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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pescadores de Barra do Itabapoana resgatados em alto mar


Mais um naufrágio, está parecendo rotina: ano passado a tripulação de outra embarcação de Barra de Itabapoana, o Marimanda, não tiveram a mesma sorte.


Na data do ocorrido, quis o destino que eu estivesse em Barra e pude presenciar o clima no lugar que era de tristeza e preocupação com os seguidos casos de naufrágio envolvendo as embarcações locais.

O que posso aqui relatar também foi o bom trabalho e a comunicação da Colônia de Pescadores Z-19 (Farol de São Tomé) e o Núcleo de Barra da Colônia Z-01, na pessoa de Nurievi, que buscou imediatamente confortar os familiares e dar o apoio necessário.

Notícia:

Cinco homens passaram a noite agarrados a casaria do barco após tempestade.



Onda gigante afundou a embarcação

Cinco pescadores de Barra do Itabapoana litoral de São Francisco de Itabapoana foram resgatados em alto mar por um basco de pesca da Praia de Farol de São Tome. O barco com os pescadores chegou a terra firme por volta das 14h a embarcação de Farol de São Tomé que resgatou os cinco tripulantes da embarcação Ainoan, que naufragou na noite de quinta-feira (19/12), a 10 milhas de São João da Barra.

Os pescadores estavam no mar há oito dias e contaram que por volta das 19h de quinta-feira (19/12), ocorreu uma tempestade e uma onda gigante afundou a embarcação. Os cinco homens, sendo três deles irmãos, passaram a noite inteira agarrados a casaria do barco, a única parte que ficou de fora.

Imagem: destroços do barco utilizados pelos sobreviventes

Segundo o pescador Fábio Rangel, que tem 23 anos de profissão, ele e mais dois pescadores de Farol de São Tomé, estavam navegando quando se depararam com os cinco homens desesperados, por volta das 11h desta sexta-feira (20/12). Os três pescadores de Farol resgataram os cinco de Barra e fizeram contato com o Corpo de Bombeiros Militar, que imediatamente enviou uma equipe de mergulhadores e equipes médicas para o Terminal Pesqueiro de Farol, um helicóptero também foi acionado, mas não foi necessária a utilização da aeronave, pois o barco conseguiu chegar a praia antes.

Inicialmente, os bombeiros foram informados que havia um resgatado em estado grave, mas a informação não se confirmou. Os cinco pescadores tiveram apenas escoriações. Eles foram atendidos no Terminal Pesqueiro pelas equipes do Corpo de Bombeiros e encaminhados ao Hospital Ferreira Machado, em Campos.

Os pescadores do barco que naufragou foram identificados como Jeferson Douglas L. Silva, Gilvan Cordeiro Alves e os irmãos Leonardo Ribeiro Fontão, Altamir Ribeiro Fontão e Rosivaldo da Silva Fontão.

Fotos: Uruau e Emily Maitan

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Outros blogs: "Vige Maria, acode nóis"


Abaixo interessante relato e imagem do que vemos acontecer com mais frequencia do que seria aceitável, os riscos que os pescadores, grandes em coragem, mas pequenos na imensidão do mar quando se deparam nas rotas dos grandes navios, que por vezes parecem não os ver, lhes cortando as redes e infelizmente as vidas vez ou outra. Em toda beira de cais é só perguntar que escutará uma história parecida com esta.

Será que estes imensos não possuem radar?

Vale a pena conferir este blog do Pedro Martinelli, muitas informações, texto interessantes e belas fotos.


navio

“Quem tem que prestar atenção neste bichão somos nós. Lá de cima ele não vê a gente, passa por cima e nem sente nada” .

Depois dos piratas que atacam as embarcações na região da Ilha do Marajó para roubar grude, a bexiga nadatória da gurijuba e da pescada amarela, o maior medo dos pescadores é dos navios que cruzam aqueles mares, principalmente quando a rede esta sendo retirada. Com parte da rede dentro da água a pequena embarcação a vela fica atada a outra parte que esta dentro do barco, sem nenhuma chance de sair do rumo do navio rapidamente. A apreensão é grande porque a vista não larga mais aquele monstro, desde quando era apenas um ponto preto em cima da linha que dividi o céu do mar.

Com a proa do navio sempre apontada na direção do pequeno “casquinho” o navio se aproxima rapidamente e a largura de seu casco vai virando uma parede preta, um imenso fundo infinito que vai ocupando o espaço do céu.

Um deles tirou o chápeu , levou até o peito e disse, “Virgem Maria, acode nóis” e foi para o leme tentar aprumar a proa para receber o banzeiro que rolava na nossa direção. Topamos com aquela onda imensa e a calmaria voltou.

Um vento de popa colocou o barco rapidamente na costa, abrigado dentro de um igapó para merendar um avuado de sororoca. “Ela sempre acudiu nóis, disse o pescador mais velho, com o chápeu no peito e olhar para o céu.

Fonte: Blog - Pedro Martinelli (texto e foto)

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