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sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Cananéia-SP: Fechamento da Fabrica de Gelo afeta a pesca e a economia local
Reclamar com quem se a Superintendência (ex-MPA) está fechada?
O complexo responsável por armazenar e produzir gelo para pescadores de Cananéia, na região do Vale do Ribeira, está fechado há mais de dois meses e causando prejuízos ao comércio local. A situação piorou depois que a empresa terceirizada que administrava o Ceagesp da cidade encerrou o trabalho em agosto deste ano e fechou a sala onde funcionava a máquina de gelo.
Sem uma solução para o problema, os pescadores da cidade do interior paulista se uniram para protestar. Eles espalharam faixas pela cidade para chamar atenção das autoridades.
“Praticamente 70% da cidade sofrendo com a falta de gelo, da água do terminal, energia que não podemos usar para manutenção das embarcações. Muitas pessoas que moram no sítio não podem ficar sem gelo, porque tem remédios e outras coisas que levam que depende disso”, explicou o pescador Jocílio da Costa.
Há cinco meses, a máquina já havia apresentado problemas e os pescadores arrecadaram dinheiro para reformá-la. Eles gastaram R$ 40 mil na época, no entanto, a paralisação do complexo, que aconteceu depois disso, está aumentando a conta. “Cada barco que colocamos para trabalhar, só de gelo, sai na faixa de R$ 2 mil", disse o empresário Juraci José Santana.
Baixa qualidade
Além do prejuízo financeiro para os pescadores, os comerciantes que dependem do pescado também reclamam da qualidade, já que não há local adequado para armazenar o produto e é preciso improvisar.
De acordo com a categoria, o fechamento do local atinge diretamente mais de 300 pescadores artesanais. "O setor pesqueiro não pede verba ou investimento, nós só precisamos voltar a operar", reforça o comerciante Juarez Matias.
Até o momento, o Ministério da Pesca e o Ministério da Agricultura não se posicionaram sobre o caso.
Fonte: TV Tribuna (Veja o vídeo da reportagem)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Cananéia - IV Festa da Ostra
Convido vcs a prestigiar a IV Festa da Ostra da Comunidade Quilombola do Mandira- Cananéia SP, que se realizará nos dias 18,19 e 20 de novembro de 2011, haverá muitas apresentações culturais e musicais, vários pratos a base de ostra e outros frutos do mar, artesanatos e etc...
Estaremos com uma pousada funcionando à 5 km da comunidade www.maryriodaspedras.com.br, e uma área de camping, próximo a cachoeira do Mandira, tudo com preços especiais para atender os visitantes, contato para reservas.
Fone 013 91833587 ou E-mail neimandira@yahoo.com.br.
Contamos com vossa presença!
Atensiosamente!
Sidnei Coutinho
Secretário da Associação do Quilombo Mandira
terça-feira, 31 de maio de 2011
SP - FESTA DE SANTO ANTONIO 2011
COMUNIDADE QUILOMBOLA DO MANDIRA-Cananéia SP.
Programação da Festa:
Sábado - dia 11 de junho de 2011
10h00 – Torneio de vôlei
14h00 - Corrida de pedestres
15h00 - Gincanas com as crianças
19h00 – Bingo
22h30 - Bingo Especial
23h00 – Grande Bailão ao vivo
Domingo - dia 12 de junho de 2011
9h30 - Sorteio dos times para torneio de futsal
10h00 - Início do torneio de futsal Transitório
19h00 – Terço cantado
21h00 - Bingo
Segundo - dia 13 de junho de 2011
05h00 - Alvorada
10h00 - Missa e Procissão
12h30 – Almoço Comunitário
Realização: Associação da Comunidade Remanescente de
Quilombo da Reserva Extrativista do Mandira(REMA)
Fonte: Comunidade Mandira
Mais informações:
http://www.cananeiatur.com/mandira.htm
http://www.quilombosdoribeira.org.br/comunidades/5
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Estudo econômico compara sistemas de cultivo integral e de engorda da ostra-do-mangue
Os trabalhos de WAKAMATSU (1973), AKABOSHI e PEREIRA (1981), PEREIRA e CHAGAS-SOARES (1996), PEREIRA et al. (2001 e 2003) demonstram o estuário de Cananéia com condições favoráveis para o desenvolvimento de bancos naturais da ostra-do-mangue, tornando a região a principal produtora desse recurso no estado de São Paulo, de acordo com PEREIRA et al. (2003).
