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quarta-feira, 9 de maio de 2012

SP - Seminário de Aquicultura


Seminário : Aquicultura no IOUSP: destaque nas pesquisas e mercado de trabalho 


Ano comemorativo aos 40 anos dos cursos de Pós-Graduação e 10 anos do curso de Bacharelado em Oceanografia do Instituto Oceanográfico da USP

Aquicultura no IOUSP: destaque nas pesquisas e mercado de trabalho

O seminário pretende oferecer à comunidade do IO e da USP referências sobre atividades profissionais de aquicultura, por meio de uma programação composta por profissionais renomados no cenário nacional e internacional, alguns deles oceanógrafos e/ou com passagem pelo IO.

Data: 25 de maio de 2012 (sexta feira).
Local: Anfiteatro “Profa. Dra. Ana Emília Amato Moraes Vazzoler”, Instituto Oceanográfico, São Paulo (SP)

Programação:

09h15 - Abertura dos trabalhos

09h30 - Aquicultura no Instituto Oceanográfico e na USP.
Palestrante: Prof. Dr. Daniel Eduardo Lavanholi de Lemos. Oceanógrafo, líder do Laboratório de Aquicultura do IO e coordenador da Rede de Aquicultura da USP.

10h15 - Aquicultura sustentável: princípios e oportunidades.
Palestrante: M.Sc. Alexandre Alter Wainberg. Aquicultor com mais de vinte e cinco anos de experiência. Mestre em ecologia e proprietário da Primar, primeira fazenda orgânica de aquicultura do Brasil.

11h00 - Perguntas da audiência e discussões

11h30 às 12h30 – Almoço (será servido “brunch” no saguão do anfiteatro)

13h30 - AQUATEC AQUACULTURA: 23 anos de lições na produção de pós-larvas de camarão marinho.
Palestrante: Ana Carolina Guerrelhas. Bióloga, uma das maiores autoridades internacionais em reprodução e produção de pós-larvas de camarão marinho. Proprietária da AQUATEC, maior provedor nacional de pós-larvas, e da GENEARCH, empresa de melhoramento genético de camarões marinhos. Foi estagiária e pós-graduanda do IOUSP.

14h15 - Perguntas da audiência e discussões

14h45 - Interação Universidade-Empresa: Pesquisas Aplicadas sobre a Nutrição de Camarões Marinhos.
Palestrantes: M.Sc. João Manoel Cordeiro Alves. Mestre em aquicultura, gerente de produto de aquicultura da Guabi Nutrição Animal, mais de vinte anos de experiência em aquicultura comercial. Prof. Dr. Rodrigo Antonio Ponce de Leon Ferreira de Carvalho. Mestre em aquicultura, Doutor em Oceanografia Biológica pelo IOUSP. Professor da Escola Agrícola de Jundiaí - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com passagem significativa pela indústria do camarão cultivado.

15h30 - Perguntas da audiência e discussões

16h00 - Intervalo para o café

16h15 - Extensão aquícola: o que isso tem a ver comigo?
Palestrante Prof. Dr. Antonio Ostrensky Neto. Oceanógrafo, Doutor em Zootecnia, Professor da Universidade Federal do Paraná. Consultor da FAO e do Governo Federal.

17h00 - Perguntas da audiência e discussões

17h30 – Encerramento dos trabalhos



Fonte: IOUSP

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

RN - O litoral e a luta pela sobrevivência



Banhado pelo mar desde a porção Norte até o Sul, o Rio Grande do Norte sustenta um mosaico de ecossistemas ao longo de 400 quilômetros de costa. Uma paisagem entrecortada por manguezais, restingas, dunas, praias, falésias, estuários e recifes de corais. Mas não é só a variedade de vegetação e diferenças climáticas e geológicas que chamam a atenção. Por trás de tanta beleza, o desenvolvimento se multiplica em diversas atividades econômicas, à custa de potenciais naturais sem conseguir sustentar um equilíbrio com a biodiversidade.

