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segunda-feira, 13 de maio de 2019

A luta solitária de uma jovem para salvar corais no Caribe

Yassandra Marcela Barrios Castro conversa com um pequeno grupo de pescadores no litoral de Tierra Bomba, uma ilha próxima à costa de Cartagena, no norte da Colômbia. É a única mulher do grupo – e os homens, todos com idade semelhante à de seu pai, gesticulam freneticamente para ela. Mas a jovem de 19 anos permanece calma enquanto explica o quão destrutiva é a pesca com explosivos que eles praticam – tanto para os corais quanto para os habitantes da área.



Os pescadores de Tierra Bomba usam dinamite para pescar há décadas – e é difícil para eles ouvir que estão agindo de maneira errada. Especialmente quando a crítica vem de uma adolescente.

"É muito fácil os homens me desvalorizarem por eu ser uma menina", diz Yassandra. "E a idade é algo que é respeitado por aqui. Portanto, para uma jovem mulher se levantar e dizer que uma antiga tradição é errada e que está destruindo o oceano... não é tarefa fácil", diz.

Yassandra vive em Boca Chica, no litoral sul de Tierra Bomba. A ilha é rodeada de recifes de coral, e seus nove mil habitantes dependem maciçamente do oceano para se alimentar. Mas a pesca com explosivos e a de arrasto estão destruindo os ecossistemas que são fonte de renda para a comunidade.

"Há muita gente que não tem consciência das consequências de suas ações", explica Yassandra. "Eles estão destruindo o oceano, e eu me preocupo que isso seja para sempre", acrescenta.

Muitos dos habitantes da ilha lutam para sobreviver, e há poucas oportunidades para educação. A bióloga Valéria Pizarro diz que isso dificulta o engajamento da população em questões ambientais. "As pessoas aqui têm problemas mais urgentes", alerta Pizarro, que estuda os recifes caribenhos colombianos há décadas.

Isso faz com que Yassandra, que estuda Biologia Marinha na Universidade Sinu, em Cartagena, seja uma exceção. "Quero saber o que está acontecendo nos oceanos de forma mais profunda", afirma. "O curso me dá uma perspectiva diferente."

Yassandra também é a única mulher em seu programa de estudos e viaja durante duas horas de barco, todos os dias, para frequentar as aulas. Ela quer dividir o que aprende com aqueles que não tiveram a oportunidade de ter uma educação formal. Assim, organiza discussões na comunidade para fazer com que os habitantes locais se informem sobre as ameaças ambientais que enfrentam.

"Estou tentando explicar que, se protegermos os recifes e o nosso oceano, mais pessoas virão para vê-lo, e isso pode trazer algum dinheiro para a nossa ilha", raciocina. "E também, se destruirmos completamente os recifes, não teremos nada para pescar", conclui.

Sorridente e cheia de energia, Yassandra parece ter o dom de convencer pessoas. O que é bom, diante da cultura que enfrenta. Pizarro diz que as mulheres da região se acostumam a ser ignoradas, interrompidas e ver os homens levarem os créditos por suas ideias.

"Se você quiser falar, ser ouvida e promover mudanças, precisa ter personalidade forte e ser capaz de lidar com fofocas, além de ser chamada de 'histérica'", diz a bióloga. "Você tem que ser capaz de falar alto, e ter coragem o suficiente para interromper."

Os assuntos levantados por Yassandra também tocam no ponto da função e do orgulho masculinos: trazer para casa uma renda razoável para sustentar suas famílias. É ótimo informar as pessoas que seu trabalho tem consequências para o meio ambiente, mas Pizarro admite que "mudar é muito difícil quando você é pobre".

"Sempre é difícil 'exigir' uma mudança de pessoas que estão vivendo um dia após o outro", acrescenta a bióloga. "Sei que a sobrepesca é um problema para qualquer ecossistema marinho, mas como posso pedir a alguém que não tem dinheiro para sustentar a família que pare de pescar?"

O maior desafio, nesse caso, é oferecer alternativas. E há projetos locais tentando fazer exatamente isso. Um deles é uma escola de mergulho da qual Yassandra é aluna.

Da pesca ao turismo

A escola de mergulho Paraiso Dive Cartagena, em Tierra Bomba, está ensinando jovens da ilha a mergulhar. A esperança é que, no futuro, sejam capazes de sobreviver como instrutores de mergulho e guias, em vez de pescadores.

A Colômbia tem cerca de 2.900 quilômetros de litoral. As águas caribenhas e do Oceano Pacífico abrigam 2.600 espécies marinhas, incluindo 155 corais e seis das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo. Tudo isso atrai turistas, mas a maioria dos instrutores de mergulhos e guias turísticos não são locais – e essa é uma realidade que a Paraiso Dive quer mudar.

Fonte: DW

segunda-feira, 18 de março de 2019

Bolsonaro revela intenção de reduzir a frota pesqueira nacional

O setor pesqueiro tem reagido com bastante preocupação as declarações do presidente da República divulgadas neste domingo.


O presidente Jair Bolsonaro neste domingo, 17 de março, disse por meio de seu Twitter,  que o Ministério do Meio Ambiente discute com o Secretário Nacional de Pesca projetos embrionários de redução de frota pesqueira e "inclusão dos pescadores no setor de turismo e preservação".

O objetivo  segundo ele, seria o de fomentar o turismo de mergulho e pesca esportiva: "A ideia é reduzir esforços de pesca, aumentar o turismo de mergulho e pesca esportiva e criar novos recifes com embarcações naufragadas como já é feito no mundo todo gerando um ambiente de consciência, preservação e empregabilidade natural".

A pesca artesanal está bastante preocupada: "Será que irão reduzir a frota industrial ou só os pequenos serão penalizados?" Questiona o presidente da Colônia de Pescadores Z-4 de Cabo Frio - RJ, Alexandre da Colônia.

A redução do esforço de pesca proposta pelo Governo Federal poderia de fato ser voltada para reduzir sobrepesca de espécies ameaçadas. "Nós da Z-4 somos a favor da proibição da pesca de espada pela frota industrial, por exemplo" complementa Alexandre.

Fonte: Twitter

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Piauí: Marisqueiras desenvolvem pó de conchas usado na agricultura e indústria

A cata do marisco é uma atividade comum entre famílias ribeirinhas do Litoral do Piauí. No Delta do Parnaíba, um grupo faz diariamente a extração do fundo do rio. Já em Luís Correia, as marisqueiras têm encontrado soluções para velhos problemas enfrentados no processamento e estão aproveitando as conchas na agricultura e indústria.



Quem já comeu marisco já teve a impressão que está comendo um pouco arreia e para a mudar a realidade, as marisqueira em Luís Correia colocam o marisco numa rede dentro de um balde para que a arreia seja levada para o fundo do recipiente e eles fiquem limpos.

“Antes, a gente colocava eles de molho de um dia para o outro e achávamos que a arreia saía, mas não sai. Então fizemos o pulsar, colocamos meio tambor de água e colocamos o marisco de molho por cerca de 24 horas. No dia seguinte, o marisco está todo sem areia, que ficou no fundo”, explicou a Fátima Paiva, presidente da associação das marisqueiras de Luís Correia.