Diante do exposto, foi proposto o desenvolvimento do estudo: “Análise econômica comparativa dos sistemas de cultivo integral e de ‘engorda’ da ostra-do-mangue, Crassostrea spp, no estuário de Cananéia, São Paulo, Brasil”, de autoria de Marcelo Barbosa Henriques,henriquesmb@pesca.sp.gov.br, Ingrid Cabral Machado e Lúcio Fagundes, pesquisadores científicos do Instituto de Pesca. Este instituto vincula-se à APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agros-negócios) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.
SANTOS (2008), estudando a etno-ecologia dos extrativistas de ostras de Cananéia, relata que esse molusco é explorado na região desde a década de 1940, época em que a extração tinha apenas caráter de subsistência. Nas décadas de 1950 e 1960, a atividade começou a atender a um comércio incipiente, consolidando-se na década de 1970 como uma alternativa comercial importante para o setor pesqueiro artesanal na região.
A partir da década de 1970, com a firmação do interesse comercial e o aumento da oferta da ostra, surgiu a preocupação com a manutenção de seus estoques, que poderiam estar sobrexplotados. Diante desses fatos, pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO/USP) e do Instituto de Pesca estabeleceram um protocolo para o cultivo da espécie, registram WAKAMATSU (1973) e AKABOSHI e PEREIRA (1981), que consistia de três etapas:
1- captação de sementes de ostra em ambiente natural, por meio de coletores artificiais dispostos no fundo dos canais, em pequenas baías ou remansos dentro do estuário;
2 - seleção de sementes através do “castigo” (exposição ao ar e ao sol, para separação dos indivíduos com boa resistência e potencial de crescimento); e
3 - fase de terminação do cultivo em viveiros tipo “tabuleiro”, implantados na zona entre - marés.
A aplicação desse protocolo resulta num ciclo produtivo de aproximadamente 22 meses, envolvendo atividades complexas, alheias ao universo das comunidades locais de pescadores. Entretanto, uma empresa particular buscou a assessoria técnica do Instituto de Pesca para essa tecnologia de cultivo e a utilizou durante vários anos, explica o pesquisador Marcelo Henriques.
APOIO A COMUNIDADES LITORÂNEAS
Em 1994, profissionais do Instituto de Pesca, da Secretaria do Meio Ambiente (SMA/SP) e do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas em Áreas Úmidas Brasileiras da Universidade de São Paulo (NUPAUB–USP) realizaram um estudo para diagnosticar as possibilidades de aproveitamento da tecnologia da ostreicultura pelas comunidades extrativistas do município de Cananéia. Eles interpretaram que tais comunidades, embora arraigadas culturalmente no extrativismo de ostras, poderiam ser motivadas para atuar na ostreicultura. Em razão das barreiras culturais identificadas, associadas principalmente ao longo ciclo do cultivo, os estudiosos propuseram o desenvolvimento de uma tecnologia intermediária entre o extrativismo e o cultivo integral, a qual foi denominada ´engorda` (termo regional que caracteriza a fase de terminação), a ser introduzida como uma etapa estratégica preliminar à adoção da ostreicultura pelas comunidades.
Em 1995, um projeto interinstitucional introduziu a ´engorda` de ostras junto às comunidades extrativistas de Cananéia, conforme citado por MALDONADO (1999), PEREIRA et al. (2001); MEDEIROS (2004) e GARCIA (2005). Essa atividade, derivada da tecnologia de cultivo integral, consiste na “semeadura” de ostras adultas e sua posterior extração ao atingirem o tamanho apropriado para comercialização, descreve PEREIRA et al. (2001).
Nos anos subsequentes, a prática da ´engorda` de ostras expandiu-se entre as comunidades extrativistas locais, ocorrendo conjuntamente com o extrativismo e as reduzidas experiências de cultivo integral a partir de captação de sementes em ambiente natural, explica Marcelo.
Embora a ´engorda` seja apenas uma etapa do processo de cultivo de ostras, representa um ganho ambiental, pelo incremento da atividade reprodutiva das ostras nos viveiros durante o tempo que permanecem na água, pois exemplares a partir de 20 mm já são sexualmente maduros, registra GALVÃO et al. (2000). Além disso, proporciona agregação de valor ao produto, melhorando sua remuneração, conforme GARCIA (2005).
