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sábado, 14 de julho de 2012
Comissão aprova abate de 1.104 baleias por aborígenes
A Comissão Internacional Baleeira aprovou na terça-feira (3), no Panamá, em uma única votação, as cotas de captura aborígene de subsistência para populações dos Estados Unidos, Rússia e do arquipélago de São Vicente e Granadinas. Entre 2013 e 2018, americanos e russos vão poder matar 336 baleias-da-groenlandia e 744 baleias-cinzentas. A comissão entendeu, quase por unanimidade, que estes dois países cumprem as regras estabelecidas pela CIB, como relatórios, e que a matança de baleias é realizada para a subsistência de populações humanas.
Na votação, foi aprovada também o pedido de São Vicente e Granadinas, um pequeno arquipélago do Caribe que pretende matar 24 baleias-jubarte no próximo período de seis anos. No total, foi aprovado o abate de 1.104 baleias. As cotas para os três países foram aprovadas em uma única votação (48 votos a favor, 10 contra, 2 abstenções e 01 ausência ).
Não faltaram acusações contra as ilhas caribenhas. Para os países-membros da comissão, faltam registros históricos que comprovem o uso das baleias para a subsistência da comunidade das ilhas. Além disso, o país é acusado de violar os princípios da CIB, ao matar baleias fêmeas e filhotes.
Na quarta-feira, foram apresentadas duas outras propostas que podem aumentar a matança de baleias. A Coréia do Sul também quer liberação para abater baleias com a desculpa de fazer pesquisa científica. O país argumenta que é preciso capturar baleias-minkes para conhecer melhor os hábitos alimentares da espécie e assim invetigar o impacto delas nos estoques pesqueiros. O plano de abate "científico" da Coréia deve ser apresentado na próxima reunião anual da comissão.
O Japão, que já tem autorização para a "caça científica", quer liberdade também para abate de baleias próximo a regiões costeiras em pequena escala. Essa proposta, já havia sido apresentada em 2010, foi questionada por diversos países, que vêem acreditam que a idéia busca, na verdade, a permissão para a caça comercial. Mas a idéia deve continuar a ser discutida ainda no Panamá.
A reunião da CIB termina sexta (6). Até lá, pode ser que a Dinamarca consiga também uma quota de abate. O ativista José Truda Palazzo Júnior transmitiu a reunião por meio do twitter @brasildeovelhas e anunciou, com desconfiança, que o país nórdico recuou. “Dinamarca vê que não tem apoio pra passar a quota de caça da Groenlândia e pede pra adiar a decisão... vão seguir tentando algum golpe”, postou no twitter.
Fonte: O Eco
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Governo recua sobre proteção de baleias e frustra ambientalistas
A expectativa de ambientalistas sobre o anúncio da criação áreas de preservação no arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, durante a Rio+20 (que ocorre em junho deste ano), foi frustrada após o Ministério do Meio Ambiente ressaltar que o processo ainda está em fase de discussão, o que não garante que as áreas sejam efetivamente criadas. Isso sem contar com os protestos da população que fizeram com que duas das consultas públicas fossem canceladas na semana passada, no Espírito Santo.
O arquipélago de Abrolhos é o maior banco de corais do Atlântico Sul, além de ser o local onde a baleia jubarte, espécie ameaçada de extinção, passa a maior parte do ano. A proposta que está sendo discutida prevê a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, a criação do Refúgio da Vida Silvestre Baleia Jubarte e a instituição de reservas de desenvolvimento sustentável da Foz do Rio Doce, que atenderia pescadores da Bahia e do Espírito Santo. A ampliação faria com que a área protegida no Brasil aumentasse de 0,5% para 3%.
No entanto, das quatro audiências públicas que estavam agendadas para serem realizadas na semana passada, apenas duas ocorreram, na Bahia. As outras duas que ocorreriam no Espírito Santo foram canceladas após protestos da população.
"O governo anunciou que esse processo ainda terá algumas rodadas de discussão. Esperávamos que essas áreas fossem anunciadas já na Rio+20, mas, realmente, para que isso ocorresse, uma série de etapas deveria ter acontecido, e até o momento ainda não conseguiram viabilizar. Então vamos levar mais alguns meses de discussão e estamos tentando buscar algum compromisso mais formal do governo, de criação dessas áreas, para que, se possível, seja anunciado publicamente na Rio+20", diz o diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional, Guilherme Dutra.
Segundo a presidente do Instituto Baleia Jubarte, Márcia Engel, a espécie está em processo de recuperação populacional e Abrolhos é o principal local de reprodução no Atlântico ocidental. "Os levantamentos que fazemos a cada três anos em toda a costa brasileira mostram que 90% da concentração da baleia jubarte do Brasil está na região de Abrolhos, por isso a importância dessa área", ressalta.
Segundo ela, devido à grande concentração, muitos animais são mortos por redes de pesca, o que prejudica a subsistência dos próprios pescadores. "A jubarte sofre com o as redes de pesca, atropelamento de embarcações, contaminação (...) todo o tipo de ação antrópica (do homem). Então a proteção do banco de Abrolhos com quatro unidades de formatos diferentes vai ajudar a estabelecer medidas de proteção à espécie, como a proibição de algumas artes de pesca durante o período de reprodução da baleia", explica.
Márcia, assim como Dutra, se disse frustrada com o anuncio do governo de que as áreas não devem se tornar um compromisso público até a Rio+20. "Esse atual governo não chegou a criar nenhuma unidade de conservação, a questão ambiental está complicada nessa gestão (...) a gente espera que pelo menos a criação dessa unidade seja mantida, que a ministra (Izabella Teixeira, do Meio Ambiente) continue com essa proposta e que até o final do ano as áreas de proteção de abrolhos sejam decretadas", diz a presidente do Instituto.
Fonte: Terra
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Poluição sonora nos oceanos estressa baleias, diz estudo
Pesquisadores norte-americanos afirmam que o barulho de navios no norte do oceano Atlântico está causando estresse em baleias.
Segundo os cientistas do Aquário da Nova Inglaterra, em Boston, os motores de navios emitem um som na mesma frequência que algumas baleias usam para se comunicar.
Estudos anteriores já mostravam que as baleias mudam seus padrões de comunicação em lugares mais barulhentos.
Na pesquisa mais recente, os cientistas mediram os níveis de hormônios relacionados ao estresse nas fezes das baleias e descobriram que esses níveis aumentam de acordo com o aumento no tráfego dos navios.
Os cientistas estudaram as baleias francas do Atlântico norte na região da Baía de Fundy, no Canadá. A baleia está na lista de espécies ameaçadas, mesmo depois de sua população ter vivenciado um pequeno crescimento nos últimos anos.
