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terça-feira, 5 de maio de 2020

Covid-19: O confinamento fez silêncio nos oceanos e isso é “uma oportunidade única”

A pandemia, o isolamento social e o bloqueio implementado em todo o mundo permitiram uma mudança positiva a nível ambiental. O ar está mais limpo, já não existe tanto ruído, as fábricas pararam e os transportes também. Tal como em terra, no mar, o ambiente também mudou: instalou-se um silêncio. O ruído dos navios e dos outros transportes já não se faz ouvir e a fauna marítima está mais calma.



Os observatórios aquáticos, que recolhem dados sobre o aspeto físico, químico, biológico e geológico dos oceanos, oferecendo recursos científicos e técnicos que permitem que os investigadores recebam dados em qualquer lugar do mundo, administrados pela Ocean Networks Canada, localizados perto de Vancouver, no Canadá, recebem os sinais sonoros subaquáticos em tempo real. O oceanógrafo e professor David Barclay, da Universidade Dalhousie, no Canadá, e os seus colegas, analisaram as gravações subaquáticas em dois locais perto do porto, encontrando uma diminuição significativa no ruído dos navios. “Normalmente, sabemos que o ruído subaquático afeta os mamíferos marinhos”, explica o oceanógrafo.

Num dos sítios onde se recolheram as ondas sonoras, Barclay confirma que o bloqueio teve influência no ruído do mar. “Houve uma queda consistente no ruído desde o primeiro dia de janeiro, o que representou uma alteração de quatro ou cinco decibéis no período até ao dia 1 de abril”. Durante este período de tempo, os dados do porto mostraram uma queda de cerca de 20% nas exportações e importações.

Enquanto isso, no segundo local, localizado em águas mais profundas, a cerca de 3 000 metros de profundidade e a 60 quilómetros das rotas marítimas mais próximas, os níveis de ruído diminuíram cerca de 1,5 decibéis. “Isto dá-nos uma ideia da escala a que esta redução no ruído pode ser observada”, disse o professor Barclay ao The Guardian.

A redução da presença dos navios no oceano torna possível descobrir quais os efeitos que este período pode ter na vida marinha. Barclay compara esta época com uma “experiência humana gigante”.

“Estamos perante um momento de verdade”, resume, ao The Guardian, Michelle Fournet, investigadora em acústica marinha na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, que estuda baleias jubarte no Alasca. “Temos a oportunidade de ouvir e esta oportunidade não aparecerá novamente nas nossas vidas”.

A última vez que os oceanos estiveram tão silenciosos foi no seguimento dos atentados do 11 de setembro, quando houve uma diminuição nos movimentos dos navios e dos aviões. Nesta altura, os cientistas puderam concluir que o ruído dos navios está intimamente ligado com o stress crónico das baleias. ” [Atualmente] temos uma geração de jubarte que nunca conheceram um oceano calmo”, confirma a investigadora Fournet.

O final de abril costumava ser a época de maior movimento de navios cruzeiro, no porto de Vancouver, mas a pandemia da Covid-19 impediu esta afluência.

“O que sabemos sobre as baleias no sudeste do Alasca é que, quando fica barulhento e os barcos passam por elas, elas ‘chamam’ menos” disse Fournet. “Espero que o que possamos ver seja uma oportunidade para as baleias terem mais conversas e mais complexas.”

Na Europa, também existem especialistas a tentar descobrir qual o impacto que este bloqueio está a ter nos oceanos. Nathan Merchant, especialista em bioacústica no Centro de Ciências do Ambiente, Pescas e Aquacultura do governo do Reino Unido (Cefas) disse: “Estamos à espera para ver o que nossos registos dizem”. O Cefas tem aparelhos para detetar ruído em quatro locais: dois no Mar do Norte, um em Plymouth e outro perto de Bangor. “Veremos como o coronavírus está a afetar o ruído subaquático em toda a Europa. Portanto, este trabalho fora do Canadá será o primeiro de muitos”, disse ele. “Temos esta experiência natural em andamento. É claro que é uma crise terrível, mas é melhor analisarmos os dados para descobrir que efeito está a ter”.

