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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Conheça a Educação Ambiental do Projeto Garoupa

O Litoral Norte de São Paulo será beneficiado pelo Projeto Garoupa e suas atividades de Educação Ambiental. Desde 2014 já atuando no Estado do Rio de Janeiro, agora é a vez de Ubatuba e Caraguatatuba serem favorecidos.



O Projeto Garoupa, que é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, utiliza a Educação Ambiental de forma lúdica e participativa e tem o objetivo de conscientizar os participantes quanto a conservação do meio ambiente.

A Educação Ambiental do Projeto Garoupa trabalha com dois perfis:

1. Arte educação;
2. Arte ambiental;

O primeiro, que acontece em diversos locais abertos ao público, utiliza a contação de histórias, o teatro e o áudio e vídeo como ferramentas. A intenção é transmitir as crianças e jovens a habilidade da oralidade, da espontaneidade, da estética e suporte do audiovisual como instrumento de comunicação e divulgação do meio em que vivem.

Já o segundo atua em escolas , oferecendo palestras e buscando formar multiplicadores . O trabalho, que acontece com jovens e adultos de forma mais tradicional, aplica palestras de treinamento e sensibilização, a partir do Guia Prático de Educação Ambiental, produzido pelo próprio projeto e que está disponível no site www.projetogaroupa.org para download. Ao final desta etapa, os participantes são convidados para uma atividade prática: fazer um desenho onde irão mostrar o que é o meio ambiente para eles.

Além destas duas formas de atuação há demandas espontâneas, onde a própria população busca a orientação do Projeto Garoupa para a sua comunidade.

O Projeto conta ainda com parceiros locais como, neste momento, as secretarias municipais, Unidades de Conservação, o Aquário de Ubatuba que oferece as suas instalações para as atividades e o Projeto Tamar onde acontecerá o encerramento das ações

Se você mora na região e tem vontade de participar das oficinas poderá encontrar mais informações no Aquário de Ubatuba ou no site do Projeto.

www.projetogaroupa.org

Fonte: Fazemos Comunicação

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Protesto dos pescadores de Cabo Frio

Pescadores da Região dos Lagos do Rio, fizeram protesto em Cabo Frio na manhã desta segunda-feira (5), em frente ao Mercado do Peixe, contra a portaria 445/ 2014 do Ministério do Meio Ambiente. As novas normas proíbem captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização de 475 espécies extinção durante dois anos em todo o Brasil. A nova regra afeta diretamente a renda dos pescadores, pois segundo eles, a maioria dos peixes de melhor comercialização da região está na portaria.

Segundo o presidente da Colônia de Pescadores Z4 em Cabo Frio, Alexandre Marques, seria necessário mais estudos para a proíbição da pesca de tantas espécies. "Nós somos a favor da sustentabilidade e da preservação. É uma covardia o que o Ministério está fazendo com o pescador. Tem que ter mais estudos", afirma Alexandre.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o objetivo da portaria é recuperar as espécies que estão desaparecendo por falta de espaço de reprodução e estão sendo pescadas além da cota estabelecidas pelos órgãos ambientais.Dentre as espécies com pesca proibida estão o cherne, garoupa, batata, pargo, badejo, piraúna, cação martelo, cação bico doce.

"O pescador fica feliz na hora que ver um cherne no anzol. Esses são os peixes de maior valor", diz o pecador Elias Couto.

A Fundação Instituto Pesca do Rio de Janeiro preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

Fonte: G1

sábado, 22 de novembro de 2014

IV Campanha de Reconhecimento dos Habitats das Garoupas Verdadeiras


No fundo do mar há tantos mistérios que só os mais corajosos desbravadores conseguem desvendar. Mas quando se trata de garoupas e seu habitat natural, os mergulhadores do Projeto Garoupa vão a fundo.

Desde 2013 o Projeto Garoupa, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, faz mergulhos autônomos no intuito de conhecer o habitat natural da Garoupa verdadeira, peixe da família Epinephiledae.

Esta semana eles iniciam a IV Campanha de Reconhecimento dos Habitats na Região dos Lagos - RJ, no Monumento Natural das Cagarras - RJ e no litoral norte de São Paulo. Estas áreas de pesquisa, estão classificadas como: pouco impactadas, impactadas e de ressurgência em relação a integridade do local.

O profissionais mergulham a uma profundidade de 5m a 10m e de 15m a 20m para verificar nos locais: dados da temperatura, rugosidade, transparência da água, da topografia, contagem e medição das tocas, além de execução do censo de peixes e verificação dos tipos de organismos do substrato, onde a Garoupa costuma habitar.

