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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Bahia recebe intercâmbio de gastronomia social em setembro

Pescadores e marisqueiras vão trocar experiências com chef de cozinha do RJ e com lideranças comunitárias para valorizar a pesca artesanal e produzir receitas com robalo e caranguejo rastreados



A Reserva Extrativista (Resex) de Canavieiras, no Sul da Bahia, vai receber iniciativas de gastronomia social nos próximos dias 11 e 12 de setembro. A iniciativa do projeto Pesca+Sustentável, da ONG Conservação Internacional, pretende aproximar pescadores e marisqueiras dos chefs de cozinha para uma troca de saberes e práticas, tendo por objetivo a valorização do pescado artesanal e a oferta de produtos sustentáveis nos restaurantes e barracas de praia da Bahia.

O primeiro encontro será em Campinhos, uma comunidade ribeirinha dentro da Resex, onde mora Dona Marlene, marisqueira que criou a família pescando e hoje abre as portas da sua casa para gastronomia familiar: ela oferece receitas com seus próprios pescados. O Pesca+Sustentável vai levar até Dona Marlene, no dia 11 de setembro, os cabaneiros de praias de Canavieiras para que se inspirem em suas receitas e também o chef de cozinha Charly Damian, parceiro do projeto no Rio de Janeiro, que irá falar da sua experiência e produzir receitas a partir do robalo e do caranguejo que estão sendo rastreados. “A troca entre gastronomia e os saberes sociais é importantíssima para a construção de uma nova forma de ver a comida. Os pescadores tradicionais fazem um trabalho grandioso”, diz Charly, que incluiu no cardápio do seu restaurante pescados sustentáveis da Região dos Lagos, no Rio.

Dona Marlene faz parte da Rede de Mulheres da Resex de Canavieiras. Cerca de 600 mulheres fazem parte dessa rede, um espaço fundamental de debate entre elas, ampliando os seus conhecimentos a respeito de direitos sociais, questões de gênero e saúde, contribuindo para maior participação e autonomia femininas na cadeia da pesca.

No dia 12 será a vez de Canavieiras. Os pescadores da Resex de Canavieiras terão uma roda de conversa com Chico Pescador, liderança comunitária responsável pela revitalização da Lagoa de Araruama, na Região do Lagos (RJ), e que está conseguindo viabilizar a comercialização da tainha pescada pelas famílias da Lagoa para restaurantes do Rio de Janeiro. “A soma de esforços permanentes dos parceiros e da comunidade pesqueira é que produz a pesca correta e impulsiona a cadeia produtiva, gerando frutos”, afirma Chico Pescador.

Sobre o Pesca+Sustentável

Desenvolvido pela CI-Brasil e premiado em 2014 no Desafio de Impacto Social Google, o programa atua junto a 5 mil famílias pesqueiras no RJ, PA e BA. O objetivo é criar regiões de referência para a conservação marinha, incentivar boas práticas de pesca, propiciar a conservação de espécies e ecossistemas, valorizar as comunidades para que se beneficiem desse desenvolvimento, além de iniciar um processo de consumo responsável junto ao mercado brasileiro de pescados.

Fonte: Assessoria Comunicação / CI-Brasil
Imagem: Flávio Forner/CI-Brasil

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Monitoramento Ambiental Comunitário dos pescadores da Resex do Cassurubá.

Documentário registra a experiencia exitosa realizada na Resex Marinha do Cassurubá, no litoral sul da Bahia.

Trata-se do Monitoramento Ambiental Comunitário realizado pelos próprios pescadores, através de iniciativa do ICMBio local.



Fonte: Jaco Galdino Santana Galdino

quinta-feira, 14 de março de 2013

Mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas chega a 65 toneladas


A Comlurb, empresa responsável pela limpeza pública do Rio de Janeiro, já retirou 65 toneladas e ainda está trabalhando para tirar os peixes mortos do espelho d'água da Lagoa Rodrigo de Freitas. Os índices de oxigênio na água, que chegaram a 4 ontem, caíram hoje com o tempo chuvoso na cidade e podem ter queda até mais acentuada, já que o sol não deve aparecer.




O ambientalista Mário Moscatelli cobrou da secretaria municipal de meio ambiente ações preventivas quando os níveis de oxigênio tiverem em queda. "Pode se pensar numa forma de previnir um problema desses. Havia muito peixe vindo à superfície que poderia ser retirado ainda vivo e consumido. Tinha robalo de 4 kg. É uma tristeza muito grande e a secretaria me garantiu que vai haver um estudo sobre os motivos desta mortandade", afirmou.

