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sábado, 7 de maio de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Parte 05 - Broad River x Rodgers River Bay



Dia 04: http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/04/dois-brasileiros-no-everglades-parte-04.html


Foto: Broad River


LEMBRANÇAS DO DIA 05 - 17/02/2011 - Broad River x Rodgers River


Fizemos nosso café reforçado como de praxe (melão, salada de frutas com leite e granola, café, etc..) e ainda espalhados no pier (dock) quando uma lancha com 4 pescadores vindo da foz do rio chegaram ao campsite o que nos obrigou a sair do pier (algo que não conseguiamos fazer desde que chegamos ao local na tarde de ontem) e desocupar o locar de embarque e desembarque retirando toda as nossas tralhas.

Arrumamos tudo e aguardamos a melhor hora de partida que seria no retorno da maré que ainda vazava vigorosamente e tivemos a paciência de esperar para subir o rio junto com a maré.

Logo cedo eu havia perdido o cadarço do capuz de meu casaco por tanto ter puxado o mesmo no desespero de deixar o menor espaço possível para as investidas dos mosquitos durante a noite. Na estado de sono que estava não percebi que puxei sempre de um lado só do capuz o que com o tempo o cadarço saiu inteiro e acabou caindo do pier direto na água do rio que descia rápida com a baixa da maré.

Quando o meu cadarço que horas antes havia caído no rio apareceu em sentido inverso, já estávamos prontos com tudo arrumado e amarrado, dentro da canoa começando a remada e subindo com a maré. Recolhemos o cadarço e começamos a remada exatamente às 12h.

Subir o rio junto com a maré foi tranquilo, remando firme atingiamos uma excelente velocidade e iamos subindo serpenteando o largo e sinuoso rio sempre buscando as bordas que estavam protegidas pelo vento que era forte e contrário a nossa direção.

Já estavamos subindo o rio na companhia de golfinhos a uma hora quando enfim encontramos nosso atalho (shortcut) atalho que garimpamos ao examinar as imagens de satélite do Google Earth 2 dias antes de começar a jornada e pelas imagens parecia que não tinha nenhuma obstrução. Tomara pois ganharemos tempo, encurtaremos o caminho pela metade, não daremos uma volta imensa no rio, fugiremos do vento contra e ainda desfrutaremos de um caminho por dentro da mata.


Foto: Bora?

Será que é este local mesmo? Ao longo de uma hora de remada passamos por várias entradas. Mas ai era confiar nas imagens de satélite e mapas que tinhamos e no bom senso do navegador. Será que tem profundidade pra remar?Depararemos com crocodilos? Cobras? Árvores caídas? Só saberemos se formos nessa!


Foto: Atalho

Entramos e depois de um pequeno início de atenção redobrada fomos relaxando naquele caminho estreito e fomos remando bonito junto com a corrente que era forte e sem nenhuma obstrução apesar de passarmos sempre rente a margem, as vezes por entre galhos baixos e caídos e sem saber o que nos esperava na próxima curva.


O cenário e as ótimas condições de remada nos proporcionaram uma dos melhores momentos da jornada, parecia um parque de diversão e assim foi num trecho cada vez mais estreito até que voltou a se alargar até sairmos do atalho (batizado por nós de Haddock Lobo Shortcut em homenagem ao nosso Rio de Janeiro e sua avevida tijucana e ao pier (dock) que foi nosso local de dormida na última noite.

Até o momento não deparamos com crocodilos e a impressão que nos deu é a de que este trecho ainda sob forte influência marinha possui mata com muita vegetação de mangue e muito densa sem beiras de rio ou canal para a crocodilagem ficar parada.

Depois do Haddock Lobo shortcut a Rodgers Bay se abriu e fomos a deriva e levados pelo vento que agora soprava a nosso favor enquanto faziamos um lanche celebrando a bela remada que tivemos.


Foto: Saíndo do atalho, chegando a Rodgers River Bay

Após o lanche bastaram 30min de remada para depararmos com nosso local de dormida, um paraíso em forma de palafita (chickee) chamado Rodgers River Bay Chickee. O primeiro chickee da viagem. Que luxo! Sem areia, lama, ratos, racoons, sem precisar tirar tudo nem a canoa da água... paraíso!


Foto: Chickee a vista!