A balança, muitas vezes, tende a pesar mais para o lado do crescimento econômico e o resultado, explica o coordenador de gabinete do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama/RN) e oceanógrafo Luiz Eduardo Carvalho Bonilha, são impactos ambientais que precisam ser contidos para preservar os recursos finitos que restam.Dividido em três áreas - litoral sul, litoral oriental norte e litoral norte - os 28 municípios situados nessa faixa se agrupam em redor de atividades comuns. De Baía Formosa no extremo Sul até Natal, na chamada Zona da Mata, a vegetação predominante é a Mata Atlântica - ou o que restou dela: cerca de 0,3% da cobertura original, segundo dados do Ibama. O pungente desenvolvimento turístico e imobiliário, cuja a construção de grandes empreendimentos, como hotéis e resorts, há muito tomou o espaço da atividade pesqueira ignora as áreas de preservação ambiental.

 Foto: Adriano Abreu

O litoral e a luta pela sobrevivência

A ocupação imobiliária é hoje um fator marcante na intervenção na zona costeira do RN, tendo nos empreendimentos turísticos seu maior potencial. No Estado do RN, os municípios de Parnamirim, Nísia Floresta, Tibau do Sul e Extremoz são os mais procurados por estes empreendimentos.

Em Sibaúma, município de Tibau do Sul, uma obra construída sobre área de dunas foi embargada no último ano. O município passa por processo de revisão de espaços ocupados irregularmente, coordenado pelo Ibama, Idema junto com os Ministérios Públicos Federal e Estadual.

"A construção civil e o turismo estão consolidados ao longo dos últimos 15, 20 anos. E ainda é forte essa expansão imobiliária em toda costa sul. No corredor Natal-Nísia Floresta predomina as segundas residências. A devastação da vegetação nativa e de manguezais é preocupante", frisa o oceanógrafo.

Os mangues, principal fonte de renovação do ecossistema, sofrem ainda a influencia da carcinicultura. A abertura de viveiros em áreas impróprias e o derrame de efluentes tem tornado a recuperação de ambientes em Nísia Floresta, Canguaretama e mesmo no estuário do Rio Pontengi, quase irreversível.

O coordenador reconhece que a fiscalização é deficiente e que em muitos casos, é feita a partir de denúncias. "Não temos efetivo para uma atuação permanente". A implantação de três unidades de fiscalização, em parceria com o ICMBio, estão em fase de estudo para as reservas de Baía Formosa, Tibau do Sul-Georgino Avelino e parrachos de Parnamirim.

A paisagem se diversifica no litoral oriental norte, com uma caatinga "mais enriquecida", é a área de transição com a Mata Atlântica, onde cactos e algarobas se misturam a coqueirais e árvores de grande porte. Além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixam, movem-se com a ação do vento e mudam a paisagem e soterram construções.

De Extremoz a São Miguel do Gostoso é possível perceber o fenômeno da construção civil ocorrido ao sul há duas décadas - inclusive os erros - se repetir. Aos poucos, a pesca e demais atividades aquícolas vão declinando. A especulação imobiliária e o turismo cresceu, observa Bonilha, com a construção da Ponte Newton Navarro, que permitiu melhor acesso a partir de Natal para as praias do eixo Oriental Norte. "Cerca de 350 empreendimentos deram entrada com pedidos para licença ambiental no órgão estadual, de 2007 para cá. É um boom. O motor do desenvolvimento hoje está voltado para esse trecho do litoral".

Os ecossistemas e seus problemas

Litoral Norte

A costa norte, desde Pedra Grande a Tibau, onde a caatinga encontra o mar, ainda permanece a pesca artesanal. Nesse litoral árido, mais distante da capital, o turismo ainda tem espaço tímido. Em Pedra Grande, Caiçara e São Bento, o uso tradicional do mar prevalece e ao invés de estruturas arquitetônicas arrojadas, com opções de entretenimento, se vê vilas de pescadores. A área atrai parques eólicos, impulsionado pela constância dos ventos. "É preciso um estudo de locação para definir áreas e saber como podem influenciar aves migratórias".

A devastação dos mangues nessa porção afugenta ainda mais espécies em extinção. Nessas águas vivem ainda o peixe-boi marinho ameaçado de extinção. A disputa por ocupação de área entre as salinas e a carcinicultura também deixam marcas ao longo das faixas estuarinas dos Rios Piranhas-Assu e do Apodi-Mossoró. No litoral Norte, ainda segundo o inventário da Costa potiguar, lembra Bonilha, tem que
lidar com os derrames de óleo oriundos da extração e transporte inadequado de petróleo.

