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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Japão: Lula gigante (8 metros - 163kg)


Um grupo de pescadores foi surpreendido ao largo da costa do Japão, quando se deparou com uma lula de cerca de oito metros na rede de pesca.


Depois de os tentáculos terem sido parcialmente cortados por acidente durante a captura, os peritos estimam que no total, o espécime media oito metros, já que o tamanho de cada tentáculo iguala o tamanho do corpo em comprimento.

A lula, com cerca de 163 kg, ainda estava viva quando foi apanhada numa rede de pesca, mas acabou por morrer pouco depois de ser trazida para a superfície.



O capitão da embarcação que protagonizou a captura lamentou o facto de o animal ter sofrido, mas explicou que não existem técnicas de pesca para capturar uma lula gigante. De outro modo, disse, a equipa poderia tê-la tratado "com mais gentileza".

A maior lula já pescada, com cerca de 18 metros desde a cabeça até à ponta dos tentáculos, está em exposição no Museu Nacional de Ciências da Natureza do Japão.


Veja o vídeo:


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Detalhes da reprodução dos moluscos cefalópodes são revelados



Em artigo de capa publicado no periódico Journal of Morphology, pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) descreveram detalhes até então obscuros do processo reprodutivo de moluscos cefalópodes, classe de animais marinhos a que pertencem os polvos, as lulas, as sépias e os náutilos.

A pesquisa foi feita com lulas da espécie Doryteuthis plei, coletadas no litoral de São Sebastião, em São Paulo, durante o doutorado de José Eduardo Amoroso Rodriguez Marian, com Bolsa da FAPESP, orientado pelo professor Osmar Domaneschi (in memoriam) e pela professora Sônia Godoy Bueno Carvalho Lopes.

“As lulas e os demais cefalópodes entram na fase reprodutiva no fim do ciclo de vida. Durante a cópula, os machos transferem seus gametas para as fêmeas por meio de um braço modificado conhecido como hectocótilo”, disse Marian.

Os espermatozoides são transferidos dentro de cápsulas chamadas espermatóforos, explicou o pesquisador. Essas estruturas são produzidas continuamente pelo macho quando ele atinge a maturidade sexual e ficam armazenadas no saco espermatofórico. A cada cópula, algumas dezenas de cápsulas são transferidas para as fêmeas.

“Já se conhecia esse processo, mas não se sabia por que os cefalópodes possuíam espermatóforos tão complexos. Para alguns autores, são as estruturas reprodutivas mais complexas do reino animal”, disse Marian.

Ao perceber a carência de trabalhos na área, Marian decidiu focar sua pesquisa de doutorado, que havia começado com tema mais amplo, no entendimento da estrutura e do funcionamento dos espermatóforos.

“Acreditava-se anteriormente que os machos desempenhavam um papel mais ativo na transferência de espermatozoides. Mas mostramos que o espermatóforo sozinho é capaz de se ancorar no corpo da fêmea, perfurar o tecido e se aderir a ele por meio da liberação de substâncias adesivas. Todo esse processo é autônomo, ou seja, realizado pelo próprio espermatóforo, e extracorpóreo”, explicou.

O espermatóforo tem três componentes principais, cada um deles com uma função diferente. “Além da massa espermática, que contém os espermatozoides, há o aparato ejaculatório, responsável pela ancoragem no corpo da fêmea e pela escarificação do tecido. Há ainda o corpo cimentante, estrutura que libera as substâncias adesivas”, disse Marian.

No artigo publicado no Journal of Morphology, Marian descreve em detalhes a chamada reação espermatofórica – processo durante o qual o aparato ejaculatório é projetado e a massa espermática e o corpo cimentante são liberados.

O tempo de duração desse fenômeno varia de acordo com a espécie. No caso das lulas estudadas, gira em torno de 30 segundos. “Mas, no caso do polvo gigante do Pacífico, cujo espermatóforo pode atingir um metro de comprimento, pode chegar a uma hora”, contou.

Para entender melhor cada etapa do processo, Marian, com auxílio de colegas do Centro de Biologia Marinha da USP, removeu os espermatóforos das lulas, engatilhou a reação espermatofórica vitro e observou o fenômeno sob as lentes do microscópio.

“O espermatóforo é uma cápsula alongada com cerca de um centímetro no caso da maioria das lulas. Em um dos ápices há um filamento. Quando esse filamento é tensionado, tem início a reação espermatofórica”, disse.