No final do verão, essas baleias percorrem uma área do Atlântico na costa leste da América do Norte e vão até a baía canadense, para se alimentar.
Acreditava-se que a caça realizada séculos atrás teria dizimado a população dessas baleias. Mas pesquisas mais recentes mostram que o declínio ocorreu muito antes, por razões desconhecidas.
Rosalind Rolland, do Aquário da Nova Inglaterra, afirmou que a população atual é de 490 animais, um aumento em relação aos 350 registrados há uma década.
Queda no tráfego e no barulho
Cientistas estudam a baleia franca na baía canadense desde a década de 1980. Mas o último estudo, publicado na revista Proceedings of theRoyal Society Journal B, ocorreu por sorte.
Depois dos ataques de 11 de setembro de 2011 em Nova York e Washington, o tráfego de navios na baía caiu no Atlântico norte. E os cientistas registraram uma queda de 6 decibéis na intensidade do barulho registrada debaixo d'água.
Coincidentemente, outra equipe tinha apenas iniciado um projeto de cinco anos para recolher e examinar fezes das baleias francas do Atlântico norte.
As fezes recolhidas pela pesquisa de 2011, no período de menor tráfego, mostraram um nível mais baixo de hormônios glicocorticoides (associados ao estresse) do que o registrado nas pesquisas nos verões seguintes, quando o tráfego voltou aos níveis normais.
Primeira vez
"Esta foi a primeira vez que foi documentado o efeito fisiológico. Afinal, estes são animais de 50 toneladas, o que faz com que seu estudo não seja muito fácil", afirmou Rolland.
"Pesquisas anteriores mostraram que (as baleias) mudam o padrão de vocalização em um ambiente barulhento, da mesma forma que nós fazemos em uma festa, mas esta é a primeira vez que o estresse foi registrado fisiologicamente", acrescentou.
Apesar dos registros, os cientistas ainda não sabem o quanto isso afeta as baleias.
O que se sabe é que o nível de barulho no oceano tem aumentado nas últimas décadas. Uma análise mostrou que os ruídos na região nordeste do oceano Pacífico tiveram um aumento de 10 a 12 decibéis em relação aos registrados na década de 60.
Fonte: BBC Brasil
sábado, 19 de novembro de 2011
Vazamento da Chevron completa 10 dias em meio a dúvidas
O vazamento de petróleo em uma área de exploração da Chevron na Bacia de Campos completou dez dias com muitas informações desencontradas e nenhuma preocupação das autoridades em medir os impactos ambientais.
O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc sobrevoou nesta sexta-feira o local exato do vazamento, a 120 quilômetros da costa, e diz ter visto 'borbulhas no mar', que indicariam que o problema ainda não foi solucionado. A petrolífera americana afirma que o volume despejado no oceano diminui bastante e, agora, trata-se apenas de 'gotejamentos ocasionais'.
Há divergência também sobre a extensão atual da mancha de óleo, que chegou a atingir 160 quilômetros quadrados. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) diz que a área afetada é de 12 quilômetros quadrados. A medição da Chevron indica 1,8 quilômetro quadrado. Minc avalia que a dimensão é 'muito maior' do que foi informado.
Pouco se falou dos danos causados ao meio ambiente. Um cruzamento do dados realizado pela ong Greenpeace mostra que o acidente pode afetar a vida de pelo menos seis espécies diferentes. As mais afetadas pela mancha são a jubarte, a cachalote e a piloto-de-nadadeiras-curtas. Baleias do tipo bryde, minke-anã e franca, porém, também correm o risco de nadar de encontro à mancha (ver mapa abaixo). “A Chevron terá de pagar pelos impactos causados no meio ambiente”, disse o ex-ministro.
Causas - A petroleira evita falar das causas do acidente antes do final das investigações. Admite, no entanto, erro de cálculo na pressão. "Nós subestimamos a pressão no reservatório. Era mais alta do que esperávamos. O peso da lama foi programado para outra pressão", afirmou George Buck, presidente da Chevron Brasil, em uma entrevista que não pôde ser nem gravada e nem filmada. Ele também não soube explicar porque houve vazamento do óleo em um trecho específico da tubulação, conforme mostrou o vídeo divulgado pela ANP.
A Polícia federal apura a informação de que o poço foi perfurado em uma extensão 500 metros além do permitido. Sete funcionários da Chevron foram intimados a dar esclarecimentos na próxima semana, inclusive os engenheiros que trabalham na plataforma.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Marinha do Brasil (MB), se juntaram para acompanhar as investigações do caso. Os órgãos dividiram as funções. Assim, a ANP será responsável por apurar as causas do acidente e fiscalizar a contenção do vazamento; o Ibama deverá avaliar as ações da empresa para minimizar os danos ao meio ambiente, e a Marinha olhará as condições de segurança marítima da plataforma, além de disponibilizar navios e helicópteros para o acompanhamento das atividades.
O poço com problemas está no campo de Frade, na Bacia de Campos. Sua capacidade de produção é de 75 mil barris de petróleo por dia, que lhe garante o posto de oitavo maior campo do Brasil. O empreendimento é controlado em sua maior parte pela Chevron, que detém 52% das ações. Mas Petrobras e o consórcio japonês Frade Japão, ficam em segundo e terceiro, com 30% e 18% de participação.
Histórico - O caso não é o primeiro incidente do gênero no Brasil. A história da indústria petroleira no Brasil guarda em sua história tragédias como a explosão da plataforma P-36, da Petrobras, em março de 2001, que deixou 11 mortos, e um duto que se rompeu na Baía da Guanabara e despejou 1,3 milhão de litros de petróleo em janeiro de 2000.
Se comparado ao vazamento ocorrido em uma plataforma da BP no Golfo do México, no ano passado, o caso do Campo de Frade é de pequenas proporções. "Mesmo assim é preocupante. Acidentes na cadeia de petróleo sempre causam impacto”, diz o ambientalista Carlos Bocuhy. Um detalhe que une os dois casos, porém, é que tanto BP quanto Chevron contrataram a mesma empresa terceirizada para a perfuração de poços, a Transocean.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Japoneses vão começar a caçar baleias com escolta
O Japão vai lançar a campanha anual de caça à baleia na Antártida nas próximas semanas, reforçando a segurança dos navios baleeiros contra acções dos defensores dos cetáceos, anunciou hoje o ministro da Pesca japonês.
"O Japão vai realizar a campanha de caça à baleia, reforçando as medidas contra os atos de sabotagem, o que incluirá o destacamento de navios de escolta", anunciou o ministro da Agricultura, Florestas e Pesca, Michihiko Kano.