Um pouco antes de chegarmos ao chickee havia acabado de chegar um grupo de 5 pescadores amadores em duas lanchas e que ocupariam a outra metade do campsite. Se bem que eles tinham tanta tralha que tiveram que ocupara até parte de nossa metade. Tudo bem sem problema! Vocês levarão nosso lixo amanhã... thanks!


Foto: Compare a quantidade de tralha (eles são 5 e estão em 2 lanchas)

Chegamos de moral alta, após uma noite mal dormida, tomamos banho de balde, arrumamos as coisas e preparamos uma arroz com feijão com linguiça.


Foto: Arroz, feijão e vinho!

Comemos muito acompanhados por duas garrafas de vinho californiano e assim que o sol se pôs e a lua nasceu apagamos sem barraca mesmo (que só foi armada após acordarmos após o primeiro sono) para tiramos o atraso do sono e nos prepararmos para o dia seguinte que será (pelo menos no planejado) o dia mais longo (13 milhas).


Foto: Lua nascendo em Rodgers River Bay


Imagem: Resumo do dia - percusso encurtado pelo atalho.

Dia 6: http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/05/dois-brasileiros-no-everglades-parte-06.html

sábado, 30 de abril de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Parte 04 - Graveyard Creek x Broad River


Dia 3: http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/04/dois-brasileiros-no-everglades-parte-03.html

LEMBRANÇAS DO DIA 04 - 16/02/11 - Graveyard Creek x Broad River

Foto: Graveyard com Ponce de Leon Bay ao fundo.

Não acordamos cedo, meu ombro direito acusou o esforço de ontem e calmamente, enquanto a maré enchia, aprontamos um super café da manhã: salada de frutas com granola e leite, café, milho e batata cozida que restou de ontem. Cansamos de comer e a batata deixamos de presente para nosso amigo "íntimo" o racoon, não se deve alimentar animais selvagens, eu sei, recolha a batata!

Quando enfim deixamos Graveyard, já passava de meio dia e o casal que compartilhou do mesmo Campsite conosco já havia partido 1 hora antes de lancha até Flamingo e com eles nosso lixo. Ufa! 2 kg a menos na canoa!

Quando estávamos de sáida chegou uma lancha dos Guardas do Parque para limpar e trocar o líquido dos 2 banheiros químicos, tarefa que fazem a acada 2 semanas.

Foto: Guardas do parque realizando serviço quinzenal de limpeza dos banheiros químicos.



Pois é, estávamos nom meio do nada mas há banheiros químicos.Nos Campsites anteriores, na praia, não se tinha banheiros, mas deste ponto em diante os banheiros químicos estarão presentes em todos os Campsites.


Começo de remada preguiçosa. Dia nublado, último dia de mar, e o vento, onda e corrente continuam jogando contra, mas com bem menos intensidade do que ontem. Em 40 minutos percorremos de Shark Point até Harney onde cruzamos com uma dupla em caiaques individuais, dois simpáticos coroas (Barry e Steve) que em direção contrária vinham de Everglades a favor da maré (onda e vento) fariam em 6 dias de Everglades a Flamingo.

Foto: Barry and Steve no terceiro dia de sua travessia de 6 dias de caíaque pelo Everglades.

Estávamos em nosso quarto dia e eles no terceiro. No link abaixo o relato da jornada deles:
http://bschwartz.net/ek/styled-3/index.html

Munidos de GPS e Plotter, nos atualizaram da distância que nos faltava: mais 1 hora estávamos na foz do Broad River (Rio Largo), junto com golfinhos que entraram conosco enquanto cercavam peixes na beira do rio, onde pela primeira vez na viagem visualizamos vegetação de mangue.

Foto: Adentrando o Broad River com golfinhos

Na entrada do Rio ficamos meia hora a deriva vendo os golfinhos e lanchando frutas e barra de cereal.


A partir daí, mais 30 minutos de remada contemplativa no novo cenário, mata baixa mais densa nas cabeceiras do rio. Localizada logo após o Nightmare (que iremos fazer um dia!) chegamos ao nosso local de dormida: Broad River Camp Site, um ground, camping no chão de terra, na beira do Rio, com um pier (dock) de chegada e um banheiro químico em cima.

