 
05/08                Reserva Extrativista Mar. São João da Ponta (PA 
 
18/08                Reserva Extrativista Marinha de Cururupu (MA) 
 
25/08                Reserva Extrativista Marinha Delta do Parnaíba (PI e MA) 

18 ou 25/08      Reserva Extrativista Marinha Mãe Grande de Curuçá (PA) (a definir) 

26/08                Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (PI e MA) 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação RARE
Imagem: Enrico Marone/Rare

segunda-feira, 7 de março de 2016

Entra em vigor decreto que proíbe a saída de pescado do Pará

Nota: esta suspensão prejudica os pescadores que perdem uma alternativa de venda. Provavelmente os portos de desembarque do litoral maranhense, como Apicum-Açu receberam embarcações paraenses. Por outro lado regula o preço para os consumidores locais a medida que terão maior oferta de pescado.




Agência Pará de Notícias
Atualizado em 04/03/2016 11:20:00

Para garantir o abastecimento de pescado e equilibrar os preços do produto durante o período da Semana Santa, entrou em vigor nesta sexta-feira, 4, o decreto, assinado pelo governador Simão Jatene, que suspende a emissão de guias de transporte de qualquer espécie de pescado fresco, resfriado e salgado para fora do Estado do Pará. A proibição valerá até o dia 25 deste mês. Apenas os produtos industrializados e com Selo de Inspeção Federal (SIF) poderão sair do Estado.

Os órgãos de fiscalização e controle estaduais vão intensificar a fiscalização nos postos de fronteira para assegurar o cumprimento do decreto. De forma integrada com a ação do governo estadual, a Prefeitura de Belém também publicou decreto controlando a entrada e saída de pescado nos entrepostos da capital. O decreto municipal entrou em vigor nesta sexta-feira e vai valer até o dia 25 de março. Durante este período, apenas os comerciantes previamente cadastrados na Secretaria Municipal de Economia (Secon) poderão transportar peixe de Belém para outros municípios paraenses.

Além da publicação do decreto, a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) vai promover a Feira do Pescado na Região Metropolitana de Belém, além de apoiar a realização de feiras semelhantes nos demais municípios do Estado, como parte das estratégias do governo para assegurar o abastecimento durante a Semana Santa, a fim de evitar a escassez do produto e o aumento abusivo de preços.

Na Região Metropolitana de Belém, a Feira do Pescado será realizada nos dias 23 e 24 de março, em oito pontos espalhados pelos municípios de Belém e Ananindeua. A expectativa da Sedap é que sejam comercializadas entre 120 e 150 toneladas de pescado, por meio da venda direta do produtor ao consumidor. Uma novidade este ano é a venda de ostra cultivada pelas comunidades da região do Salgado e que participam do programa de estímulo à ostreicultura da Sedap.

Também serão montados na capital, três pontos de venda de caranguejo, vendido diretamente pelas comunidades extrativistas na região nordeste do Estado, e um ponto de venda de peixe vivo, que funcionará no Parque de Exposições Agropecuárias, no Entrocamamento.

No interior do Estado, a estimativa é que 50 municípios realizem suas próprias feiras, com apoio da secretaria, e comercializem um total de 60 toneladas de pescado. Em 2015, a Sedap apoiou a realização das Feiras do Pescado em 31 municípios paraenses, ajudando a garantir o abastecimento, estimulando o crescimento da produção dos piscicultores locais e colaborando para manter o equilíbrio de preços durante o período de maior demanda.






segunda-feira, 27 de julho de 2015

RGP: Aberto prazo para pescadores do Pará e do Maranhão se recadastrarem

O Ministério da Pesca e Aquicultura abriu prazo de 60 dias, a partir desta segunda-feira (27), para que 9.761 pescadores do Pará e 24.673 do Maranhão, inscritos no Registro Geral da Pesca (RGP), façam o recadastramento. Medida visa valorizar o profissional da pesca, sobretudo o artesanal, e melhorar a gestão na concessão dos documentos.

“Estamos trabalhando no sentido de aprimorar os métodos na outorga das carteiras e evitar as fraudes”, explica o ministro Helder Barbalho.


Registros

No período de julho a outubro do ano passado, foi feito um grande número de registros de pescadores nos estados do Pará e do Maranhão, com suspeita de data retroativa a 2013. Como grande parte desses registros não estava ligada a um processo ou mesmo não apresentava qualquer documentação, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) pediu a Controladoria Geral da União (CGU) que realizasse uma auditoria para verificar a existência de fraudes.

Após a auditoria, a CGU orientou o Ministério a publicar uma Portaria suspendendo o registro de 24.673 pessoas no Maranhão e de 9.761 no Pará. Se fraudes forem comprovadas, os registros serão cancelados definitivamente. “Essa é uma oportunidade ímpar para aqueles que vivem da pesca possam garantir os seus benefícios, como o Seguro-Defeso”, disse Helder Barbalho.

Documentação
O recadastramento será presencial e solicitado por meio de formulário de requerimento de licença de pescador profissional, mediante a apresentação de originais e cópias dos seguintes documentos: de identificação oficial com foto; comprovante de inscrição no Cadastro de Pessoa Física (CPF); comprovante de residência ou declaração equivalente; 1 foto 3x4 cm recente e comprovante de inscrição no Programa de Integração Social (PIS) ou Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) ou Número de Inscrição do Trabalhador (NIT) ou Número de Identificação Social (NIS).

Se além desses documentos também for apresentado protocolo de pedido da carteira do RGP, será feita uma análise para verificar a possibilidade de que o registro mantenha validade com data retroativa. Se não houver o protocolo, e o pedido for aprovado, o registro valerá com a data atual.

Registro ilegal é crime

Portar ilegalmente o Registro Geral da Pesca é crime. Por causa dessa prática ilegal, muitos pescadores ficam sem receber os recursos a que têm direito, como o dinheiro pago pelo Seguro-Defeso, e acabam enfrentado dificuldades para sustentar suas famílias durante os meses do defeso. Por isso, quem insistir em usar o registro mesmo sem comprovar que é pescador, terá que devolver os valores de Seguro-Defeso recebidos indevidamente e responderá processo por falsidade ideológica, como manda a lei.

Confira lista dos convocados para recadastramento:

Lista Inscricoes Pará

Lista Inscrições Maranhão

Portaria nº39 SEMOC publicado em 27-07-2015

Portari nº40 SEMOC publicado em 27-07-2015

Fonte: Portal Brasil
Imagem: Tutóia-MA, 2014 (por Maurício Düppré)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Primeira fábrica brasileira de caranguejo em conserva começa a operar no Pará

A carne de caranguejo, animal típico das regiões Norte e Nordeste, agora também vai ser comercializada em conserva. A novidade é fruto do trabalho de uma empresa do Pará, que recebe hoje a certificação da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e de Pesca (Sedap) e da Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adepará) para iniciar as atividades. 
 

A Círio, cuja sede é em Icoaraci, será a primeira indústria brasileira de carne de caranguejo em lata, bem semelhante ao atum e sardinha enlatados. O produto será comercializado pronto para ser consumido, podendo ainda servir de preparo para outros pratos típicos do Pará, como a sopa de caranguejo e a casquinha.