Fonte: SAPO
Imagem: Mauricio Düppré

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Japão retoma oficialmente caça comercial das baleias


O Japão anunciou nesta quarta-feira (26) sua retirada da Comissão Baleeira Internacional (CBI) com o objetivo de retomar a caça comercial em julho, desafiando os defensores dos cetáceos, 30 anos depois de ter encerrado esta prática – ao menos oficialmente.

Na realidade, o Japão nunca interrompeu completamente a caça às baleias, utilizando um cláusula da moratória de 1986 que autoriza a captura destes animais para pesquisa.

Agora, retomará a caça publicamente com fins comerciais, como já fazem Islândia e Noruega.

As críticas não demoraram a chegar: o governo australiano afirmou que está “extremamente decepcionado” e pediu ao Japão que reconsidere sua posição.

O ministro neozelandês das Relações Exteriores, Winston Peters, enviou uma mensagem similar a Tóquio e criticou uma “prática antiquada e inútil”.

O Japão não vai caçar em “águas da Antártica, ou no hemisfério Sul”, alegou Yoshihide Suga, representante do governo para o tema.

“A caça estará limitada às águas territoriais e à zona econômica exclusiva do Japão, de acordo com as cotas de capturas calculadas segundo o método da CBI para não esgotar os recursos”, disse.

O governo prevê que a saída da CBI se torne efetiva no dia 30 de junho.

– “O caminho a seguir” –

Suga justificou a decisão pela “ausência de concessões por parte dos países unicamente comprometidos com a proteção das baleias, apesar dos elementos científicos que confirmam a abundância de certas espécies de baleias”.

Uma divergência evidente foi registrada na última reunião da CBI, em setembro, recordou o representante do governo.

Na ocasião, a entidade rejeitou o texto apresentado pelo Japão, com o título “O caminho a seguir”.

A ideia de Tóquio era aplicar uma via dupla dentro da CBI, uma organização com 89 países-membros, para incluir a preservação e a caça comercial das baleias. Esta última teria sido administrada por um “comitê sustentável de caça às baleias”.

A proposta teria acabado com a moratória imposta a esta atividade em 1986, da qual o Japão é signatário.

Os países defensores das baleias, com Austrália, União Europeia e Estados Unidos à frente, rejeitaram o texto nipônico, com 41 votos contra 27, o que levou o Japão a abandonar a CBI.

Fonte: ISTO É

Imagem: 



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Brasil retira baleia-jubarte da lista de espécies ameaçadas de extinção


O Brasil tirou a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) da lista de espécies ameaçadas de extinção graças ao aumento da população desses animais no litoral do país, onde cruzam e geram novos filhotes.
A espécie foi reclassificada para "quase ameaçada", status que demanda a continuidade de trabalhos de conservação. A informação será divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Ministério do Meio Ambiente.

Segundo o MMA e o Instituto Baleia Jubarte, há quase três décadas existiam entre 500 e 800 animais vivendo apenas na região de Abrolhos, no sul da Bahia – principal concentração dessas baleias. Em 2011, quando foi realizada a última contagem aérea, foram avistados 14 mil animais. Até o próximo censo, previsto para este ano, o número pode saltar para 20 mil.

No país, elas são encontradas na costa do Espírito Santo e Bahia entre julho e novembro, onde permanecem para procriação. De dezembro até junho, seguem para a Antártica, onde se alimentam de krill (invertebrados parecidos com o camarão).

Impacto humano
Com exemplares que podem medir até 16 metros de comprimento e pesar mais de 40 toneladas, as jubartes foram, por muito tempo, alvo da pesca predatória no Brasil.

Sérgio Cipolotti, biólogo e coordenador ambiental do Instituto Baleia Jubarte, explica que o declínio de espécimes começou em meados do século 17, quando eles eram caçados para extração de óleo, usado para abastecer candeeiros, responsáveis pela iluminação nas cidades, e consumo da carne.

Com a queda populacional das jubartes e de outras baleias em todo o planeta, criou-se a Comissão Internacional Baleeira (CIB), que teve entre seus principais resultados a imposição de uma moratória de caça a partir de 1986.

Ugo Versillo, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), explica que no ano seguinte, em 1987, o Brasil proibiu a caça.

A partir deste momento, foram iniciados trabalhos de conscientização para aumentar o número de exemplares, como a identificação das rotas migratórias, quais eram os perigos que esses animais enfrentavam e outros detalhes importantes para a conservação.