A mortandade de peixes já é a segunda maior da história na lagoa. Em 2009, a prefeitura recolheu mais de 100 toneladas no maior desastre ambiental em um dos cartões postais do Rio de Janeiro.

De acordo com presidente da Comlurb, Carlos Vinicius de Sá Roriz, vai demorar pelo menos mais 24 horas para a empresa de limpeza urbana conseguir retirar todos os peixes mortos da Lagoa. "Tivemos que preparar um reforço da operação. Começamos com 60 pessoas, três barcos, caminhões, mas vimos que não estávamos dando conta. Aumentamos para 160 o número de agentes de limpeza trabalhando aqui. Agora a finalização do trabalho vai depender do fim da mortandande dos peixes, o que acredito que deve acontecer porque choveu pouco, vai haver uma maré alta agora à tarde e os técnicos da prefeitura vão mexer nas comportas do canal do Jardim de Alah para oxigenizar mais a água."

Fonte: Terra

quarta-feira, 13 de março de 2013

Mortandade de peixes na Lagoa alerta para desequilíbrio ambiental

A Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, amanheceu coberta de peixes mortos. A mortandade, que já resultou no recolhimento de aproximadamente doze toneladas de peixes em dois dias, se agravou nesta quarta-feira. O espelho d’água da lagoa está tomado por peixes mortos de várias espécies. Crustáceos como caranguejos e camarões também foram encontrados mortos. Pescadores contam que os animais ainda vivos estão concentrados bem próximos à superfície da lagoa.


Clique aqui para ver as fotos de O GLOBO

Segundo o biólogo Mário Moscatelli, três fatores podem ser as causas da mortandade de peixes. Ele percorreu a Lagoa Rodrigo de Freitas num barco e afirmou que a situação é preocupante. O comportamento dos animais ainda vivos, que estão na superfície e sendo facilmente capturados, indica falta de oxigênio.

Nesta quarta-feira, todos os animais que dependem do oxigênio estão morrendo, peixes nobres e menos nobres, além de caranguejos, camarões. Três causas prováveis são o lançamento de esgoto em grande quantidade por problema em alguma elevatória da Cedae, aporte de matéria orgânica trazida por fortes chuvas ou um fenômeno climático que divide o espelho d’água em dois, um sem oxigênio mais no fundo e outro com oxigênio mais próximo da superfície. Pode ser a conjunção de mais de um desses fatores explicou o biólogo, afirmando que o monitoramento da permanente da Lagoa é fundamental para prevenir a mortandade.

De acordo com informações do jornal O Globo, a lagoa não é mais monitorada 24 horas por dia, como acontecia. Antes, era possível acompanhar on-line as condições da lagoa. Isso preocupa. Caso não passemos a monitorar e gerenciar de forma moderna, com tecnologia, a Lagoa Rodrigo de Freitas, uma das arenas das Olimpíadas de 2016, poderá estar tomada por peixes mortos durante os jogos.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente(SMAC), no entanto, garantiu que a Lagoa Rodrigo de Freitas é monitorada 24 horas por dia. Segundo o órgão, a cada hora, a boia que fica no meio da lagoa emite boletins que são analisados em tempo real. De acordo com a secretaria, a população tem acesso às informações diariamente, no site do órgão e na própria lagoa, onde bandeiras de cores verde, amarela e vermelha, indicativas de qualidade, são hasteadas.

Segundo a secretaria, as fortes chuvas causaram o problema. O temporal provocou o desague de águas pluviais que levaram matéria orgânica para a Lagoa. Esta matéria orgânica, para se decompor, usa o oxigênio dissolvido, levando a zero e causando mortandade. A secretaria de Meio Ambiente informa que ainda estamos com zero de oxigênio neste momento. O secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz descartou que o lançamento de esgoto tenha provocado a mortandade. Ele atribuiu o problema às duas grandes chuvas num espaçamento de tempo curto e o período reprodutivo de algumas espécies de peixes no mês de fevereiro, criando uma superpopulação e fazendo com que aumente o consumo de oxigênio na lagoa.