“Estamos realizando investigações para aumentar o conhecimento de uma espécie já ameaçada e pouco conhecida, examinando alternativas para a sua recuperação e desenvolvimento de atividades que visam diminuir e eliminar as causas que geraram o atual quadro para esta espécie.” – explica Mauricio da Mata, coordenador geral do Projeto.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

RJ: Projeto Garoupa inicia novo ciclo de Educação Ambiental em Mangaratiba

Considerando a Capacitação de Professores, promovida pela Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba, o Projeto Garoupa patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, da continuidade a sua parceria com o referido município, através de novo ciclo de Educação Ambiental.



As oficinas iniciaram no dia 24/07 e estão sendo oferecidas para os professores multiplicadores da rede pública de ensino como ferramenta auxiliar para as atividades didáticas diárias dos educadores. Durante as oficinas nas 3 linguagens (Audio e Video, Contação de Histórias e Teatro), estão sendo abordados aspectos ligados as relações humanas e o meio ambiente. 

Como parte do conteúdo as oficinas de teatro desenvolvem a produção textual, construção de personagens, cenografias, figurinos, adereços, ensaios e apresentação. Na Produção dos Vídeos serão introduzidos conceitos para a linguagem do cinema, manuseio dos equipamentos e aulas externas para a elaboração de vídeo socioambiental. 

Na Contação de Histórias, através de técnicas de contação de histórias e conceitos ambientais, os professores e integrantes, estão tendo a oportunidade de resgatar a cultura local através da oralidade em atividades lúdicas. De uma forma geral, todo o desenvolvimento desde a escolha dos temas trabalhados nas 3 linguagens, como todo o processo de criação é desenvolvido junto aos participantes das oficinas. 


"Temos tido a grata oportunidade de desenvolver excelentes trabalhos para fins educativos e ambientais nos municípios onde temos passado", explica o Coordenador Geral do Projeto Garoupa, Mauricio Roque da Mata. Mais informações visitem os sitios:

www.projetogaroupa.org

www.facebook.com/projetogaroupa,

terça-feira, 29 de abril de 2014

Projeto Garoupa chegará a baía de Sepetiba



O Projeto Garoupa inicia em maio de 2014 as ações na costa verde do estado do Rio de Janeiro nos municípos de Itaguaí e Mangaratiba, seguindo posteriormente para Angra dos Reis e Paraty. A proposta é atuar com educação ambiental participativa nas redes de ensino destes locais. Estes municípios estão dentro da baia de Sepetiba, área com grande desenvolvimento industrial. "Iremos levar para os alunos da rede púbica de ensino e pessoas das comunidades destas localidades, elementos para ajudar na reflexão das ações humanas do cotidiando e sua relação, com o ambiente e seu entorno", explica o Coordenador Geral do Projeto, Mauricio Roque da Mata.
Paralelamente as ações na região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro continuam com atividades de pesquisa dos habitats, utilizando mergulho autonômo e trabalhando pontualmente nas escolas, através dos agentes multiplicadores do Garoupa.

Os benefícios deste projeto possuem caráter ambiental, porém atuando também no âmbito social inserindo comunidades que se relacionam e dependem destes ambientes costeiros. No tocante ao ambiente, este projeto contribuirá para um melhor entendimento da ecologia da espécie, elucidando técnicas para a reestruturação das populações naturais do Mycteroperca marginata, mais conhecido como garoupa verdadeira.

No âmbito social, este projeto contribuirá para a conscientização do cidadão como agente atuante e transformador, responsável pelo equilíbrio do ambiente. Dessa forma, o cidadão contribuirá para a qualidade social de populações tradicionais costeiras por meio da preservação de seu ambiente natural.

Na foto, ex. de reutilização de materiais através dos parceiros do Projeto Garoupa em planejamento das ações que se iniciarão em maio / 14, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Itaguaí / RJ.

Renovar é preciso. Participem da campanha do Garoupa Ambiental, "usuários conscientes e práticas sustentáveis".

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Projeto Garoupa


Recuperar e proteger espécies marinhas em vias de extinção é um passo importante para manter o equilíbrio de ecossistemas degradados por agentes externos. A Iniciativa da Associação Ambientalista Terra Viva / ATEVI, patrocinada pela Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, esta desenvolvendo o Projeto Garoupa que nasce com a missão de pesquisar os hábitos, habitats e formas de reprodução, para contribuir na conservação da garoupa verdadeira, (Mycteroperca marginata).

Este projeto, com duração inicial de dois anos, concluiu a fase de apresentação formal da proposta e mapeamento das redes (comunidades tradicionais, colônias / associações de pesca, unidades de conservação, instituições de pesquisa e prefeituras locais dos 11 municípios, divulgando as ações do projeto que tiveram início em outubro de 2013.