Em Fevereiro, Tóquio encurtou, pela primeira vez, em um mês a campanha baleeira na Antártida, depois de não ter conseguido capturar um quinto dos animais previstos. As autoridades japonesas evocaram as perturbações causadas pela associação norte-americana de defesa das baleias Sea Sheperd para explicar a decisão.
O Japão tinha anunciado, logo após o regresso desta missão, que ia estudar se prosseguia, ou não, com a "pesca científica", prática tolerada pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), que proíbe qualquer apreensão de cetáceos para fins comerciais.
Os países protectores das baleias e os defensores do ambiente denunciam a pesca científica como caça comercial disfarçada.
"Decepcionada" com o anúncio de Michihiko Kano, a Austrália reafirmou "firme oposição a qualquer pesca comercial da baleia, incluindo a pesca alegadamente científica praticada pelo Japão", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Kevin Rudd.
Fonte: DN GLOBO
Mais:
http://cardumebrasil.blogspot.com/2010/06/pesca-de-baleia-sem-acordo.html
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Baleia corcunda (jubarte) inspira biólogos portugueses a inventar forma de pesca
Vendo no YouTube o vídeo sobre a forma como pescam as baleias-corcundas, dá para perceber por que é que Cláudia Correia, Tiago Almeida e Mariana Duarte tiveram o "clique". O momento eureka dos jovens biólogos aconteceu em 2007, a ver televisão. Na altura, ainda eram finalistas de Biologia Marinha e Biotecnologia na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) em Peniche, e tinham de apresentar um projecto de final de curso na vertente aquacultura e pescas.
"Umas das questões que sempre abordámos no curso foram os problemas da pesca. Todos os tipos de pesca têm os seus problemas. Por que não corrigi-los?", conta Tiago Almeida, de 27 anos, que faz questão de dizer que é de Oliveira do Hospital. Uma noite sentaram-se em frente à televisão. "Era daqueles dias em que não estava a dar nada nos quatro canais e, de repente, ficámos a ver um documentário sobre as baleias-corcundas e a sua estratégia alimentar", recorda Cláudia Correia, de 29 anos.
Esta espécie (Megoptera novaenaglis) forma um círculo com bolhas para aprisionar e capturar o peixe - a estratégia chama-se bubble net feeding. Fez-se luz. "É uma rede de bolhas inofensiva para as espécies e natural. Porque não adaptá-la às artes de pesca?", pensaram. A técnica é semelhante à que é utilizada no cerco tradicional, uma das artes mais utilizadas em Portugal (sobretudo na captura de sardinha), em que a rede é colocada à volta do cardume. Em vez da rede, usariam bolhas de ar.
Apresentaram a ideia ao professor João Correia, biólogo marinho, que conduzia a cadeira de projecto. A reacção foi efusiva: "Eh, pá, grande ideia!". Nasceu a Bubble Net.
Cláudia Correia e Tiago Almeida queriam que tudo fosse mais rápido. A ideia surgiu em 2007. Um ano depois, deu-se início ao processo de registo internacional encabeçado pelo Instituto Politécnico de Leiria, a que pertence a ESTM. Seguiu-se a busca de financiamento. "O projecto agradou às capitais de risco, mas todas exigiram provas concretas. E nós precisávamos de dinheiro para conceber o protótipo e comprovar a ideia. Sem dinheiro, não há investigação", lembra Cláudia. Tiago lamenta: "o risco da capital de risco em Portugal é muito calculado".
Uma candidatura ao Programa Operacional de Pesca (Promar) foi, por isso, essencial para avançarem. Em Agosto de 2010 conseguiram apoios no valor de 540 mil euros para construir o protótipo à escala real. Já este ano puderam finalmente pôr mãos à obra e estão a comprar o material necessário para avançar com o projecto. Seguem-se as fases de experimentação no mar, que deverão arrancar dentro de um ano.
Entretanto, recorreram ao crowdfunding (financiamento online) para criar uma empresa e transformar a invenção científica num produto comercializável no mercado global. "Ainda não temos plano de negócios, mas a empresa pertencerá aos três investigadores e a intenção é explorar comercialmente o produto, cuja patente é detida pelo Instituto Politécnico de Leiria. Queremos pegar na ideia e trazê-la para o mercado", diz Tiago. Peru, Chile, Japão, China são alguns dos países potencialmente interessados. "Toda a linha equatorial costeira é potencial cliente", refere Cláudia.
Na plataforma PPL, a Bubble Net tinha angariado até sexta-feira 90 euros, dados por cinco apoiantes. Restam 79 dias para conseguirem obter os oito mil euros necessários para custos com advogados, divulgação, contabilidade e despesas administrativas. O montante servirá para manter a empresa a funcionar durante um ano. "O crowdfunding permite-nos manter a independência", explica Tiago.
Cláudia revela que, para a constituição da empresa, já apareceram muitos investidores interessados, mas os empreendedores preferem ver como corre a angariação de fundos na Internet. "Fomos aprendendo com o tempo que quando as necessidades de capital são baixas é preferível tentar angariar fundos de outra forma. Mais vale recorrer a investidores quando avançarmos para a internacionalização da Bubble Net, algo que vai requerer montantes elevados de investimento", adianta Tiago.
Para além do financiamento, os jovens biólogos têm outro desafio pela frente. A ideia da Bubble Net esbarra em "resistências culturais": o equipamento implica uma nova forma de pescar, a pensar na sustentabilidade e na preservação ambiental. Na prática, a bubble net é largada no mar pela embarcação mais pequena (chata) que tradicionalmente acompanha o barco na pesca de cerco. Uma espécie de mangueira rodeia o cardume. Depois, liga-se uma corrente de ar que forma uma parede de bolhas, criando a tal barreira que impede a fuga de peixe. "É mais difícil implementar o projecto em Portugal", onde as artes tradicionais de pesca têm peso, admitem os empreendedores.
Mas Tiago, Cláudia e Mariana (de 26 anos) acreditam na ideia, que nasceu um dia à noite depois de verem o documentário das baleias-corcundas. "É um processo muito rápido e inofensivo para o peixe, não implica redes", diz Tiago. O pescador poupa em combustível, na aquisição da rede (que chega a custar 150 mil euros) e na sua reparação. Por outro lado, "acabando com a rede no cerco, acabam-se as redes-fantasmas que ficam à deriva no mar, que capturam e arrastam os peixes", acrescenta Cláudia. É possível prevenir a extinção de espécies com métodos de pesca que satisfaçam as necessidades dos pescadores, garantem
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Coreia do Sul aperta regras contra a caça ilegal de baleias
Apesar da pesca comercial de baleias ter sido banida em 1986, ainda era possível o comércio de carne destes animais, desde que fossem encontrados mortos. As novas regras impõem um maior controle ao comércio e à caça ilegal.
