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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Pescadores de reserva dão exemplo de manejo no interior do Amazonas


Homens e mulheres da comunidade São Raimundo, no Médio Juruá, se organizam para ter pirarucu com mais de 1,60m


Cento e quatorze pirarucus é a cota de peixe dos pescadores da comunidade São Raimundo, na Reserva Extrativista do Médio Juruá, para este ano. Organizados em famílias, eles partem em longas canoas artesanais para o lago Manariã, onde, durante dois dias, as redes de mais de 300 metros de comprimento por seis de profundidade, retirarão das aguas doces o maior peixe de escamas do mundo.

“A gente se organiza em mutirão para a pescaria porque tudo tem que ser feito com muita rapidez e a máxima organização, senão o peixe pode estragar”, afirmou Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros e líder da comunidade São Raimundo, no municipio de Carauari (a 788 quilômetros de Manaus).

Após montarem acampamento na boca do lago, junto a um barranco de mais de dez metros, os pescadores iniciam os preparativos para a pescaria. Redes são revisadas para identificar buracos, facas são afiadas para retirar as visceras do pescado, a alimentação é preparada para 70 pessoas e até um pequeno gerador de energia é instalado, tudo para a pescaria.

Ao anoitecer, os pescadores saem para lançar as redes no lago. Trinta e cinco homens são divididos em equipes que têm a responsabilidade de monitorar as malhadeiras. Os pirarucus têm uma bexiga natatória modificada para funcionar como um pulmão, e quando presos nas redes, morrem afogados. Como os jacarés estão sempre à espreita, os pescadores têm que ser rápidos para retirá-los da água.

“Logo que cai na rede, temos que tirar. Como ele é muito grande e pesado, usamos a ‘paulada de misericordia’ na cabeça para trazê-lo para dentro da canoa”, disse Antonio da Lima da Silva, 51, um dos lideres da equipe de pescadores.

Habilidosos, os pescadores conseguem, em seis horas, pescar 74 pirarucus. E esse número poderia até ser maior, se Manoel Cunha não tivesse determinado a diminuição do ritmo, com o objetivo de conseguir peixes maiores do que um metro e sessenta.



“No ano passado despescamos 153 pirarucus, com uma media de tamanho maior do que um metro e sessenta e cinco, mas este ano eles estão menores, por isso, vamos despescar menos e controlar ainda mais o tamanho deles”, comentou. A decisão foi acatada por todos.

Contra o tempo

Ao retornaram ao acampamento, os peixes foram estendidos em um trapiche montado especificamente para a limpeza. Equipes são montadas para pescar e transportar os peixes. A carne do pirarucu não pode ficar muito tempo exposta e a partir do momento em que ele é retirado da água, inicia-se uma corrida contra o relógio para manter as caracteristicas da iguaria.

Com afiadas facas, homens e mulheres iniciam a retirada das vísceras. Em quatro horas todos os peixes são limpos. “A gente está feliz porque ganha a mesma quantia que os homens e de igual para igual”, disse Mariângela Lima Paixão, 29, que espera receber mais de R$ 1,5 mil com a despesca deste ano.

Segundo o pescador José Luiz Bispo de Lima, 40, quando a comitiva de pesca do São Raimundo chega em Carauari, imediatamente, já tem compradores. “A gente é especializado em oferecer o que povo gosta: os restaurantes compram o filé, mas as tripas e a ossada é o povão que gosta”.

Exemplo de manejo na floresta

Convidado pela comunidade do São Raimundo para acompanhar a pescaria, o superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, acompanhou todas as atividades do mutirão.

“A técnica deles na mobilização, preparativos, pesca, limpeza e transporte é extraordinária. São pessoas que estão revolucionando a geração de renda dentro da floresta e, ao mesmo tempo, preservando uma espécie com manejo adequado”, disse.

A chefe da reserva do Medio Juruá, Rosi Batista da Silva, 49, participou da pescaria. Representante do governo federal em uma area de mais de 253 mil hectares, ela afirmou que quer estabelecer parcerias. “Governo Federal e FAS têm muito a contribuir para a melhora da qualidade de vida dos povos da floresta”, disse Rosi.

Mercado

Praticamente todas as partes do pirarucu são comercializadas no interior do Amazonas. A procura é tanta, que os pescadores dividem o peixe em várias partes. O quilo do filé c\sai, em média, a R$ 8, mas também pode ser encontrado a R$ 9 e R$ 10. A ossada com cabeça custa R$ 4,50 o quilo; o couro com escamas vale R$ 7 o quilo e as vísceras, muito apreciadas em Juruá, sai por R$ 2,50 o quilo.

Fonte: A Crítica

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Manejo de pirarucu resulta em 800 toneladas no Amazonas


Atividade que envolve 1,2 mil pescadores artesanais em quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) gera renda e ajuda a proteger espécie.

Manaus - A produção de pirarucu nas unidades de conservação do Estado representa 74% do sistema de manejo e passou de 60 toneladas, em 2002, para 800 toneladas no ano passado. A atividade envolve 2,1 mil pescadores em quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

Os dados são do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), da SDS. O manejo é realizado em quatro reservas estaduais: RDS Mamirauá (nos municípios de Uarini, Fonte Boa, Tonantins, Maraã e Japurá), RDS Piagaçu-Purus (Anorí, Beruri e Tapauá), RDS Uacari (Carauari) e RDS Amanã (Maraã, Barcelos, Coari e Codajás).

“O manejo de pirarucu representa um dos melhores exemplos de como o Governo vem incentivando o ordenamento dos recursos pesqueiros de forma responsável, incluindo as pessoas em um processo participativo, que resulta na geração de renda de quem vive nas áreas protegidas do Estado”, ressalta a secretária de Estado de Desenvolvimento Sustentável , Nádia Ferreira.

Em 2011, o manejo de pirarucu foi realizado em 564 ambientes aquáticos (98% em lagos), onde foram contados 53.911 pirarucus com menos de1,5 metros, popularmente conhecidos como ‘budecos’, e 54.332 pirarucus adultos (maior ou igual a1,5 metros), totalizando 108.243 pirarucus entre jovens e adultos.

Desse montante, 11.009 pirarucus adultos foram capturados para comercialização, os demais permaneceram no ambiente aquático para reprodução.

Renda

De acordo com a SDS, o manejo de pirarucu nas quatro unidades de conservação estaduais beneficiou 1.072 famílias de 115 comunidades ribeirinhas. A produção total foi de 592,6 toneladas, a qual foi comercializada com preço médio de R$ 4,89, gerando um faturamento bruto de R$ 2,8 milhões o ano, especificamente no período de setembro a novembro, a ser dividido entre os pescadores.

Os beneficiários do manejo de pirarucu tiveram, cada um, renda média de R$ 1.440. Para os 1.688 pescadores da RDS Mamirauá, a renda média foi de R$ 1.690,65, pelo fato da produção ter sido 85% (9.220 pirarucus) de todo o pescado na reserva.

Os pescadores envolvidos recebem capacitação para a realização do manejo desta espécie.

“O Governo do Amazonas por meio da SDS/Ceuc, vem desenvolvendo um trabalho de apoio dentro das reservas, que inclui capacitação em manejo de recursos pesqueiros e contagem de pirarucu. Também damos apoio na logística e pessoal técnico para acompanhamento da atividade”, explica o engenheiro de pesca do Ceuc, Bosco Ferreira.

A iniciativa tem apoio do Ministério da Pesca, Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), Instituto Mamirauá, Instituto Fonte Boa, associações comunitárias das reservas, Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e prefeituras locais.

Fonte: D24AM

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