Sal

Montanhas de cristais brancos se erguem do mar. A ocupação de estuários para a produção salineira há
muito provoca a morte de espécies nos berçários marinhos (os manguezais) de Galinhos, Macau, Areia Branca e Grossos.

Em Macau, o rio homônimo já perdeu sua área limite. O sal se forma por toda parte na cidade. Os ribeirinhos reclamam do descarte da água graduada (onde ocorre a cristalização do sal), que devido a alta salinidade causa mortandade de espécies junto aos manguezais. Os mangues se encolheram a estreitas faixas na parte estuarina. "Três a quatro vezes por ano eles jogam a água do grau e mata tudo. Sem a larva não temos o peixe. A gente ainda pesca no mar, por que os rios tem quase nada", diz o pescador Edmar Rodrigues da Silva, 37, o 'Marzinho'. Na comunidade Gamboa do Porto São Pedro

Mas o status de grande produtor de sal do município não reflete no modo de vida dos habitantes. Boa parte
sobrevive da pesca, comércio, na indústria petroleira do pólo de Guamaré. "As salinas agora são mecanizadas", explica o aposentado Francisco Dantas Barbosa Filho, 63 anos, que trabalhou 40 anos nas
salinas. Ele conta a evolução do processo antes manual, até a dispensa em massa dos operários com a chegada das máquinas. "Houve muita demissão. Quem não conseguiu se empregar ou se aposentar virou pescador, catador de carangueijo ou saiu da cidade".

Especulação Imobiliária

De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Econômico e do Meio Ambiente (Idema) foram licenciados 169 empreendimentos de construção  civil para os municípios da região costeira em 2010. E de janeiro a  julho desse ano, outros 55 empreendimentos. Cerca de 70 pedidos aguardam aprovação do órgão.

Não existe hoje estudos e leis consolidadas sobre todo território costeiro onde é permitido ou não receber
edificações. O programa de Zoneamento Ecológico Econômico do Idema foi interrompido em 2002. Este ano, segundo informações da assessoria de imprensa, o IDEMA conseguiu colocar em seu orçamento recursos para realizar os estudos para o Zoneamento Ecológico-Econômico do Litoral Setentrional (Norte), assim como a revisão/atualização do ZEE do Litoral Oriental.Estes estudos estão a cargo da Subcoordenadoria de Gerenciamento Costeiro - SUGERCO que está ultimando as providências para deflagrar o processo.

O órgão atua ainda no Zoneamento Econômico e Ecológico específico da Área de Proteção Ambiental de
Jenipabu, das Áreas de Proteção Ambiental da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão, da Recife de Corais. Há ainda a contratação da ZEE de Bonfim/Guaraíras.

Pesca predatória

A pesca predatória e ilegal é uma preocupação de norte a sul do estado. Mas em alguns pontos a prática já comprometeu a atividade aquícola. Os estoques de lagosta, em Cajueiro, no município de Touros, distante 78 quilômetros de Natal foram reduzidas drasticamente. "Na costa potiguar, há a abominável cultura de pesca da lagosta por uso de compressores", lembra o coordenador do gabinete do Ibama Luiz Bonilha. As ações de coerção ocorrem de forma pontual, quando há denúncias. A região já teve destaque na produção de lagosta do Rio Grande do Norte.

Mesmo na época do defeso, explica o presidente da Colônia de Pescadores Z36 Silas Baracho, a retirada da lagosta é feita livremente sem que ocorra fiscalização ou mesmo incentivos para a regularização da prática. A colônia reúne cerca de 900 pescadores. "A solução seria extinguir por 5 anos a pesca da lagosta e nesse período, a cada seis meses por ano, os pescadores terem acesso a um seguro pago pelo governo federal", avalia Baracho. A proposta foi encaminhada sem êxito, ao Ministério da Pesca, no último ano.

Sem uma fiscalização eficiente e política pública para sustento do trabalhador e financiamento de equipamentos legais, como cilindros de oxigênio e manzuá (gaiola usada na pesca), acrescenta o pescador, não há como frear a ação ilegal.