Foto: Broad River Campground

Fomos recepcionados calorasamente pelos mosquitos, que não eram poucos, aliás acho que eram todos da Florida! Em seguida dois abutres vieram nos dar boa tarde, noa dando uma má impressão do local, ainda mais quando ao deixarmos o pier e visitar os locais (3) para se montar a barraca eram todos embaixo de mata densa assim como densa era a concentração de mosquitos. Voltamos imediatamente para o pier onde pelo menos ventava um pouco e assim um pouco menos de mosquito nos atazanavam. pela primeira vez coloquei repelente e foi a mesma coisa que nada.


Apesar disso estávamos animados, chegamos 3 horas antes do pôr-do-sol e a remada do dia não havia exigido muito esforço. Então é esquecer os mosquitos, tomar banho de rio (em cima do pier com auxílio de um galão de água transformado em balde) sentar nas nossas cadeirinhas, na beira do rio, vendo os golfinhos passarem, bebendo vinho e comendo o risoto que sobrou de ontem.

E em cima do pier estava agradável e a vontade de ir até o groud, e seu exército de mosquitos, ia diminuindo. A maré continuava baixando e na beira do rio, que vazava com força, começava a surgir uma borda de lama.

Sabíamos que toda esta água que ia pro mar voltaria com força até meia noite e ficamos imaginando até aonde a água chegaria e se aqui não poderia se tornar um belo local de visita para crocodilos, já que havíamos duas rampas ao lado do pier, sem vegetação que levavam até o local de montar a barraca (em nossas brincadeiras dava até para imaginar um crocodilo, como aqueles carros de corrida que saltam de uma rampa por cima de outros carros, saltando em cima de nossa barraca!).

Ainda no final da tarde vimos ratos rondando nossas coisas que deixamos próximos a uma mesa que estava no ground. Gustavo relatou a ocasião em que um rato furou a barraca por conta de uma maça em seu interior.

Continuavamos no pier e dele vimos um belo pôr-do-sol, momento de paz que precedeu nova legião de mosquitos. Já que o repelente não funciona, hora de colocar capa, gorro, meia, luva, e reduzir os espaços oferecidos aos mosquitos.

Foto: Pôr-do-sol número 4

E fomos ficando no pier, vendo a lua e com sua luz observando quem passasse, golfinhos, aves, Gustavo viu um tubarão descendo o rio, e depois aviões, estrelas, satélites... quando a cerca de 50 metros de nós atravessando o rio, imponente, a luz do luar, deixando pra trás um rastro em v, definitivamente um crocodilo! Combinado, ficamos aqui no pier mesmo! A ideia de ter um crocodilo tão próximo a minha cabeça como o racoon esteve ontem não era nada animadora.

Noite adentro fomos visitados por uma bela coruja em cima de um galho seco e que nem se importava com nossa presença. Provavelmente estava a espreita de pequenas presas, como os ratos que vez ou outra ainda viamos cruzando a área destinada as barracas.

Foto: Coruja e lua cheia

Mas nosso acampamento vai ser no pier mesmo! Amarramos bem a canoa na parte seca (em maré baixa) do pier e trouxemos todas as nossas coisas para cá. A noite foi dura, com muito mosquito e muita umidade e um pouco de equilíbrio para dormir no pier estreito e não cair no rio. No auge da maré cheia a água chegou a menos de 1 palmo do topo do pier...

Foto: Na beira do rio, cada pixel desta foto representa um mosquito. 

Já embalado pra viagem, dentro do saco de dormir, em cima do fino colchão inflável, mas que traz um conforto, e envoltos (como uma versão gigante de um burrito) por lona que mantinha a grande umidade fora. Dormi pouco, mas não passei frio em momento algum, mas acordava toda hora ao barulho de mosquitos, o que até foi bom pois acompanhava a subida do rio na maré cheia e tive o privilégio de ver nitidamente um tubarão com suas duas dorsais bem arredondadas descendo calmamemente o rio, a luz da lua quase cheia, contra a correnteza.

A uma hora do sol nascer a lua se pôs, a noite se tornou bem escura, mas passou enfim!

Dia 5: http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/05/dois-brasileiros-no-everglades-parte-05.html





sábado, 23 de abril de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Parte 03 - North West Cape x Graveyard Creek



Dia 2: http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/04/dois-brasileiros-no-everglades-parte-02.html


LEMBRANÇAS DO DIA 03 - 15/02/11 - NW Cape x Graveyard Creek


Nos arrumamos mais rápido (2h), preparamos um super café da manhã com auxílio da fogueira (Café, Pão de Alho) e uma salada de frutas com granola e leite e fomos logo para a canoa buscando aproveitar a aparente calmaria. Grande ilusão!