Depois de lavado e cozinhado, o marisco vai para essa sala de seleção. O trabalho é cuidadoso, as mãos são habilidosas. As marisqueiras precisam ficar atentas para separar os moluscos bons para o consumo humano e àqueles que morreram antes de irem para panela.

Depois deste processo, as conchas eram descartadas indevidamente no meio ambiente. Hoje, as marisqueiras ganharam uma forrageira da Companhia de desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Na máquina, elas trituram o material que se transforma em pó. Cerca de 95% desse produto é composto de carbonato de cálcio, substância essencial na correção de solos com acidez. Estudos já foram iniciados para comprovar a utilidade deste pó para a agricultura.

“O pó é usado basicamente para fazer a correção do solo que seria o processo da calagem, que é quando o PH do solo está ácido, nós tentamos elevá-lo colocando o pó. Estamos iniciando este experimento dentro de duas comunidades que a gente trabalha e produz que é coentro e couve”, afirmou Rafson Varela, chefe do escritório de Parnaíba da Codevasf.

Rafson Varela comentou que tem relatos de que o pó do marisco é utilizado na produção de massa de porcelanato, na indústria é usado para tintas, tijolos e cerâmicas. Segundo ele, é uma imensidão de ações que podem ser feitas a partir do marisco.

As novidades que deixaram o seu Raimundo Lopes feliz. Ele é o tesoureiro da associação e já está otimista com a nova renda que se aproxima com a utilização do pó da casca do marisco.

“Nós não tínhamos noção de o quanto esta casca pode ser aproveitada. Nós doávamos para fazer artesanato para pessoas que trabalhavam na praia e o restante jogávamos fora. As pessoas já estavam reclamando, mas agora nós temos uma noção do que podemos fazer”, comemorou.

Fonte: G1

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

PE: Curso de beneficiamento de pescado


O escritório do IPA em Escada promoveu curso de beneficiamento do pescado , afim de habilitar os agricultores do município a agregar valor ao pescado produzido na região. A capacitação realizada nos dias 16 e 17/09/14 tiveram como instrutores, Gilvan Lira e Joana Darc, e apoio de Jackson Reis, Gustavo Lucas, Yullianna Cybelle e Cleide Miriam e parceiros o Núcleo de Articulação e Fomento para o Desenvolvimento Sustentável, além da Prefeitura de Escada. Os peixes forma fornecidos pelo piscicultor, Joaquim Barreto.


O conteúdo apresentado envolveu as boas práticas de manipulação do pescado, que vão desde o cultivo em viveiros até a comercialização, compreendendo as etapas do manejo de cultivo, despesca, abate, sangria, limpeza do pescado, retirada da pele, filé, barriguinha, aparas do filé e por ultimo descarne da carcaça. A partir desses produtos foi realizada a parte culinária, onde são preparados os pratos: delícia de peixe, isca de barriguinha, bolinho de peixe, isca de aparas e torresmo de peixe.

Segundo o Engenheiro de Pesca do IPA, Gilvan Lira, a monocultura tradicional da cana de açúcar limitou durante anos o conhecimento agropecuário dos produtores familiares, além de continuar diminuindo o seu rendimento financeiro. É necessário apresentarmos outras opções para as comunidades. Esse tipo de capacitação é uma forma de aumentar a renda gerada pela piscicultura, a partir do desenvolvimento de uma atividade que otimiza o valor ao pescado, podendo ser praticada pelos agricultores, e principalmente pelas suas esposas e filhos.

Fonte: IPA

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MT - Famílias de comunidades indígenas e de pescadores serão beneficiadas com instalação de apiários

Cerca de 160 famílias que vivem em comunidades indígenas e de pescadores na região sul do estado irá ser beneficiado com instalação de apiários. De acordo com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa Assistência e Extensão Rural (Empaer), o objetivo é ampliar em até 15% a produção de mel na região. As comunidades que serão contempladas ficam localizadas nos municípios de Santo Antônio de Levarger (33 km de Cuiabá) e Barão de Melgaço (109 km de Cuiabá). 



Para a produção de qualidades no apiário, serão realizados treinamentos com orientações teorias e práticas para os funcionários. A criação de abelhas africana será umas das práticas aplicadas nos treinamentos. Segundo o Empaer, ao todo serão 1150 colméias, e cada família poderá adquiri de 5 a 10 para sua própria produção.

De acordo com o biólogo do Empaer, João Bosco Pereira, em Mato Grosso uma colméia pode produzir em média 30 quilos de mel por ano. Na região do Pantanal, a produção pode atingir 60 quilos.

A ampliação da apicultura em Mato Grosso começou com um projeto no ano de 2012, com reuniões e orientações para as famílias que vivem da pesca como outra opção de fonte de renda, principalmente no período da piracema.

Novas tecnologias

Uma das inovações tecnológicas que serão aplicadas é a instalação de colméias nos galhos das árvores, suspensas a uma altura de dois metros do chão, penduradas por arames.

A medida é evita a ação dos predadores como formigas, cupins, tamanduás e outros problemas no período das chuvas. Outro ponto importante, segundo o biólogo da Empaer, é o preço da caixa de abelha que vai custar R$ 60 a unidade e pago com o produto.

Fonte: Olhar Direto

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Nova chance para esturjão do mar Cáspio


A pesca de esturjão no mar Cáspio será proibida por cinco anos. Se espera que essa decisão seja tomada no final da cúpula dos chefes de Estado dos países do mar Cáspio, que acontecerá em setembro. Segundo especialistas, tal medida ajudará evitar o desaparecimento da população de esturjão.

A proposta de introduzir uma moratória de cinco anos sobre a pesca de esturjão no mar Cáspio surgiu em novembro de 2010 na cúpula em Baku. Quatro dos cinco países do mar Cáspio: Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão e Irã estavam dispostos a introduzi-lo imediatamente. No entanto, o Turcomenistão não concordou na altura com essa decisão. Segundo o chefe do Centro de Relações Públicas do Ministério russo da Pesca, Alexander Saveliev, finalmente os países conseguiram chegar a um acordo sobre a introdução de uma moratória:

“É óbvio que para ajudar o esturjão a recuperar é necessário que a moratória seja imposta por todos os países litorâneos. Por isso esperamos que na próxima cúpula de chefes de Estado dos países do mar Cáspio esta questão será resolvida de uma vez por todas. Pelo menos de momento não existem nenhum desacordo. E a posição do Turcomenistão mudou. Eu acho que num futuro próximo esta moratória será introduzida.”

A situação com o esturjão é crítica. Nos últimos dez anos a população de belugas, esturjões de espinho, esturjões estrelados e outros esturjões no mar Cáspio diminuiu em 30-40 vezes nas estimativas mais conservadoras. Eles são pescados por sua carne saborosa e seu caviar, que em muitos países do mundo é considerado uma das iguarias mais caras.