No entanto, segundo Versillo, ainda não há o que comemorar. A reclassificação para o status “quase ameaçada” significa, na visão do técnico do ICMBio, que ainda há perigo.

“Uma das grandes preocupações é a questão da colisão com navios. Como aumentou o número de baleias, pode crescer esse tipo de acidente. Temos que definir estratégias para evitá-los, incluindo o uso de tecnologias”, explica.
Imagem: Fotos & fotos

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Japão confirma fim do programa de pesca de baleias na Antártida

O governo do Japão confirmou nesta sexta-feira (11) que acatará a recente sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que, em março passado, ordenou o país asiático a revogar as permissões de caça de baleias na Antártida por considerar uma atividade ilegal.

O Executivo japonês enviou um escrito a um parlamentar que já havia questionado o cumprimento dessa ordem e cobrado uma decisão definitiva a respeito.

O Japão está "profundamente decepcionado" com a decisão da CIJ, mas "cumprirá com a sentença" como um país que respeita a legalidade, dizia o texto encaminhado ao parlamentar.

Em 2010, a Austrália denunciou o Japão perante o CIJ por considerar que seu "programa de pesquisa científica" no oceano Antártico, na realidade, escondia um programa de pesca com fins comerciais.

Em seu veredicto, divulgado no último dia 31 de março, a CIJ apontou que este programa não era legal porque não se ajustava aos "fins científicos" exigidos pela legislação internacional para poder realizar este tipo de práticas.

No texto enviado ao parlamentar, o governo também disse que estudará a fundo a sentença e estudará futuros passos, o que não descarta a possibilidade de uma possível adequação.

Neste aspecto, o país asiático pode propor no futuro um novo programa científico, cujas características seriam diferentes das atuais, para poder pescar de novo na Antártida.

Nesta semana, o Japão informou que durante a última campanha no oceano Antártico pescou 251 baleias, mais que o dobro do ano anterior (quando pescou seu mínimo histórico). No entanto, devido ao assédio realizado contra os baleeiros japoneses pelo grupo ecologista Sea Shepherd, esse número supõe apenas uma quarta parte do previsto.

O Japão tem vigente outra campanha de captura de baleias com fins científicos no Pacífico Norte e, além disso, segue pescando espécies menores de cetáceos com fins comerciais, inclusive golfinhos, em suas costas judiciais.

Fonte: UOL

sábado, 4 de janeiro de 2014

Cachalotes encalham em praias do Delta do Parnaíba (Piauí e Ceará)

Curiosa onda de encalhe de cachalotes no litoral do Ceará e Piauí, 3 ocorrências em menos de 1 mês!

Antes já havia sido descrito outro encalhe de Cachalote no Município de Paulino Neves a cerca de 100km a Oeste, já no litoral maranhense.

1 de janeiro de 2014 - Cachalote encalha em Barroquinha (CE)



A baleia da espécie Cachalote que encalhou na Praia de Curimãs, no município de Barroquinhas foi retirada ontem pelos órgãos responsáveis. De acordo com a Prefeitura a, a demora de três dias entre a descoberta do animal e a retirada ocorreu por conta do feriado do primeiro dia do ano.

A baleia foi encontrada por pescadores de Bitupitá, praia vizinha a de Curimãs, que acionou a Colônia de Pescadores na madrugada do dia primeiro, a última quarta-feira. De acordo com a chefe de Gabinete, Iolanda Fernandes Gomes, a retirada iniciou por volta do meio dia de ontem, quando a maré começou a baixa. "A Colônia comunicou à Prefeitura e esta acionou os demais órgãos de conservação ambiental. Porém, com o feriado, ouve uma dificuldade de comunicação, mas todos os órgãos já foram até o local e realizaram os procedimentos necessários".

Iolanda explica que a praia faz parte da Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, tendo sido avisados o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade local, além de Ibama, Companhia do Portos e outros órgãos de proteção. Com mais de 16 metros, o animal foi classificado como adulto. "A técnica usada para remoção na realidade foi enterrar o animal, o que evitará uma possível transmissão de doenças durante a decomposição", destaca.