A produção será feita a partir de carne de caranguejo adquirida de estabelecimentos que comercializam o produto, também certificados pela Adepará. Após ser temperada, passará por um breve cozimento e será enlatada. Posteriormente, as latas, já lacradas, passarão por uma caldeira a vapor para autoclavar (esterelizar) e ficam em quarentena antes de serem expostas à venda.

Processamento – O Ministério Público do Pará havia proibido a comercialização da carne tirada do caranguejo, por falta de condições de higiene durante o manuseio para a extração. Somente com a fiscalização dos órgãos competentes e a estruturação das empresas, a carne de caranguejo voltou a ser comercializada. Inicialmente, duas empresas do município de Bragança, no nordeste paraense, tiveram autorização para a produção da carne congelada. Agora, a Círio é oficialmente a terceira registrada para a comercialização da carne, dessa vez em forma de conserva.

Por enquanto, como faz parte da Lei de Produtos Artesanais (7.565/ 2011), toda a produção da Círio está restrita ao mercado estadual, não podendo ser exportada. "Esse pioneirismo pode e deve chamar a atenção dos empresários interessados nesse meio e que buscam a regularização.

"É mais uma passo importante para a consolidação da lei de produtos artesanais, além de ser um produto nosso, que é o caranguejo, hábito alimentar de diversos municípios e consumido de diferentes formas. É um produto que agrega valor a nossa produção, de caráter inovador e uma alternativa segura para ser consumida. Ao lado do atum e da sardinha, vamos ter o caranguejo enlatado”, disse o secretário Hildergardo Nunes. (Texto: Camila Moreira e Tylon Maués)
 
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Remoção forçada de ribeirinhos por Belo Monte provoca tragédia social em Altamira


No próximo dia 13 de junho não vai haver a tradicional festa de Santo Antônio, na Comunidade Santo Antônio, que existia desde a década de 70, entre a rodovia Transamazônica e o rio Xingu, em Altamira, no oeste do Pará. Não há mais a comunidade, uma das primeiras a ser dissolvida porque ficava no caminho da usina de Belo Monte. As 252 casas foram demolidas e os moradores, agricultores e pescadores que levavam o modo de vida tradicional das comunidades rurais da Amazônia, transferidos para cidades da região, longe do rio Xingu. Onde ficava o campo de futebol da comunidade, há hoje um estacionamento para os funcionários da Norte Energia e do Consórcio Construtor de Belo Monte.

“A destruição do modo de vida ribeirinho e a transformação compulsória de populações tradicionais que sempre tiraram o sustento do rio e da terra em moradores desempregados e subempregados da periferia de Altamira é prova definitiva de que as regras do licenciamento da usina, maior obra civil promovida pelo governo federal, não estão sendo cumpridas”, afirma a procuradora da República Thais Santi. Após receber dezenas de denúncias de ribeirinhos no escritório do Ministério Público Federal (MPF) em Altamira, a procuradora decidiu convocar várias instituições para fazerem uma inspeção nas áreas atingidas pela usina e verem pessoalmente a tragédia social provocada na região. A inspeção ocorreu nos dias 1 e 2 de junho e constatou a dissolução de famílias, a destruição de comunidades tradicionais e a impossibilidade de que os atingidos possam reconstruir suas vidas após a remoção.

“Não foram só as máquinas chegarem e derrubarem as casas, foi a destruição dos nossos sonhos, dos vínculos de amizade. Para a Norte Energia não existe direito. Eu olho para um lado e não vejo mais meu filho, olho para o outro e não está mais o meu compadre, olho para frente e não tem mais o agente de saúde, nem o vizinho que rezava”, disse o pescador Hélio Alves da Silva, um dos moradores de Santo Antônio, a comunidade dissolvida há 3 anos. Todos os moradores perderam seu sustento e não tem mais como pescar nem plantar. Hélio mora em Altamira, em um bairro muito distante do centro e vive de bicos, como pedreiro, nas cidades vizinhas.

“Se eu não tivesse aprendido a ser pedreiro, estava passando fome. Não tem ninguém para quem a vida tenha melhorado. Todos nós estamos impedidos de pescar”. A afirmação de Hélio foi repetida por todos os ribeirinhos visitados pela equipe de inspeção, que foi coordenada pelo MPF e incluiu representantes do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), Funai (Fundação Nacional do Índio), CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), DPU (Defensoria Pública da União) e DPE (Defensoria Pública do Estado), além de vários pesquisadores, entre eles Mauro Almeida, da Unicamp, Manoela Carneiro da Cunha, da USP e Sônia Magalhães, da UFPA. O Procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Aurélio Rios, veio de Brasília e também acompanhou a inspeção.

Inspeção – Durante dois dias, os grupos de inspeção visitaram 15 ilhas e beiradões do Xingu tomando o depoimento de pescadores e ribeirinhos. Também foram até os locais para onde essas pessoas estão sendo removidas e para áreas onde a empresa diz haver projetos de reassentamento coletivo, mas até agora nada foi construído. A conclusão da inspeção é taxativa: os direitos constitucionais das populações tradicionais do Xingu estão sendo frontalmente violados pela empresa e é necessário readequar as remoções para que cumpram o licenciamento e o Projeto Básico Ambiental de Belo Monte, assegurando os direitos dos ribeirinhos.

A violação já foi reconhecida oficialmente pelo Ibama em nota técnica enviada à Norte Energia. “A condição do atingido não deve ser observada do ponto de vista unicamente territorial e patrimonialista, e sim reconhecer uma situação onde prevalece a identificação e o reconhecimento de direitos e de seus detentores, evoluindo significativamente na amplitude com que procura assegurar a recomposição, e mesmo melhoria, das condições de vida das populações afetadas”, diz a nota.

Dona Maria Luiza Moreira é chamada pelos vizinhos de Cláudia e mora desde criança na Ilha Moriá, alguns quilômetros rio acima de Altamira. Sempre foi agricultora e pescadora. A ilha será alagada pelo reservatório de Belo Monte e a Norte Energia foi até o local avisar que ela teria que sair de lá e teria a casa demolida. Analfabeta e sem nenhuma assistência jurídica, assinou um documento em que constavam três opções de remoção: a indenização de benfeitorias, o reassentamento rural coletivo e o reassentamento rural individual. Mas a ela só foi dada uma opção, a indenização por benfeitorias. De acordo com a empresa, a ilha onde Cláudia sempre viveu e pescou não era local de moradia nem trabalho, era apenas de lazer. Pela roça, pela casa e pela terra, recebeu R$ 9 mil. Ao Xingu, não tem mais acesso.

Ela foi obrigada a trabalhar como faxineira e lavadeira em Altamira, mas não se conforma. Durante a inspeção, mostrou seu lugar e disse “que seria bom se me dessem uma terra para eu levar a vida que eu sempre levei, porque eu nasci e fui criada assim, onde tem muita água”. “Lá pra rua (é assim que os ribeirinhos se referem à cidade) eu já não gosto”. Na casa onde a Norte Energia a colocou, no reassentamento urbano Jatobá, há problemas de abastecimento de água. Ela relatou passar até uma semana sem água. A inspeção visitou dona Cláudia no dia 2 de junho. Hoje (3) a casa dela foi demolida pela Norte Energia.