As pesquisas dos habitats tiveram início também nos meses de novembro e dezembro de 2013. Os mergulhos autônomos foram realizados em 12 sítios distribuídos entre os estados do Rio de Janeiro (Região dos Lagos e nas Ilhas Cagarras) e no estado de São Paulo (Litoral norte), para caracterização fisica e biologica destes ambientes. 


O Projeto conta também como apoio as ações, a larvicultura da garoupa verdadeira, localizada no Município de Ilhabela / SP, em uma das bases do projeto. Os indivíduos produzidos em tanques de alevinagem, a partir de matrizes naturais das regiões contempladas pelo projeto, serão acompanhados com transmissores para auxilio a telemetria e também elastômeros visiveis como ferramenta de suporte a pesquisa de repovoamentos e habitats.

Através do auxílio de arte-educadores utilizando atividades ludicas (teatro ambiental, contação de histórias com bonecos e videos comunitarios), divulgação da mídia local, conscientização da sociedade e sobretudo, das comunidades de pescadores, ao longo de sua realização o projeto passará pelos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, nos seguintes municípios: Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios (Região dos Lagos, RJ); Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty (Litoral Sul, RJ) e Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela (Litoral norte, SP).

A grande preocupação dos pesquisadores da ATEVI, reside no fato da garoupa verdadeira estar, atualmente, listada como ameaçada de extinção devido à pesca predatória e perda de habitats naturais. A espécie é encontrada na faixa litorânea compreendida entre os estados do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, a garoupa habita ambientes rochosos e possui alta fidelidade territorial. Este peixe de habito carnívoro possui lugar de destaque dentro da cadeia alimentar de seu ecossistema sendo de grande importância para o equilíbrio trófico destes ambientes.

Indo além da ação ambiental, o projeto está atento ao caráter social que a pesca e a proteção da garoupa agrega. A educação ambiental é componente chave. Não apenas pela informação transmitida para a população em geral, mas, principalmente, pela inclusão dos moradores na realização do projeto. A idéia é que a iniciativa proposta pelo Projeto Garoupa para as comunidades envolvidas seja a continuidade da iniciativa, que de posse das informações e dos cuidados necessários, possam compartilhar a transferência e dividir a responsabilidade para garantir a sustentabilidade dos resultados obtidos a conservação em longo prazo, conferindo equilíbrio ecológico e dignidade social das regiões.

Maurício Roque da Mata.
Coordenador Geral do Projeto Garoupa

Mais informações;
www.projetogaroupa.org

contatos@projetogaroupa.org

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Estudo revela declínio de sete espécies de peixe no sul da Bahia



Um estudo realizado no sul da Bahia por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina revelou que sete espécies de peixe anteriormente comuns na região e usados na culinária local estão desaparecendo. O levantamento, feito pelos biólogos Sergio Floeter, Natalia Hanazaki e Mariana Bender, foi feito com base em entrevistas com pescadores que trabalham na região vizinha ao Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro.

Um total de 53 pescadores de diferentes idades foram convidados pelos pesquisadores a identificar, por meio de fotos, espécies de peixe que tradicionalmente vivem na costa da região. Eles responderam a perguntas sobre qual é o maior peixe de cada espécie que já haviam capturado e o ano que isso ocorreu.

A conclusão foi que algumas espécies estão cada vez menos presentes nas redes dos pescadores, ou, quando estão, os peixes são menores do que em décadas passadas.

São elas o badejo-quadrado (Mycteroperca bonaci), a garoupa (Epinephelus morio), o dentão (Lutjanus jocu), a cioba (Lutjanus analis), a guaiúba (Ocyuru chrysurus), o cherne (Hyporthodus nigritus) e o mero-gato (Epinephelus adscensionis).

Durante a pesquisa, ficou claro que pescadores mais velhos, com mais de 50 anos, pescavam peixes maiores do que os mais jovens.

O badejo-quadrado, por exemplo, era encontrado há 40 anos pesando quase 50 quilos na região. Hoje, o mais comum é encontrá-lo com 17 quilos.

Mais preocupante foi a constatação de que alguns peixes sequer são reconhecidos pelos pescadores mais jovens.

"Alguns pescadores com menos de 31 anos não reconheceram espécies de peixe como o mero-gato e o cherne quando apresentados às fotos na entrevista", disse Mariana Bender.

Os mesmos pescadores jovens disseram não saber que peixes hoje raros foram um dia abundantes no sul da Bahia.

A pesquisa constatou que os pescadores acreditam que sua atividade está tendo um impacto sobre os estoques pesqueiros da região: para 36% deles, seu trabalho colaborou para reduzir a quantidade de peixes ao longo dos anos.

Mas, para os cientistas, não é apenas a pesca não-sustentável, feita em uma escala que não permite que os estoques de peixe se reponham naturalmente, que está por trás do sumiço dessas espécies.