A Coreia do Sul declarou que vai restringir a pesca ilegal de baleias. Apesar da caça comercial de baleias ter sido banida no país, ainda é permitido o comércio de baleias que são encontradas mortas.
As novas regras impostas requerem que o pescador declare à polícia a descoberta de baleias mortas nas suas redes de pesca ou encalhadas na costa. Esta alteração à lei ocorre após os críticos alertarem que alguns pescadores estariam a explorar uma brecha na lei.
Estas regulamentações exigem a recolha e entrega de amostras de todas as baleias encontradas mortas às autoridades. A carne só pode ser vendida após uma investigação sobre a causa da morte do animal.
O ministro da Agricultura da Coreia do Sul indica que os pescadores que apanharem animais mortos só serão autorizados a vender os produtos em instalações indicadas pelo estado. A nova lei pretende combater a “crescente caça ilegal de baleias” no país.
“Assim que as novas medidas entrem em vigor, Seoul será capaz de responder melhor às alegações de supervisão branda levantadas por alguns países e pelo IWC (Comissão Baleeira Internacional) e estabelecer as bases para o monitoramento dos recursos marinhos em torno da península coreana”, refere um funcionário do ministério.
A Coreia do Sul baniu a pesca comercial de baleias em 1986, quando o IWC implementou uma moratória global.
Fonte: www.bbc.co.uk via Naturlink
As novas regras impostas requerem que o pescador declare à polícia a descoberta de baleias mortas nas suas redes de pesca ou encalhadas na costa. Esta alteração à lei ocorre após os críticos alertarem que alguns pescadores estariam a explorar uma brecha na lei.
Estas regulamentações exigem a recolha e entrega de amostras de todas as baleias encontradas mortas às autoridades. A carne só pode ser vendida após uma investigação sobre a causa da morte do animal.
O ministro da Agricultura da Coreia do Sul indica que os pescadores que apanharem animais mortos só serão autorizados a vender os produtos em instalações indicadas pelo estado. A nova lei pretende combater a “crescente caça ilegal de baleias” no país.
“Assim que as novas medidas entrem em vigor, Seoul será capaz de responder melhor às alegações de supervisão branda levantadas por alguns países e pelo IWC (Comissão Baleeira Internacional) e estabelecer as bases para o monitoramento dos recursos marinhos em torno da península coreana”, refere um funcionário do ministério.
A Coreia do Sul baniu a pesca comercial de baleias em 1986, quando o IWC implementou uma moratória global.
Fonte: www.bbc.co.uk via Naturlink
terça-feira, 2 de novembro de 2010
RJ - Restos de jubarte aparecem em Maricá
Uma baleia da espécie Jubarte chegou morta a praia de Itaipuaçu, em Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (1). O Corpo de Bombeiros, acionado às 9h, chamou uma equipe de biólogos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para avaliar como deve ser feita a remoção do corpo do animal, e trabalhar em conjunto com a subsecretaria de Meio Ambiente.
De acordo com os biólogos, que coletaram músculos e gordura para análise de poluentes e metais pesados, a baleia tem cerca de 12 metros de comprimento. O corpo continua boiando, apenas partes do animal chegaram à praia.
No dia 3 de outubro, outra baleia encalhou no bairro Ponta Negra, segundo a prefeitura.
Na última quarta-feira (27), uma baleia morreu após ficar dois dias encalhada na praia de Geribá, em Búzios, região dos Lagos.
De acordo com os biólogos, que coletaram músculos e gordura para análise de poluentes e metais pesados, a baleia tem cerca de 12 metros de comprimento. O corpo continua boiando, apenas partes do animal chegaram à praia.
No dia 3 de outubro, outra baleia encalhou no bairro Ponta Negra, segundo a prefeitura.
Na última quarta-feira (27), uma baleia morreu após ficar dois dias encalhada na praia de Geribá, em Búzios, região dos Lagos.
Fonte: R7
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
RJ - Morte da Jubarte encalhada
Segundo o diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, que acompanhou todo o processo, por volta de 0h30 a baleia estava completamente fora de água, porque a maré baixou muito. "Ela estava com dificuldade para respirar e teve uma convulsão. A gente pretendia fazer uma nova tentativa de resgate por volta de 5h, quando a maré subisse, mas ela morreu antes", contou.
A jubarte media cerca de 15 metros e estava no local desde segunda-feira (25), quando começaram os esforços dos bombeiros para desencalhar o mamífero. Ontem, um rebocador da Petrobras foi usado na tentativa de resgate, sem sucesso. A corda que amarrou a baleia arrebentou e ela continuou bem próxima à praia, já apresentando sinais de cansaço.
O animal ficou preso em um banco de areia enquanto se alimentava de um cardume de peixes pequenos. Cerca de dez bombeiros foram deslocados para o local na tentativa de libertar o animal sem causar ferimentos. Dezenas de curiosos e voluntários, como ambientalistas da ONG SOS Meio Ambiente, acompanharam a operação para tentar salvá-la.
Segundo o Instituto Baleia Jubarte, este ano 89 baleias já encalharam na costa brasileira. No ano passado foram 30.Neste ano, sete baleias desta espécie encalharam no litoral do nacional.
Fonte: UOL, Terra, Instituto Baleia Jubarte e Estadão
Imagem: Agência Reuters
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Baleias animadas (Flight of the Whales)
Gosto muito deste vídeo, ou seria desenho? Clip? Enfim, é muito bonito, as jubartes são as estrelas(quem já as viu dá até pra imaginar estes vôos), e gostaria de compartilhar com vocês!
Fonte: Disney - Fantasia 2000
Fonte: Disney - Fantasia 2000
domingo, 12 de setembro de 2010
"Brothers" por Alano Edzerza
As Orcas costumam viajar e também caçar em grupo, como os lobos, sendo também por isso chamados pelos povos nativos como "lobos do mar".
As Orcas são as mais admiradas de todos as baleias e é usado como um poderoso escudo por muitos clãs.
Há uma lenda que diz que uma Orca quando ferida por caçadores de baleia retorna em algum ponto mais tarde no tempo para virar o baleeiro.
Em outra lenda, a baleia poderia capturar seu atacante e arrasta-lo, juntamente com o seu barco e seus tripulantes até a Vila (subaquática) das Baleias. Os tripulantes e o baleeiro, então, se transformariam em baleias.
sábado, 26 de junho de 2010
LIVRO: No Coração do Mar (2000) - Nathaniel Philbrick
O naufrágio do baleeiro ESSEX, no Século 19 foi um acontecimento tão comentado quanto o naufrágio do Titanic no Século 20. Albaroada 2 vezes por uma baleia cachalote, que a golpeou com a cabeça, a embarcação afundou rapidamente.