O pescador José Arnaldo da Costa Pereira recebeu R$ 24 mil por tudo que conquistou em uma vida de trabalho. Mas não é a quantia irrisória que o incomoda. “Tiram a gente do sossego da gente, onde a gente tem nossos pés de macaxeira, nossas galinhas, onde nasceu e criou os filhos para mandar a gente pra cidade e ficar naquela zoada, com ladrão para todo lado. Eu sou pescador e não tenho de onde tirar meu sustento a não ser no rio”, disse à equipe de inspeção.

No beiradão chamado Bom Jardim, Maria Carmina Souza da Silva e Antonio Carlos Souza da Silva vivem há 38 anos em um sítio com galinhas, pés de cupuaçu, cacau, acerola, laranja, limão. Na roça plantam arroz, feijão, milho, mandioca. No rio pescam piau, matrinchã, curimatã, pescada e pacu. Segundo a Norte Energia, o sítio vai ser alagado e eles terão que se mudar para a beira de uma estrada. Como não foram considerados pela empresa merecedores de uma casa, receberam uma indenização que teve que ser dividida entre os irmãos e a parcela deles não é suficiente para comprar um terreno.

Moradia – Além da retirada da casa e do sustento dos pescadores e ribeirinhos, existem situações não reconhecidas de dupla moradia, de moradores dos rios da região que sempre mantiveram casa em Altamira para resolver questões na cidade. São extrativistas de vários locais que foram obrigados a optar entre uma casa ou outra, apesar de ambas serem de propriedade deles. “Quando você diz para um pescador que ele tem que escolher entre ser rural e ser urbano, você está dizendo qual parte dele ele vai abrir mão, o que implica em deixar de ser pescador”, diz a procuradora Thais Santi. A casa na cidade faz parte das posses das famílias ribeirinhas e é necessária para acessar equipamentos públicos, para que os filhos estudem, para a venda dos produtos da terra e do rio.

“O conceito de moradia aplicado pela Norte Energia está desassociado da realidade da região. A realidade da região não foi estudada, não está sendo respeitada e com isso está se tolhendo as pessoas de continuarem sendo pescadores. Como pode, a um pescador que nasceu e cresceu no rio e quer continuar sendo pescador, vocês darem a opção de morar na Transamazônica? Não existe nenhuma oferta próxima ao rio”, questionou Santi.

“A situação que vimos, de pessoas humilhadas, violadas, afrontadas pelo empreendedor torna Belo Monte um dos piores exemplos de licenciamento de hidrelétricas no país. As violações que constatamos são até mais graves do que em usinas feitas durante a ditadura militar. Não se pode destruir o modo de vida de populações tradicionais, eliminar tradições, conhecimento tradicional e o sustento dessas pessoas ”, disse o procurador Felício Pontes Jr, que também participou da inspeção.

O resultado foi apresentado no dia 3 de junho à Norte Energia em reunião com o superintendente de assuntos fundiários da empresa, Arlindo Miranda. “Nossa orientação é debater sempre, desde que não interfira na autonomia da empresa. Existem os interesses dos acionistas, então não temos autonomia para compor determinados compromissos”, disse. Um relatório consolidado da inspeção deve ser enviado aos órgãos do governo responsáveis pela usina até a semana que vem. Enquanto a situação não é corrigida, o MPF vai recomendar a suspensão das remoções de ribeirinhos.

 Fonte: CIMI

sábado, 27 de setembro de 2014

Pará: Tecnologia social transforma pesca do camarão em atividade sustentável


Com a adoção de técnicas simples e consciência ambiental, pescadores de camarão da Ilha das Cinzas, município de Gurupá (PA), a 349 quilômetros de Belém, melhoraram a qualidade da pesca na região por meio do uso do Matapi Ecológico, um instrumento para pesca adaptada que permite que apenas os camarões grandes sejam capturados. Desta forma, os camarões menores – ainda não aptos para o consumo – conseguem sair, o que permite preservar a espécie. O projeto Manejo Comunitário de Camarão de Água Doce, criado pela Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC) foi o vencedor do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social em 2005, na categoria Região Norte.



A tecnologia social potencializou os saberes locais e valorizou o trabalho das mulheres na produção dos matapis, confeccionados com tala do jupati – palmeira da família das Arecáceas – e complementado com nylon. Além disso, com a adoção da técnica, a qualidade do pescado melhorou e fez o valor de venda aumentar de R$ 0,80 o quilo, em 1997, quando ainda não era utilizada, para R$ 10 nos dias atuais.

Após a premiação da Fundação BB, a tecnologia ganhou ainda mais força para investir na preservação dos estoques naturais e, com isso, foi possível expandir para outras cinco comunidades do Marajó – Cojuba, Arapapá, Sarapoí, Aruãs e Icatu. Hoje o projeto conta com 200 viveiros, atende 400 famílias e não se limita mais ao camarão: trabalha também com o manejo integrado dos recursos ambientais da região, como açaí e pescado, além de ações relacionadas à promoção de saúde e educação.

Josineide Malheiros, que trabalha no projeto desde a criação, conta que a premiação tornou possível realizar diversas atividades, entre elas, o encontro regional de mulheres; o estudo de mercado do camarão; o manejo da plantação de açaí e a aquisição de equipamentos de manejo florestal e de pesca; assim como a compra de insumos para os pescadores. Por meio de outra parceria com a Fundação BB, o projeto foi contemplado também com uma estação digital, com 20 computadores que atendem a toda a comunidade.

Fonte: Fundação BB

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pará produziu 728 mil toneladas de pescado em 2013 segundo estudo


Os dados estatísticos que mostram que o Pará é o maior produtor de pescado do Brasil, o que inclui pesca industrial, artesanal e piscicultura, foram entregues nesta quarta-feira, 8, pelo secretário estadual de Pesca e Aquicultura e pela Superintendente Federal da Pesca no Pará ao ministro da Pesca e Aquicultura em Brasília.


O estudo foi feito pela Secretaria de Pesca e Aquicultura do Pará (Sepaq) em parceria com a Superintendência Federal da Pesca no Pará. No ano de 2013 o Pará totalizou a produção de 728.393,80 toneladas de pescado, sendo 670.961 da pesca artesanal (92,1%); 41.250 da pesca industrial (5,7%) e 16.182 da piscicultura (2,2%). O Estado ultrapassou Santa Catarina, que até 2012 estava no primeiro lugar do ranking da produção de pescado no país.

A Sepaq e a Superintendência da Pesca também vão trabalhar juntas no Programa de Monitoramento e Estatística Pesqueira e Aquícola, que vai abranger os principais pólos de produção do Estado em 2014. “Temos certeza que nossa produção é ainda maior. Para isso precisamos melhorar o levantamento de dados estatísticos no setor”, explica o secretário Estadual de Pesca e Aquicultura, André Pontes.

Dados do Relatório de Produção Pesqueira Anual do Pará apontam que existem hoje 275.000 pescadores cadastrados no Estado. Na pesca artesanal e industrial existem mais de 80 espécies de peixes que são capturadas no Estado. Já na piscicultura são 21 espécies que são produzidas em cativeiro no Pará.

Na pesca artesanal os maiores produtores são os municípios de Belém, Tucuruí, Abaetetuba, Curuçá, Monte Alegre, Oriximiná. Na piscicultura os municípios que mais produziram em 2013 foram Benevides e Brejo Grande do Araguaia.


sábado, 27 de abril de 2013

Pará - Investigação de fraudes no defeso


Representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vieram a Belém nesta quinta-feira (25) acompanhar as investigações das operações "Tétis" e "Proteu", iniciadas há mais de um ano para investigar fraudes no seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais no período em que há proibição da pesca.