O esturjão, que é uma das espécies mais antigas de peixes, é encontrado nos mares Cáspio, Negro e de Azov. Justamente a ação antropógena abalou catastroficamente a população desses peixes valiosos. A Rússia já em 2002 introduziu moratória à pesca de esturjão. Entretanto esta proibição não deteve os pescadores ilegais.

A fim de tentar salvar a população de peixes de alguma forma, em 2002 a Rússia impôs unilateralmente uma moratória sobre a pesca de esturjões. Atualmente, a pesca só é possível para fins científicos. Além disso, estão sendo ativamente desenvolvidas fazendas de reprodução artificial de esturjão. Cientistas russos desenvolveram um método único de obtenção de ovos in vivo. Ou seja, eles aprenderam a “ordenhar” os peixes. Parte do caviar é utilizada para criar alevinos em piscinas especiais. Quando os filhotes crescem, eles são soltos em seu habitat natural. Outra parte vai para a produção da iguaria. E o caviar cultivado não difere em nada do natural, “selvagem”. Pelo menos até os gourmets mais exigentes não os distinguem pelo gosto.

No entanto, o preço do caviar continua muito alto. Em mercados europeus eles podem chegar a vários milhares de dólares por quilograma. Isso estimula os pescadores furtivos a pescarem esturjões ilegalmente. A pesca furtiva em massa continua sendo o principal problema para o esturjão, acredita o coordenador-chefe de projetos do programa TRAFFIC do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) da Rússia Alexei Vaisman:

“O esturjão do Cáspio está num estado deplorável na sequência de caça furtiva em massa, que prospera na Rússia, no Cazaquistão, no Azerbaijão, no Turcomenistão, e até mesmo no Irã. As pessoas foram ao mar porque começou desemprego em massa. As pessoas simplesmente não têm de que viver. Neste tempo, cresceu uma geração que não conhece nenhum outro trabalho. Em geral, criou-se uma cultura de pesca furtiva.”

Especialistas acreditam que se todos os estados do Cáspio concordarem em impor uma moratória total, a população de esturjão em breve será restaurada. Segundo estimativas de cientistas russos, atualmente já há suficiente esturjão jovem no Cáspio do Norte. E em cinco anos será possível falar de um início cauteloso de pesca industrial. É só preciso dar à natureza um pouco de descanso.

por Svetlana Kalmykova
Fonte: Rádio Voz da Rússia

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

RN - Pesca artesanal do polvo é alternativa para a comunidade de Rio do Fogo


Passa do meio dia quando as paquetes - pequenas embarcações usadas na pesca - atracam na praia. O retorno é mais rápido que o habitual e vem novidade também na carga. Em vez da lagosta, que por décadas foi o fruto mais cobiçado das águas de Rio do Fogo, no litoral Norte potiguar, um molusco ganha status de prato principal: o polvo. E a mudança não se restringe ao produto. O formato e a percepção de uma atividade perpetuada através de gerações também evoluem para tornar-se sustentável.

A pesca artesanal antes feita por mergulho é, aos poucos, substituída por pequenos potes de polietileno depositados, estrategicamente, no mar. O método é fruto de projeto de pesquisa desenvolvido por biólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte junto a população nativa.

O município distante 79 quilômetros de Natal e de pouco mais de 10 mil habitantes é o maior produtor de polvo do Estado. Por ano, em média, são produzidas 82 toneladas, segundo estimativas do Ibama que monitorou a produção estadual até 2011.


Foto: Alex Régis

A pesca artesanal do polvo é fruto de projeto de pesquisa desenvolvido por biólogos da UFRN junto à população nativa de Rio do Fogo

A drástica queda do rendimento da pesca da lagosta, imposta por restrições ambientais e durante o defeso, somada à necessidade de sustento em períodos de “água suja” - jargão usado para o mar bravo ou quando a chuva e os ventos tiram a visibilidade da água -, explica a bióloga responsável pelo projeto Lorena Cândice de Araújo Andrade, fez do experimento científico uma alternativa viável e rentável, superando a desconfiança inicial dos caiçaras.

“Quando começou não tinha fé que funcionasse. Como jogar um pote traz o polvo? Mas tem sido a melhor opção para nós, nessa época de mar bravo e sujo, que vai de maio até agosto, sem falar no defeso”, frisa o pescador Geraldo Rodrigues do Nascimento, de 45 anos, que conta que na primeira despesca teve um rendimento em 80% dos apetrechos.

O período de defeso do crustáceo, de janeiro a abril, coincide com a época melhor de pesca do polvo em função das águas limpas, explica a bióloga, e se prolonga ao período de chuvas e ventos, impedindo a pesca. “Se não fosse o projeto, estaríamos em dificuldade, só com a pesca de peixe, que não é o nosso ramo”, completa João Batista dos Santos Ferreira, de 47 anos. O quilo do polvo vendido na região, pelos pescadores, varia entre R$ 13,00 a R$ 22,00.

Os potes revestidos com cimento e amarrados ao espinhel funcionam como abrigos que atraem os animais para o interior, onde se alojam e são capturados quando a corda é içada. A pesca é feita a cerca de 8 metros de profundidade, em campo de cascalhos.

O procedimento, observa os trabalhadores, é menos cansativo e arriscado do que “descer (mergulhar) de peito livre e uma garantia já que não consegue mais a lagosta como antes”, afirma Geraldo.

O sistema foi introduzido na comunidade há cerca de um ano, e a coleta é feita a cada 15 dias, devido o baixo número de equipamentos. O projeto é desenvolvido com cerca de 20 pescadores artesanais e conta com 400 potes.

A ampliação esbarra em dificuldades financeiras. “Se tivéssemos uma linha de crédito para compra de potes e corda, poderíamos aumentar a produção e a renda, sem falar no respeito a natureza”, frisa João Batista. Cada pote é adquirido ao custo de R$ 3,00 a R$ 5,00, sem contar os custos com a corda e cimento. Em meio a falta de recursos, muitos pescadores inovam com a confecção dos artefato, à base de garrafas pet e de telhas.

Controle garante preservação

A difusão do conhecimento e da preservação do meio é o mais importante, na avaliação da bióloga. A preocupação é ainda maior porque a região de Rio do Fogo está inserida em Área de Preservação Ambiental (APA). “Não há como pensar desenvolvimento de um atividade econômica sem melhorar a vida das comunidades e sem garantir a preservação do meio”, disse.

Para garantir reservas futuras e manter a posição de principal produtor, somente os moluscos a partir de 600 gramas são depositados na embarcação. Abaixo do tamanho e peso recomendados são devolvidos ao mar. Isso impede que animais pequenos ou fêmeas que ainda não reproduziram sejam abatidas.

O cuidado, explicam eles, é resultado do trabalho de educação ambiental difundido pelos pesquisadores para garantir a reposição da espécie. “Se a gente não fizer assim, vai acontecer o mesmo que ocorreu com a lagosta, vai sumir”, alerta o pescador Josimar Clemente de Oliveira, mais conhecido como Mano. O pescador continua com a pesca por mergulho, alternando com as idas a coleta nos potes, mas passou fazer a seleção do produto que pode ser retirado para comercialização e sustento. “Não era pesca sustentável”, conclui.