Amontoados em 3 botes no meio do Oceano Pacífico, os tripulantes navegaram por 3 meses, percorrendo milhares de milhas em mar aberto na esperança de salvação, por terra firme ou alguma embarcação que os socorresse.
Os naufragos chegaram a avistar uma ilha, desembarcaram nela, mas em poucos dias não havia mais água doce nem alimento na ilha deserta e tiveram que voltar aos botes em busca de melhor sorte.
A escassez de água e comida os submeteram aos horrores da inanição e da desidratação, da doença e da loucura, e os levou aos extremos da morte como o canibalismo.

Mais do que uma aventura, a tragédia desses homens simples, alguns ainda adolescentes, desafia o leitor a refletir sobre a capacidade de resistência do espírito humano diante de adversidades insuperáveis.
Este episódio inspirou Herman Melville a escrever sua obra mais conhecida, Moby Dick.
Amontoados em 3 botes no meio do Oceano Pacífico, os tripulantes navegaram por 3 meses, percorrendo milhares de milhas em mar aberto na esperança de salvação, por terra firme ou alguma embarcação que os socorresse.
Os naufragos chegaram a avistar uma ilha, desembarcaram nela, mas em poucos dias não havia mais água doce nem alimento na ilha deserta e tiveram que voltar aos botes em busca de melhor sorte.
A escassez de água e comida os submeteram aos horrores da inanição e da desidratação, da doença e da loucura, e os levou aos extremos da morte como o canibalismo.
Mais do que uma aventura, a tragédia desses homens simples, alguns ainda adolescentes, desafia o leitor a refletir sobre a capacidade de resistência do espírito humano diante de adversidades insuperáveis.
Este episódio inspirou Herman Melville a escrever sua obra mais conhecida, Moby Dick.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Pesca de Baleia - Sem Acordo
Discussões entre nações baleeiras e oponentes à caça para chegar a um acordo durante uma reunião anual da Comissão Internacional de Caça a Baleias (IWC, na sigla em inglês) fracassaram.
Após dois dias de negociações privadas, delegados participantes anunciaram que não foram capazes de chegar a um acordo em relação às questões mais importantes.
O acordo teria colocado atividades baleeiras na Islândia, Japão e Noruega sob supervisão internacional durante dez anos.
As negociações para o "plano de paz" vinham acontecendo há dois anos. Agora, os participantes preveem que haja um período de esfriamento que deve durar um ano.
"Após dois dias de negociações (...) parece que nosso processo chegou a um impasse", disse uma representante dos Estados Unidos, Monica Medina.
Os Estados Unidos estão entre as nações fazendo pressão para que haja um acordo. Segundo Medina, o fracasso das discussões não é culpa de nenhum país em particular.
Após dois dias de negociações privadas, delegados participantes anunciaram que não foram capazes de chegar a um acordo em relação às questões mais importantes.
O acordo teria colocado atividades baleeiras na Islândia, Japão e Noruega sob supervisão internacional durante dez anos.
As negociações para o "plano de paz" vinham acontecendo há dois anos. Agora, os participantes preveem que haja um período de esfriamento que deve durar um ano.
"Após dois dias de negociações (...) parece que nosso processo chegou a um impasse", disse uma representante dos Estados Unidos, Monica Medina.
Os Estados Unidos estão entre as nações fazendo pressão para que haja um acordo. Segundo Medina, o fracasso das discussões não é culpa de nenhum país em particular.
Responsabilidade
Outros delegados, no entanto, tentaram - ainda que de forma moderada - responsabilizar seus oponentes pelo fracasso do plano.
A representante da Argentina, Susana Ruiz Cerutti, disse que um esboço da proposta que circulava entre governos há dois meses não atendia às necessidades de países latino-americanos.
"Ela legitima a pesca científica no Oceano do Sul (pelo Japão) e não reduz substancialmente os números", disse Cerutti.
A diferença que existe entre esta visão e a posição das nações baleeiras foi exemplificada pela representante do Ministério da Agricultura e Pesca do Japão, Yasue Funayama.
Para Funayama, o objetivo das negociações era "devolver a IWC sua função de organização administradora de recursos".
Nações contrárias à pesca de baleias querem que a IWC se transforme em uma organização voltada à conservação.
A proposta "continha elementos que o Japão teria extrema dificuldade em aceitar", disse Funayama.
Nos bastidores, fontes japonesas disseram que, para elas, o principal problema era a exigência, pela União Europeia e países latino-americanos, de que o programa de pesca na Antártida fosse suspenso dentro de um prazo definido de tempo.
Do ponto de vista do Japão, concordar em reduzir sua cota de 935 baleias caçadas por ano hoje para 200 daqui a dez anos representava um passo significativo, uma oferta que deveria ter sido aceitável para seus oponentes. Mais negociações, possivelmente sobre uma redução gradual até a suspensão total, aconteceriam mais adiante.
Geoffrey Palmer, ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia e atual comissário para atividades baleeiras, intimamente envolvido nas "negociações de paz" disse que o "Japão mostrou flexibilidade real e vontade real de chegar a um acordo".
"Mas estamos em uma situação hoje em que as distâncias não podem ser eliminadas".
"E a razão para isso é óbvia - falta vontade política de vencer essas distâncias para que se chegue a uma solução de meio-termo".
Outros delegados, no entanto, tentaram - ainda que de forma moderada - responsabilizar seus oponentes pelo fracasso do plano.
A representante da Argentina, Susana Ruiz Cerutti, disse que um esboço da proposta que circulava entre governos há dois meses não atendia às necessidades de países latino-americanos.
"Ela legitima a pesca científica no Oceano do Sul (pelo Japão) e não reduz substancialmente os números", disse Cerutti.
A diferença que existe entre esta visão e a posição das nações baleeiras foi exemplificada pela representante do Ministério da Agricultura e Pesca do Japão, Yasue Funayama.
Para Funayama, o objetivo das negociações era "devolver a IWC sua função de organização administradora de recursos".
Nações contrárias à pesca de baleias querem que a IWC se transforme em uma organização voltada à conservação.
A proposta "continha elementos que o Japão teria extrema dificuldade em aceitar", disse Funayama.
Nos bastidores, fontes japonesas disseram que, para elas, o principal problema era a exigência, pela União Europeia e países latino-americanos, de que o programa de pesca na Antártida fosse suspenso dentro de um prazo definido de tempo.