O cachalote ou cacharréu é o maior dos cetáceos com dentes, bem como o maior animal com dentes atualmente existente. Mede até 18 metros de comprimento.

Essa não é a primeira vez que uma baleia encalha no município. Em agosto de 2009, uma baleia Jubarte de mais de 15 metros e 30 toneladas encalhou e morreu em Bitupitá.

Ela apresentava cortes profundos, apontados como principal causa do óbito. A espécie que está em extinção procura entre julho e novembro águas quentes e pouco profundas para acasalamento. A carcaça do animal foi enterrada e desenterrada posteriormente para evitar que as pessoas mexessem no local, que é de ampla movimentação.

"Em 2010, também houve outra baleia encalhada no nosso litoral, por isso pescadores e moradores já conhecem o procedimento de alerta aos órgãos competentes", esclarece a chefe de gabinete.

O consumo de mamíferos marinhos é proibida por lei, por isso nenhum morador pôde ter acesso à carne dos animais que poderia estar infectada.


1 de janeiro de 2014 - Cachalote encalha no Piauí


Em Luís Correia, na praia de Arrombado, Litoral do Piauí, foi encontrado por um banhista um filhote de baleia no mesmo dia que a Cachalote encalhou em Barroquinha. O animal foi devolvido ao mar antes da chegada dos biólogos.


9 de dezembro de 2013 - Cachalote encalha na Praia da Pedra do Sal no Parnaíba (PI)



Cachalote-anão (Kogia simus) com cerca de 6,5 metros foi encontrado morto.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Baleias Sardinheiras: vítimas de concorrência desleal


por Fabio Olmos

Com o fim do inverno, águas carregadas com nutrientes penetram sobre a plataforma continental do sudeste do Brasil até bem perto da costa. A combinação de nutrientes com águas claras é tudo que o fitoplâncton quer e essa é uma época em que a cadeia alimentar marinha é turbinada.

Na esteira do fitoplâncton vem o zooplâncton e, atrás deste, diversas espécies de peixes, com destaque para a sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis), encontrada entre o Cabo de São Tomé (RJ) e o Cabo de Santa Marta (SC). Cardumes deste peixe surgem sobre a plataforma continental para se alimentar e desovar. Como outros peixes de seu grupo, sardinhas vivem pouco (2-3 anos) e são muito férteis, o que é bom, considerando que são a presa principal de um grande número de predadores, de atuns e tubarões a golfinhos e atobás.




Talvez o mais impressionante predador de sardinhas seja a Baleia de Bryde Balaenoptera brydei, um parente menor (chega a 12-15 m) da famosa Baleia Azul. Brydes são uma das espécies menos conhecidas de baleias e, de fato, podem ser mais de uma espécie, já que existem “formas” costeiras e pelágicas com diferenças morfológicas, ecológicas e genéticas. Esse é um mistério ainda sendo estudado.

A Brydes já foi registrada ao longo de praticamente todo o litoral brasileiro mas parecem ser especialmente encontradiças no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ali são frequentes as observações de baleias, incluindo mães com filhotes, alimentando-se de sardinhas e outros peixes do grupo nas proximidades das ilhas costeiras da região, como a Laje de Santos, Alcatrazes e Ilhabela com seus satélites, Búzios e Vitória.

Além do fato de estarem presentes no litoral sudeste durante todo o ano e que comem pequenos peixes e camarões (aviú Acetes americanus), sabemos pouco sobre as Brydes. Entretanto, é evidente que sardinhas são um componente importante de sua dieta, o que causa preocupação pois há uma concorrência desleal entre pescadores e baleias.

Sardinhas já foram extremamente comuns no litoral brasileiro e sustentaram uma indústria que minerou as populações da espécie como se não houvesse amanhã. A velha história da tragédia dos comuns combinada à tradicional irresponsabilidade do setor pesqueiro levaram ao colapso dos estoques de sardinha durante as últimas décadas.

Após um tombo na produção em 1990 e a imposição de defesos e tamanhos mínimos, a produção saltou para 117 mil toneladas em 1997, mas o afrouxamento das regras de defeso e desembarque (cortesia de pressões políticas) levou a novo colapso, com apenas 17 mil toneladas desembarcadas em 2000.