Além de ilegal, o uso de compressores é perigoso. No vilarejo é fácil encontrar vítimas do equipamento proibido por lei. Há três anos, Lindemberg Tavares dos Santos, 30 anos, está preso a uma cadeira de rodas. O mergulho por tempo excessivo, a uma profundidade de 40 a 50 metros, e a volta rápida a superfície fizeram com que o ar se alojasse na medula espinhal causando paralisia. O ex-mergulhador admite que todos são cientes do risco. Mas não há outro meio de vida na comunidade e nem condições de comprar a
gaiola, cilindros, como manda a lei. "O pescador fica entre a cruz e a espada para dar comida a família. Eu tenho quatro filhos. Vai fazer o  que? Mergulha, se arrisca", desabafa. O único amparo trabalhista, segundo ele, só chega após acidentes. Aposentado por invalidez.

Paraíso sem planos

Chamar paradisíaco parece redundante se estivermos adjetivando a reserva de desenvolvimento
Sustentável Ponta do Tubarão, em Diogo Lopes. A reserva criada pela Lei nº 8.342 de 18 de julho de 2003 abriga uma área de mangue, restinga,  rio, mas e dunas se mantém preservados da especulação imobiliária e da correria dos grandes centros turísticos.

A RSD Ponta do Tubarão, está em uma área de 12.960 hectares, entre os municípios de Macau e Guamaré nas quais se localizam as comunidades de Barreiras, Diogo Lopes, Sertãozinho e Mangue Seco. Apesar de ter como objetivo, além de preservar a natureza, assegurar as condições e os meios necessários para a melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais. Pouco foi feito nesse sentido.

Nestes oito anos, não houve a implantação de políticas públicas e a única intervenção visível é a construção da sede do Idema, regido por conselho gestor, mas que permanece sem técnicos para atuar no zoneamento e fiscalização. A atuação já conseguiu inibir o corte quixabeiras e algarobas usadas para a queima em fornos, gado e varas de embarcação. A criação de camarão e produção salineira também são vetadas na região.

Ramos conta que outra decisão do conselho gestor, formado por 12 entidades públicas e da sociedade civil
organizada, é a de não aceitar a implantação de parques eólicos na área pertencente a Macau. Na faixa de Guamaré existem cinco, o Miassaba 1, 2 e 3 e o Alegria 1 e 2.

O pescador Adeildo Alves dos Santos, 45 anos, foi um dos moradores que "brigou" pela transformação em reserva e defende a permanência, mas reconhece que não houve melhoria para o pescador. "Como a lei de manejo nem o Plano Diretor foram aprovados até hoje, os projetos nunca chegaram. O sonho veio pela metade", diz. O distrito é o maior produtor de sardinha do Estado, mas tem dificuldade para armazenamento e escoamento do peixe.

Fonte: Tribuna do Norte
Sara Vasconcelos - Repórter

 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Equador - Comunidade tradicional é ameaçada por empresário


A Comuna de El Verdún, localizada no Estuário do Rio Chone, província de Manabí, Equador, vem sofrendo ameaças de deslocamento por parte de um empresário de camarão. Jefferson Loor afirma ter comprado piscinas de criação de camarão em uma área de mangue justamente onde vivem 70 famílias de coletores de concha e caranguejo, pescadores artesanais e pequenos camponeses.

Segundo informações da Coordenadora Nacional para a Defesa do Ecossistema de Mangue (C-Condem), a compra ocorreu mediante processo de licitação ao banco estatal do Pacífico, que está arrematando bens que a antiga Agência de Garantia de Depósitos confiscou a banqueiros falidos entre os anos de 2000 e 2002.

Loor tenta de várias formas desalojar a comunidade, chegando até a intimidar os moradores com a presença de marinheiros e militares. A comunidade está mobilizada e apresentou às autoridades locais demandas pela defesa de seus direitos. Apesar disto, não houve resposta até o momento. A presidenta da comuna, Francisca Alava Loor, vem recebendo ameaças, e, por isso, os moradores exigem das autoridades proteção para a líder.