Do ponto de vista do Japão, concordar em reduzir sua cota de 935 baleias caçadas por ano hoje para 200 daqui a dez anos representava um passo significativo, uma oferta que deveria ter sido aceitável para seus oponentes. Mais negociações, possivelmente sobre uma redução gradual até a suspensão total, aconteceriam mais adiante.
Geoffrey Palmer, ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia e atual comissário para atividades baleeiras, intimamente envolvido nas "negociações de paz" disse que o "Japão mostrou flexibilidade real e vontade real de chegar a um acordo".
"Mas estamos em uma situação hoje em que as distâncias não podem ser eliminadas".
"E a razão para isso é óbvia - falta vontade política de vencer essas distâncias para que se chegue a uma solução de meio-termo".
Incerteza
O caminho agora é incerto. Muitos delegados estão se perguntando qual seria a vantagem de se deixar o assunto em aberto durante mais um ano. Se o acordo é impossível, então talvez seja melhor encarar os fatos agora, argumentam.
Optar por mais tempo "questionaria a credibilidade da comissão", disse Rami Parmentier, consultor político do Pew Environment Group, uma das entidades que vêm apoiando a ideia de uma solução de meio-termo.
Mas talvez haja também uma relutância em abandonar o tom construtivo dos últimos dois anos e arriscar um retorno ao clima de conflito que caracterizou a IWC no passado.
Outros grupos contrários à pesca da baleia, no entanto, ficaram satisfeitos por seus governos não terem aceito a proposta, já que, para eles, ela teria legitimado as atividades baleeiras da Islândia, Japão e Noruega.
"Se esse acordo tivesse vivido, teria vivido na vergonha", disse Patrick Ramage, chefe do programa de baleias do International Fund for Animal Welfare (IFAW).
"Talvez haja um período de resfriamento na IWC, mas nesse período, os baleeiros estarão ocupados, caçando suas presas", afirmou.
O caminho agora é incerto. Muitos delegados estão se perguntando qual seria a vantagem de se deixar o assunto em aberto durante mais um ano. Se o acordo é impossível, então talvez seja melhor encarar os fatos agora, argumentam.
Optar por mais tempo "questionaria a credibilidade da comissão", disse Rami Parmentier, consultor político do Pew Environment Group, uma das entidades que vêm apoiando a ideia de uma solução de meio-termo.
Mas talvez haja também uma relutância em abandonar o tom construtivo dos últimos dois anos e arriscar um retorno ao clima de conflito que caracterizou a IWC no passado.
Outros grupos contrários à pesca da baleia, no entanto, ficaram satisfeitos por seus governos não terem aceito a proposta, já que, para eles, ela teria legitimado as atividades baleeiras da Islândia, Japão e Noruega.
"Se esse acordo tivesse vivido, teria vivido na vergonha", disse Patrick Ramage, chefe do programa de baleias do International Fund for Animal Welfare (IFAW).
"Talvez haja um período de resfriamento na IWC, mas nesse período, os baleeiros estarão ocupados, caçando suas presas", afirmou.
Fonte: UOL / BBC Brasil
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Indonésia: Pesca artesanal de baleia
Abaixo interessante reportagem de julho de 2007 (Mail Online) sobre a comunidade de Lamalera na Indonésia, que pesca baleias cachalotes de forma bem rústica e que são em determinada época do ano o principal sustento de toda a comunidade local.
Remete-nos não só a captura de baleias mas a qualquer recurso pesqueiro e a importância do equilíbrio necessário entre preservação e a exploração do recurso vivo de forma sustentável.
O modo de vida é o mesmo há centenas de anos: um grupo de habilidosos pescadores que utilizam apenas a coragem e seus corpos para capturar cachalotes de até 25 metros de comprimento que fornece alimento e materiais para a aldeia inteira.
Estas incríveis imagens foram feitas durante uma pesca de baleia em um dos poucos locais do mundo onde se ainda utiliza métodos artesanais para se capturar estas imensas criaturas marinhas.
Estes pescadores batalham mais de 6 horas empunhando facas tradicionais para golpear a baleia, chamada por eles de Koteklema. Assim, os pescadores de Lamalera (uma vila situada na porção sul da ilha Lembata, na Indonésia) matam sua presa com as próprias mãos.
Cada barco é feita a mão, sem pregos ou partes de metal e as velas são feitas de folhas de Gebang. Os cabos são feitas de folhas de palmeiras e fibras de madeira (Waru) trançados em conjunto.
Não utilizam nenhum outro apetrecho, no ritual secular de caça a baleia, transmitida de geração em geração.
A pobre ilha, por ser bastante pedregosa tem pouco de agricultura, por isso a sua população depende principalmente do mar, que é abundante em marlins, atuns, arraias, tartarugas, polvos e lagostas.
Durante a Lefa Nue (Temporada de maio a outubro) os aldeões pescam baleias, tubarões e golfinhos.
No entanto a comunidade tem medo com o seu futuro, pois cada vez menos ocorrem pescas bem sucedidas de baleias nos últimos 5 anos. No ano passado pescaram apenas 3 koteklemas.
Os aldeões culpam a falta de harmonia entre as tribos pela constante falta de sucesso: “Se não há paz entre nós, não há boa caça de baleias” disse o aldeão Anna Bataona.
A pesca de baleia no Mar de Sawu, a Oeste de Timor é uma tradição ligada a todos os aspectos da vida em Lamalera.
O povo local acredita na harmonia entre a vida no mar e na ilha. Paz na terra garante uma boa pesca no mar.
Se o pescador (Matros) navega sem fazer as pazes com seu irmão ou inimigo seu barco enfrentará problemas durante a pesca.
As pescarias são comandadas pelo Lamafa (Capitão) que se purifica durante a temporada de caça as baleias (seis meses) abstendo-se de sexo. Eles também são proibidos de dormir enquanto durar uma viagem de pesca.
Rofinus Sanga Sulaona, 47 anos, é um dos mais habilidosos Lamafas. Ele já matou 35 cachalotes e sua presença a bordo é considerado garantia de uma boa pescaria.
Sua embarcação de pesca (peledang) que acomoda 16 homens, chamada Dolu Tene, é famosa entre os pescadores de Lamalera.
O Lamafa salta do barco segurando a “Kefa” (uma vara de bambu com uma lamina de aço na ponta funcionando como um dardo) que ele utiliza para perfurar a baleia antes de nadar de volta ao barco e pegar outra kefa.
Os pescadores trabalham como uma equipe esfaqueando o dorso da baleia e trabalhando com os cabos em torno de seu corpo maciço. Os pequenos barcos, insignificantes e inferiores em comparação a baleia, correm o risco constante de serem adernados por uma única batida de cauda.