A pesquisa também deu origem a outras publicações. No periódico Acta Zoologica foi descrita uma análise morfológica detalhada do espermatóforo.

A constatação de que os espermatóforos tinham capacidade de perfurar o tecido das fêmeas rendeu um artigo no Journal of Molluscan Studies. Já na revista Papéis Avulsos de Zoologia foi publicado um outro artigo de revisão sobre o tema.

“Com base nas evidências que conseguimos reunir, desenvolvemos um modelo teórico para explicar o processo de implante de espermatóforos, fenômeno que permaneceu obscuro durante muito tempo”, contou Marian. Esse modelo foi divulgado em artigo no Biological Journal of the Linnean Society.

“Esses animais estão sempre nadando por meio de jato-propulsão e há muita turbulência na superfície de seus corpos. Isso, em teoria, dificulta a deposição de espermatóforos. O sistema de fixação por implante observado nos cefalópodes é eficiente a ponto de suportar a resistência imposta pelo modo de vida desses animais”, disse Marian.

Além do financiamento da FAPESP, o projeto contou com apoio do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap) da Capes, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, da American Malacological Society e da Houston Conchology Society. A pesquisa recebeu quatro prêmios oferecidos por sociedades de malacologia – ramo da biologia que estuda os moluscos: American Malacological Society, Houston Conchology Society, Unitas Malacologica e Sociedade Brasileira de Malacologia.

Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 1 de maio de 2012

Navio fantasma japones cruza o pacífico e aparece na costa canadense


Após ser arrastado pelo gigantesco tsunami que atingiu o Japão em 2011, um navio pesqueiro de lula japonês ficou a deriva no oceano Pacífico até atingir a costa do Canadá. O navio de 150 pés (cerca de 50 metros) foi encontrado a 260km  ao Norte de British Columbia no Canadá.


"Ele está a deriva no Pacíico a um ano, por isso que conseguiu atravessá-lo" disse Jefv Olson oceanografo coordenador do Centro de Pesquisa Marinha de Vitoria no Canadá.

Através do número de registro da embarcaçãos e chegou até o armador que confirmou que ninguém estava no navio no momento do acidente.

O navio deverá ser inutilizado já que seriam alto os custos de rebocá-lo de volta até o Japão em viagem de volta atravessando o Pacífico de Leste a Oeste.

Fonte: Vancouver Sun

sábado, 14 de abril de 2012

Búzios - Pesca artesanal de lula


Esta semana tive o privilégio ir a uma pescaria de lula, graças ao convite de um amigo.


Junto ao Chita e seu valente Zalico partimos da praia da Armação rumo a ilha de Âncora.


Em cerca de 1 hora deixamos Búzios para trás e nos aproximamos da ilha e suas aves marinhas.


Ao seu redor eram cerca de 8 embarcações artesanais de Búzios, todas em busca da lula.


Noite chegando, a pesca começou, todos ligando seus fachos de luz e preparados com suas linhas de mão com zangarelhos.


E uma a uma ia se embarcando a lula e enchendo o balde.


Ao todo foram uns 8kg de lula e dois olhos de cão, em 2 horas e pouco de pesca, tempo entre o pôr-do-sol e o nascer da lua.


E com a lua acima do horizonte, mas nada tinha para fazer a não ser regressar para o continente e agradecer ao privilégio de mais esta experiência.


E quanto mais aprendo e vivencio esta nobre faina, mais admiro aos que resistem e sobrevivem da atividade pesqueira artesanal no litoral brasileiro.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Portugal - Sobre o Bacalhau (parte 1 - pesca)


Por Eduardo Freitas
http://clceduardo.blogspot.com.br/

Saga Maldita!...Património Cultural?
Actualmente deixou de se valorizar apenas as criações estéticas extraordinárias e idolatradas pelas elites -“as belas artes”-, para se valorizar de igual modo o “culto” e o “popular”, ou seja, o património das elites e dos grupos subalternos.

A patrimonialização cultural é um debate sobre os valores sociais, e um processo de atribuição de novos valores, sentidos, usos e significados a objectos, a formas, a modos de vida, saberes e conhecimentos sociais, é a recuperação das memórias do passado desde uma perspectiva presente, para explicar a mudança dos modos de vida e transmitir legados para o futuro.