- A central de monitoramento da Lagoa faz acompanhamento permanente das condições. Não detectamos nenhuma entrada excepcional de esgoto. Tivemos duas fortes chuvas que trazem material orgânico para a Lagoa. O mês de fevereiro é o de reprodução de espécies como a Savelha. Isso criou uma superpopulação abaixando o nível de oxigênio na água – explicou Muniz. Segundo o secretário, a perspectiva é que o nível de oxigenação da Lagoa só aumente no meio da tarde desta quarta-feira, quando a maré encher e renovar a água da lagoa.

Ainda de acordo com o jornal O Globo Carlos Alberto Muniz afirmou que pretende estimular a pesca na lagoa no período anterior ao fim do verão de 2014 para equilibrar a população de peixes e evitar novas mortandades. A pesca na Lagoa Rodrigo de Freitas é de 300 a 400 quilos de pescado por dia. Vamos estimular o aumento da pesca e em 2014 evitar essa superpopulação de peixes nesta época do ano. Queremos estimular inclusive a pesca esportiva na lagoa. O recolhimento de peixes mortos está sendo feito por 90 funcionários da Comlurb, além de técnicos da secretaria de Meio Ambiente com o apoio de três catamarãs.

Fonte: Correio do Brasil

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PAN Manguezal - Definidas as espécies


Definidas as espécies de importância socioeconômica que serão alvo do Plano de Ação Nacional de Conservação dos Manguezais, o PAN Manguezal. A decisão foi tomada durante reunião realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade e Populações Tradicionais (CNPT) com representantes de povos e comunidades tradicionais.

O evento realizado na sede do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos, em Itamaracá, em Pernambuco, reuniu cerca de 20 representantes de povos e comunidades tradicionais que vivem em áreas estratégicas de manguezais na Região Nordeste e no Espírito Santo.

“Com a reunião fechamos um ciclo importantíssimo, identificando espécies prioritárias para a segurança alimentar, geração de renda e usos tradicionais de diversos povos que utilizam as áreas de manguezais brasileiras”, afirma a coordenadora do centro, Katia Barros. Durante a reunião foram selecionadas 17 espécies de importância socioeconômica, identificadas as principais ameaças enfrentadas por elas e pelo ecossistema manguezal e selecionados os representantes de povos e comunidades tradicionais que irão participar das Oficinas Regionais de Planejamento do PAN Manguezal em 2013.

São as seguintes as espécies: Ostra do mangue, Camarão-branco, Camarão-rosa, camarão-sete-barbas, sururu de manta ou de pasta, sururu de dedo ou bico-de-ouro, Guaiamúm ou caranguejo terrestre, Parati, Tainha, Carapeba-branca ou caratinga, Carapeba-prateada, Robalo-peba ou camorim corcunda, Robalo-flexa, Mangue-preto, Mangue vermelho, Mangue- negro ou Siriba, Maçunim ou Berbigão.

Fonte: Ambiente Brasil

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre o cultivo de robalo


Apreciado pelos consumidores, o peixe é encontrado em todo o litoral brasileiro e também é opção para ser criado em açudes, lagos e represas de água docepor João Mathias | Consultor Vinicius Ronzani Cerqueira



Pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos abriram a possibilidade de criação de robalo em cativeiro. As técnicas de reprodução, larvicultura e engorda estão hoje dominadas e permitem incluir a espécie entre as opções da piscicultura comercial. Resistente ao manejo, o robalo é muito versátil, com boa adaptação na fase da engorda a ambientes de água salobra, salgada ou doce.

Pertencentes ao gênero Centropomus, os robalos são peixes de escamas e de água salgada encontrados no litoral do continente americano. Mas eles também vivem em estuários, manguezais e em rios de água doce até vários quilômetros acima da foz, graças à tolerância a variações de salinidade no ambiente aquático. O robalo gosta de nadar em águas calmas, barrentas e sombreadas e de permanecer na parte mais funda do leito dos rios.

De sabor suave e de ótima qualidade, com bons índices de ácidos graxos ômega 3, a carne do robalo tem alto valor comercial e boa demanda no mercado. Branca e leve, a carne do peixe já fazia parte da dieta dos romanos há muitos séculos.

De corpo alongado e comprimido, conferindo-lhe um nado rápido, o robalo se alimenta de crustáceos, como camarões e caranguejos, e de pequenos peixes. No ambiente natural, vive em grandes cardumes quando jovem, mas torna-se solitário ao atingir a idade adulta, formando grupos apenas no período de reprodução. Predador, ataca as presas com voracidade e, por isso, é apreciado na pesca esportiva.