Movendo-se rápida como uma lancha, a baleia arrasta os barcos pela água e reagindo com espasmos a cada kefa que é lançada contra seu corpo. A gordura da baleia, cerca de 30 centímetros de espessura, exige um grande esforço dos pescadores para se atingir a carne macia por baixo.
Mais barcos de outras tribos juntam-se no esforço desesperado de domar a baleia. Cada salto sob a baleia pode ser o ultimo do Lamafa que pode ser abatido pela cauda da baleia que o deixará inconsciente no mar.
Pode parecer uma forma cruel de caçar, mas o Lamafa Korolus ressalta “Não temos outra escolha, precisamos da Koteklema para sobreviver”.
Quando a baleia desiste de lutar, aplausos surgem nos barcos junto aos vitoriosos gritos de “Hirkae!”
Nesta ocasião os Pescadores de Lamafera caçaram tantas baleias quanto no ano anterior inteiro. “É por que nos conciliamos seriamente e sinceramente” diz Sanga.
Como Lamafa, Sanga recebeu os primeiros cortes da carne de baleia, mas ao invés de levar para sua casa foi na casa do Lamafa anterior, Stefanus Beding, e entregou parte a sua viúva.
Remete-nos não só a captura de baleias mas a qualquer recurso pesqueiro e a importância do equilíbrio necessário entre preservação e a exploração do recurso vivo de forma sustentável.
Os Pescadores que capturam baleias com as próprias mãos
Por Bona Beding (Tradução livre: Maurício Düppré)
O modo de vida é o mesmo há centenas de anos: um grupo de habilidosos pescadores que utilizam apenas a coragem e seus corpos para capturar cachalotes de até 25 metros de comprimento que fornece alimento e materiais para a aldeia inteira.
Estas incríveis imagens foram feitas durante uma pesca de baleia em um dos poucos locais do mundo onde se ainda utiliza métodos artesanais para se capturar estas imensas criaturas marinhas.
Sem arpão ou barco a motor, pescador arrisca-se a morte em uma pescaria que pode garantir alimento para toda sua aldeia (Foto: Bona Beding / Mail Online).
Estes pescadores batalham mais de 6 horas empunhando facas tradicionais para golpear a baleia, chamada por eles de Koteklema. Assim, os pescadores de Lamalera (uma vila situada na porção sul da ilha Lembata, na Indonésia) matam sua presa com as próprias mãos.
Cada barco é feita a mão, sem pregos ou partes de metal e as velas são feitas de folhas de Gebang. Os cabos são feitas de folhas de palmeiras e fibras de madeira (Waru) trançados em conjunto.
Dois barcos de pesca trabalham juntos e seus capitães (Lamafas) manejam lanças contra a cachalote e ficam no ar em plena costa da Indonésia. (Foto: Bona Beding / Mail Online).
Não utilizam nenhum outro apetrecho, no ritual secular de caça a baleia, transmitida de geração em geração.
A pobre ilha, por ser bastante pedregosa tem pouco de agricultura, por isso a sua população depende principalmente do mar, que é abundante em marlins, atuns, arraias, tartarugas, polvos e lagostas.
Durante a Lefa Nue (Temporada de maio a outubro) os aldeões pescam baleias, tubarões e golfinhos.
No entanto a comunidade tem medo com o seu futuro, pois cada vez menos ocorrem pescas bem sucedidas de baleias nos últimos 5 anos. No ano passado pescaram apenas 3 koteklemas.
Os aldeões culpam a falta de harmonia entre as tribos pela constante falta de sucesso: “Se não há paz entre nós, não há boa caça de baleias” disse o aldeão Anna Bataona.
A pesca de baleia no Mar de Sawu, a Oeste de Timor é uma tradição ligada a todos os aspectos da vida em Lamalera.
O povo local acredita na harmonia entre a vida no mar e na ilha. Paz na terra garante uma boa pesca no mar.
Se o pescador (Matros) navega sem fazer as pazes com seu irmão ou inimigo seu barco enfrentará problemas durante a pesca.
As pescarias são comandadas pelo Lamafa (Capitão) que se purifica durante a temporada de caça as baleias (seis meses) abstendo-se de sexo. Eles também são proibidos de dormir enquanto durar uma viagem de pesca.
Rofinus Sanga Sulaona, 47 anos, é um dos mais habilidosos Lamafas. Ele já matou 35 cachalotes e sua presença a bordo é considerado garantia de uma boa pescaria.
Sua embarcação de pesca (peledang) que acomoda 16 homens, chamada Dolu Tene, é famosa entre os pescadores de Lamalera.
Os pescadores trabalham como uma equipe esfaqueando o dorso da baleia e trabalhando com os cabos em torno de seu corpo maciço. Os pequenos barcos, insignificantes e inferiores em comparação a baleia, correm o risco constante de serem adernados por uma única batida de cauda.
Com apenas um choque de sua cauda a baleia pode deixar um pescador inconciente (Foto: Bona Beding / Mail Online).
Movendo-se rápida como uma lancha, a baleia arrasta os barcos pela água e reagindo com espasmos a cada kefa que é lançada contra seu corpo. A gordura da baleia, cerca de 30 centímetros de espessura, exige um grande esforço dos pescadores para se atingir a carne macia por baixo.
Mais barcos de outras tribos juntam-se no esforço desesperado de domar a baleia. Cada salto sob a baleia pode ser o ultimo do Lamafa que pode ser abatido pela cauda da baleia que o deixará inconsciente no mar.
Pode parecer uma forma cruel de caçar, mas o Lamafa Korolus ressalta “Não temos outra escolha, precisamos da Koteklema para sobreviver”.
Os pescadores golpeiam a baleia com profundidade para ultrapassar a camada de gordura e chegar até a carne macia do animal (Foto: Bona Beding / Mail Online).
Quando a baleia desiste de lutar, aplausos surgem nos barcos junto aos vitoriosos gritos de “Hirkae!”
Nesta ocasião os Pescadores de Lamafera caçaram tantas baleias quanto no ano anterior inteiro. “É por que nos conciliamos seriamente e sinceramente” diz Sanga.
Como Lamafa, Sanga recebeu os primeiros cortes da carne de baleia, mas ao invés de levar para sua casa foi na casa do Lamafa anterior, Stefanus Beding, e entregou parte a sua viúva.
“Ele me ensinou as habilidades, a disciplina e a ética de ser um Lamafa” disse “Enquanto sua viúva viver darei metade de minha parte a sua família”.
O restante dos cortes de carne são distribuídos entre os pobres e idosos da aldeia com a convicção de que a harmonia no seio da comunidade garantirá boas capturas no futuro.