Molusco é facilmente negociado

Até bem pouco tempo atrás, o polvo era mercadoria secundária pescado apenas quando encontrado durante a pesca artesanal da lagosta. Hoje, atravessadores e consumidores se posicionam na praia para a escolha do produto fresco, que é rapidamente negociado e segue para abastecer, sobretudo a rede hoteleira e de restaurantes no Ceará, Alagoas e Pernambuco.

Com a escassez da lagosta, o polvo que era tido como “fauna acompanhante” tem um forte papel para a sobrevivência e crescimento da região, explica a bióloga Lorena Candice de Araújo Andrade, cujo projeto de doutorado em ecologia é a alternativa sustentável à pesca do crustáceo, testada em Rio do Fogo.

O polvo encontrado na costa potiguar é diferente do cultivado na região Sul do país. Em Rio do Fogo, a espécie octopus insularis está sendo catalogada e analisado o potencial para exploração comercial e consumo. O trabalho envolve o aspecto socioeconômico e ambiental, com o mapeamento da atividade pesqueira e análise da cadeia produtiva para transformar modelos tradicionais de atividades em negócios sustentáveis.

Com base nesses estudos, explica o pró-reitor de pesquisa da UFRN, Valter Fernandes, a ideia é fomentar subsídios para as comunidades pesqueiras da região, promover desenvolvimento sustentável e racional do recurso natural.

A pesca com potes, prática recorrente na costa de países europeus, foi testada em Rio do Fogo com coleta (idas ao mar para recolher os animais) a cada sete, 15, 21 e 28 dias e em todos eles houve aproveitamento média de 10% de cada espinhel, com cerca de 60 potes cada um, detendo um a dois polvos. “Não é tão rentável quanto o modelo convencional, à mergulho”, admite a bióloga.

Contudo, o resultado é considerado positivo uma vez que a pesca não é induzida, sem uso de iscas e produtos químicos que contaminem o mar. “Se feita em grande escala, digamos com mil a 10 mil potes, 10% é boa produção”, afirma.

Fonte: Tribuna do Norte

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Pesquisadores da Univali de Itajaí criam sardinha em cativeiro



Pesquisadores da Univali de Itajaí se preparam para transferir, de forma inédita, sardinhas-verdadeiras (Sardinella brasiliensis) criadas em cativeiro, no Litoral Norte, para barcos atuneiros, onde serão utilizadas como isca-viva na pesca de atuns.

A atividade ocorre após a passagem de cerca de 8 mil juvenis da espécie, originárias de larviculturas produzidas pelo Laboratório de Piscicultura Marinha (Lapmar) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para um tanque rede, onde estão se desenvolvendo, na área de cultivo da Univali, na enseada do Itapocorói, em Penha.

— O sucesso dessa ação, que deve acontecer ainda neste mês, coroa oito anos de pesquisas na área da produção de iscas-vivas — aponta Gilberto Caetano Manzoni, pesquisador da Univali e um dos responsáveis pelo projeto.

A pesquisa para a produção da isca-viva iniciou em 2005 quando pesquisadores do Cepsul/ICMBio e do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar/Univali) iniciaram estudos inéditos para a reprodução de sardinhas em cativeiro.

O projeto ganhou força, em 2010, com o aporte de recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), por meio do estabelecimento de parceria com o Lapmar/UFSC, que passou a dedicar-se ao estudo e desenvolveu, com sucesso, a metodologia para a reprodução de sardinha em laboratório.

Objetivo

Gilberto conta que a pesquisa nasceu da necessidade de diminuir a pressão da pesca sobre os estoques naturais de sardinha, mas diz que os benefícios decorrentes do estudo vão além da preservação e recuperação dos estoques naturais de sardinha:

— Com a possibilidade da produção da espécie em cativeiro as embarcações não precisarão mais ir para o mar em busca das sardinhas para iscar seus barcos para a pesca do atum, gerando economia de tempo e de combustível — explica o professor.

Manutenção dos recursos depende de preservação

O recurso sardinha-verdadeira é o responsável pela manutenção de duas cadeias de processo industrial de pescado, as conservas (enlatados) de atum e de sardinha. A primeira envolve a utilização de juvenis desta espécie como fonte de isca para a captura do atum e a segunda se direciona sobre indivíduos adultos e a tem como espécie alvo.

A pesca de tunídeos é feita com vara e isca-viva, e desenvolve-se em duas etapas distintas: a captura de juvenis de iscas-viva, sardinhas e manjubas, e pela pesca do atum propriamente dito.

O sucesso da pescaria depende da relação positiva entre a captura de isca-viva e a captura do atum. Atualmente, essa modalidade de pesca encontra-se ameaçada, não pela limitação do estoque de atum, mas sim pela captura de juvenis de outras espécies como isca-viva.

Números

A principal espécie de isca-viva utilizada é a sardinha-verdadeira, entretanto outras sardinhas e as manjubas também podem ser utilizadas. Atualmente são utilizadas cerca de 1,2 mil toneladas de isca-viva por ano, sendo que dessas, 800 toneladas são de sardinha e 400 toneladas de boqueirão.

Estima-se que, por viagem, cada barco captura em torno de duas toneladas de isca. Se considerarmos que o peso médio dos juvenis de isca é em torno de 2,3 gramas, pode-se dizer que, por viagem, cada atuneiro utiliza um milhão de sardinhas/manjubas juvenis.

Fonte: O SOL DIÁRIO

sábado, 8 de junho de 2013

Pescador terá crédito para armazenar e evitar perdas


Manaus - Até o próximo dia 13, os proprietários de barcos de pesca do Amazonas devem ter uma linha de financiamento própria para o investimento na armazenagem dos peixes nas embarcações.

Os valores disponíveis devem ficar na faixa de R$ 50 mil a R$ 100 mil e podem ser a solução do desperdício de pescado, que chega a 30% em uma única viagem. A informação é do superintendente de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Djalma Mello. Mais de mil pescadores devem ser beneficiados.

O anúncio será feito durante a Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo (Condel) da Sudam, em Macapá (AP), informou Mello.

A Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura (SFPA e o Banco da Amazônia devem firmar a linha de financiamento.

O desperdício de pescado no Amazonas chega a 20 mil toneladas por safra, segundo a SFPA. “A nossa frota pesqueira está sucateada e muito arcaica na questão do armazenamento. O peixe já chega machucado em Manaus”, afirma o superintendente Raimundo Nonato.

As espécies são transportadas em grandes caixas isotérmicas que variam de um a dois metros, com uma camada de peixe, uma de gelo. O peixe que vai embaixo recebe todo o peso e fica moído, sendo desperdiçado. “Não é o terminal pesqueiro que vai evitar que o pescado seja desperdiçado. O que vai evitar isso é a reforma e modernização da frota pesqueira do Amazonas”, explica Nonato.