A C-Condem explica em comunicado que há cerca de trinta anos a aquicultura chegou à comuna por meio de empresários que prometeram emprego e desenvolvimento local. Contudo, o que os moradores “ganharam” foi a perda de autonomia sobre seu território, o que acarretou em deslocamento para um setor apenas, destruição do mangue para construção de piscinas de camarão e, como consequência do desequilíbrio ambiental, perda da fonte de trabalho, pois houve prejuízo da biodiversidade e, a partir de então, séria diminuição da qualidade de vida em El Verdún.

A Coordenadora estranha que, três décadas depois da chegada dos primeiros empresários de camarão à comuna, as piscinas estejam “inexplicavelmente” em posse do Banco do Pacífico, “situação que não poderia se dá, já que as piscinas de camarão não são propriedade privada de investidores, mas são, na maioria dos casos, ocupações ilegais e em outras concessões dadas de maneira ilegítima, pelo que em nenhum caso poderiam ser apreendidas”.

Para solucionar a situação, a comuna El Verdún demanda reconhecimento de seus direitos, nos marcos da nova Constituição da República do Equador, artigo 57, que toma por base instrumentos internacionais, como convênios e declarações.

No artigo, garante-se às comunidades direitos como conservar a propriedade de suas terras, “inalienáveis, imprescritíveis e indivisíveis”; participar do usufruto, administração e conservação dos recursos naturais renováveis; realização de consultas prévias sobre planos e programas para exploração e comercialização de recursos não renováveis no território e que possam trazer danos ambientais ou culturais; e não ser deslocadas de suas terras ancestrais; além de proteger, desenvolver e preservar o patrimônio cultural e histórico.

Outra importante demanda das famílias assentadas é receber a propriedade comunitária da terra pelo Ministério de Agricultura, Pecuária, Aquicultura e Pesca.

Na esfera ambiental, pedem que o Ministério do Ambiente acelere a extensão da Área Protegida do Refúgio de Vida Silvestre Ilha Coração e Fragata para todo o Estuário do Rio Chone. Essa área deverá ser administrada pelas comunidades e povos que habitam a região. Além disso, as piscinas de camarão devem ser recuperadas com a participação das famílias, o que garantiria a soberania alimentar da comunidade, pois devolveria a fonte de trabalho tradicional.

Fonte: Adital/ Correio do Brasil

terça-feira, 21 de junho de 2011

Aquicultura vai crescer e precisa melhorar


Por Celso Calheiros

Foto: Uma área de produção na Tailância. crédito: Conservação Internacional

A aquicultura vai continuar a crescer em todo o mundo, é o meio de produção de proteínas que menos impactos ambientais produz, no entanto precisa melhorar bastante os métodos de produção para alterar menos o meio ambiente. Essas conclusões fazem parte do estudo Blue Frontiers: Managing the environmental costs of aquaculture (Fronteiras azuis: gerenciando os custos ambientais da aquicultura), recém publicado em Bancoc pela World Fish Center e pela Conservação Internacional (CI).

O relatório investigou o impacto ambiental dos principais sistemas de produção de aquicultura no mundo e traz dados impressionantes. Conclui-se que a aquicultura é um dos setores de produção de alimentos com maior crescimento no mundo (desde 1970, as taxas médias são de 8,4% e a produção em 2008 atingiu 65,8 milhões de toneladas de acordo com a FAO) . É uma indústria que superou a marca dos US$ 100 bilhões e oferece metade de todos os pescados consumidos – superou o capturado em seu ambiente.

O trabalho comparou necessidades em todo mundo por 13 espécies, em 18 países, cinco tipos de alimentação e diversos sistemas de criação. Foram 75 sistemas produtivos avaliados. Uma das observações é que quanto maior a produção, maior o impacto ecológico. Ainda assim, se comparado à pecuária e à suinocultura, a aquicultura é mais eficiente na produção de quilos de proteína.
Outros dados relevantes apontados no relatório: os frutos da aquicultura contribuem menos para as emissões de nitrogênio e fósforo, logo reduzem o impacto nas mudanças climáticas considerando o alimento produzido. Ao se comparar com a carne suína ou boniva, o produto da aquicultura converte mais proteína do alimento produzido, por isso gera menos desperdício.

Impactos no Brasil

A carcinicultura marinha (criação de camarões) no Brasil, em 1996, teve uma produção inferior a 1 mil toneladas/ano. Crédito : Conservação Internacional
O ponto negativo ficou ao se analisar a aquicultura sem comparações. O impacto ambiental é real e pode ser ainda pior dependendo do país, região, sistema de produção e da espécie cultivada. Nesse aspecto, o Brasil fornece exemplos.