A Faina

A história da pesca do bacalhau pelos portugueses (muitas vezes referida por a Faina Maior) aparece pela primeira vez referenciada em 1353, quando D. Pedro I e Edward II de Inglaterra estabelecem um acordo de pesca para pescadores de Lisboa e do Porto poderem pescar o bacalhau nas costas da Inglaterra por 50 anos. A necessidade de estabelecer um acordo indicia que esta actividade já se realizava em anos anteriores, e em tal quantidade, que justificava a necessidade de enquadrar esta actividade nas relações entre os dois reinos.

O método de pesca adoptado pelos portugueses foi introduzido com a compra dos barcos aos ingleses e manteve-se inalterado até aos anos 70 do século XX, método este baseado em pequenos dóris (botes), de cerca de 4 a 5 m de fora a fora, e que pesavam entre 80 e 100 kg, em que cada homem tinha duas linhas, com um só anzol, e pescava de pé. Para isca usava-se o clam, molusco importado dos Estados Unidos, cagarras e pequenas lulas ou peixes encontrados no estômago das primeiras capturas.



No entanto o isco preferido era a lula, e os pescadores portugueses tinham sempre a bordo uma linha para a pesca da lula guarnecida dia e noite, chegando mesmo a acordar toda a gente aquando da passagem de um cardume. A importância da lula é tal que o primeiro a pescar uma lula recebe o mesmo prémio que o primeiro a chegar a bordo com um dóri cheio: uma garrafa de aguardente.

Relatos de Uma Vida

Como era a vida a bordo?
- A vida a bordo era trabalhar, passar fome e ser maltratados.

E com o Capitão, como era o relacionamento
- Nós tínhamos de nos dar bem senão o capitão mandava-nos prender. Só nos ameaçava com prisão, com cadeia.

Tem conhecimento de alguns que tenham ficado presos a bordo?
- Atão! Só num navio que eu andei e numa só viagem de uma vez foram 7 presos a bordo. Só por reclamar do comer.

- Porquê ?... Porque às quintas-feiras o cozinheiro dava batatas aos pescadores. Duas
batatas a cada um. Mas repare... Vinha o ajudante (do cozinheiro) com o saco às costas, encostava-se ao caldeiro e ia o cozinheiro com uma faca e cortava o fundo ao saco. Descarregavam as batatas dentro do caldeiro -Não eram lavadas nem descascadas, iam com terra e tudo e cheias de grelos, iam a cozer em água salgada.
Depois, o cozinheiro, dava um prato ao postigo da porta com duas batatas. Nós arrancávamos os grelos para as podermos comer, parecia esparguete a arrancar.
Eram batatas direitas cosidas em água salgada, pior do que em terra os lavradores cozinhavam para dar aos porcos e às galinhas... os pescadores reclamaram e o capitão mandou-os prender. Por reclamar as duas batatas.

Como era a alimentação a bordo?
- O comer era sempre igual. Fritavam peixe para quinze dias, enquanto não acabasse comíamos sempre e não podíamos reclamar. Era xíxarros, cavala, sardinha... o mesmo peixe que usávamos para a isca... às vezes já depois de encher o porão com bacalhau fresco para salgar, também serviam bacalhau, do pequeno, se havia de ir borda fora... Já havia ordens para escolher o bacalhau por tamanhos, chamava-se "bitola" à medida mínima que era no mínimo um palmo de comprido, do lombo ao rabo .
- A água para beber levava uma medida de meio quartilho, uma canequinha assim pra beber e se lhe apetecesse outra já lha não davam. Banhos?... para lavar os pés davam um litro de água de 8 em 8 dias, e só quando havia água com fartura, senão lavava-se com água salgada, se nem água para beber havia...
- Aos pescadores que iam nos dóris, para arriar para fora nos botes, para 15, 20 ou até 30 horas que eles ficavam sozinhos no meio do mar, longe do navio e às vezes no meio do nevoeiro, davam uma manada de figos ou uma manada de azeitonas, ou duas postas de peixe frito e um pão, mais nada. Era fome!