Em criações cujo objetivo é a engorda de alevinos, a dica é deixar a fase de reprodução aos cuidados de especialistas. O processo é complicado e exige experiência e habilidade para lidar com a indução de hormônios nas matrizes.

Onde adquirir: produtores comerciais – Danúbio Aquacultura Ltda., Balneário de Camboriú, SC,sergio@danubioaqua.com.br; e Maricultura Pandini Ltda., São Mateus, ES, juliopandini@hotmail.com; instituições de pesquisa – Laboratório de Piscicultura Marinha, Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias (CCA), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, tel. (48) 3721-5404, cca@cca.ufsc.br; e Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (CPPOM-PUCPR), Guaratuba, PR, tel. (41) 3442-1160, ana@baldan.pucpr.br 

Mais informações: Cerqueira, V. R. Cultivo do robalo-peva, Centropomus parallelus. In: Baldisserotto, B.; Gomes, L. C. (Org.). Espécies nativas para piscicultura no Brasil. Editora da UFSM, Santa Maria, 2005, v. 1, p. 403-431.www.ufsm.br/editora

MÃOS À OBRA

INÍCIO: Dois tipos de robalo destacam-se aqui: o flecha (Centropomus undecimalis), que atinge no máximo 1,2 metro de comprimento e peso de 25 quilos, com reflexos esverdeados e ventre esbranquiçado; e o robalo-peva (Centropomus paralellus), que chega a 50 centímetros de comprimento e cinco quilos, apresentando o dorso cinza-esverdeado e os flancos prateados. O peva é a espécie sobre a qual há mais conhecimento à disposição para criação e produção de alevinos.

AMBIENTE: Bastante resistente, o robalo tolera grande variação de temperatura, em uma faixa que pode ir de 10 ºC a 35 ºC. Mas, abaixo de 20 ºC, ele come e cresce muito pouco. A água deve ser limpa e de boa qualidade, com pH entre 7 e 9, para ficar próximo ao pH do mar, que é 8. Também deve ser bem oxigenada, com aproximadamente dois a cinco miligramas de oxigênio por litro.
ESTRUTURA: A criação pode ser manejada em tanques escavados, açudes e represas. Ainda podem ser usados tanques de concreto, lona e fibra de vidro. Em locais com boa profundidade, uma opção são os tanques-redes, com pelo menos três metros, e o tanque-berçário, com um metro. É importante certificar-se de que o tamanho da malha não deixará o peixe preso, pois o robalo tem a cabeça em ponta, enroscando-se com facilidade na rede. Se a área for muito grande, é melhor manter os peixes concentrados em um cercado por um a três meses, fornecendo alimentação, para que se acostumem ao ambiente. Ao liberá-los, não deve haver predadores maiores que o robalo no local.

ALIMENTAÇÃO: Camarões e pequenos peixes são os alimentos preferidos do robalo, que é um predador voraz. À medida que cresce, a tendência é o robalo se tornar mais piscívoro, comendo mais peixes. No mar, ele se alimenta de sardinha, tainha, peixe-rei, entre outros. Em água doce, prefere lambaris, barrigudinhos e até girinos. Em criação intensiva, são usadas rações formuladas para carnívoros, como truta ou beijupirá.

REPRODUÇÃO: O robalo macho atinge a maturidade sexual aos 2 anos de idade, e as fêmeas aos três anos. A desova ocorre exclusivamente no verão, em regiões mais frias, e durante quase todo o ano em locais mais quentes. O processo de reprodução é feito pela indução com hormônios. Em laboratórios, onde se faz um rígido controle ambiental, é possível produzir juvenis na maior parte do ano.

RAIO X

CRIAÇÃO MÍNIMA: uma centena de peixes para sistema extensivo em açude e alguns milhares para cultivo em tanques-redes
 