De acordo com o coordenador geral do seguro-defeso no Brasil, Márcio Borges, o Pará concentra 44% dos benefícios concedidos em todo o país e grande parte é fraudulento. A Polícia Federal já apurava mais de 300 indícios da fraude.

“Nós observamos alguns municípios com volume maior de requerimentos do benefício do que de pessoas. É o caso de Salvaterra, que 170 % da população economicamente ativa estava requerendo benefício. Isso é um forte indicativo que existem pessoas sendo agenciadas, vindo de outros locais pedindo o benefício de forma indevida”, disse o coordenador geral do seguro-defeso.

O MTE vai pedir mais segurança no sistema de cadastro do benefício. “Já existe a possibilidade de um comando da própria Casa Civil, da Presidência da República de que seja feito um grupo interministerial, do Ministério da Pesca e do Trabalho, e outros órgãos de controle, para aprimorar cada vez mais esse sistema e evitar as possíveis fraudes”, disse Rafael Oliveira, representante do MTE.

Estima-se que o prejuízo à união seja de mais de R$ 18 milhões.

A Polícia Federal prendeu 38 suspeitos de terem fraudado concessões de seguro desemprego para pescadores artesanais no Pará e Amapá. Segundo a polícia, o golpe resultou em um prejuízo para os cofres da União de R$ 18 milhões desde o ano de 2010. As prisões aconteceram durante as operações "Tétis" e "Proteu", realizadas nesta quinta-feira (25) com o apoio da Polícia Civil e do Ministério do Trabalho e Emprego em vários municípios do arquipélago do Marajó, em Belém e no nordeste do Pará, além do Oiapoque e Laranjal do Jari, no Amapá.

Dentre os 38 presos estão 13 servidores públicos da Caixa Econômica Federal, Ministério do Trabalho e Emprego e SINE (Sistema Nacional de Emprego), além de presidentes de colônias de pescadores e vigilantes de agências bancárias. Além das prisões, também foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, bloqueios de 44 contas bancárias e cancelamentos de 19 Registros Gerais de Pesca.

De acordo com a Polícia Federal, os criminosos atuavam providenciando a documentação necessária para que moradores dos muncipios conseguissem a documentação necessária para o seguro, o que caracteriza os crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato qualificado.

Fonte: G1

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Justiça obriga pescadores a desmontarem acampamento em Belo Monte


Com o apoio de entidades contrárias à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, cerca de 70 pescadores montaram acampamento desde a última segunda-feira (17) em uma ilha próxima ao Sítio Pimental, uma das frentes de obra do empreendimento. Na quarta-feira (19), o grupo interrompeu a circulação em um trecho do Rio Xingu, o que levou a área jurídica do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) a acionar a Justiça, por meio de pedido de tutela antecipada. O pedido foi deferido pela 1ª Vara Cível de Altamira e um oficial de Justiça, acompanhado pela Força Nacional, foi ao local para determinar a saída dos pescadores.

Representante da Colônia de Pescadores Z-57, Jackson Luiz Nogueira Diniz disse à Agência Brasil que o ato é pacífico, mas que, após a chegada do oficial, os pescadores começaram a deixar o local. “Ele [oficial de Justiça] chegou com a Força Nacional, e já foi ordenando a nossa saída e dizendo que, se continuarmos com o acampamento, teremos de pagar uma multa de R$ 5 mil por dia. Como não temos condições de pagar [esse valor], vamos atender o que determinou a Justiça”, disse.

A decisão da Justiça foi tomada após os pescadores bloquearem o rio com suas canoas, impedindo a passagem da balsa da Norte Energia. O CCBM garante que a ocupação não chegou a prejudicar o andamento das obras, mas dificultou o despejo de rochas na ponta da ensecadeira (barramento de parte do rio, feito para facilitar construções em áreas não alagadas) em Pimental.

Entre as reivindicações apresentadas à empresa, os pescadores pedem a mudança da colônia para uma área próxima ao lago que será construído, com a barragem; estímulo a mercados para a venda de pescados, além de indenizações e compensações. “A pesca na região já diminuiu, com o início da obra”, disse Diniz.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ibama apreende toneladas de barbatanas de tubarão ilegais no PA



Belém (04/05/2012) - O Ibama apreendeu 7,7 toneladas de barbatanas de tubarão – a maior apreensão do produto já realizada no país – numa empresa de beneficiamento e exportação de pescado, nesta sexta-feira (04/05), no Distrito Industrial de Tapanã, em Belém, no Pará.

A exportadora, que enviaria as barbatanas para a China, foi embargada e multada em R$ 2,7 milhões por fazer funcionar atividade utilizadora de recursos ambientais em desacordo com as normas legais, beneficiar as barbatanas de tubarão sem comprovar sua origem legal e dificultar a fiscalização do órgão ambiental.

Diversas vezes autuada pelo Ibama, com passivo de mais de R$ 1 milhão em multas desde 2007, a empresa vinha operando como se comercializasse apenas bexigas natatórias desidratadas, um subproduto legal da pesca.

Ao vistoriar a empresa na manhã de hoje, porém, os fiscais encontraram em uma câmara escondida as toneladas de barbatanas ilegais."As barbatanas obtidas por meio da pesca predatória também eram negociadas para o exterior e enviadas em meio à carga legal de bexigas", explica o chefe da Divisão de Fauna e Pesca do Ibama no Pará, Leandro Aranha.

Como a exportadora não possuía os mapas de bordo dos barcos que pescaram os tubarões, cujas barbatanas estocava, e documentos que comprovassem a venda das carcaças dos animais, o Ibama acredita que houve a prática do finning nas capturas. “Essa prática, além de cruel, está levando algumas espécies de tubarão, como o galha-branca, à extinção", afirma Aranha.

Proibida por uma portaria do Ibama, o finning ocorre quando o pescador corta apenas as barbatanas e descarta a carcaça do tubarão no mar. Muitas vezes o animal resiste à amputação e é jogado ainda vivo na água, mas não sobrevive. Pescadores praticam o finning por motivos econômicos, já que transportar um barco cheio de barbatanas, produto muito valorizado no mercado internacional, é mais lucrativo que ocupá-lo com o tubarão inteiro.

Fonte: Ibama

quinta-feira, 8 de março de 2012

O trabalho invisível das mulheres pescadoras


por Walter Pinto

A pesca no estado do Pará está derrubando um antigo mito: o de ser uma atividade exclusivamente masculina. Segundo dados da Federação dos Pescadores - Fepa, as mulheres representam, hoje, cerca de 10% do total de 120 mil pescadores artesanais em atividade no Estado.

Trabalhando, principalmente, na captura de mariscos, no beneficiamento de produtos e na confecção e reparo de apetrechos de pesca, as mulheres, aos poucos, estão se impondo num setor que guarda uma cultura de preconceitos em relação a elas. Vencer as barreiras não tem sido tarefa fácil, principalmente porque somente agora, elas próprias estão se reconhecendo como pescadoras.