A solução encontrada é construir um sistema de gavetas nas embarcações. O custo médio seria de R$ 50 a R$ 100 mil. Os recursos serão do Banco da Amazônia, que virão de uma linha exclusiva para os pescadores ou via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), informa o superintendente do Banco, Donizete Borges.

A frota pesqueira do Estado é de 1.021 barcos, registrados no MPA. O número pode chegar a mais de 3 mil. Os irregulares serão cadastrados em um mutirão, ainda sem data definida.

Pelas linhas do Pronaf, os juros anuais são em média de 2%, com dez anos para pagar o empréstimo e carência de dois anos.

Com os pescadores, ainda não houve comunicação. “Não fomos chamados para nenhuma reunião ou comunicados dessa possibilidade de financiamento”, disse o presidente da Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas (Fepesca), Walzenir Falcão. Ele salienta que a discussão sobre o transporte de peixes em embarcações é antiga e até agora não houve solução prática.

Fonte: D24am
Foto: Eraldo Lopes

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

“Cola” de mexilhão é testada em aplicações médicas

Um grupo de cientistas nos Estados Unidos tem estudado mexilhões há alguns anos, não por conta de propriedades nutricionais ou aplicações culinárias, mas movidos pela curiosidade a respeito de uma das principais características desses organismos: sua notável capacidade de se manter grudado em ambientes aquáticos.

Mexilhões se aderem a praticamente qualquer superfície, orgânica ou inorgânica, fixando-se fortemente dentro da água do mar, mesmo em ambientes muito turbulentos.

Phillip B. Messersmith, professor de engenharia biomédica da Northwestern University, tem desenvolvido com sua equipe novos materiais que imitam as propriedades das proteínas adesivas dos mexilhões. O objetivo está em aplicações na medicina. Resultados do estudo foram apresentados pelo pesquisador durante a reunião anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), realizada entre 14 e 18 de fevereiro em Boston, Estados Unidos.

“A adesão dos mexilhões é um processo notável que envolve a secreção de uma proteína líquida que se endurece rapidamente na forma de um adesivo sólido e resistente à água. Diversos aspectos desse processo natural nos inspiraram a desenvolver materiais sintéticos. Uma aplicação importante pode estar no reparo de tecidos do corpo humano, nos quais a água está presente e dificulta bastante as tentativas de tratamento”, disse Messersmith.

Os “pés” do mexilhão comum (a espécie estudada foi a Mytilus edulis, muito presente na costa brasileira) produzem uma cola pegajosa capaz de aderir a pedras e outras superfícies encontradas em ambientes aquáticos. Peça-chave nessa capacidade é uma família de proteínas únicas que contêm concentração elevada do aminoácido DOPA (dihidroxifenilalanina).

Os materiais produzidos pelos pesquisadores da Northwestern contêm uma forma sintética de DOPA. As aplicações principais estudadas são como adesivos para o reparo de membrana amniótica e como polímeros para o transporte de medicamentos no tratamento de tumores.

O rompimento prematuro da membrana amniótica pode ocorrer espontaneamente ou em conjunto com um procedimento cirúrgico. As membranas têm capacidade limitada de se recuperar dessas rupturas e o resultado é frequentemente o parto prematuro ou outras complicações sérias. O polímero sintético desenvolvido pelos pesquisadores norte-americanos atua como uma cola líquida que se solidifica e se adere ao tecido úmido da membrana, corrigindo o problema.

Messersmith contou que está realizando estudos em colaboração com cientistas europeus para conduzir experimentos in vivo para o reparo de rompimentos na membrana fetal.

Outra aplicação na qual o adesivo sintético vem sendo testado está no transporte de drogas antitumorais. Um dos desenhos do polímero desenvolvido na Northwestern resulta na formação de veículos para medicamentos com a particularidade de serem estáveis e inativos na corrente sanguínea. Sensíveis ao pH local, essas partículas são ativadas pelo meio mais ácido das áreas com tumores, onde liberam as drogas. Outro desenho experimentado pelos cientistas envolve modificar a superfície de nanobastonetes (com bilionésimos de metro) de ouro com cobertura feita a partir do polímero adesivo inspirado nos mexilhões. Quando atingem o alvo, os bastonetes são irradiados com luz próxima do infravermelho para promover um aquecimento capaz de destruir as células cancerosas.

Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O caviar verde

O umibudo _ cuja tradução é uva do mar _ é uma iguaria da culinária japonesa ainda pouco conhecida no exterior, mas muito valorizada nas mesas orientais. Também chamado de "caviar verde", o umibudo é uma alga com sabor bem suave, mais delicado que o já globalizado nori. Em Tóquio, esse tipo de alga é mais comum nos restaurantes especializados em comida de Okinawa, ilha ao Sul do Japão. Mas se encontrá-lo em algum cardápio, pode pedir sem medo. É gostoso, faz bem e não engorda. Os japoneses comem umibudo com sashimi ou puro, com um pouco de shoyo, como uma entrada. Chefs ocidentais, atentos para tudo o que sai da cozinha japonesa, já andam usando o "caviar verde" como um toque final, para enfeitar os pratos.


Fonte: Ela Blogs
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CE - Pescadores recebem barcos feitos com garrafas PET


Comunidade pesqueiras de Paracuru, município localizado a 87 quilômetros de Fortaleza, no litoral leste do Ceará, receberam nesta terça-feira (18) cinco barcos fabricados com garrafas PET. A embarcação é do tipo cataramã, feita com dois cascos esguios, paralelos, fixados lado a lado, regulamentado pela Marinha do Brasil, que serão ser usadas no apoio à pesca, transporte de mariscos, atividades turísticas e ambientais. Os barcos foram produzidos pelas próprias comunidades que participaram de um curso do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e financiado pela Petrobras, como medida compensatória pelo licenciamento ambiental de instalações marítimas. Uma das comunidades beneficiadas é a Associação de Pescadores da Barra do Curu que atua diretamente na Área de Proteção Ambiental (APA) do Estuário do Rio Curu.

Fonte: G1

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

SC - Sobre o Cultivo de Ostras


Abaixo matéria convocando para o Festival de Ostras em Ribeirão da Ilha em Florianópolis que ocorreu na semana passada mas que narra de forma interessante o dia dia no cultivo de ostras e as dificuldades de quem ganha a vida nestes cultivos.



A maricultura surgiu para ser mais uma opção para os pescadores ganharem dinheiro, mas acabou virando a principal fonte de renda da região do Ribeirão da Ilha, na Capital. O cultivo no local teve início nos anos 90. A iguaria será a atração principal do Festival de Ostras neste fim de semana.