O estudo comprova que mais da metade da produção total de ostras de Cananéia ainda é proveniente do extrativismo, porém cerca de 40% já é oriunda de viveiros de ´engorda`. Neste sentido, o objetivo da pesquisa foi comparar, zootécnica e economicamente, os sistemas de cultivo integral e de ´engorda` da ostra-do-mangue, praticados na região de Cananéia, a fim de demonstrar qual o método mais rentável.
O cultivo integral, como proposto, não demonstrou viabilidade econômica frente aos preços de venda praticados no mercado local de Cananéia, citam os autores. Por outro lado, o cultivo de ´engorda`, que é o mais praticado pelos maricultores, mostrou-se altamente viável, de acordo com os indicadores econômicos utilizados, e atrativo, pela rapidez de retorno do capital investido.
Os autores ressaltam que a ´engorda`, além de se apresentar rentável, promove uma mudança de comportamento nos extrativistas de ostra, pois, embora as ostras cultivadas também provenham da natureza, seu aproveitamento utiliza plenamente o potencial de crescimento e reprodução. Desse modo, apesar de extrativo na fase inicial, o sistema apresenta-se sustentável no final do ciclo de produção, promovendo oportunidade de melhor negociação e disponibilidade de oferta conforme a demanda, garantindo o atendimento do mercado consumidor com um produto padronizado e não sazonal.
Diante do exposto, foi proposto o desenvolvimento do estudo: “Análise econômica comparativa dos sistemas de cultivo integral e de ‘engorda’ da ostra-do-mangue, Crassostrea spp, no estuário de Cananéia, São Paulo, Brasil”, de autoria de Marcelo Barbosa Henriques,henriquesmb@pesca.sp.gov.br, Ingrid Cabral Machado e Lúcio Fagundes, pesquisadores científicos do Instituto de Pesca. Este instituto vincula-se à APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agros-negócios) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.
SANTOS (2008), estudando a etno-ecologia dos extrativistas de ostras de Cananéia, relata que esse molusco é explorado na região desde a década de 1940, época em que a extração tinha apenas caráter de subsistência. Nas décadas de 1950 e 1960, a atividade começou a atender a um comércio incipiente, consolidando-se na década de 1970 como uma alternativa comercial importante para o setor pesqueiro artesanal na região.
A partir da década de 1970, com a firmação do interesse comercial e o aumento da oferta da ostra, surgiu a preocupação com a manutenção de seus estoques, que poderiam estar sobrexplotados. Diante desses fatos, pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO/USP) e do Instituto de Pesca estabeleceram um protocolo para o cultivo da espécie, registram WAKAMATSU (1973) e AKABOSHI e PEREIRA (1981), que consistia de três etapas:
1- captação de sementes de ostra em ambiente natural, por meio de coletores artificiais dispostos no fundo dos canais, em pequenas baías ou remansos dentro do estuário;
2 - seleção de sementes através do “castigo” (exposição ao ar e ao sol, para separação dos indivíduos com boa resistência e potencial de crescimento); e
3 - fase de terminação do cultivo em viveiros tipo “tabuleiro”, implantados na zona entre - marés.
A aplicação desse protocolo resulta num ciclo produtivo de aproximadamente 22 meses, envolvendo atividades complexas, alheias ao universo das comunidades locais de pescadores. Entretanto, uma empresa particular buscou a assessoria técnica do Instituto de Pesca para essa tecnologia de cultivo e a utilizou durante vários anos, explica o pesquisador Marcelo Henriques.
APOIO A COMUNIDADES LITORÂNEAS
Em 1994, profissionais do Instituto de Pesca, da Secretaria do Meio Ambiente (SMA/SP) e do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas em Áreas Úmidas Brasileiras da Universidade de São Paulo (NUPAUB–USP) realizaram um estudo para diagnosticar as possibilidades de aproveitamento da tecnologia da ostreicultura pelas comunidades extrativistas do município de Cananéia. Eles interpretaram que tais comunidades, embora arraigadas culturalmente no extrativismo de ostras, poderiam ser motivadas para atuar na ostreicultura. Em razão das barreiras culturais identificadas, associadas principalmente ao longo ciclo do cultivo, os estudiosos propuseram o desenvolvimento de uma tecnologia intermediária entre o extrativismo e o cultivo integral, a qual foi denominada ´engorda` (termo regional que caracteriza a fase de terminação), a ser introduzida como uma etapa estratégica preliminar à adoção da ostreicultura pelas comunidades.