Com a volta dos defesos (baseados em pesquisas e da fiscalização) a população de sardinhas está lentamente se recuperando, embora esse seja um processo frágil em um país onde o Ministério da Pesca não parece interessado em sustentabilidade e o setor pesqueiro prima por explorar populações animais até seu esgotamento.

Junto com a gradual volta das sardinhas, o espetáculo das Brydes junto às ilhas de São Paulo e Rio pode ser apreciado por quem visita a região. Um dia, quem sabe, poderemos ter no litoral paulista-fluminense um turismo organizado de observação de baleias semelhante ao de Santa Catarina.

Proteger as baleias e o estado lamentável dos “recursos pesqueiros” (peixes, crustáceos e moluscos não são considerados fauna no Brasil) são razões suficientes para que a pesca comercial como os sardinheiros e os absurdos arrastos e parelhas que saqueiam a região (com destaque para as de Santa Catarina), fossem banidos de operar no entorno de Ilhabela, Búzios, Vitória, Montão de Trigo e Alcatrazes. Essa não é uma idéia nova e sua aplicação efetiva poderia ser incorporada no manejo da APA Marinha do Litoral Norte, que já inclui boa parte da região. Não seriam apenas as baleias que agradeceriam.

Fonte: O ECO

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Nações fracassam em acordo para proteger mares ao redor da Antártida


Importantes nações não conseguiram chegar a um acordo nesta quinta-feira para a criação de grandes áreas marinhas protegidas na Antártida, dentro de um plano para intensificar a conservação de espécies como baleias e pinguins em torno do continente gelado.

A Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR, na sigla em inglês) concordou, no entanto, com a realização de uma sessão especial na Alemanha em julho de 2013 para tentar romper o impasse depois do encontro de 8 de outubro a 1o de novembro em Hobart, na Austrália.

Ambientalistas criticaram a falta de acordo sobre novas áreas marinhas protegidas no Mar de Ross e no Leste da Antártida, que abriga pinguins, focas, baleias e aves marinhas, bem como estoques valiosos de krill.

"Estamos profundamente desapontados", disse à Reuters Steve Campbell, da Aliança Oceano Antártico, que agrupa organizações de conservação, no final da reunião anual da CCAMLR. Ele contou que a maior resistência veio da Ucrânia, Rússia e China.

Ambientalistas disseram que os Estados Unidos, União Europeia, Austrália e Nova Zelândia estão entre os países que pressionam por um acordo sobre novas zonas protegidas.

Algumas frotas de pesca estão rumando para o sul porque os estoques estão esgotados mais perto de casa e algumas nações se preocupam com o fechamento de grandes áreas dos oceanos. A CCMALR é composta por 24 Estados-Membros e a União Europeia.

"Este ano, a CCAMLR se comportou como uma organização de pesca em vez de uma organização dedicada à conservação das águas da Antártida", disse Farah Obaidullah, do Greenpeace.

Entre as propostas, um plano EUA-Nova Zelândia teria criado uma área protegida de 1,6 milhão de quilômetros quadrados no Mar de Ross -- aproximadamente do tamanho de Irã. E a UE, Austrália e França propuseram uma série de reservas de 1,9 milhão de km² no Leste da Antártida -- maior do que o Alasca.

Fonte: Reuters Brasil

sábado, 1 de setembro de 2012

Argentina - Patagônia abate gaivotas para proteger baleias de ataques em santuário



O governo da província argentina de Chubut, na região da Patagônia, iniciou nesta semana uma operação de abate de gaivotas que estão ferindo e, provavelmente, provocando a morte das baleias no centro turístico da península Valdés, conhecido como local de acasalamento e berçário.
 

Esse problema entre as gaivotas 'picadoras' (que mordem) e as baleias existe há mais de 20 anos, mas agora decidimos enfrentar a situação, que está afastando as baleias daqui", disse à BBC Brasil o secretário de Ambiente e Controle de Desenvolvimento Sustentável, Eduardo Maza. Segundo Maza, haverá um abate seletivo das gaivotas apontadas como possíveis responsáveis pela morte de cerca de 60 baleias nos últimos anos.
Maza afirmou que estudos preliminares indicaram que as baleias morrem pela infecção provocada pelas feridas deixadas por estas aves.
A operação de abate envolve lanchas especiais com atiradores com armas carregadas de balas de ar comprimido e biólogos que vão agir longe da área frequentada pelos turistas.
"Nós vamos passar algumas horas na lancha observando quais gaivotas estão atacando as baleias, e um especialista em tiro de caça as derrubará. Serão eliminadas somente as gaivotas que atacam as baleias", disse o biólogo Marcelo Bertellotti, do Centro Nacional Patagônico, com sede em Puerto Madryn.