Fonte: RIC Mais

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Índice de Saúde dos Oceanos aponta oportunidade de crescimento da maricultura



Considerando aspectos que podem parecer antagônicos, como a exploração comercial e a proteção marinha, o OHI amplia a visão para o que poderia ser um oceano sustentável

Desde 2008, o Greenpeace, ao publicar o estudo “À Deriva - Um Panorama dos Mares Brasileiros”, alerta para o aumento do nível de contaminação dos oceanos com poluentes, a diminuição dos estoques de peixes e o possível colapso de muitas espécies marinhas. Em evidência, os oceanos estiveram em pauta na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada em junho deste ano no Rio de Janeiro. Dois meses após o evento, o secretário-geral da ONU lançou o Pacto dos Oceanos, com objetivos alinhados às definições assumidas na conferência. Ban Ki-moon propôs a formação de um grupo consultivo sobre os oceanos que deverá ser composto por líderes políticos, cientistas, representantes do setor privado e da sociedade civil.

Agora, outra pesquisa vem reforçar a necessidade de olharmos com mais atenção para uma das peças mais importantes dentro do complexo quebra-cabeça do equilíbrio terrestre.

Desenvolvido com a contribuição de mais de 65 especialistas em oceanos, em uma parceria entre as organizações Conservation International, National Geographic Society e New England Aquarium, o Índice de Saúde do Oceano (OHI – Ocean Health Index) amplia a discussão sobre a utilização do habitat marinho pelos seres humanos trazendo uma visão mais completa, que considera aspectos que podem parecer antagônicos, como a exploração para fins comerciais e a proteção das espécies marinhas, mas que fornecem mais elementos para a tomada de decisões sobre como manter ou aumentar os benefícios que os oceanos nos trazem sem comprometer a saúde ou a função das cadeias de vida que neles vivem.

“Pela primeira vez, nós temos uma medida abrangente do que está acontecendo nos nossos oceanos e uma plataforma global a partir da qual podemos avaliar as implicações das ações ou omissões humanas,” afirmou Greg Stone, vice-presidente sênior e cientista-chefe para os Oceanos da Conservation International e coautor do artigo publicado na revista Nature. “Nós reconhecemos que o índice é um pouco audacioso, mas necessário”, completou Ben Halpern, cientista e líder da pesquisa.

Nós e os oceanos

Os oceanos detêm mais de 98% do espaço onde existe vida e 97% da água do planeta, produzem mais da metade do oxigênio na atmosfera e regulam o clima da Terra. Atualmente, mais de 40% da população mundial está em zonas costeiras e possui negócios baseados nos oceanos, contribuindo com mais de 38 milhões de empregos e mais de US$ 3 trilhões por ano para a economia mundial.

À medida que a população mundial cresce de 7 para 9 bilhões (previsão para 2050), as pessoas estão se tornando cada vez mais dependentes dos oceanos para a sua alimentação, subsistência, recreação e sustento. No entanto, aproximadamente 84% das reservas marinhas monitoradas estão completamente exploradas ou até mesmo esgotadas. A capacidade das frotas pesqueiras do mundo é estimada em 2,5 vezes acima dos níveis de pesca sustentáveis.

Para avaliar a saúde dos oceanos, o novo índice OHI combinou cientificamente elementos-chave das dimensões sociais, econômicas, físicas e biológicas dos oceanos, considerando os seres humanos como parte desse ecossistema. Foram definidos dez fatores que reúnem dados que podem ser usados globalmente, regionalmente ou em territórios específicos, no caso de uma baía, por exemplo.

O estudo atribuiu pontuações para os fatores ‘provisão de alimentos’, ‘oportunidades de pesca artesanal’, ‘produtos naturais’, ‘armazenamento de carbono’, ‘proteção costeira’, ‘subsistência e economia’, ‘turismo e recreação’, ‘identidade local’, ‘águas limpas’ e ‘biodiversidade’.



Pesquisadores desenvolveram métodos simples para o cultivo de moluscos gigantes, uma forma de maricultura. (Foto: WorldFish / Conservation International)

Globalmente, a pontuação dos oceanos foi de 60, num total de 100 pontos. A pontuação média combinada do Brasil, considerando todos os fatores, foi de 62,4, o que levou o País à 27ª colocação no ranking mundial, entre 171 países. Quanto menor a pontuação, pior a situação, mostrando que ou não estamos aproveitando os benefícios fornecidos pelos oceanos ou não estamos utilizando esses benefícios de modo sustentável.

Fazendas marítimas

Entre as revelações do OHI, está clara a necessidade de melhorar o gerenciamento da pesca globalmente, mas o estudo também aponta para a oportunidade de se ampliar o cultivo de espécies marinhas por meio da maricultura, criações controladas de peixes, mexilhões, ostras, algas, entre outros, em ambientes aquáticos de água salgada.

De acordo com o Índice de Saúde do Oceano, a maricultura, considerada um subconjunto do item Provisão de Alimentos, recebeu uma das mais baixas pontuações (10 em um total de 100). No índice, a produção por unidade de área é avaliada em comparação ao valor máximo do principal país produtor, a China. “A produção chinesa é muito maior a do que o resto do mundo”, afirma Cristiane Elfes, coautora do OHI e pesquisadora da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, justificando a escolha do país como referência para maricultura.

Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas), a prática da maricultura costeira é uma forma de produção nova no Brasil e poderá assumir importância estratégica para a sobrevivência das comunidades litorâneas que começam a se interessar pela inclusão dessa modalidade.

“O Brasil tem produção muito baixa de maricultura. Produz poucas espécies e, em muitos casos, a produção é baixa”, completa a pesquisadora. “Mas está acima da média global em Provisão de Alimentos [com 36 pontos contra 24 pontos da média global], porque muitos países no mundo estão em situação pior, o que não significa que o Brasil esteja bem. É importante lembrar que no OHI usamos dados que cada país relata para a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e existem incertezas quanto à precisão dessas informações”, afirma Cristiana.

Cultivo sustentável

Apesar do espaço para aumento da maricultura, o desenvolvimento dessa atividade econômica pode pressionar outros componentes do Índice de Saúde do Oceano, como a preservação da biodiversidade e a proteção costeira.

“Para que esse potencial possa se expressar plenamente, há a necessidade de se adotar, cada vez mais, práticas de cultivo ecologicamente sustentáveis, como a diminuição do uso de insumos oriundos da pesca”, afirmam os professores Ronaldo Oliveira Cavalli e Jaime Fernando Ferreira em artigo publicado pela SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

A maricultura pode ser extremamente danosa ao meio ambiente quando envolve a alimentação artificial das espécies cultivadas com ração de farinha e óleo de peixe, produzidos a partir de pequenas espécies como a sardinha, fundamentais para a manutenção da cadeia alimentar. Segundo a FAO, mais de 75% da produção de peixe do mundo é destinada ao consumo humano. O resto é, na sua maior parte, processado para farinha e óleo de peixe.

Para os especialistas do Índice de Saúde do Oceano, a sustentabilidade da maricultura pode ser avaliada de duas formas: se o aumento da atividade afeta negativamente outros fatores do índice e também se a pontuação da maricultura se mantém ano após ano.

“O OHI é como um termômetro da saúde do oceano, que nos permitirá determinar como o paciente está indo”, disse o porta-voz da National Geographic, Enric Sala. “O Índice medirá se as nossas políticas estão funcionando ou se precisamos de novas soluções.”.