"Outro fator preocupante é a perda de habitats e de habitats bem conservados para a manutenção dessas espécies de peixe, como a perda de manguezais, que servem como berçários naturais, e o assoreamento das regiões costeiras que abrigam os recifes", explicou Bender.

Consumo consciente

A pesquisa, divulgada neste ano na publicação científica Fisheries Management and Ecology, sinaliza a necessidade de avaliar a inclusão de outros peixes de ambientes recifais nas avaliações de espécies ameaçadas de extinção.

Alguns peixes que habitam as águas do sul da Bahia já preocupavam bastante os cientistas mesmo antes deste estudo ser feito.

Um deles é o mero (Epinephelus itajara), que hoje é considerado "em perigo crítico" em uma lista da IUCN (União Internacional para a Preservação da Natureza, na sigla em inglês) que avalia o risco de extinção das espécies.

Mariana Bender diz que os pescadores reconheceram o mero nas fotos, mas muitos "jamais pescaram" esse peixe, pese que exista "um histórico de exploração desse peixe na costa brasileira, fazendo com que ele se tornasse um peixe 'raro'".

O cherne, cujo declínio foi constatado no novo estudo, também aparece na lista do IUCN como criticamente ameaçado, mas duas das espécies analisadas na Bahia, o dentão e a guaiúba, sequer foram avaliadas pelo IUCN, e a situação de outra, o mero-gato, é descrita como "pouco preocupante".

Outra necessidade levantada pelos autores do estudo é a de redobrar os esforços no sentido de promover um consumo consciente do estoque pesqueiro.

"Os badejos e garoupas, particularmente, são muito apreciados na culinária pela sua carne. Dessa forma, é necessário promover o consumo consciente para que os estoques dessas espécies possam se recuperar", disse Bender.

O estudo fez parte da rede de pesquisas Coral Vivo, patrocinada pela Petrobras e pelo Arraial d'Ajuda Eco Parque.

Fonte: BBC

terça-feira, 4 de junho de 2013

Artigo: Pesca industrial provoca destruição na África

Principal importador de peixe do planeta, a União Europeia põe em prática uma política comum de pesca destinada a satisfazer as necessidades de seus consumidores. Garantindo ter como objetivo a “preservação dos recursos naturais”, o novo programa encoraja práticas industriais destrutivas.

Seria errado reduzir o esgotamento dos recursos marinhos a uma “crença” dos ambientalistas. O súbito desaparecimento do bacalhau dos grandes cardumes da Terra Nova, no final do século XX − o que ninguém havia previsto −, teve o efeito de um eletrochoque planetário. Lançada pelos bascos no século XV, a pesca e depois a sobrepesca desse grande peixe de água fria levaram ao impensável. Ao Canadá, apesar da moratória de 1992, o bacalhau nunca mais voltou. E o que ocorreu no Atlântico Norte está acontecendo em outros mares. Os maiores navios do mundo seguem agora em direção ao sul, até os limites da Antártida, para competir pelos estoques remanescentes. Em duas décadas, a biomassa de carapau caiu de 30 milhões de toneladas para menos de 3 milhões no Pacífico Sul. No mesmo período, a população de garoupa diminuiu mais de 80% na África ocidental.

“Vamos ter um mar sem peixes?”, pergunta Philippe Cury, (1) pesquisador do Instituto de Pesquisa Francês para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Segundo ele, por causa do progresso excessivo da tecnologia e dos subsídios, a pesca mundial captura duas vezes e meia o que é aceitável. A preservação de espécies marinhas selvagens, além de uma questão de ecologia e biodiversidade, é principalmente uma luta pela sobrevivência humana. O peixe constitui um alimento altamente nutritivo, rico em ácidos graxos essenciais e, assim, contribui com cerca de 50% do consumo de proteína animal em muitos países do Hemisfério Sul: Bangladesh, Gâmbia, Senegal, Somália, Serra Leoa... Na África, durante os episódios de seca, os produtos provenientes do mar têm sido uma fonte alternativa de alimento, como na Somália, em 1974 e em 1975, quando a economia pastoril foi devastada. Mas, quando os grandes atores do setor – Europa, Rússia, Coreia, Japão e a partir de agora a China – se deslocam em águas tropicais ao largo das costas africanas, eles competem com a pesca artesanal e colocam diretamente em perigo a autossuficiência alimentar dos países do terceiro mundo.