Foto: Calmaria só até a curva


A remada já começo com vento contra, além da corrente e ondulação contrários a nosso time. Se poder parar para não ir para trás, levamos 40 minutos com o remo pesado até Little Sable Creek, onde a única parada foi para recolher o peixe fisgado, mas que se soltou a isca artificial, que estamos pela primeira vez corricando, antes de ser embarcado.


Foto: Pela primeira vez colocamos a linha de corso na água.


Deste ponto até Big Sable Creek, mais um hora de remada dura, mas bem acompanhados por uma dupla de golfinhos. Neste trecho conseguimos embarcar um "Jack" (Xaréu, Caranx hippos).


A fome e a vontade de descansar já vinha para bordo, mas as condições e a tripulação decidiu em não pararmos pois seríamos arrastados de volta a NW Cape e na costa não tínhamos onde aportar pois a boreste (à nossa esquerda) a costa era um mar sem fim de madeiras caídas numa floresta incrível desenhada pela temporada de furacões que não consigo nem imaginar como deve ficar este mar, que para uma canoa com dois e um monte de bagagem, como 70kg de água potável, estaas ondinhas de meio metro e este vento insistente já atrapalham, quiça um furacão...


Bom, estamos em fevereiro, faltam mais de 6 meses para os furacões chegarem voltemos a nossa realidade pois até Shark River Island ainda são 1 hora e 10 minutos o que totalizou 2 horas e cinquenta de uma remada forte e sem escalas, apenas para capturar e devolver ao mar  uma pequena cavala (Scomberomorus spp). 


Foto: Shark River Island a vista!


Em Shark River Island havia, enfim, uma sombra de vento e ondulação e aqui paramos para almoçar e descansar um pouco pois ainda faltava o último trecho do dia: A baía de Ponce de
Leon, baía que nos surpreendeu pelo seu tamanho (no mapa que temos há em cima da ba;ia um quadro e avisos que escondeu a baía de nós até chegarmos a este ponto e a baía é tão grande que a sua boca é 4 vezes mais larga que a boca da baía de Guanabara). 



Foto: Descansa canoa, Ponce de Leon vem aí.


Somado a isso, o vento, corrente e ondulação não teremos como cruzar direto, teremos que adentrar a baía, junto com o vento e as ondas até um ponto em que pudessemos cruzá-la em segurança, desenhando um "V" imaginário em nossa rota.


http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/04/dois-brasileiros-no-everglades-dia-3.html


Em Shark Island comemos Tortilha com atum e vegetais e na sequencia uma merecida siesta no lugar mais perfeito encontrado. Renovando as energias para o desafio que teríamos a frente.


Foto: Siesta


Depois de 1 hora e meia na ilha dos tubarões, com aves, ostras e troncos caídos fomos encarar nosso último desafio do dia.


Em Ponce de Leon Bay foram 1:50 de remada contínua tentando não se distanciar muito da costa nem deixar as ondas de meio metro de través, o que parecia ser pouco mas com a nossa canoa, larga, baixa e cheia de mantimentos, não nos deixou muito seguros e temerosos de uma virada de canoa onde o resgatre poderia demorar alguns dias, e era final de tarde!





Foi assim, uma remada firme e atenta que nos fez chegar cansados mas proporcionalmente felizes,  tendo nas costas 4 horas e 4 minutos de remada dura entre NW Cape e Graveyard Creek no maior desafio que tivemos até agora.




Em Graveyard, a maré estava baixa e fomos ajudados pelo Michael  que junto a sua esposa Penny lá estavam acampados e nos mostraram o canal até chegarmos em segurança a nosso terceiro local de dormida.


Foto: Graveyard


Assim que desembarcamos fomos logo recepcionados por um racoon que não fez cerimonia e vasculhou todos os nossos pertences levando um zip lock usado com restos do pão de alho do dia anterior. Não satisfeito, o oportunista retornou e desta vez levou um zip lock abarrotado de chocolates e outras laricas.