Essa é também a história das mulheres pescadoras da Baía do Sol, localidade na costa oriental da Ilha de Mosqueiro, balneário distante 82 km de Belém do Pará por via rodoviária. Há quase uma década, a socióloga Josinete Pereira Lima acompanha a evolução da luta daquelas mulheres em defesa de seus direitos. Em 1995, com uma bolsa de iniciação científica, ela travou o primeiro contato com a comunidade, ainda na época da graduação. Em fevereiro de 2004, o resultado de suas pesquisas virou tese de mestrado. Neste meio tempo, as coisas estão mudando na Baía do Sol.

Com o título "Pescadoras e donas de casa: a invisibilidade do trabalho das mulheres numa comunidade pesqueira - o caso da Baía do Sol", a tese de Josinete, defendida em fevereiro passado, revelou um cotidiano feminino dividido entre os afazeres do lar, o trabalho na roça e as atividades da pesca. Também registrou o processo de conscientização daquelas mulheres sobre a pesca enquanto profissão, resultando na organização da Associação das Mulheres Pescadoras e na filiação delas à Colônia de Pescadores Z-9.

Desenvolvendo uma das profissões mais antigas do mundo, o trabalhador da pesca, no Brasil, somente passou a ter direitos a benefícios previdenciários com a promulgação da Constituição de 1988. Em regime de assegurado especial, o pescador tem direito à aposentadoria, seguro por acidente, pensão por morte, auxílio-doença e auxílio-reclusão. Para pleitear esses benefícios, precisa estar filiado a uma colônia de pescadores, que cumpre papel semelhante ao de sindicato.

Quando iniciou seu estudo, Josinete percebeu que dentro das políticas públicas oficiais não havia espaço para a mulher pescadora, reforçando a idéia da pesca como atividade eminentemente masculina. Na Baía do Sol, havia não mais que cinco pescadoras filiadas à colônia Z-9, em 1995.

Após essa constatação, a pesquisadora quase chegou a desistir do tema. No entanto, observando que os pescadores da localidade possuíam esposas e filhos, decidiu redirecionar o objeto de seus estudos para suas famílias. Procedeu, então, consulta aos formulários de um levantamento realizado pela professora Luzia Miranda Álvares, sobre as famílias daquela comunidade. Após a identificação das mulheres, a pesquisadora partiu para o trabalho de campo.

Josinete observou que, no relatar de seu dia-a-dia, nenhuma mulher de pescador se assumia como pescadora. Contaram que acordavam às 5 horas da manhã, preparavam o café, arrumavam os filhos para a escola, limpavam a casa, providenciavam o almoço e, dependendo da maré, saíam à pesca, que consistia em colocar matapi na enchente do igarapé, retornando, na vazante, para recolher o resultado, que ia para mesa da família. É o que se chama despescar. Outra atividade que as mulheres da Baía do Sol realizam costumeiramente é a tapagem do igarapé para a pesca do camarão. Estendem uma rede transversal no igarapé, segura pelas extremidades, e procedem à varredura. "Na verdade, elas desenvolviam um trabalho de pesca, mas não se consideravam pescadoras porque faziam aquilo como uma extensão dos afazeres domésticos, como uma atividade da casa", explica a pesquisadora.

O desenvolvimento dos estudos aproximou Josinete dessas mulheres. Seu trabalho contribuiu para lhes abrir o horizonte, principalmente quanto à necessidade de organização em busca dos direitos concedidos aos homens. O primeiro passo foi o despertar das consciências para a atividade que exerciam. "Nosso papel foi dar palestras, realizar seminários, falar dos direitos previdenciários, lhes explicar o sentido do 8 de março, Dia Internacional da Mulher", conta.

Em 1997, 13 mulheres, esposas de pescadores e igualmente envolvidas coma atividade pesqueira, criaram a Associação de Mulheres Pescadoras da Baía do Sol, atualmente com cerca de 130 associadas. Não por caso, a fundação ocorreu no dia 8 de março. "A partir daí, elas começaram a se inserir na Colônia de Pescadores. Sempre colocamos que a associação era importante para a organização delas, mas que deveriam estar filiadas à colônia, porque é esta que lhes fornece os documentos exigidos para obtenção dos direitos previdenciários", relata a pesquisadora.

A relação das mulheres pescadoras com o posto de benefício do Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS é marcada pelo desencontro de informação e preconceitos. No preenchimento da ficha de solicitação de benefício, as mulheres costumam responder naturalmente que são domésticas e acabavam sendo excluídas.

Diante da quantidade desse tipo de casos, um ex-presidente da colônia foi ao gerente do posto do INSS, em Mosqueiro, e reclamou: "o seu pessoal não conhece a realidade do meu povo, não sabe o que é a pesca. Quando a pescadora chega aqui e vocês perguntam qual a ocupação dela, ela não está mentindo quando diz que é dona de casa. Mas ela é muito mais que isso. É dona de casa, é pescadora e é agricultora. Dependendo do horário, ela faz alguma coisa".

Essa multiplicidade de atividades, por outro lado, concorre para mais um tipo de entrave burocrático, a dupla filiação à colônia e ao sindicato rural. Nos pedidos de aposentadoria, o INSS cruza os dados e descobre a duplicidade, que impede a concessão imediata do benefício.


Há também questões ligadas ao preconceito do qual é vítima a operária da pesca. Uma dessas questões é o estereótipo da pescadora. A idéia que se faz da pescadora é da mulher simples e sem vaidade. Mas quando vão à cidade, elas gostam de se arrumar, fazer as unhas, passar batom, enfim, são mulheres e vaidosas também. Em Abaetetuba, uma pescadora contou à pesquisadora que ao chegar ao INSS, a funcionária olhou-a espantada, chegando a duvidar que fosse mesmo pescadora. "Como se, por ser pescadora, eu tivesse que andar suja, rasgada, com a roupa da pescaria", contou-lhe.

Crenças se originam no mito da masculinidade da pesca

É na infância que ocorre o primeiro contato de homens e mulheres com as atividades pesqueiras. Em geral, é o pai que ensina o filho a tecer uma rede. Ou quem lhe dá uma linha de pesca para se distrair enquanto concerta a embarcação na beira da praia. Não se trata de exploração do trabalho infantil, como, à primeira vista, possa parecer. Nesta fase, a pesca não passa de um passatempo.

As crianças vão à escola, mas poucas levam os estudos até o final. O nível de abandono é alto. "A escola está muito distanciada da realidade dos estudantes. Na juventude, muitos abandonam a sala de aula porque não conseguem ver relação das matérias com o mundo em que vivem", afirma Josinete Pereira.

Os rapazes, em geral, seguem a profissão dos pais, tornam-se pescadores. As mulheres se ocupam das tarefas do lar, incorporando atividades da roça e da pesca. Ser mulher numa comunidade pesqueira é enfrentar alguns preconceitos que estão arraigados na cultura do povo. Não pode, por exemplo, tocar numa rede de pesca que pode trazer azar ao pescador.

Quando estão menstruadas, elas são tidas como panema, pessoa infeliz na caça ou na pesca, segundo define o dicionário Aurélio. Todos os preconceitos se originam do mito de que a pesca é uma atividade masculina. "As próprias mulheres acreditam muito nessas crenças. Perguntadas porque elas não pescam quando estão menstruadas, dizem que é porque isso atrai o boto, que fica rodeando o barco, algumas vezes chegando a alagá-lo. São coisas que estão incorporadas na cultura da comunidade pesqueira em todo o Estado do Pará", afirma a mestra em sociologia.

