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domingo, 21 de abril de 2019
sexta-feira, 15 de março de 2019
Campanha para reconstruir reserva ambiental em Icapuí aposta na solidariedade
A sede da Estação Ambiental Mangue Pequeno, na praia de Requenguela, em Icapuí, no litoral cearense, precisa ser reconstruída das cinzas. Alvo da onda de ataques das facções no Ceará, o centro coletivo de educação diferenciada foi incendiado no mês passado. O fogaréu derreteu uma memória arquivada de mais de 10 anos de trabalho, desapareceu com 16 computadores, silenciou 15 flautas e 20 violões, ardeu documentos, três câmeras fotográficas, material científico, móveis, livros...
Agora, passado o luto da perda, a Fundação Brasil Cidadão está à procura de parcerias para refazer o espaço destruído. Pessoas, empresas ou grupos interessados em aprender também com o fogo e rebrotar.
Zenilde Pereira, 30, pedagoga da Estação Ambiental, conta que o prédio era roteiro para turistas, cientistas e ponto de encontro para atividades de educação ambiental para crianças e adolescentes. Filhos das 50 famílias da praia da Requenguela que vão transformando em sustentável a relação com o mangue daquele pedaço do Atlântico.
A própria pedagoga, formada pela Faculdade Vale do Jaguaribe (FVJ) e especializada em Letramento e Alfabetização pela Universidade Maurício de Nassau, é exemplo da efetividade do trabalho na Estação Ambiental. Antes de orientar 16 meninos e meninas no projeto De Olho na Água, da Fundação Brasil Cidadão e Petrobras, foi aprendiz das lições sobre a convivência com o mar da comunidade onde rebentou.
Quando ainda era aluna, Zenilde Pereira perguntou a um ex-coordenador da Estação qual curso deveria escolher para ser instrutora da Fundação. "Pedagogia, me respondeu o Ari (José Arimateia). Aceitei o conselho. Acabei refazendo o caminho de volta para compartilhar o que recebi aqui", lembra.
Ao lado da sede da Estação, um ninhal de garças, por sorte, não foi atingido pelo fogo. As labaredas derreteram a caixa d'água e paralisaram um catavento. Porém, comemora Zenilde, não destruíram o meliponário das abelhas jandaíras nem os dois viveiros de mudas para reflorestamento do mangue e das ruas da colônia de pescadores, comerciantes e carpinteiros de embarcações.
Uma das atividades de campo das crianças e adolescentes no ecossistema manguezal, sempre acompanhados por educadores ambientais, é colher sementes de mangue preto, vermelho, branco para replantar áreas degradadas pelo homem.
No viveiro da flora marinha há um berçário tomado por saquinhos pretos de terra fecundada. As plantas são monitoradas por 4 meses e, depois, levadas pelos estudantes para o replantio na maré seca. Por ano, a meta é produzir 10 mil pés de mangue. "Em uma década de educação ambiental, recuperamos 9 hectares de acordo com relatórios enviados à Petrobras. A empresa financia o projeto De Olho na Água", explica a pedagoga.
O incêndio atrapalhou o trabalho da Fundação Brasil Cidadão, mas não interrompeu as ações. Bosco Carbogim, presidente da instituição e ambientalista desde os anos 80, conseguiu do governo do Ceará a promessa de apoio para a reconstrução da sede da Estação. São R$ 400 mil para reerguer o equipamento.
Enquanto isso não vira realidade, as aulas com crianças e adolescente e a conversa com turistas e pesquisadores passaram para a ser ministradas em tendas cedidas pelo Estado.
Carbogim Também enviou para a Petrobras um relatório sobre a ação criminosa e um pedido de recurso para auxiliar na reconstrução de uma nova sede. A estatal, explica o presidente da Fundação, é patrocinadora de várias iniciativas em Icapuí.
Graças à Petrobras foi possível construir, em 2009, a Estação Ambiental e a Passarela do manguezal. Uma ponte de madeira de 240 metros que atravessa parte do mangue até o mar de Requenguela.
Paralelo aos pedidos, a Fundação lançou uma campanha de financiamento coletivo. Quem quiser fazer doações pode acessar o benfeitoria.com/estacaoambiental.
Agora, passado o luto da perda, a Fundação Brasil Cidadão está à procura de parcerias para refazer o espaço destruído. Pessoas, empresas ou grupos interessados em aprender também com o fogo e rebrotar.
Zenilde Pereira, 30, pedagoga da Estação Ambiental, conta que o prédio era roteiro para turistas, cientistas e ponto de encontro para atividades de educação ambiental para crianças e adolescentes. Filhos das 50 famílias da praia da Requenguela que vão transformando em sustentável a relação com o mangue daquele pedaço do Atlântico.