Cuidados de Higiene e Saúde?
- Banho, nunca soubemos o que era tomar banho nesses seis meses que durava cada viagem.
- Chegava-se a trabalhar 20, 25 ou 30 horas seguidas sem paragens para dormir quando o peixe era muito.
Tínhamos que dar conta do recado. Muitas vezes os pescadores, depois de mais de 20 horas na escala e no trote (abrir, esviscerar e descabeçar o peixe) saíam para fora nos botes ainda a dormir para pescar outra vez... era por isso, talvez, que os homens se perdiam e já não voltavam quando o capitão mandava tocar o sino, a tocar a reunir os botes, que ouviam aquele sinal e vinham ao encontro do navio para serem içados para bordo. Era uma miséria. Alguns estavam tão longe que demoravam horas a vir. E o sino ia tocando para eles se orientarem até regressar o último. A vida do bacalhau até é triste falar nela, ao que nós passávamos lá...

- Os Capitães já se igualavam com estes ladrões que eram os chefes da equipa do bacalhau, já iam combinados com eles e pronto, a companha tinha que ser martirizada. E davam pancada nos pescadores, pelo menos em alguns. Que eu até pensei que podia ir preso toda a vida, mas se um capitão um dia me chama para me dar pancadas, já levava uma faca no bolso, já levava a faca de escala no bolso, se me viesse para me dar, cortava-lhe logo o pescoço rente, logo, e eu ia preso
para toda a vida mas também o cortava... Ai cortava.

Aquilo era uma vida escrava que até punha um homem tolo. Deus me livre!...

Voltando ao bacalhau
Após regressar ao navio com a captura, o peixe era atirado para dentro de umas caixas, as quêtes, com a ajuda de forquilhas, que se chamavam garfos.

Com o cair da noite e a recolha dos últimos dóris, sob a luz das lanternas de petróleo, baldeia-se o convés, lançando ao mar os restos, a que os pescadores chamam gueira, que no entanto, vai deixando o cheiro entranhado no navio, que todos menos os pescadores notam e referem. Mas sob a coberta o trabalho continua, depois de lavado, o bacalhau vai para o porão para ser salgado, e talvez este seja o trabalho mais duro a bordo, de gatas sobre o bacalhau que vão empilhando, os salgadores deitam mão cheia de sal atrás de mão cheia sobre o peixe, que passa então a ser "bacalhau verde". A memória da dureza deste trabalho ficou marcada na expressão popular que algumas mães usavam quando queriam ameaçar os filhos: “se continuas assim, mando-te embarcar como salgador”. O frio, o sal, as linhas, em suma toda a dureza do trabalho reflectia-se sobretudo nas mãos. Incham, enrijam-nas, enchem-se de frieiras, que com o tempo rebentam, transformando-se em chagas. Nos dóris o trabalho não permite o uso de luvas, pelo que os pescadores usam umas tiras de couro para proteger as palmas a que chamam néplas. Todas as tarefas passam-se entre as 4 horas da manhã e a meia-noite, sem feriados ou fins-de-semana, e mesmo o tempo de vigia é tirado ao tempo de descanso.
A assistência médica

A assistência médica era, para ser simpático, mínima, e o facto de os engajados não passarem por nenhuma inspecção médica só aumentava as chances de os pescadores caírem doentes. Após a Grande Guerra, os pescadores, e os armadores, contavam com a presença dos barcos hospitais franceses, que acompanhavam a frota francesa para prestar auxilio aos pescadores portugueses.
Um médico francês a bordo do Saint Jeanne D’Arc escreve, em 1922, que de 13 doentes que hospitaliza a bordo, 5 eram tuberculosos, um outro morreu a bordo no 2º dia de outras complicações, e de vários que recusam ou vêem recusado pelos seus comandantes a hospitalização.
Por campanha, cerca de 15% dos pescadores eram vítimas de acidentes ou agravamento de situações clinicas que deixaram muitos incapacitados para sempre.
Esta situação sofre a primeira alteração em 1923, quando o barco Carvalho Araújo faz a primeira viagem de assistência e correio. O relatório efectuado pelo comandante vai ter os efeitos: o navio-hospital Gil Eanes.
O fim

1968 assinala o princípio do fim, com as primeiras diminuições das capturas, e as restrições à pesca nas água nacionais dos diversos países.
Paralelamente, após de anos sem perspectivas de qualquer outra saída, os pescadores começam a não querer embarcar por salários tão baixos, para correr tantos riscos, quando a vaga da emigração portuguesa e o início da actividade turística, pela primeira vez proporcionavam outras oportunidades e melhores salários.
A pesca do bacalhau à linha terminaria definitivamente em 1974, 3 anos depois de o último lugre ter partido pela última vez para os Bancos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Arraial do Cabo - Pesca artesanal de lula.