Fonte: UFPA

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PA - São Caetano evoca a tradição dos bois no carnaval da cidade



O Boi Tinga está entre os bois de maior tradição cultural do município de São Caetano de Odivelas, nordeste do Estado. São mais de 70 anos de existência passados de pai para filho, na terceira geração da família Zeferino. Segundo Lucival Zeferino, neto de Laudelino Zeferino, que deu início à tradição, uma cabeça de boi trazida da ilha do Marajó compôs o primeiro boi. Dessa cabeça original só os chifres se mantiveram.

Ele conta que tudo começou quando um grupo de pescadores aproveitava os domingos para lavar os barcos de pesca. Desse momento de quase descontração entre eles surgiu a ideia de criar o Boi Tinga, que desfilou no período de carnaval pela segunda vez este ano, nas ruas da cidade, no último sábado, puxado pelos músicos das duas bandas centenárias da cidade: Milícia Odivelense e Rodrigues dos Santos.

Lucival acrescenta que o forte das apresentações dos bois de São Caetano se dá durante a quadra junina, mas o período do carnaval tornou-se mais uma opção de preservação da cultura local, incentivado pelo poder público municipal, contando com a animação dos turistas que chegam à cidade para curtir os três dias de folia momesca.

A concentração do bloco acontece no bairro Umarizal, e acredita-se que cerca de cinco mil pessoas participaram do arrastão do boi no último sábado, que levou para as ruas os famosos cabeções e pierrôs, contando ainda com os participantes de outro bloco, o Cantinão.

Resgate – Outra tradição, o Boi Faceiro surgiu em 1937 e brincou durante dez anos, desaparecendo quando seu idealizador, o comerciante Epaminondas, foi embora do município. Em 1998 houve o resgate do boi pelo mestre Bené, já falecido. O Faceiro integra o cenário cultural de São Caetano por meio do trabalho da Associação Mestre Bené, entidade que luta para preservar e valorizar as atividades culturais do município.

Com seus pierrôs, cabeçudos e buchudos arrasta brincantes e foliões que circularam nesta terça-feira (21) pelas ruas, encerrando a festa na orla do município, embalado por marchinhas, sambas e marchas de boi. Há sete anos o Faceiro participa do carnaval de São Caetano de Odivelas, “com o objetivo de introduzir na festa momesca os elementos da cultura popular”, disse um dos seus coordenadores, Rondi Palha, responsável pela mistura, para adicionar a cultura do boi como atrativo turístico e tornar o carnaval de São Caetano algo singular.

O Arrastão do Boi Faceiro consagra o carnaval odivelense e abre alas para a quadra junina, quando todos os bois de máscaras do município entram inteiramente em cena.

 

Diversidade

Walney diz que quando o grupo surgiu, em 2000, o funk “Vai Lacráia”, estava no auge do sucesso e que a característica do bloco é justamente essa: homens vestidos de mulher, já que a dançarina era gay. “Esse é o único bloco da cidade com essa característica”, afirma, lembrando que o bloco foi campeão do carnaval nos anos de 2007 e 2008.

Hoje o bloco de arrastão chega a mobilizar cinco mil brincantes no carnaval de São Caetano de Odivelas. E seu samba-enredo, além de citar a dançarina Lacráia, também destaca as dificuldades que os pescadores enfrentam em alto mar, como ação de piratas, tema de outra ala do bloco. Waldinaldo Miranda, o Orelha, é pescador e compositor do samba-enredo, e diz que a temática tenta destacar o dia a dia daqueles que trabalham com a pesca. Uma terceira ala composta de pescadores complementa a temática do bloco.

Último bloco do desfile oficial desta terça-feira de carnaval, o bloco Pescada Amarela é uma das novidades do carnaval de São Caetano deste ano e conseguiu arrastar cerca de três mil brincantes do bairro da Cachoeira. Esse é o seu segundo ano que o bloco desfila tendo como destaques um carro alegórico e a famosa pescada amarela, que deu origem ao grupo.

“A ideia de criar o bloco surgiu a partir de uma brincadeira quando assamos um peixe”, relata Sebastião Lagóia, um de seus organizadores. Ele acrescenta que o grupo recebe diversos apoios. Um deles vem do vice-prefeito, Fortunato Pereira, que propicia um show pirotécnico durante o desfile. Sete pessoas da família Lagóia, além de agregados se dividem nas tarefas em preparação ao desfile.

O tema do samba enredo é sempre o mesmo, a pescada amarela, mas Manoel Lúcio, o Fanzinho, puxador oficial do bloco, diz que outros componentes da comunidade integram a letra como o carangueijo, o mangueizal, o turu, o mexilhão e o camarão.

Fonte: Governo do Pará

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pesca proibida até 2012 na Bacia do Tocantins


Mil quinhentos e setenta pescadores em Marabá, sudeste do Estado, vão ter suas atividades suspensas a partir desta terça-feira, quando começa oficialmente o período de reprodução dos peixes. Em toda a bacia hidrográfica do Rio Tocantins, são aproximadamente 40 mil pescadores.

Só será permitida a pesca de subsistência, desembarcada, ou a de caráter científico, previamente autorizada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou pela Semma. A piracema vai até 28 de fevereiro de 2012.

O engenheiro ambiental Paulo Vinícius Braga Marinho, gerente executivo do Ibama em Marabá, informou que, diferente dos anos anteriores, o órgão vai fazer um trabalho intenso de fiscalização, mas também irá priorizar o trabalho de educação ambiental e de sensibilização desses pescadores.

“A gente está identificando todas as colônias de pescadores existentes, inclusive as das regiões mais distantes, como São Félix do Xingu e Santana do Araguaia, e vamos fazer palestras para eles, informando o porquê do período do defeso, a importância e todos os aspectos legais”, disse Paulo Vinícius Marinho.

Ele ressalta, entretanto, que, se o pescador insistir em pescar, o Ibama pretende encaminhar um ofício para a instituição competente para que o seguro-defeso dele seja cancelado.

A multa para quem desrespeitar o período de defeso pode variar de entre R$ 700,00 e R$ 100 mil, com acréscimo de R$ 20,00 por quilo do produto apreendido, além de sofrer as penalidades previstas na Lei de Crimes Ambientais.

Quem for flagrado poderá ainda ser detido por até três anos, dependendo do prejuízo causado ao meio ambiente, e ter todo o material de pesca apreendido, como rede e isopor, além de sua embarcação.

SEMMA

Para a fiscalização, o Ibama adquiriu este ano cinco embarcações para utilizar nessa atividade da Piracema, para abranger o maior número de pontos possíveis para o trabalho de fiscalização. Já a Semma, segundo José Scherer, secretário municipal de Meio Ambiente de Marabá, terá equipes de 15 a 20 pessoas.

Peixarias, restaurantes, lanchonetes, hotéis, bares ou similares que possuem pescado em estoque e, inclusive, iscas, devem declarar estoque de peixes in natura, resfriados ou congelados. Também devem ser declarados os estoques de peixes vivos nativos da bacia para fins ornamentais ou para uso como isca viva.

A declaração pode ser feita até o segundo dia útil após o início do período de defeso da piracema como o prazo máximo para a declaração ao órgão ambiental estadual de Meio Ambiente.