Em dezembro de 2006, uma equipe liderada por Boris Worm, da Universidade Dalhousie (Canadá), calculou que, em meados deste século, as espécies mais pescadas hoje poderão desaparecer em virtude da sobrepesca, da destruição de biótipos e da poluição. Worm faz parte de uma nova geração de pesquisadores, concentrados principalmente na América do Norte, que colocam a sobrepesca como uma questão planetária, tal como as alterações climáticas e o esgotamento dos combustíveis fósseis. Contrariamente à crença popular, não basta parar de pescar para os peixes regressarem, e a resistência das populações não é apenas uma questão de número de ovos depositados no oceano. Agraciado com as mais altas honrarias em ecologia (2) e diretor do Centro de Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica, o biólogo marinho francês Daniel Pauly descobriu que a pesca excessiva, ao prejudicar o conjunto da rede alimentar, isto é, todas as cadeias alimentares que existem entre os organismos, está destruindo os ecossistemas marinhos, por vezes de forma irreversível. “O mar é como um castelo de cartas; sem peixe, ele pode se transformar em uma vasta extensão de água barrenta, saturada de algas tóxicas e águas-vivas, como já se pode constatar em algumas áreas”, comenta Cury.

Um modelo da agricultura produtivista

Se, durante as últimas duas décadas, a China finalmente colocou a Ásia numa posição de peso pesado da pesca mundial, a União Europeia continua ocupando um bom lugar no banco dos réus. “O desastre está chegando”, martela Maria Damanaki, comissária europeia responsável pela pesca. Em julho de 2011, ela apresentou em Bruxelas a reforma da política comum de pesca (PCP). Desde sua criação em 1970, a PCP é construída sobre um modelo inaplicável à pesca, o da agricultura intensiva. As famosas taxas admissíveis de captura (TACs) concedidas pela Comissão Europeia são, em média, 48% mais elevadas do que as recomendadas pelos cientistas.

Para resolver o excesso de capacidade da pesca europeia, a Comissão Europeia propõe como principal medida a aplicação de “concessões de pesca transferíveis” (CPTs), cotas que podem ser revendidas no mercado por pescadores. Se elas têm a vantagem de não custar nada para Bruxelas, sua generalização levanta sérias preocupações: privatização do conteúdo dos oceanos, cotas à mercê dos mercados financeiros, fim programado da pesca artesanal etc. Na Dinamarca, desde 2003, após a introdução de um sistema de ações das capturas, as concessões dos pescadores menores foram rapidamente adquiridas por um punhado de grandes empresas, apelidadas de “magnatas das cotas” pela imprensa dinamarquesa.

A comissária Maria Damanaki garante, diante de seus detratores, que um conjunto de salvaguardas vai limitar a concentração dos direitos de pesca e proteger a atividade em pequena escala. Respeitada por seu passado militante durante o levante contra a ditadura grega em 1973, Maria, porém, está isolada em uma comissão ultraliberal sob a influência das grandes associações patronais (Comissão Geral de Cooperação Agrícola da União Europeia, Europesca etc.). São elas que, nos bastidores, determinam os rumos para as propostas da comissão.

Às CPTs, soma-se uma segunda medida emblemática que também tem o mérito de não custar nada: a Comissão Europeia pretende proibir as devoluções (de pescados sem valor de mercado, que costumam chegar a dois terços do total recolhido pelas redes) ao mar, mas prevê para isso que os navios desembarquem todas as capturas no cais, a fim de que os resíduos sejam transformados em farinha de peixe para a aquicultura. Cientistas como Jean-Pascal Bergé, pesquisador do Ifremer, questionam o impacto que a obrigação de desembarcar todas as capturas terá nas condições de trabalho da tripulação. François Chartier, do Greenpeace, acredita por seu lado que se trata de uma “falsa solução, que não faz sentido algum para a preservação do recurso”. No final de julho de 2012, no entanto, o Conselho de Ministros da União Europeia preconizou uma aplicação gradual da medida, sem fornecer outras soluções para o problema dos resíduos.

É de perguntar também como a Comissão Europeia vai verificar a aplicação do regulamento, sabendo-se que na prática os controles continuam a ser uma caça muito bem guardada dos governos, e que Paris e especialmente Madri toleram as fraudes com uma complacência desconcertante. No final de 2011, a França foi condenada pela justiça comunitária a pagar uma multa de 57,7 milhões de euros pelo não cumprimento de suas obrigações. Na Espanha, as desventuras de uma equipe de inspetores enviados pela Comissão em dois portos da Galícia em 2009 dão uma boa ideia da dificuldade. Depois de encontrar os quatro pneus do carro furados no estacionamento do hotel, eles conseguiram inspecionar uma dúzia de barcos e contabilizar em um dia 200 toneladas de pescado, enquanto durante todo o mês anterior a Espanha só havia declarado 622 nos dois portos em questão.