Foto: Confere do racoon


Depois de mais um inesquecível por do sol, e uma recepção do Michael e Penny nos oferecendo uma cerveja gelada, arrumamos nosso acampamento e preparamos um risoto com beringela, linguiça da brasa de ontem, cebola, tomate, pimentão, cenoura e ervilhas!


Foto: Depois de 3 dias remando ser recepcionado com uma cerveja gelada


Jantamos na mesma e única mesa do local com nosso casal anfitrião e trocamos comidas, eles nos oferecendo o tradicional prato americano Mac and Cheese, Pulled Pork e uma salada de repolho, tudo devidamente industrializado e prático. O nosso, além do risoto feito na hora e no escuro, que eles adoraram oferecemos o nosso  xaréu frito com alho e cebola e caldo de azeite e limão, tirando do casal a má impressão, pois por aqui o "jack" e sua carne escura não são apreciados pelos pescadores locais e normalmente são devolvidos a água quando capturados.


Foto: Sunset number 3


Bom jantar, corpo exausto, fomos dormir cedo. Na madrugada fui acordado por uma cafungada do racoon em minha cara! Cada qual em seu lado da lona da barraca. Realmente não foi uma forma agradavel de despertar, mas valeu por com isso ter visto a lua se pondo mais uma vez no outro lado da baía de Ponce de Leon.


Foto: Lua se pondo em Ponce de Leon Bay


http://cardumebrasil.blogspot.com/2011/04/dois-brasileiros-no-everglades-parte-04.html

sábado, 16 de abril de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Dia 3 - Shark Island


Depois de 3 horas remando sem parar, paradinha em Shark Island River pra almoçar e um breve descanso antes de encarar mais 2 horas na baía de Ponce de Leon.




sábado, 9 de abril de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Parte 02 - East Cape x North West Cape

DIA 2 - 14/02/2011 – East Cape

A barraca realmente é pequena ( a minha que era maior, ficou no Brasil em nome do menor peso e espaço ocupado na canoa), mas cabe perfeitamente 2 marmanjos, em posição de múmia, cada um em seu saco de dormir, devidamente embalsamado. Dormi cedo e muito bem, sem sentir frio nem calor.

Saí da barraca, já com o sol nascido, e muito curioso para saber como estava tudo. A noite havia acordado subitamente algumas vezes para saber se os quatis (racoons) ou ratos estavam nos visitando, mas não cheguei em momento algum de fato a escutá-los. Pelo menos os barulhos que escutava creditava ao mar, ondas, vento e sequer me dei ao trabalho de me desempacotar e sair da barraca para averiguar.

Logo cedo, mas já com o sol acima do horizonte, saí da barraca e vi várias pegadas de racoon sob os nossos containers, que graças a suas presilhas que travam as tampas, continuavam intactos. O mesmo não ocorreu com o lixo que havíamos pendurado em um alto galho enterrado nem nos talheres, pratos e panelas enterradas na areia.

Foto: Pegadas de racoons que desenterraram os talheres e lixo de nosso acampamento.

Tudo fora da barraca além do “confere” do quati está tudo muito úmido, coisa que o sol em menos de 2 horas dará conta de secar, tempo enquanto preparamos o café e preparamos a canoa com todas as nossas tralhas pra encarar o segundo dia de mar, rumo ao nosso segundo ponto: NorthWest Cape a cerca de 9 milhas daqui.


Foto: Tudo pronto, partiu?

LEMBRANÇAS DO DIA 02 – 14/02/11 - EAST CAPE X NWCAPE

Acordamos em East Cape não muito cedo (9h), demoramos 3h para desfazer o acampamanento, arrumar tudo e tomarmos o café e às 12:10 saímos a NWCape. Antes nosso lixo conseguimos deixar com um grupo que estavam acampados a duas centenas de metros de nosso acampamento, onde dois casais e filhos  voltariam hoje a civilização com suas lanchas motorizadas e nos fizeram esta gentileza, reduzindo em 1kg nossa carga pro resto da viagem.


Foto: Pelicano e Middle Cape a vista!

Após 1:10 h de remada já estávamos em Middle Cape e no caminho acordamos uma tartaruga cabeçuda que estava boiada dormindo tranqüila. Depois de alguns segundos de muitas fotos e a canoa quase encostada nela, ela se tocou que tinha companhia, levando um susto e mergulhando verticalmente para nunca mais.