Em 1995, um projeto interinstitucional introduziu a ´engorda` de ostras junto às comunidades extrativistas de Cananéia, conforme citado por MALDONADO (1999), PEREIRA et al. (2001); MEDEIROS (2004) e GARCIA (2005). Essa atividade, derivada da tecnologia de cultivo integral, consiste na “semeadura” de ostras adultas e sua posterior extração ao atingirem o tamanho apropriado para comercialização, descreve PEREIRA et al. (2001).
Nos anos subsequentes, a prática da ´engorda` de ostras expandiu-se entre as comunidades extrativistas locais, ocorrendo conjuntamente com o extrativismo e as reduzidas experiências de cultivo integral a partir de captação de sementes em ambiente natural, explica Marcelo.
Embora a ´engorda` seja apenas uma etapa do processo de cultivo de ostras, representa um ganho ambiental, pelo incremento da atividade reprodutiva das ostras nos viveiros durante o tempo que permanecem na água, pois exemplares a partir de 20 mm já são sexualmente maduros, registra GALVÃO et al. (2000). Além disso, proporciona agregação de valor ao produto, melhorando sua remuneração, conforme GARCIA (2005).
O estudo comprova que mais da metade da produção total de ostras de Cananéia ainda é proveniente do extrativismo, porém cerca de 40% já é oriunda de viveiros de ´engorda`. Neste sentido, o objetivo da pesquisa foi comparar, zootécnica e economicamente, os sistemas de cultivo integral e de ´engorda` da ostra-do-mangue, praticados na região de Cananéia, a fim de demonstrar qual o método mais rentável.
O cultivo integral, como proposto, não demonstrou viabilidade econômica frente aos preços de venda praticados no mercado local de Cananéia, citam os autores. Por outro lado, o cultivo de ´engorda`, que é o mais praticado pelos maricultores, mostrou-se altamente viável, de acordo com os indicadores econômicos utilizados, e atrativo, pela rapidez de retorno do capital investido.
Os autores ressaltam que a ´engorda`, além de se apresentar rentável, promove uma mudança de comportamento nos extrativistas de ostra, pois, embora as ostras cultivadas também provenham da natureza, seu aproveitamento utiliza plenamente o potencial de crescimento e reprodução. Desse modo, apesar de extrativo na fase inicial, o sistema apresenta-se sustentável no final do ciclo de produção, promovendo oportunidade de melhor negociação e disponibilidade de oferta conforme a demanda, garantindo o atendimento do mercado consumidor com um produto padronizado e não sazonal.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
SP - No ritmo das marés
Há muito mais entre a terra e o mar, além de praias, ondas e caipirinhas. Desde o Cabo Orange, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina, na zona costeira brasileira, também existem os manguezais, berçários tropicais da vida marinha. De fácil identificação visual, porque uniformes na cor e na baixa variedade de espécies vegetais, entre árvores, arbustos e ervas — os manguezais constituem um riquíssimo ecossistema de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, ou, como preferem alguns, entre os domínios das águas doces e salgadas. Sob a influência das marés, as áreas de mangue acumulam e reciclam matéria orgânica, reduzem a velocidade dos rios em seus estuários, protegem o litoral da violência das ondas, e, assim, garantem as condições ideais para a proliferação de numerosas formas de vida: diversos organismos do plâncton (geralmente microscópicos), além de crustáceos, moluscos, vermes, aves, peixes, mamíferos, e mesmo répteis. Há espaço, alimento e abrigo para o desenvolvimento de todos.
O Lagamar é, reconhecidamente, um dos cinco maiores criatórios naturais de espécies marinhas do mundo, mas não só. A Área de Proteção Ambiental (APA) de Cananéia, Iguape e Peruíbe abriga também uma rica biodiversidade terrestre com aproximadamente 90 espécies de mamíferos e 550 espécies de aves. Muitas delas estão na lista de espécies ameaçadas de extinção, caso do papagaio-de-cara-roxa (Amazona vinacea), do guará (Eudocimus ruber) e a saracurado-mangue (Aramides mangle).