CUSTO: de R$ 1 mil a R$ 2 mil o milheiro
RETORNO: a partir de um ano e meio 

REPRODUÇÃO: nos meses mais quentes na maior parte do país

Fonte: Globo Rural

quinta-feira, 7 de abril de 2011

SP - No ritmo das marés


Há muito mais entre a terra e o mar, além de praias, ondas e caipirinhas. Desde o Cabo Orange, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina, na zona costeira brasileira, também existem os manguezais, berçários tropicais da vida marinha. De fácil identificação visual, porque uniformes na cor e na baixa variedade de espécies vegetais, entre árvores, arbustos e ervas — os manguezais constituem um riquíssimo ecossistema de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, ou, como preferem alguns, entre os domínios das águas doces e salgadas. Sob a influência das marés, as áreas de mangue acumulam e reciclam matéria orgânica, reduzem a velocidade dos rios em seus estuários, protegem o litoral da violência das ondas, e, assim, garantem as condições ideais para a proliferação de numerosas formas de vida: diversos organismos do plâncton (geralmente microscópicos), além de crustáceos, moluscos, vermes, aves, peixes, mamíferos, e mesmo répteis. Há espaço, alimento e abrigo para o desenvolvimento de todos.

 
Em São Paulo, a porção litorânea do Vale do Ribeira é a maior região de manguezais do Estado: o complexo estuarino do Lagamar. São quase 6 mil km2 de canais, rios, lagunas, baías e restingas, associados à maior ‘mancha’ remanescente de Mata Atlântica no Brasil. De Iguape a Cananéia, o estuário tem cerca de 200 km de extensão, e é delimitado por quatro barras principais: as do rio Ribeira de Iguape e Icapara, ao Norte, e as de Cananéia e Ararapira, ao Sul, perto da baía dos Pinheiros e do porto de Paranaguá, no Paraná. A principal ‘avenida’ desse complexo é o canal do Mar Pequeno, entre o continente e a Ilha Comprida, uma extensa restinga com cerca de 70 km de comprimento e três de largura.

O Lagamar é, reconhecidamente, um dos cinco maiores criatórios naturais de espécies marinhas do mundo, mas não só. A Área de Proteção Ambiental (APA) de Cananéia, Iguape e Peruíbe abriga também uma rica biodiversidade terrestre com aproximadamente 90 espécies de mamíferos e 550 espécies de aves. Muitas delas estão na lista de espécies ameaçadas de extinção, caso do papagaio-de-cara-roxa (Amazona vinacea), do guará (Eudocimus ruber) e a saracurado-mangue (Aramides mangle).
Diversas aves migratórias ainda habitam ou visitam Cananéia, como explica o biólogo Fausto Pires de Campos. “Mesmo as aves residentes podem ser migratórias, pois se dirigem a outros locais quando jovens, ou depois de se reproduzirem”, comenta. Nessa categoria estão aves como o colhereiro (Ajaja ajaja), a fragata ou alcatraz (Fregata magnificens), os marrecos, garças, socós, maçaricos, gaivotas, trinta-réis, falcões e batuíras.

Nos mangues, o ritmo da vida não é determinado apenas pelas horas de sol, vento ou chuva. Direta ou indiretamente, o movimento das marés dita o comportamento de bichos e condiciona o tempo do próprio homem. A captura artesanal de ostra, praticada até hoje por dezenas de famílias caiçaras, por exemplo, só é possível durante os horários de maré baixa.
E além das limitações para desenvolver o trabalho, os catadores lidam com os ganhos reduzidos com a venda direta dos moluscos e a ferocidade dos minúsculos mosquitos-pólvora (Colicoides furens). Num bom dia de trabalho, consegue-se até 80 dúzias de ostras, selecionando apenas os indivíduos de valor comercial.

Fora do lodo, nas águas livres do Lagamar — doces, salobras ou salgadas — a pesca é uma atividade antiga e culturalmente arraigada. Começou de modo artesanal, profissionalizou-se e hoje atravessa nova fase.

Um estudo feito pela pesquisadora Milena Ramirez de Souza, mestre em Ecologia de Agrossistemas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), mostra que a idade média dos pescadores artesanais nas comunidades caiçaras das barras do Ribeira (Iguape), Pedrinhas (Ilha Comprida) e Porto Cubatão (Cananéia) é de 45 anos. A pesca ainda é fonte de renda relevante para a maioria.

No entanto, grande parte da força de trabalho caiçara do Lagamar já migra da pesca e da agricultura para atividades ligadas ao turismo, seja na prestação de serviços em casas de veraneio, no comércio de iscas naturais, ou no aluguel de barcos para passeio e pesca esportiva ou amadora. Mais de 30% dos pescadores artesanais atuam paralelamente como 'piloteiros'.