Foto: Sorria Caretta caretta!

A remada foi tranqüila com ventos e corrente a favor. Ficamos um tempo em Middle Cape, passeando por sua praia, vendo a vegetação, conchas e fauna local, mas nem chegamos a almoçar, pois o café da manhã ainda estava mantendo a disposição da tripulação e não esperávamos que faríamos tão rápido este trecho que a fome não chegou ainda.


Foto: Middle Cape

Voltamos a remar e de Middle Cape até o canal foi incrível, com vento, corrente forte e ondas a nosso favor, não tivemos nenhum trabalho em remar, apenas controlar a direção da canoa e em 25minutos já estávamos em um belíssimo banco de areia próximo  asaída do canal onde ficamos mais de 1 hora apreciando o local, sua água rasa, conchas e pássaros. 



 Foto: Parada mágica no Banco de Areia


Dali até NWCape mais 1:20h de remada um pouco mais complicada, contra as ondas e vento, mas nada demais, porém que serviu para ficarmos espertos e pensar no que pode estar por vir e a remada de amanhã terá um percurso maior.


Chegando em NWCape fomos recepcionados por uma mulher que sozinha estava acampada junto a sua canoa a vela. A praia de NW Cape é linda e enorme. Chegamos bem antes do pôr-do-sol e ficamos de espectador, felizes e de moral alta vendo um grupo de golfinhos cruzando a extensão da praia, com alguns saltos junto ao sol que cada vez se aproximava do horizonte. Enquanto isso era o segundo dia de banho com água do mar, roupas secas e montagem de acampamento.



A praia tinha muita madeira seca. Aproveitamos e fizemos uma grande fogueira e um churrasco com milho e batata, além em claro da carne e lingüiças que restaram de ontem. Comemos e bebemos muito! Noite clara, ficamos acordados até tarde aproveitando a noite e temperatura agradável e antes de dormir preparamos tudo, com mais experiência, para que o quati não levasse nada, pois ao chegarmos a tarde na praia o que mais vimos além de madeiras eram pegadas deste nosso amigo invisível.


Foto: Fogueira enquanto podemos

No meio da noite acordei para checar tudo e tentar enfim conhecer este nosso discreto amigo e nada dele aparecer. Mas valeu interromper o sono pois tive o privilégio de acompanhar um pôr-da-lua incrível e na sequencia uma noite super escura onde a quantidade de estrelas era inimaginável.


Foto: Golfinhos saindo da enseada em NW Cape

Acordei bem cedo, sem vento algum, mar parecendo uma piscina e o grupo de golfinhos retornando em sentido contrário ao visto no final de tarde, saindo da enseada e buscando o Norte, mesmo rumo que o nosso!


sábado, 2 de abril de 2011

Dois Brasileiros no Everglades: Parte 01 - Flamingo x East Cape


A partir deste sábado vou, enfim, relatar a incrível experiência vivida por mim e meu amigo Gustavo “Fino” que durou 9 dias e 8 noites atravessando o Everglades National Park numa canoa a remo. A cada sábado postarei o relato de um dia de jornada.

Mapa Everglades National Park

Bom, não vou começar o relato da jornada falando dos preparativos.

Idealizamos a viagem, sonhando com ela a muito tempo, pois o camarada Gustavo Fino, que morou por longos anos na Florida, estudando na Universidade de Miami, já havia remado algumas vezes no Everglades, mas no máximo 6 dias e nossa vontade era cruzar o parque, em 9 dias, algo em torno de 99 milhas! Bom demais!

Melhor seria se estivesse em forma, remando regularmente como fazia até meados de 2008, mas agora já era! Tivemos resposta do empréstimo da Canoa do Sr. Harrison “The Captain”, na semana anterior a viagem compramos as passagens na terça, viajamos na quinta e no domingo cedo estamos indo de Miami até Flamingo para iniciar a jornada.

Graças a hospitalidade da Sra. Marta Harrison e dos empréstimos da canoa, remos e alguns utensílios do Sr. Chris Harrison, além é claro de seus sábios conselhos de quem rema nada menos que 40 anos no parque estamos aqui hoje, dia 13 de fevereiro de 2011 para realizarmos nosso sonho.

Temos que agradecer também a remadora Goshka, pois sem ela o carro que alugamos não voltaria a Miami.