Para Paulo Sérgio Almeida, coordenador de fiscalização do Ibama, a fiscalização se concentrará nas declarações de estoques, pois alguns comerciantes apresentam declarações de maneira fictícia. “Às vezes, ele acha que ainda vai chegar o pescado e declara no Ibama ou na Semma uma quantidade X, que é muito maior do que ele tem no depósito dele e isso a fiscalização vai ficar atenta”, explica. Segundo Paulo Sérgio, quem declara de maneira fraudulenta pode perder o estoque que tem.

PIRACEMA

A palavra piracema, na língua tupi, quer dizer “saída dos peixes para a desova”. Durante a piracema, o apelo para conservação das espécies acontece porque os peixes se descuidam de suas estratégias de proteção, tornam-se presa fácil.

Fonte: Diário do Pará, Marabá

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pará é campeão de fraudes contra o seguro-defeso


Dos 15 municípios selecionados como campeões de fraudes no seguro-defeso em todo país, o Pará ocupa posição privilegiada, com dez municípios. A maioria é do Arquipélago do Marajó - considerado o berço da triste estatística.

Atendendo a determinação do Ministério da Pesca e da Aquicultura, o superintendente de Pesca e Aquicultura no Pará, Carlos Alberto da Silva Leão, que assumiu o cargo em julho deste ano, começou uma varredura nos 15 municípios paraenses que estão entre aqueles que apresentam maiores possibilidades de fraudes. A ação conta com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União.

A varredura foi instituída desde quinta-feira (13), nos municípios que possuem um percentual de registro de pescadores acima de 10% do total de habitantes. Um Grupo de Apoio para o Desenvolvimento da Pesca e Aquicultura foi formado. Com representantes do poder público e da sociedade civil - com prioridade para órgãos e entidades do setor pesqueiro -, ele tem a missão de tentar acabar com este triste registro para o Pará.

“Nossas equipes estão visitando os municípios da Ilha do Marajó até 23 de outubro, para realizarmos a capacitação de membros e representantes que possam contribuir com propostas gerais para o desenvolvimento da pesca e aquicultura, e, prioritariamente, auxiliar na atualização do Registro de Pescadores Artesanais”, informou o superintendente Carlos Alberto Leão.

O que vem chamando atenção das autoridades é o aumento dos pedidos pelo seguro-defeso no Pará desde 2008. Dados do Ministério da Pesca mostram que em 2007 os pescadores artesanais eram 81.905. Com o advento do seguro-defeso em 2008, foram inclusos 30.702 novos pedidos. Em 2009, o número saltou para 35.534 solicitações. Em 2010, ano das eleições estaduais, subiu para 84.506 pedidos, totalizando 232.647 pescadores artesanais no Estado.

Trabalhadores informais ainda podem estar no sistema
As denúncias contra o mau uso do seguro-defeso levou o Ministério da Pesca a cancelar 32 mil benefícios só no Estado do Pará, depois do cruzamento de informações entre o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Cadastro Nacional de Informações Sociais e a Relação Anual de Informações Sociais.

Segundo o superintendente Carlos Alberto Leão, foram descobertos profissionais como mototaxistas, taxistas, donas de casa, comerciantes e até funcionários públicos como detentores do benefício do seguro-defeso.

“O crivo tem que ser mais abrangente, porque existem pessoas do trabalho informal que certamente foram usadas e ainda estão no sistema”, diz Carlos Alberto Leão.

Nessa semana, o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério da Pesca distribuíram nota e colocaram no Portal da Transparência a relação de todos pescadores artesanais que recebem o seguro-defeso. Anunciaram também a abertura de processo administrativo para cada Estado, averiguando caso a caso e cadastrando os pedidos de restituições de todos os pescadores que realmente receberam indevidamente o benefício.

Uma nova resolução do Conselho Deliberativo do FAT estabeleceu novas exigências ao processo de habilitação, acentuando o direito ao benefício especificamente a aqueles que exercem a atividade de pesca artesanal - dele não fazendo parte os que exercem atividades relacionadas com a cadeia produtiva.

A resolução também proíbe a intervenção de agenciadores ou despachantes no processo de habilitação e exige a apresentação de documentos adicionais, comprovante de residência, e exclui pescadores de outras unidades da federação.

Já o Ministério da Pesca e Aquicultura suspendeu desde janeiro deste ano a emissão de novas carteiras de pescador. “Esta suspensão, que terminaria em dezembro de 2011, pode ser prorrogada caso haja necessidade”, informa o superintendente Carlos Alberto Leão.

Para Leão, as denúncias que têm chegado até a superintendência no Pará estão sendo apuradas com rigor, com a participação do Ministério Público Federal e agora através da Controladoria Geral da União.

Em alguns municípios, agenciadores e despachantes chegam a cobrar R$ 50 pela xerox da documentação e R$ 150 para a inclusão dos beneficiários no sistema. “O Ministério da Pesca não cobra nada por nenhum tipo de serviço. Isto é mais uma fraude que vem sendo praticada no interior”, alerta o superintendente.

CAMPEÃO DE FRAUDES

O município de Salvaterra, na Ilha do Marajó, é considerado o campeão das irregularidades no seguro-defeso. Com uma população de 18.124 habitantes, segundo o Censo de 2010, cadastrou no sistema do Ministério da Pesca cerca de 14.980 pescadores artesanais - ou seja, 82,6% de sua população.

Na segunda colocação do ranking nacional das fraudes vem o município de Santa Cruz do Arari, também do Arquipélago do Marajó. Com população de 6.280 moradores, 4.377 deles disseram que exercem a atividade de pesca artesanal, o que representa 69,69% do seu total.

São Sebastião da Boa Vista, com uma população de 21.874 habitantes, mandou para o sistema do Ministério da Pesca 8.882 moradores que se identificaram como pescadores (40,60% do total de sua população).

No Pará, dos quinze municípios ranqueados como possíveis fraudadores do seguro-defeso, nove estão no Arquipélago do Marajó. No ranking das fraudes no país, além de Salvaterra ( 1º lugar) e Santa Cruz do Arari (2º), figuram ainda destaques para São Sebastião da Boa Vista (4º), Cachoeira do Arari (5º), Baião (7º) , Mocajuba (9º) e Chaves (12º lugar). 

Fonte: Diário do Pará

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PA - Justiça determina paralisação parcial das obras de Belo Monte


A Justiça Federal do Pará concedeu nesta terça-feira liminar determinando a paralisação imediata das obras da Hidrelétrica de Belo Monte (Pará) no leito do rio Xingu.

A ação foi impetrada pela Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat).

A entidade alega que as obras inviabilizariam totalmente a atividade pesqueira na região, uma vez que o acesso ao rio Xingu estará impedido, tanto para pescadores quanto para peixes.

Em sua decisão, o juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins proíbe o consórcio Norte Energia S.A. (Nesa), responsável pela construção da usina, de fazer qualquer alteração no leito e no curso natural do rio Xingu, como "implantação de porto, explosões, implantação de barragens, escavação de canais".

O juiz diz, no entanto, que poderão ter continuidade as obras de implantação de canteiros e de residências, por não interferirem na navegação e atividade pesqueira.

Caso a liminar seja descumprida, a multa diária é de R$ 200 mil. A decisão cabe recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília.