Mas, com o desaparecimento dos estoques de baleia e a competição com tecnologias mais modernas, utilizadas pela frota japonesa com barcos velosos, explosives e arpões, pergunta-se quanto tempo mais durará esta notável tradição?
Fonte: Mail Online
A carcaça de 25 metros de uma cachalote é descarnada na praia para a alimentação da comunidade (Foto: Bona Beding / Mail Online).
O restante dos cortes de carne são distribuídos entre os pobres e idosos da aldeia com a convicção de que a harmonia no seio da comunidade garantirá boas capturas no futuro.
Mas, com o desaparecimento dos estoques de baleia e a competição com tecnologias mais modernas, utilizadas pela frota japonesa com barcos velosos, explosives e arpões, pergunta-se quanto tempo mais durará esta notável tradição?
Fonte: Mail Online
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Controvérsia: A Pesca de baleias
Todos os verões austrais, há uma guerra no Oceano Antárctico, por causa da caça à baleia. Este ano, em janeiro, foi o trimarã Ady Gil da ONG Sea Shepard Conservation Society e o baleeiro japonês Shonan Maru que se confrontaram, de forma violenta.
O Japão é acusado pelos conservacionistas de contornar a interdição da caça comercial à baleia sob o pretexto de pesquisa científica. Uma acusação suportada por Austrália e Nova Zelândia. As águas destes países fazem fronteira com o santuário do Oceano Austral, onde impera uma moratória desde 1994.
As posições de Camberra e Tóquio sobre a caça à baleia parecem irreconciliáveis.
“A Austrália vai apresentar na Comissão Baleeira Internacional uma proposta para acabar, de forma faseada, com a caça à baleia nos oceanos do sul num período de tempo razoável”, afirma o ministro australiano dos Negócios Estrangeiros, Stephen Smith.
“Se houver uma ação judicial, o Japão vai defender-se e mostrar que as suas atividades são legais e aceitas pela Comissão Baleeira Internacional”, contra-ataca Katsuya Okada, ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão.
Em Maio, a Austrália anunciou que vai apresentar queixa contra o Japão no Tribunal Internacional de Justiça, mas para os japoneses está fora de questão renunciar a uma actividade que consideram uma tradição.
No Japão, a carne de baleia congelada do Antárctico custa 27 euros o quilo, mas a carne proveniente das costas japonesas pode atingir os 900 euros o quilo.
Em 2009, o Japão caçou mais de mil baleias, maioritariamente no Oceano Árctico, alegando investigação científica.
A Noruega, com 536 baleias apanhadas, e a Islândia, com 38, recusam a moratória da Comissão Baleeira Internacional e retomaram a caça comercial, fixando eles próprios as quotas.
Em Março, as exportações islandesas de produtos derivados de baleia para o Japão, renderam quase 1 milhão de euros à ilha do Atlântico Norte.
Fonte: Euronews
segunda-feira, 21 de junho de 2010
História: Pesca de baleia no litoral catarinense
Em tempo de debate sobre o retorno ou não da pesca comercial de baleia, abaixo um pouco de história sobre a atividade no litoral catarinene, mas que foi muito comum ao longo da costa brasileira. Cidades e vilarejos que carregam em seu nome Armação trazem em sua história um passado de exploração deste então importante recurso pesqueiro, que era fonte principalmenete de energia mas também de alimento.
De acordo com historiador Vilson Farias, as armações baleeiras eram empreendimentos comerciais de abate de baleias na costa. Tinham alto custo e mão de obra artesanal. Exigiam frotas de navio, fábrica de transformação do óleo e estrutura suficiente para captar e abater a franca.
A perseguição às baleias era feita em lanchas (“baleeiras”, cujo formato até hoje é comum aos barcos de pesca artesanal catarinenses) impulsionadas a remo e à vela em alto mar. Os animais eram pegos com um arpão rudimentar de ferro batido com farpas e uma haste de madeira, preso à lancha por um cabo. A baleia costumava arrastar a lancha por várias horas, antes de, exausta, morrer. A morte poderia demorar até 24 horas.
As seis unidades em Santa Catarina funcionaram de 1740 a 1850. Conforme lembra o historiador Fernando Bitencourt, o consumo da carne nunca foi o objetivo das capturas de baleias. Elas foram dizimadas por causa da espessa camada de gordura que reveste o corpo. Derretido, o óleo era destinado a iluminação e lubrificação. As barbatanas eram vendidas para fabricação de espartilhos e utilizadas como liga na produção de argamassas para igrejas e fortalezas.
A perseguição às baleias era feita em lanchas (“baleeiras”, cujo formato até hoje é comum aos barcos de pesca artesanal catarinenses) impulsionadas a remo e à vela em alto mar. Os animais eram pegos com um arpão rudimentar de ferro batido com farpas e uma haste de madeira, preso à lancha por um cabo. A baleia costumava arrastar a lancha por várias horas, antes de, exausta, morrer. A morte poderia demorar até 24 horas.
As seis unidades em Santa Catarina funcionaram de 1740 a 1850. Conforme lembra o historiador Fernando Bitencourt, o consumo da carne nunca foi o objetivo das capturas de baleias. Elas foram dizimadas por causa da espessa camada de gordura que reveste o corpo. Derretido, o óleo era destinado a iluminação e lubrificação. As barbatanas eram vendidas para fabricação de espartilhos e utilizadas como liga na produção de argamassas para igrejas e fortalezas.
Fonte: Zero Hora
Imagem: CARDUME
sábado, 29 de maio de 2010
Austrália formaliza queixa conta a pesca japonesa de baleias
A BBC News informa que, após meses de ameaças, o governo de Camberra confirmou que na semana próxima apresentará em Haia acusações formais contra os baleeiros japoneses. O Japão, que mata centenas de baleias por ano, alega que os faz por razões científicas.
- Queremos que cesse a matança de baleias em nome da ciência e da investigação», sublinha o ministro australiano da Protecção Ambiental, Peter Garrett.
O ministro japonês da pesca, Hirotaka Akamatsu, lamenta a determinação australiana e contrapõe que os baleeiros operam de acordo com uma moratória internacional. Mas a verdade é que a Comissão Baleeira Internacional já admitiu, em Abril último, a possibilidade de revogar essa mesma moratória que beneficia desde 1986 a Noruega, a Islândia e o Japão.
A decisão da Austrália de colocar um ponto final no programa japonês de pesca científica da baleia, surge antes da realização, em Junho, de uma reunião da Comissão Baleeira Internacional. O objectivo da reunião, que vai realizar-se em Marrocos, é encontrar uma nova abordagem para a pesca da baleia, que deverá permitir a pesca comercial, mas regulada por um severo regime de quotas.
Fonte: BBC e Portugal Diário
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