Abaixo o relato realizado durante a travessia, anotados ao termino de cada dia num caderninho de viagem ou no início do outro dia.

DIA 01 – 13/02/2011 – TRECHO: FLAMINGO até EAST CAPE (10 milhas)

Final do 1º dia. A lua está tão clara que estou escrevendo apenas a luz dela. O dia foi incrível e agora estamos em East Cape, a menos de 5 metros da água, com nossa canoa na areia, mantimentos e tudo o mais. Acabamos de comer um churrasco com uma grelha improvisada e madeira seca do local, nos pontos de campings na praia são permitidos fazer fogueiras, desde que na linha entre marés.

Chegamos aqui às 17:20 depois de fazermos 10 milhas em quase 4 horas, a nosso ver excelente tempo e ótima remada que ainda tiveram ventos e correntes ao nosso favor. Valeu pelo primeiro dia, vimos um pôr do sol maravilhoso e uma tartaruga cabeçuda gigantesca a poucos metros da praia. Como estou escrevendo de trás para frente, amanhã continuo e lerei o que escrevo aqui, para ver se entendo,  pois tem luz mais é da lua! E complemento o que faltou contar se é que dá para contar tanta coisa incrível passada em um só dia, o primeiro dia! E amanhã deverá ser outro dia único.


LEMBRANÇAS DO DIA 0 – 12/02/2011 – SÁBADO - MIAMI


Meu aniversário! 35 anos!



Muita correria para comprar o que faltava.



Fizemos dois almoços.



Compramos os mantimentos apenas na noite e com pressa, pois tínhamos ainda que conversar com o Captain Harrison às 22:30.

Arrumação das coisas varou a madrugada e tive dificuldades em resumir minha bagagem em 1 container (compramos 4 containers, 1 para cada remador e 2 para os mantimentos). Já às 3h da madrugada fomos dormir um pouco para acordar às 6h e colocar a canoa, os 4 containers, 2 cadeiras de praia, 16 galões de água, barraca, lonas, caixa com 12 garrafas de vinho, remos, baldes, cabos, material de pesca....


Foto: Mantimentos para 9 ou 18 dias? Detalhe para o cuidado de retirar os alimentos das caixas e embalagens para carregar menos peso e lixo ao longo da jornada.

LEMBRANÇAS DO DIA 1 – 13/02/2011 – DOMINGO – MIAMI X FLAMINGO X EAST CAPE


Acordamos cansados, mas ansiosos.



Arrumação do carro e colocação da canoa levou 1 hora, pois ainda discutimos a melhor maneira de dispor os containers e demais tralhas na canoa  e forma que desse melhor estabilidade (mais peso no meio) e distribuísse bem o peso entre os bordos da canoa.


Foto: Testando a melhor forma de disposição dos conteiners na canoa.

Foto: Tudo no carro, thanks Captain Harrison! Bora buscar a motorista.

Oito em ponto estávamos pegando a Goshka em sua casa conforme o combinado, ela tinha compromisso em Miami e por isso tinha pressa de voltar.
Ainda tivemos que ir ao mercado para comprar o restante das coisas, como o grill portatil, pois segundo o Fino, um churrasco na praia depois de um dia de remada é um luxo somente possível nos primeiros dias.

Apenas no caminho entre Miami e Flamingo paramos para tomar um café com sanduiche.
Chegamos a Flamingo por volta das 11h, O Fino foi logo ao Ponto  e Controle para marcar os pontos que iríamos pernoitar, enquanto eu e Goshka começamos a descarregar o carro e colocar tudo no deck, a começar por botar a canoa na água, seja bem vinda ao Everglades!

Foto: Dock em Flamingo, canoa na água!

Foto: Tudo no pier, é arrumar e partir. Obrigado Goshka!

Tudo pronto! Permissão concedida, chegou a hora!

Foto: Everglades National Park Wilderness Permit - locais de dormida já estabelecidos, não podemos falhar!

Levamos nada menos que 2h para arrumar tudo, amarrar e enfim começar a remada!

Foto: Equipe "Tonsegui" (Juca, 2011) pronta. "Tonseguimos!"

Simplesmente nunca havíamos remado os dois apenas e neste tipo de canoa. 

Alguns ajustes mas nada muito sério ao longo dos primeiros dias.