Nos mangues, o ritmo da vida não é determinado apenas pelas horas de sol, vento ou chuva. Direta ou indiretamente, o movimento das marés dita o comportamento de bichos e condiciona o tempo do próprio homem. A captura artesanal de ostra, praticada até hoje por dezenas de famílias caiçaras, por exemplo, só é possível durante os horários de maré baixa.
Fora do lodo, nas águas livres do Lagamar — doces, salobras ou salgadas — a pesca é uma atividade antiga e culturalmente arraigada. Começou de modo artesanal, profissionalizou-se e hoje atravessa nova fase.
Um estudo feito pela pesquisadora Milena Ramirez de Souza, mestre em Ecologia de Agrossistemas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), mostra que a idade média dos pescadores artesanais nas comunidades caiçaras das barras do Ribeira (Iguape), Pedrinhas (Ilha Comprida) e Porto Cubatão (Cananéia) é de 45 anos. A pesca ainda é fonte de renda relevante para a maioria.
No entanto, grande parte da força de trabalho caiçara do Lagamar já migra da pesca e da agricultura para atividades ligadas ao turismo, seja na prestação de serviços em casas de veraneio, no comércio de iscas naturais, ou no aluguel de barcos para passeio e pesca esportiva ou amadora. Mais de 30% dos pescadores artesanais atuam paralelamente como 'piloteiros'.
A pesquisa também mostra, através de dados estatísticos, que a sazonalidade da pesca artesanal, praticada com redes 'malhadeiras' e cercos de espera, está diretamente relacionada à época reprodutiva de algumas espécies. São exemplos a manjuba, no verão, e a tainha, no inverno. Todos os pescadores entrevistados foram unânimes ao afirmar que a qualidade da pesca nos pontos tradicionais piorou nos últimos anos.
O xingó e o corte-de-faca são capturados com o auxílio de tarrafas, e o camarão, com o 'jerivau', uma rede de arrasto adaptada para esse fim. Um peixe curioso e pouco conhecido também usado na pesca de robalos e pescadas é o mossorongo (Gobioides broussonnetii) ou 'peixe-dragão', que vive no fundo lodoso do mangue e se alimenta basicamente de zooplâncton, ficando mais ativo à noite.
Os peixes estuarinos, em especial, ficam ativos quando a maré se movimenta, trazendo alimento dos mangues ou do mar. Fisgar um cobiçado robaloflecha (Centropomus undecimalis), por exemplo, exige observação, habilidade — e, por que não? — uma boa dose de sorte. Caçador oportunista, o robalo se posiciona nas saídas de rios, em bancos de areia, moitas, pedras e raízes de mangue, à espera de suas presas.
O desenvolvimento do turismo de pesca amadora aumentou a demanda por iscas vivas. Segundo Ronaldo Ikebe, dono de marina no distrito de Porto Cubatão, em Cananéia, pelo menos 50 barcos de pescadores amadores vão para a água num fim de semana movimentado, partindo somente desse pólo. “A maioria leva camarão vivo, uma média de 100, por embarcação. A atividade (captura e venda de iscas vivas) sustenta pelo menos dez famílias da região”, diz. Porém tem seus impactos: o arrasto de jerivau mata organismos bentônicos (crustáceos, moluscos, vermes), que se desenvolvem no fundo lodoso dos canais.
Além disso, o homem passou a competir com aves aquáticas e peixes, predadores naturais de xingós, camarões e cortes-defaca. Eis a deixa, portanto, para uma participação maior da isca artificial como agente de equilíbrio ambiental, pois esse é um instrumento comprovadamente eficaz para fisgar a maior parte das espécies visadas pelos pescadores, principalmente o robalo. Diminui-se a pressão de pesca sobre as espécies de pequeno porte, ao mesmo tempo em que se eleva a esportividade, o nível técnico, e a produtividade na pesca de mangue.
Claro, para usar iscas artificiais e ainda ‘dançar’ ao ritmo das marés, é preciso treinar! Mas é um esforço com retorno garantido, tanto na ponta da linha, como dentro d’água.
Claro, para usar iscas artificiais e ainda ‘dançar’ ao ritmo das marés, é preciso treinar! Mas é um esforço com retorno garantido, tanto na ponta da linha, como dentro d’água.
Fonte: EPTV
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