Detalhes

A operação deve durar entre 30 e 60 dias, dependendo dos dias hábeis para a navegação. Em uma segunda etapa, as gaivotas abatidas serão analisadas em laboratório, para tentar descobrir por que agem contra as baleias.

"Estamos observando estas ações desde 2005 e vemos que antes as gaivotas atacavam as baleias mortas, mas agora também agem contra as vivas", disse o biólogo.

As primeiras informações, divulgadas pela imprensa local, indicaram que forças policiais agiriam contra as gaivotas, gerando críticas da oposição.

"A polícia deve agir contra a delinquência, e não contra gaivotas", disseram opositores, segundo a imprensa de Chubut.

Autoridades e especialistas de Chubut afirmaram que foram, então, convocados profissionais de tiro ou de caça para o combate aos pássaros – cientificamente chamados de gaivota larus dominicanos e popularmente conhecidas na Argentina e no Uruguai como "gaivota cozinheira".

Maza observou que a operação só deverá continuar se mostrar que foi efetiva contra as gaivotas violentas.
Comportamento

Com medo dos ataques, as baleias estão mudando o comportamento.

"Pela dor provocada pelas feridas, as baleias estão nadando mais rápido, estão passando mais tempo submersas e produzindo saltos de forma mais intensa. Tudo para se proteger das ações das gaivotas 'cozinheiras'", afirmou o ambientalista Alejandro Arías, da ONG Vida Silvestre.


Segundo especialistas, medo de ataques faz baleias mudarem de comportamento

Segundo os especialistas, a baleia já não mostra o dorso inteiro com a mesma frequência de tempos atrás para buscar oxigênio fora da água.

"A ação das gaivotas está provocando uma espécie de estresse nas baleias, que, em vez de estarem cuidando da cria, estão atentas a como se proteger dos ataques", disse Arías.

De acordo com Maza, a decisão de combater as gaivotas foi tomada em um auditório com a participação de autoridades, cientistas, setor de turismo e organizações não-governamentais (ONGs).
O problema é outro

Mas a medida ainda gera ressalvas. A Vida Silvestre entende que a raiz do problema é outro – os lixões e os restos de pesca jogados pelos pescadores ao mar que atraem estas gaivotas.

"A ação contra as gaivotas é superficial, não é a questão de fundo", disse Arias.

Em um comunicado, outra ONG, a Fundação Patagônia Natural, disse que é "a favor da eliminação seletiva (das gaivotas) e dos lixões a céu aberto" que atraem a ave e que "é preciso avaliar a eficiência do projeto piloto" do governo.

Autoridades disseram que o "combate aos lixões e aos restos da pesca" também estão nos planos de ação para proteção do mamífero.

Segundo o jornal El Chubut, "atualmente todas as baleias do local estão com feridas de gaivotas".
Turismo

A península Valdés é conhecida internacionalmente como ponto de concentração da baleia Franca Austral e atrai cerca de 100 mil turistas por ano.


Estudos preliminares indicam que baleias morrem por infecção provocada pelas feridas deixadas pelas aves

Especialistas explicam que a baleia chega ao local entre maio e dezembro para acasalamento e nascimento dos mamíferos.

Entre 50 e 80 baleias nascem todos os anos na reserva natural – uma das maiores do mundo.

No passeio pelo local, alguns guias turísticos costumam contar detalhes do comportamento da baleia – o acasalamento dura apenas alguns minutos e a baleia dá "maior prioridade" à cria do que à relação "de casal".

No passado, a baleia franca foi cassada quase até a extinção, recordou o biólogo argentino. Agora, está protegida por leis internacionais e em fase de multiplicação no mundo.

Na Argentina, é também considerada "monumento nacional" e podem chegar a ser milhares a visitar a península Valdés durante o ano todo.

Fonte: BBC Brasil

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