A carcinicultura marinha (criação de camarões) no Brasil, em 1996, teve uma produção inferior a 1 mil toneladas/ano. Em 2003, passou a produzir 90 mil t/ano e, nos anos seguintes, caiu para a casa das 60 mil t/ano. O diretor do Programa Marinho da CI-Brasil, Guilherme Dutra, considera esses números exemplos do crescimento não sustentável. “Esse crescimento rápido se deu a custa de ocupação e do comprometimento de áreas de manguezais e apicuns, fundamentais para a vida marinha e afetou a pesca artesanal nas regiões próximas”.

A atividade, explica o site do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) pode ser desenvolvida com a criação de peixes (de água doce ou do mar), produção de moluscos como ostras, mexilhões, caramujos e vieiras (malacocultura), camarões, caranguejo, siri, rãs, jacarés ou mesmo o cultivo de algas. No Brasil, ela engatinha, tropeça e arrisca seus primeiros passos.

A primeira fazenda marinha, a Aqualíder, foi inaugurada em 2009 para produção de um peixe típico do nosso litoral, o beijupirá. A fazenda fica a 11 quilômetros (mar adentro) da Praia de Boa Viagem, no Recife, tem 48 tanques-redes e planeja produzir 10 mil toneladas do peixe, por ano.

A espécie mais criada no Brasil é a tilápia, com produção nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Na região Norte, a produção maior é de pirarucus e tambaquis. No sul, são criadas carpas, ostras e mexilhões (na região Sul). No Centro-Oeste, a preferência é por tambaquis, pacus e pintados.

O setor tem todas as razões para crescer no Brasil, uma vez que corre no país 12% da água doce do planeja, além de possuirmos 8 mil quilômetros de litoral. A Embrapa em Palmas, Tocantins, pesquisa quais são as espécies mais produtivas e os sistemas de alimentação mais econômicos.
Mundo

Pescados em Shichuan, na China. País tem a maior a aquicultura no planeta. Crédito: Conservação Internacional
A aquicultura, revela o trabalho da World Fish Center e CI, é representativa para a produção mundial de alimentos e precisa de avanços em pesquisa e inovação para superar a falta de sustentabilidade. O maior desafio é a produção em larga escala.

A Ásia como um todo, sendo a China um destaque, respondem por 91% da produção de pescado cultivado. A China isoladamente produz 64% do total do planeta. A Europa 4,4%, a América do Sul 2,7%, a América do Norte 1,9% e a África 1,6%.

A carpa é a espécie mais produzida na Ásia e o salmão é o preferido na Europa e na América Latina. As tilápias são o destaque na África (e a espécie começa a ser produzida no sertão nordestino).

As espécies cultivadas que geram maior impacto ambiental são a enguia, o salmão, camarão e pitu, devido ao consumo de energia e à grande quantidade de peixes usados como ração. Na outra ponta, as aquiculturas que geram menos impacto são os mexilhões e as ostras, os mariscos e as algas marinhas.

Embora a China seja líder em volume de produção, tem o que aprender. O estudo chegou à conclusão que os métodos de produção do norte da Europa, Canadá e Chile são mais eficientes do que os dos países asiáticos, em especial na acidificação, mudanças climáticas, demanda de energia e ocupação do solo. A China também tem a aprender quando o assunto é carcinocultura. A criação de camarão na Tailândia é mais eficiente em termos de acidificação, alterações climáticas e demanda energética.

A aquicultura hoje já representa 99% da produção de algas marinhas, 90% das carpas e 73% do salmão consumidos, além de metade do consumo de tilápias, bagres, mariscos, caranguejos e lagostas.

Além do relatório, um documento sugere políticas públicas, modelos de organizações de desenvolvimento, recomendações ambientais e para os profissionais da indústria de aquicultura. O destaque é o apoio à inovação, a garantia de um marco regulatório que apoie necessidades ambientais. As recomendações são críticas e se aplicam globalmente, mas as distintas realidades regionais imprimem graus diferentes em sua importância relativa.

Fonte: O ECO

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