 Fonte: Allianz

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Resíduos da pesca podem virar biodiesel


A Petrobras Biocombustível e o Ministério da Pesca e Aquicultura assinaram, nesta quinta-feira (25/10/12), no Palácio do Planalto, em Brasília, memorando de entendimentos para ampliar programas cooperativos com foco na pesquisa e produção de biodiesel a partir de matéria-prima residual do pescado. A parceria foi firmada no evento de lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura, com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff.

Para o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, a parceria tem o propósito de promover estudos para utilização desta matéria-prima na produção de biodiesel. "Vamos apoiar o desenvolvimento de uma nova alternativa de suprimento e contribuir também para o aproveitamento de resíduos da atividade pesqueira na produção de bicombustíveis", avalia o presidente.

A iniciativa está alinhada ao Plano Safra que visa à expansão da atividade e do comércio pesqueiro e tem como meta produzir 2 milhões de toneladas anuais de pescado até 2014. A Petrobras Biocombustível já desenvolve iniciativas para avaliar o aproveitamento de óleo de peixe para biodiesel. Um exemplo é a parceria no projeto piloto Biopeixe realizado com piscicultores da região de Jaguaribara, no Ceará, para prospecção no Açude Castanhão.

O acordo tem como principais objetivos ampliar o aproveitamento e a produtividade dos recursos naturais, pesqueiros e aquícolas, aumentar a renda dos pescadores e agregar valor à sua produção, além de promover o desenvolvimento técnico, científico e de inovações tecnológicas para a atividade.

Fonte: MS NOTÍCIAS

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

AL - Própolis Vermelha é reconhecida como produto exclusivo do Brasil


Projeto ‘Pescadores de Mel ‘capacita moradores da região para atuar como apicultores

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) reconheceu a Própolis Vermelha de Alagoas como produto brasileiro sem similar no mundo, o que consolidará uma mudança definitiva na economia dos manguezais do Estado, onde ela é produzida. A Própolis Vermelha possui quatro isoflavonóides*, substâncias nunca antes encontradas ao mesmo tempo em nenhuma espécie de própolis.

Pela sua singularidade, o quilo do produto bruto chega a custar R$ 500 no mercado externo e se tornou a solução para o sustento das famílias de pescadores que enfrentavam dificuldades com a expressiva redução de peixes e caranguejos na região.


A Própolis Vermelha tem cor e características diferenciadas porque sua composição está inteiramente ligada às espécies vegetais típicas dos manguezais alagoanos, tornando-a exclusiva no mundo. As abelhas produzem a própolis a partir de uma planta conhecida como “rabo de bugio” (Dalbergia Ecastophyllum), abundante na região litorânea e lagunar de Alagoas. O “ouro vermelho”, como também é chamado, tem propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias, antioxidantes, cicatrizantes e é também uma espécie de antibiótico natural.

A expansão da cadeia produtiva da Própolis Vermelha, que envolve 22 municípios do litoral alagoano, começou a se tornar realidade com o projeto “Pescadores de Mel”, de capacitação de apicultores, criado em 2006. O projeto nasceu na Estação Ambiental Cinturão Verde e é apoiado pela Braskem, que garantiu os equipamentos necessários para dar suporte ao desenvolvimento da comercialização do produto pelo mundo. O objetivo é que, com a mudança de atividade, os pescadores atuem como pequenos empresários da região. Até julho de 2012, foram capacitados 140 produtores e, até o primeiro semestre de 2013, o projeto pretende atingir cerca de 1.000 pescadores.

Mercado internacional

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de própolis, com 150 toneladas por ano. Desse total, dois terços são destinados à exportação, principalmente ao Japão, que importa do Brasil 92% de todo o seu consumo de própolis, num negócio de aproximadamente US$ 300 milhões anuais. Em 2011, a produção da Própolis Vermelha totalizou 734 quilos, o que rendeu uma média de R$ 674,85 por produtor.

A Indicação Geográfica concedida pelo INPI é um registro que constitui um direito à propriedade intelectual autônoma. É composta de um selo e de um nome geográfico que indica a origem de determinado produto ou serviço. Com isso, o Brasil, por meio do Estado de Alagoas, passa a ser reconhecido como único produtor dessa espécie de própolis no mundo, o que protege a biodiversidade nacional.

(*) Isoflavonóides são compostos encontrados apenas nas plantas que têm fortes propriedades antioxidantes

Fonte: Tribuna Hoje

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Miniaturas expõem arte e primor do velho jangadeiro


Reconhecido como Mestre da Cultura Popular, José Pereira de Oliveira, 87 anos, ainda produz todos os dias


O artesão começou a produzir os objetos com 50 anos, quando não pôde mais pescar

Aquiraz No manuseio de pequenas madeiras de timbaúba, o ancião chega a assemelhar-se a uma criança, construindo um novo brinquedo. Mas, numa análise mais atenta, observa-se o peso da maturidade, que se manifesta na meticulosidade dos detalhes, precisão de símbolos justapostos e graciosidade do produto. Trata-se do artesão José Pereira de Oliveira, 87, uma das personalidades cearenses agraciadas com o título de Mestre da Cultura Popular, nascido e criado na Prainha, litoral de Aquiraz.

Apesar da idade, Oliveira não abre mão de seu trabalho artesanal todos os dias. As réplicas das jangadas são de quase todos os tamanhos. No entanto, o encantamento é maior entre as miniaturas, as mais procuradas por turistas e comerciantes que lidam com os souvenirs e objetos de decoração de ambientes.

O ofício de artesão começou quando já não mais podia pescar, por conta de uma doença que comprometeu sua visão. Como nos tempos de criança, costumava fabricar pequenas jangadas para brincar no Rio Maceió, que desemboca naquele trecho do Litoral Leste do Estado.

Chegou a cursar até a quarta série, mas teve que interromper os estudos com a morte do pai. Assim como os irmãos, foi buscar a subsistência no mar. "Eu podia ter tentado a agricultura. Mas, os homens da minha família eram pescadores e eu segui esse ofício", conta.

Juventude

Nos tempos de sua juventude, a principal fonte de subsistência era a pesca, obtida com a jangada, que singrava o mar sempre na incerteza de se haveria boa pesca, ou até mesmo se a embarcação resistiria às mudanças súbitas de humor das marés. Assim, continuou pescador até os 50 anos de idade, quando ficou doente e não pôde mais ir ao mar. Para sustentar a mulher e os oito filhos, lembrou-se da antiga brincadeira de produzir jangadas. Daí que começou a vender, ser procurado por comerciantes de artesanato e ganhou fama pela qualidade de seus trabalhos.

Oliveira mora na Rua Damião Tavares, onde criou os filhos e, ainda hoje, boa parte dos netos. Na Prainha, via a transformação radical pela qual o lugar passou.