A pesquisa também mostra, através de dados estatísticos, que a sazonalidade da pesca artesanal, praticada com redes 'malhadeiras' e cercos de espera, está diretamente relacionada à época reprodutiva de algumas espécies. São exemplos a manjuba, no verão, e a tainha, no inverno. Todos os pescadores entrevistados foram unânimes ao afirmar que a qualidade da pesca nos pontos tradicionais piorou nos últimos anos.
Com exceção de algumas espécies como tainha, parati e manjuba, a maior parte dos peixes com importância comercial também tem valor na pesca esportiva. As principais são robalo, pescada e corvina, além de espada, salteira e bagres. É interessante notar que os peixes estuarinos esportivos costumam ser capturados com iscas vivas, em geral outros peixes e crustáceos obtidos naquelas águas.

O xingó e o corte-de-faca são capturados com o auxílio de tarrafas, e o camarão, com o 'jerivau', uma rede de arrasto adaptada para esse fim. Um peixe curioso e pouco conhecido também usado na pesca de robalos e pescadas é o mossorongo (Gobioides broussonnetii) ou 'peixe-dragão', que vive no fundo lodoso do mangue e se alimenta basicamente de zooplâncton, ficando mais ativo à noite.
É impossível falar em pesca esportiva no mangue sem considerar, novamente, a influência da maré. Vazante, reponto, enchente, reponto, vazante... Esse ciclo se repete dia após dia, duas vezes a cada 24 horas, com exceção dos dias de 'maré morta' ou 'maré louca', que acontecem durante as luas de quarto (crescente e minguante). Costuma-se dizer que os três dias antecedentes às 'grandes luas' (cheia e nova) são boas para pesca. Mas, na verdade, para cada maré há sempre o momento e o local certos para pescar.

Os peixes estuarinos, em especial, ficam ativos quando a maré se movimenta, trazendo alimento dos mangues ou do mar. Fisgar um cobiçado robaloflecha (Centropomus undecimalis), por exemplo, exige observação, habilidade — e, por que não? — uma boa dose de sorte. Caçador oportunista, o robalo se posiciona nas saídas de rios, em bancos de areia, moitas, pedras e raízes de mangue, à espera de suas presas.
Conforme a altura e a velocidade da maré, pesqueiros se formam ou desaparecem. Uma dica para descobrir pesqueiros 'de enchente' ou 'de vazante' é observar a posição de galhos debruçados sobre a água. Se estiverem sobrepostos e inclinados à montante (mesmo durante a vazante), está aí um pesqueiro ‘de enchente’, e vice-versa. Outros bons pontos de pesca são as extremidades de ilhas, pelo lado que recebem a maré. Pressão atmosférica, ventos e clareza da água também são fatores que devem ser observados, determinantes para uma boa pescaria em canais e rios de mangue.

O desenvolvimento do turismo de pesca amadora aumentou a demanda por iscas vivas. Segundo Ronaldo Ikebe, dono de marina no distrito de Porto Cubatão, em Cananéia, pelo menos 50 barcos de pescadores amadores vão para a água num fim de semana movimentado, partindo somente desse pólo. “A maioria leva camarão vivo, uma média de 100, por embarcação. A atividade (captura e venda de iscas vivas) sustenta pelo menos dez famílias da região”, diz. Porém tem seus impactos: o arrasto de jerivau mata organismos bentônicos (crustáceos, moluscos, vermes), que se desenvolvem no fundo lodoso dos canais.
Além disso, o homem passou a competir com aves aquáticas e peixes, predadores naturais de xingós, camarões e cortes-defaca. Eis a deixa, portanto, para uma participação maior da isca artificial como agente de equilíbrio ambiental, pois esse é um instrumento comprovadamente eficaz para fisgar a maior parte das espécies visadas pelos pescadores, principalmente o robalo. Diminui-se a pressão de pesca sobre as espécies de pequeno porte, ao mesmo tempo em que se eleva a esportividade, o nível técnico, e a produtividade na pesca de mangue.

Claro, para usar iscas artificiais e ainda ‘dançar’ ao ritmo das marés, é preciso treinar! Mas é um esforço com retorno garantido, tanto na ponta da linha, como dentro d’água.   

Fonte: EPTV

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Aquicultura: Pesquisas pela viabilidade do robalo



Abaixo vídeo do Globo Rural deste final de semana sobre as novidades na pesquisas para o cultivo de robalo em cativeiro.

Já estudado há mais de 10 anos na UFSC, ainda se busca a viabilidade econômica para o cultivo do apreciado robalo.





Fonte: Globo Rural

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