Piratas e piratas

Os peixes e os frutos do mar tornaram-se uma questão de comércio internacional, com 37% da tonelagem destinada ao mercado mundial contra 24% em 1975. Pauly descreve assim o paradoxo social e geopolítico dessa globalização: “São aqueles que não têm peixe, os habitantes dos países ricos, que consomem 80% das capturas”. Em 1979, a União Europeia deslocou para o Sul seu excesso crônico de capacidade, tirando partido da fraqueza das estruturas estatais para abrir mercados muito lucrativos, que os acordos de parceria de pesca (APPs) bilaterais favoreceram amplamente a partir de 1979. Os APPs, que representam 8% do volume de peixe capturado pela frota europeia (muito mais em valor de mercado), envolvem uma dezena de países da África, Caribe e Pacífico. Ratificado no final de julho de 2012, o novo acordo entre a Mauritânia e a União Europeia concentra todos os excessos da PCP. Tendo como fundo a competição entre a União Europeia e a China, o ex-diretor de pesca da Mauritânia, Cheikh Ould Ahmed, soube aumentar as apostas. A partir de agora, Bruxelas paga anualmente a Nouakchott uma compensação financeira de 113 milhões de euros, o maior contrato de pesca do mundo. Em troca, um número ilimitado de navios europeus obtém o direito de acesso às águas territoriais, sem restrições reais de captura e, sobretudo, em concorrência direta com a pesca artesanal local. Como a maioria dos signatários dos APPs, a Mauritânia não tem recursos técnicos e logísticos para a realização de controles sobre as atividades de pesca europeia. Embora esta seja a primeira e a mais interessante das rendas, metade da população mauritana vive abaixo da linha de pobreza, e, em dez anos, o consumo de produtos do mar passou de 11 kg/ano/habitante para 9,5 kg/ano/habitante.

O acordo bilateral levanta também questões quanto à legitimidade, em razão de uma óbvia falta de garantias democráticas sobre o uso das compensações financeiras. No norte, a baía de Nouadhibou é tristemente célebre por seus duzentos destroços de navios estrangeiros abandonados, enquanto se distinguem facilmente as grandes traineiras espanholas no horizonte: “O dinheiro de Bruxelas deveria nos ajudar a desenvolver nossa pesca, mas, na wilaya [região administrativa], nunca se viu nada da Europa a não ser seus imensos navios”, afirma Salim Ouerdani, um velho pescador. De fato, nesse país onde a corrupção está profundamente enraizada, os próximos do regime de Mohamed Abdel Aziz controlam as compensações financeiras, as licenças de pesca e os direitos alfandegários.

Reconvertidos à pirataria

“Bruxelas desliza suavemente para uma gestão liberal em que as patronais europeias participarão mais da contrapartida financeira. A União Europeia corre o risco de perder qualquer direito de intervenção”, analisa Béatrice Gorez, coordenadora da Coalizão para Acordos de Pesca Justos (Cape, na sigla em francês). Esse é o grande paradoxo desses acordos: no país onde eles estão ausentes, os resultados são ainda piores. Alguns − como Senegal, Ilhas Maurício e Angola − declinaram, a partir de 2006, da renovação dos acordos de pesca com a União Europeia, mas se veem confrontados com o que se denomina no meio de “senegalização” dos navios europeus. O princípio é conhecido: os navios exibem a bandeira do Senegal, mas seu capital e gestão são essencialmente estrangeiros. “Os pescadores locais abandonaram a pesca de subsistência para se concentrar nas espécies destinadas ao comércio internacional, provocando uma crise de abastecimento no mercado local”, analisa Stéphan Beaucher, da coalizão de associações Ocean 2012. Depois de vinte anos durante os quais houve a combinação de acordo de pesca e “senegalização” das frotas, uma constatação se impõe: os estoques das quatro espécies principais (linguado, pargo, garoupa branca e perca) caíram 75%.