Fonte: BBC Brasil

sábado, 20 de agosto de 2011

PA - Amazônia Real


mini-barco
Pereru é uma vila de Pescadores que pertence ao município de São Caetano de Odivelas, na costa do Pará. Homens saem todos os dias para o alto mar em barcos a vela que eles chamam de “casquinhos”. Esta é a região da Ilha do Marajó, onde os ventos são fortissímos e as marés longas, que é quando o “mar desaparece da costa”, ficando muito distante das praia e da vilas onde, na volta, eles a fazem a atracação no final do dia.
Texto e foto de Pedro Martinelli
http://www.pedromartinelli.com.br/

PA - Emater reuniu agricultores do Marajó para planejar trabalho com aquicultura


Técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) estão reunidos em Portel, no Marajó, com 80 lideranças comunitárias de agricultores familiares de mais três municípios da região, Bagre, Melgaço e Gurupá, para discutir um plano de ação para o cumprimento das metas previstas no contrato do segundo lote da chamada pública nº 122 do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O Encontro de Planejamento Participativo da Chamada Pública de Aquicultura no Marajó também tem a presença de secretários municipais de agricultura e agentes de prefeituras, iniciou nesta quinta-feira, 18, e terminiu nesta sexta, 19.

O edital, vencido pela Emater no fim do ano passado e dividido em três lotes, estabelece iniciativas de desenvolvimento da cadeia de aquicultura no arquipélago. O contrato geral ultrapassa R$ 3 milhões. Esse segundo lote tem como beneficiárias 800 famílias – 200 de cada município -, e representa um investimento governamental de R$ 950 mil. São agricultores tradicionais que vivem da pesca artesanal, do plantio de mandioca e do extrativismo de açaí.

O engenheiro de pesca da Emater, Cássio Flexa, gerente do projeto da referida chamada pública, aponta que “em geral são famílias que produzem para subsistência, comercializando apenas o excedente”. De acordo com ele, a aquicultura no Marajó é uma atividade com imenso potencial, dados inclusive os recursos naturais, mas com prática atual “ínfima”: “Os produtores até criam peixe ou capturam camarões e manejam em tanques escavados ou gaiolas, mas faltam tecnologia e crédito rural, para estruturar e impulsionar a cadeia produtiva”, completa.

A etapa do planejamento participativo foi precedida pela realização, de março a maio deste ano, de um diagnóstico socioeconômico e georreferencial dos produtores e da produção nos quatro municípios, com extensionistas visitando as propriedades e aplicando metodologias específicas de pesquisa. O documento, que está sendo sistematizado, embasará as estratégias do trabalho da Emater, que pela vigência do contrato deverá durar pelo menos por um ano – com renovação possível por mais quatro.

“A desenvoltura da Emater no Marajó demanda uma logística diferenciada, pela própria geografia, recortada por rios e isoladora das comunidades, e pela situação social e cultural das famílias, que têm renda baixa e tampouco estão inseridas numa mentalidade digamos que comercial”, teoriza o sociólogo da Emater Alcir Borges.

Fonte: Emater

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PA - MPF quer que morte de extrativistas seja julgada pela Justiça Federal


O Ministério Público Federal (MPF) no Pará recorreu da decisão que considerou competência da Justiça Estadual o julgamento dos acusados pelo assassinato do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva. O crime ocorreu em maio no município de Nova Ipixuna, localizado no sudeste paraense.

O procurador da República Tiago Modesto Rabelo disse que o motivo é apenas por uma questão jurídica, porque o assassinato está diretamente ligado à invasão e à comercialização ilegal de terras da União, e garante confiar na Justiça Estadual. “Eu não desacredito no trabalho da Justiça do estado, que também é comprometida e competente para analisar o caso. É por uma questão jurídica que eu entrei com o recurso. E, acima de tudo, por ser o momento oportuno para evitarmos mais prejuízos à ação", disse.

"Até então, em todas apreciações relativas ao caso e também nas investigações das policias Federal e Civil, era público e notório que a competência do caso era da Justiça Federal. Só na última medida, a prisão dos acusados, que o juiz recém-entrado no caso [Marcos Silva Rosa, da 2ª Vara da Subseção Judiciária de Marabá] entendeu pelo declínio e disse que a competência para o caso era estadual”, disse Rabelo à Agência Brasil. Com base nessa argumentação, o procurador da República Tiago Modesto Rabelo encaminhou um recurso à Justiça Federal em Marabá no dia 29 de julho. No dia 2, a Justiça anunciou que a decisão foi mantida. Com isso, o recurso seguiu para imediata apreciação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília.

Para evitar mais dificuldades para o curso penal do caso – já que os acusados José Rodrigues Moreira e Lindonjonson Silva Rocha estão foragidos –, Rabelo expediu o recurso em caráter emergencial. Dessa forma, acredita, é possível que o TRF-1 aprecie o caso mais rapidamente. “Legalmente não há prazos para que o recurso seja apreciado pelo tribunal, mas temos a expectativa de que, por se tratar de um caso de repercussão, ele corra de forma mais célere”, disse o procurador.

Entenda o caso
O casal foi assassinado em maio deste ano, quando atravessava uma ponte de madeira perto do assentamento. Segundo a polícia, Lindonjonson e Alberto ficaram escondidos no meio da vegetação próximos à ponte e atiraram nas vítimas.

José Cláudio e Maria do Espírito Santo moravam às margens do Rio Tocantins, e viviam do extrativismo, principalmente da castanha do Pará. O casal defendia o uso sustentável da floresta amazônica, e junto com os assentados da região combatiam os madeireiros e carvoeiros ilegais interditando o acesso a floresta, furando pneus e anotando placas de caminhões das serrarias. A retaliação começou há cerca de seis anos, quando pistoleiros passaram a ameaçar o casal.

Fonte: Revista Época

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PA - Turismo comunitário é tema de debate em Belém


O turismo de base comunitária, uma experiência inédita no Estado, foi um dos assuntos debatidos sobre o turismo no Marajó, em evento promovido pelo programa Viva Marajó, realizado ontem (14) à noite, no Sesc do Boulevard Castilhos França.

A coordenadora de um dos projetos do programa - o “Vem, viaje encontrando o Marajó” - Ana Cristina Vasconcelos, falou sobre a experiência do turismo de base comunitária, desenvolvido junto com a Associação das Mulheres da Vila do Pesqueiro, em Soure, a primeira reserva extrativista marinha da Amazônia.

O projeto proporciona a vivência dos turistas com os pescadores e moradores da região, hospedando-se na casa deles, convivendo com eles no dia a dia e participando de programações como a pesca artesanal, extração de turu no mangue, passeios de canoa nos igarapés, caminhadas pela praia e passeios de búfalo.

“O objetivo é gerar renda, emprego e qualidade de vida e fazer o resgate cultural dos moradores da região”, explicou Ana Cristina. Segundo ela, uma das atrações é a cozinha regional e o interessante é que os pratos são escolhidos pelas cozinheiras e não pelos clientes.

O projeto envolve 40 famílias do Pesqueiro. O próximo debate será realizado no dia 5 de julho e terá como tema a energia do linhão do Marajó.

O programa Viva Marajó é um conjunto de ações para fortalecer as comunidades do arquipélago do Marajó, desenvolvido em conjunto pelo Instituto Peabiru e o Fundo Vale para o Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Fonte: Diário do Pará

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