Logo na saída de Flamingo uma revoada de centenas de pequenas aves marinhas nos deram as boas vindas. Momento guardado na cabeça, pois não paramos para tirar fotos, queríamos remar!


Área muito rasa e com muita planta aquática que nos fez desistir da ideia de passar por entre a ilha (Bradley Key) e a costa.


Foto: Enfim remando! "Até um pé nas costas nos empurra pra frente."

Cruzamos um grupo de caiaques que fizeram East Cape até Flamingo em 5 horas.
De Flamingo (Visitor Center) até uma praia milhas depois fizemos 1:30h o que nos deixou muito confiantes, pois se aquela praia era mesmo Clubhouse havíamos feito 7 milhas e faltava apenas 3 para East Cape!

Foto: Clubhouse ou perto de.

Realmente até aquele momento o vento e as ondas estavam a nosso favor e nos ajudavam muito, mas ao retornar ao remo depois de almoçar na praia (água, banana, uva e uma barra de cereal pra cada).

Foto: Clubhouse

Vimos 1 hora depois de uma remada puxada com maré contra nos jogando para fora da costa que apenas ali, 1 hora depois era Clubhouse. Portanto 2:30 de remada para 7 milhas, então faltam ainda 1/3 ou cerca de 3 milhas. 
Na praia, procurando conchas e bichos deparamos com um dente de crocodilo!!!

Foto: Dente de crocodilo, eles existem!

Nesta hora a remada já não estava tão fácil, mas o vento insistia em nos ajudar e com ele a ondulação.

Foto: Rumo a East Cape

Depois de sair às 13h de Flamingo e parar por 30min para almoçar, às 17:20 estávamos desembarcando em East Cape, 1 hora antes do primeiro por-do-sol espetacular.

Foto: East Cape Camping Site, fim do dia 1

Ficamos ali contemplando o visual, tomando o banho do dia com água salgada, o sol foi a lua ainda não havia chegado e tava tudo bagunçado! Não conseguíamos achar nada e a presença de mosquitos não ajudou muito. A luz tinha ido embora e tínhamos que improvisar uma grelha para fazer o tão esperado churrasco, pois compramos o suporte de grill errado, 3! Mas usamos um deles e trançamos com o fio de arame que levamos de modo que pudesse sustentar a carne e as lingüiças. Cavamos um buraco na areia e com madeira seca fizemos uma fogueira que depois virou um braseiro para assarmos a skirt steak (fraldinha) e as sausages bem apimentadas, pão de alho, pimentão recheado com queijo mussarela e uma garrafa de vinho tinto Pinot Noir.

Foto: Jantar número 1, churrasco!

Bom, mas estávamos cansados até para beber, mas ainda tínhamos muito o que arrumar, inclusive a barraca! Mas antes disso era necessário guardar toda a comida dentro dos containers para o nosso amigo quati (racoon) ou até mesmo ratos não pegarem. Fino havia sido avisado pelos guardas que até as garrafas de água os animais estavam furando, por isso, resolvemos não arriscar e embrulhamos as 16 garrafas com uma lona.

Com preguiça e sem vontade de se molhar com a água do mar, enterramos os talheres e pratos na areia. O lixo acondicionamos tudo em um saco plástico que penduramos em um grande galho que fincamos na areia.



A noita estava estrelada, sem nuvens e a lua já iluminava tudo. Mas estava frio, muito úmidopois o sereno era muito forte, só conseguiria dormir, mesmo que cansado, dentro da barraca, como cobertor, o pequeno mas ótimo colchão inflável e saco de dormir, e foi isso que aconteceu.

Poderia aqui ter recordado o final de tarde improvisado às pressas uma grelha, ao mesmo tempo em que estava faminto e era devorado pelos mosquitos invisíveis (maruins, borrachudos, etc), mas prefiro lembrar das coisas boas.


Aliás de vez em quanqo lembro das pessoas queridas que devem estar pensando em mim nesse momento, talvez preocupadas pois a previsão era de noite bem gelada (diziam até 0 graus!), por conta de uma frente fria que por sorte havia acabado de ir embora. E para elas, telepaticamente, mando sempre notícias imediatas que está tudo ótimo e será assim durante toda a jornada!




Abaixo a distância e a rota percorrida no Dia 1, distância total 12 milhas, ou seja mais do que estava indicado no mapa que tinhamos.





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