Finalmente, quando o Estado entrou em colapso, como na Somália, os europeus passaram a pescar na pior das hipóteses sem uma licença e, na melhor, graças a autorizações falsas emitidas por empresas mafiosas criadas no Catar por chefes de guerra − um sistema do qual se beneficiam a gigante espanhola Pesca Nova e a Companhia Bretã de Cargas Frigoríficas (Cobrecaf), que totaliza 70 mil toneladas de atum por ano, no Oceano Índico.(3) Em Kismayoo, Berbera, Mogadíscio, a palavra malai (“peixe”, no idioma somali) é ouvida diariamente nas rádios locais que denunciam a presença de embarcações estrangeiras. “A escala dos volumes pescados afeta as capacidades de subsistência somalis, porque os navios ocidentais recolhem em uma noite o que os moradores locais pegam em um ano”, analisa Roger Middleton, do Instituto Chatham House. Na Somália, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) estima que oitocentos navios estrangeiros pesquem de US$ 300 milhões a US$ 450 milhões por ano, principalmente atum, camarão e lagosta. Já o governo de transição somali tem um orçamento global anual de US$ 100 milhões e não possui mais marinha militar para fazer valer seus direitos ao longo de 3,3 mil quilômetros de litoral. Segundo Abdul Jama, um pescador encontrado no velho porto de Mogadíscio, a fim de proteger suas costas e sobreviver, os somalis de Puntland abandonaram a pesca e se voltaram para a pirataria. Sabe-se que o Alakrana e o Artza, dois barcos frigoríficos gigantes para a pesca do atum registrados no País Basco, percorriam a zona econômica exclusiva da Somália quando foram vítimas de ataques piratas, respectivamente em 2009 e 2010. À frente do sindicato dos pescadores de Berbera, na Somalilândia, Hukun Hussein Yussuf ameniza essas informações: “Na verdade, eles fazem os navios estrangeiros fugir, mas alguns não hesitam em extorquir dinheiro de nós”. Ao longo dos anos, milicianos, especialistas em navegação e empresários vêm se juntando às fileiras dos “ex-pescadores”, constituindo cinco organizações para um total de mil homens. Em resposta, a União Europeia começou, em dezembro de 2008, a “Operação Atalanta”, a um custo de cerca de 150 milhões de euros.(4) Cruzadores, aviões de patrulha: as marinhas espanhola e francesa investiram plenamente nessas operações. Infelizmente, a Atalanta não tem por missão combater a pesca ilegal europeia: “Não é meu papel nem meu mandato”, afirmava, em 2009, o almirante britânico Peter Hudson, encarregado das operações. (5)

Junto com a redefinição de alguns APPs, a União Europeia pressiona pela colocação em prática de acordos de parceria econômica (APEs) muito mais amplos, com o objetivo de liberalizar o comércio por meio da supressão dos direitos alfandegários. Estes incluem um item de pesca, considerado por muitos observadores como “pior” do que os APPs. A manutenção de um acesso ininterrupto ao mercado europeu para os produtos do mar tem sido uma das principais razões que estimularam a maioria dos países africanos a rejeitar os APEs provisórios, no final de 2007. Desde então, Bruxelas não abandonou o caso. Associações, parlamentares como Christiane Taubira (ministra efetiva da Justiça quando era parlamentar) (6) ou ainda o relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, afirmam que a União Europeia exerce pressão em países do terceiro mundo, ameaçando “a ajuda ao desenvolvimento”. (7) A Europa também começou a dividir a oposição organizando polos regionais de negociação e privilegiando certos Estados-chave, como a Costa do Marfim. Bruxelas se esquece, no entanto, de considerar o peixe pelo que ele é – um animal selvagem, e não um “produto” biológico.

Por: Jean-Sébastien Mora
Fonte: Diplomatique

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sobrevivência dos peixes depende de mangues e recifes conectados


Um estudo inédito realizado na Região Abrolhos comprovou que a conexão entre manguezais e recifes de corais é fundamental para o ciclo de vida para as espécies de peixe dentão ou vermelho. O estudo mostrou também lacunas quanto a medidas de proteção destas áreas, conforme já denunciado por ambientalistas capixabas.

Conduzido por pesquisadores brasileiros e do exterior, com apoio da Conservação Internacional (CI-Brasil), o estudo foi publicado na revista Estuarine, Coastal and Shelf Science, e aponta informações importantes para o manejo das espécies de alto valor comercial e que apresentam, segundo o mapeamento, um acentuado declínio em seus estoques.

Em meados de junho, um estudo desenvolvido por pesquisadores do Museu de História Natural Capão da Imbuia (PR) também abordou o ciclo produtivo das espécies mais pescadas no Estado, como o badejo, garoupa e o vermelho. Na ocasião, o alerta foi para a pesca irregular que prejudica que interfere no ciclo de amadurecimento das espécies, desregula o ecossistema e não deixa descendentes que garantam os ciclos reprodutivos. 

O estudo também confirma a tese e acrescenta dados relativos não apenas à pesca excessiva, mas também à preservação dos manguezais e dos recifes de corais como detentores de papel fundamental na preservação dos peixes.

Segundo a pesquisa, o vermelho é menor nos estuários, intermediários nos recifes costeiros e maior na área do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, indicando que a espécie migra ao longo da plataforma continental na medida em que cresce e constatou, portanto , a importância dos manguezais e dos recifes de corais para a preservação dos estoques pesqueiros desta espécie em toda a região.

Foram investigadas 12 áreas que representam diferentes hábitats costeiros e recifais, abrangendo a Reserva Extrativista (Resex) de Cassurubá, os recifes Parcel das Paredes e Sebastião Gomes e o Parnam dos Abrolhos. Porém, a pesca excessiva na região norte do Estado, o aporte de grandes empreendimentos e a exploração petrolífera são fatores importantes para a preservação do estoque pesqueiro por abranger a zona de amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos.