Final de tarde na Praia Grande e as pequenas embarcações, caícos (remo), bocas abertas (motor) e lanchas voadeiras aproveitam ainda mais a total  falta de vento e onda e se lançam ao mar para a pesca.


Para quem está ali de passagem, desavisado, não sabe a espécie alvo daquela pesca de linha de mão, porém assim que o sol se põe e a noite vem chegando, apesar da lua cheia, os fachos de luz sendo acendidos em cada uma das embarcações denuncia que estão todos atrás da lula.


Esta época é tempo de lula na região, e mês que vem tem Festival da Lula em Arraial.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

RJ - XIII Festival da Lula em Arraial do Cabo


LULA2011.jpg

A 13ª Edição do Festival da Lula em Arraial do Cabo é uma realização da APAC (Associação de Pescadores de Arraial do Cabo) e da Prefeitura Municipal com apoio e organização da Secretaria de Turismo, vai acontecer entre os dias 20 e 24, nas areias da Praia Grande.

As barracas para degustação dos pratos estarão abertas de 12h às 14h, e à noite, a partir das 19h. Durante o Festival, visitantes e moradores poderão degustar os mais variados pratos feitos à base de lula, como por exemplo, estrogonofe, risoto, crepes, lula à doré e a vinagrete. Os preços são populares.

Em uma área de 1.500 metros quadrados, a Secretaria de Turismo, montou uma mega-estrutura e uma programação especial. Vão ser mais de 20 atrações musicais, com 2 tendas de artesanatos, 30 barracas para comercialização de alimentos e bebidas, com palco para shows, e com recepcionista bilíngue no local.

Lançado em 1998 com o objetivo de divulgar o município como um importante centro pesqueiro do molusco, o Festival da Lula foi criado como uma forma de atrair os visitantes e ainda mostrar as delícias que podem ser feitas com a lula e as riquezas da culinária Cabista.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SC - Redes estão descansando

As redes amontoadas num canto do rancho nos dias de verão não significam que os pescadores da Praia Armação, em Florianópolis, estão desfrutando dos prazeres da vida. É período de defeso da anchova, e a desobediência pode custar a licença profissional. No entanto, como o salário mínimo pago pelo governo neste período não garante o sustento, eles têm que se virar. Trabalhar com turismo e apelar para o anzol são as alternativas dos pescadores.

João Esperando, 48 anos, diz que pescar lulas e garoupas – animal que estampa as notas mais desejadas do país, as de R$ 100 – são as atividades mais comuns. O peixe dá muito trabalho para ser capturado. O sujeito vai para o mar no final da tarde e fica até o dia raiar. Pelo menos a isca é fácil de conseguir: até vísceras servem.

– Garoupa é um peixe esfomeado – resume João.

A espera para sentir uma fisgada é longa, e terminar a jornada de trabalho com três peixes é sinônimo de sucesso. Garoupas são peixes grandes, e esta quantidade rende 50 quilos. Se a venda for direta ao dono da peixaria, dá para pegar R$ 15 no quilo. Se tiver algum atravessador, um pouco menos. O resultado da noite no mar – cerca de R$ 750 – demonstra que o esforço não é em vão.

Na captura da lula é o inverso e não existe tédio. O fruto do mar aparece em cardumes entre dezembro e março. Os pescadores usam o zangarilho, espécie de anzol adaptado. Vários são lançados e, enquanto o pescador tira um da água, já tem dois esperando. O ritmo alucinante de trabalho, no entanto, não tem a produtividade da garoupa. Cada animal pesa míseros 80 gramas. Saber que são tirados 200 quilos do mar dá a dimensão do quanto trabalham os dois homens que viram a madrugada no barco. Parece história de pescador, mas ele garante que é a mais pura verdade.

A outra opção é trabalhar com turistas. A Praia da Armação é ponto de saída para a Ilha do Campeche. Cada pescador recebe R$ 30 por pessoa e só zarpa com pelo menos seis passageiros no barco.

À primeira vista, parece negócio bastante rentável, mas João explica que não é bem assim. O problema principal é a grande concorrência, pois existem 26 embarcações cadastradas para atuar com transporte na Praia da Armação.

Fonte: Diário Catarinense

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