De uma antiga aldeia de pescadores e referência maior da mulher rendeira para uma praia com uma ocupação desordenada e com o setor imobiliário valorizado. Com isso, a pesca, renda de bilro e outros manifestações artesanais foram postas de lado e, até mesmo, negligenciadas pelas novas gerações.

Identidade

O dano maior, conforme avalia, se deu nas pessoas do lugar, da perda da identidade simples. "É triste ver os jovens envolvidos na droga e na prostituição. Mais triste é saber que existe solução para essas pessoas, que é o trabalho", afirma. Oliveira não apenas trabalha para ocupar o tempo, mas porque é consciente de que o primor do que se faz pode ser sempre melhorado.

Com o titulo de Mestre da Cultura, ganha um salário mínimo por mês. Além disso, recebe ajuda dos filhos, mesmo aqueles que moram distante e em outros Estados. Ainda se reúnem todos os anos em torno do patriarca.

Legado

"Meu legado maior foi a criação de meus filhos. Mais do que um pai, procurei ser um educador rígido, ensinando pelo diálogo e o exemplo. E assim formei uma família num alicerce forte", diz o artesão, lembrando que ainda sente muita falta da esposa, Auristide da Costa Olivera, com quem viveu 58 anos. Ela faleceu há menos de dois anos.

Para o jornalista e pesquisador da cultura popular, Gilmar de Carvalho, é justo o reconhecimento que se faz a Oliveira. "Fui convidado pela Secult para escrever sobre os mestres", conta. Gilmar lembra que ficou comovido com a delicadeza com que o artista faz as miniaturas.

"Difícil para um homem da idade dele manter a precisão do corte, as minúcias dos detalhes e dar forma a este mundo da pesca artesanal, que está em extinção, infelizmente", ressalta. Na opinião de Gilmar de Carvalho, Oliveira é um grande artesão, pois ajuda a preservar a memória das velhas jangadas de piúba, aquelas que são cantadas em prosa e verso, desde José de Alencar.

"Ele trabalha com a precisão de um relojoeiro, com a perícia de um cirurgião, e nos leva a um mundo encantado, que é trabalho e jogo, vida e brinquedo", destaca. Observa que o reconhecimento veio, em parte, por conta do título de mestre, que ainda é pouco para a grandeza do que José Pereira de Oliveira ele faz.

RECONHECIMENTO

"Ele trabalha com a precisão de um relojoeiro, a perícia de um cirurgião, e nos leva a um mundo encantado"

Fonte: Diário do Nordeste

Gilmar de Carvalho
Jornalista e pesquisador

MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cúpula dos Povos: Plenária sobre energia


Novas alternativas para a geração de energia é assunto recorrente a ser debatido. Aqui na Cúpula não foi diferente: o assunto foi o tema principal na plenária “Energia e indústrias extrativas”, que aconteceu em dois turnos, pela manhã e à tarde. Representantes de organizações e de movimentos sociais da América Latina, América do Norte, Europa e da África expuseram brevemente seus pontos de vista, a fim de debater ideias e propor possíveis soluções.

É impossível falar de novas alternativas sem mencionar as indústrias que se apropriam do processo de extração e transformação da matéria-prima para a geração de energia. Muitas vezes, essas mesmas indústrias, com discursos em prol do desenvolvimento (sustentável), avançam em seus projetos, mas se esquecem de manter as necessidades básicas dos moradores das regiões onde se instalam, ou de cumprir com o papel ambiental que devem seguir.

Problemas estruturais e falsas soluções

Mas qual modelo de desenvolvimento sustentável é esse que não se preocupa com a maneira como a instalação destas empresas é feita? Durante a plenária, discutiu-se muito a questão dessas apropriações que alteram as vidas dos moradores da região, por vezes realocando-os para outros espaços menores e/ou mais distantes da comunidade de origem e do comércio da região. Sem falar, é claro, nos danos sérios ao meio ambiente, como a contaminação dos reservatórios de água, da destruição de biomas e da poluição.

Fabiano Maciça é de Moçambique e discursou na plenária. Ele e seus vizinhos vivem na pele os problemas estruturais causados por grandes empresas que se instalam em áreas onde já havia comunidades estabelecidas, com suas tradições e hábitos.

A Vale, um das maiores mineradoras do mundo, explora carvão e minério em Moçambique. De acordo com o relato de Fabiano, a empresa preocupa-se mais com as atividades exploratórias do que com a alteração na vida daqueles que moram próximo às áreas onde ela exerce suas atividades.

Fabiano conta que a Vale transporta carvão e minério numa distância de 600 km da sua base até o porto. ”Nós, que temos a tradição de comer do lado de fora das nossas casas, já não podemos mais. Além de o comboio passar dentro das nossas propriedades, ainda existe o problema da poluição”, desabafa.

Para o, pior que essa atitude invasiva por parte da empresa é a expropriação. Uma vez expropriados, as vidas dos moradores de uma região mudam completamente. “Nós somos transferidos para espaços muito menores do que a casa que construímos. Ninguém está contra o desenvolvimento. Desenvolvimento, sim. Mas desenvolvimento sustentável”, esclarece.

Mas o que conduz toda essa lógica de degradação? O modelo economico neoloberal e a voracidade do capitalismo, com sua lógica de produção e consumo — que, no fim das contas, o próprio sistema acaba justificando. Gilberto Cervinsky, do Movimento dos Militantes Atingidos por Barragens no Brasil, diz que o capital acelera e pressiona a lógica econômica por novas demandas tecnológicas. Essa lógica, por sua vez, ao invés de libertar, aumenta a exploração sobre os trabalhadores. O sistema econômico faz com que se produza cada vez mais para tornar obsoletas as mercadorias. Isso cria um círculo vicioso e “a energia é um dos polos centrais para essa apropriação”, explica.

Ainda de acordo com Gilberto, o desenvolvimento sustentável defendido na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) é sinônimo de “negócios com alta lucratividade e vida longa”. Tudo isso acabaria se traduzindo na ‘economia verde’, uma justificativa para a intensificação da apropriação da propriedade privada sobre as terras, as reservas minerais, as águas.

Afinal de contas, a “energia é para quê e para quem?”, provoca Gilberto. É preciso que haja a soberania energética para os povos, mas quem acaba por controlá-los são as corporações.

A real solução

Após a exposição dos problemas estruturais e de suas causas, a parte da tarde da Plenária foi dedicada às soluções que os povos propõe aos governos: energias renováveis. Mas, segundo os participantes do debate, é preciso questionar se essa energia sustentável é para todos, já que os bancos, as empresas energéticas, petrolíferas e outros representantes do capital apresentam propostas na Rio+20 oficial justamente sobre essa questão.

As Plenárias de Convergência seguem até amanhã (18). Ao todo são cinco, dedicadas a temas-chaves para a elaboração do documento final da Cúpula dos Povos, que será produzido durante as Assembleias dos Povos: Soberania Alimentar; Energia e indústrias extrativas; Defesa dos bens comuns contra a mercantilização; Direitos, por justiça social e ambiental; Trabalho: por outra economia e novos paradigmas.

Fonte: Cúpula dos Povos

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