A zona de amortecimento do parque assegura a manutenção da biodiversidade no Banco de Abrolhos, tanto de seu ambiente marinho, incluindo os recifes, como também dos ecossistemas costeiros, principalmente os manguezais, as restingas e matas ciliares, desde grande parte do sul da Bahia até a foz do Rio Doce, no Espírito Santo. Trata-se de uma proteção necessária ao parque, definida no artigo 25 da Lei 9.985/00, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Neste contexto, o estudo cobra restrições às capturas dos adultos durante a fase reprodutiva – entre junho e setembro – e regras que assegurem que os peixes capturados tenham completado pelo menos um ciclo reprodutivo, o que ocorre acima de 35cm, também é importante. E é neste ponto que os pesquisadores ressaltam a importância da preservação dos manguezais e recifes próximos à costa. Segundo eles, para chegar até a idade adulta, por exemplo, o dentão precisa destes refúgios próximos à costa, mesmo em áreas liberadas para pesca.

A informação é que são capturadas pelo menos três mil toneladas de vermelho por ano nessa região, numa atividade que envolve cerca de 20 mil pescadores.

Uma vez que a espécie migra através da plataforma continental, está claro que áreas protegidas em unidades isoladas, tais como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, não são efetivas para proteger as diversas etapas do ciclo de vida, necessitando portando de outras ferramentas restritivas à pesca.

Segundo o estudo, além dos instrumentos de proteção contra a pesca predatória serem insuficientes, os estuários e manguezais no Brasil têm sido crescentemente impactados pela expansão urbana, portuária e de atividades agroindustriais altamente degradadoras, tais como a carcinicultura (criação de camarões de água salgada), que não oferecem ferramentas para o uso sustentável e a conservação da biodiversidade destas áreas.

O estudo foi realizado por Rodrigo Leão de Moura e Eduardo M. Chaves, do Programa de Pós-Graduação em Sistemas Aquáticos Tropicais da Universidade Estadual de Santa Cruz ; Ronaldo Bastos Francini-Filho do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente da Universidade Federal da Paraíba da Universidade Estadual de Santa Cruz; Kenyon C. Lindeman, Departamento de Sistemas Marinhos e Ambientais, Instituto de Tecnologia da Flórida e Carolina Viviana Minte-Vera do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura da Universidade Estadual de Maringá.

Fonte: Século Diário

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SC - Redes estão descansando

As redes amontoadas num canto do rancho nos dias de verão não significam que os pescadores da Praia Armação, em Florianópolis, estão desfrutando dos prazeres da vida. É período de defeso da anchova, e a desobediência pode custar a licença profissional. No entanto, como o salário mínimo pago pelo governo neste período não garante o sustento, eles têm que se virar. Trabalhar com turismo e apelar para o anzol são as alternativas dos pescadores.

João Esperando, 48 anos, diz que pescar lulas e garoupas – animal que estampa as notas mais desejadas do país, as de R$ 100 – são as atividades mais comuns. O peixe dá muito trabalho para ser capturado. O sujeito vai para o mar no final da tarde e fica até o dia raiar. Pelo menos a isca é fácil de conseguir: até vísceras servem.

– Garoupa é um peixe esfomeado – resume João.

A espera para sentir uma fisgada é longa, e terminar a jornada de trabalho com três peixes é sinônimo de sucesso. Garoupas são peixes grandes, e esta quantidade rende 50 quilos. Se a venda for direta ao dono da peixaria, dá para pegar R$ 15 no quilo. Se tiver algum atravessador, um pouco menos. O resultado da noite no mar – cerca de R$ 750 – demonstra que o esforço não é em vão.

Na captura da lula é o inverso e não existe tédio. O fruto do mar aparece em cardumes entre dezembro e março. Os pescadores usam o zangarilho, espécie de anzol adaptado. Vários são lançados e, enquanto o pescador tira um da água, já tem dois esperando. O ritmo alucinante de trabalho, no entanto, não tem a produtividade da garoupa. Cada animal pesa míseros 80 gramas. Saber que são tirados 200 quilos do mar dá a dimensão do quanto trabalham os dois homens que viram a madrugada no barco. Parece história de pescador, mas ele garante que é a mais pura verdade.

A outra opção é trabalhar com turistas. A Praia da Armação é ponto de saída para a Ilha do Campeche. Cada pescador recebe R$ 30 por pessoa e só zarpa com pelo menos seis passageiros no barco.

À primeira vista, parece negócio bastante rentável, mas João explica que não é bem assim. O problema principal é a grande concorrência, pois existem 26 embarcações cadastradas para atuar com transporte na Praia da Armação.

Fonte: Diário Catarinense

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