A própria pedagoga, formada pela Faculdade Vale do Jaguaribe (FVJ) e especializada em Letramento e Alfabetização pela Universidade Maurício de Nassau, é exemplo da efetividade do trabalho na Estação Ambiental. Antes de orientar 16 meninos e meninas no projeto De Olho na Água, da Fundação Brasil Cidadão e Petrobras, foi aprendiz das lições sobre a convivência com o mar da comunidade onde rebentou.
Quando ainda era aluna, Zenilde Pereira perguntou a um ex-coordenador da Estação qual curso deveria escolher para ser instrutora da Fundação. "Pedagogia, me respondeu o Ari (José Arimateia). Aceitei o conselho. Acabei refazendo o caminho de volta para compartilhar o que recebi aqui", lembra.
Ao lado da sede da Estação, um ninhal de garças, por sorte, não foi atingido pelo fogo. As labaredas derreteram a caixa d'água e paralisaram um catavento. Porém, comemora Zenilde, não destruíram o meliponário das abelhas jandaíras nem os dois viveiros de mudas para reflorestamento do mangue e das ruas da colônia de pescadores, comerciantes e carpinteiros de embarcações.
Uma das atividades de campo das crianças e adolescentes no ecossistema manguezal, sempre acompanhados por educadores ambientais, é colher sementes de mangue preto, vermelho, branco para replantar áreas degradadas pelo homem.
No viveiro da flora marinha há um berçário tomado por saquinhos pretos de terra fecundada. As plantas são monitoradas por 4 meses e, depois, levadas pelos estudantes para o replantio na maré seca. Por ano, a meta é produzir 10 mil pés de mangue. "Em uma década de educação ambiental, recuperamos 9 hectares de acordo com relatórios enviados à Petrobras. A empresa financia o projeto De Olho na Água", explica a pedagoga.
O incêndio atrapalhou o trabalho da Fundação Brasil Cidadão, mas não interrompeu as ações. Bosco Carbogim, presidente da instituição e ambientalista desde os anos 80, conseguiu do governo do Ceará a promessa de apoio para a reconstrução da sede da Estação. São R$ 400 mil para reerguer o equipamento.
Enquanto isso não vira realidade, as aulas com crianças e adolescente e a conversa com turistas e pesquisadores passaram para a ser ministradas em tendas cedidas pelo Estado.
Carbogim Também enviou para a Petrobras um relatório sobre a ação criminosa e um pedido de recurso para auxiliar na reconstrução de uma nova sede. A estatal, explica o presidente da Fundação, é patrocinadora de várias iniciativas em Icapuí.
Graças à Petrobras foi possível construir, em 2009, a Estação Ambiental e a Passarela do manguezal. Uma ponte de madeira de 240 metros que atravessa parte do mangue até o mar de Requenguela.
Paralelo aos pedidos, a Fundação lançou uma campanha de financiamento coletivo. Quem quiser fazer doações pode acessar o benfeitoria.com/estacaoambiental.
Fonte: O Povo
Imagem: Mauricio Duppre (Mar/2019)
quinta-feira, 2 de junho de 2011
CE - Clima tenso na volta da pesca da lagosta
Icapuí Hoje (01/06) é um dia de voltar à rotina: madrugar no mar, mergulhar manzuá e esperar que dali venham lagostas bem graúdas, porque por seis meses elas se reproduziram e ontem acabou o período do defeso. Hoje o dia seria tranquilo se o mais provável é que não se encontre lagosta como em outros anos, porque a pesca predatória tratou de trabalhar mesmo no período proibido. Pescadores artesanais de Icapuí denunciam que alguns grupos que usam equipamentos ilegais pescaram durante o defeso. Na semana passada teriam levado cerca de 12 toneladas do crustáceo para Recife. O Ibama apreendeu 450 quilos nos seis meses dado para reprodução. Além disso, centenas de barcos navegam hoje no mar sem licenciamento. A volta ao mar também é a retomada de infelizes capítulos no mar cearense: a guerra da lagosta.
Os pescadores de Icapuí vão embarcar bem receosos, mas não deveriam. Ir para o mar, passados seis meses do defeso da lagosta, é encontrar-se com a tradicional extensão de casa. É no mar que passarão o dia inteiro, hábito de gerações de pescadores. "Mas se a gente voltar pra casa quase de mãos abanando porque os viveiros naturais de lagosta foram invadidos pelos mergulhadores, a coisa não vai prestar", diz um pescador da Praia de Redonda, em Icapuí.
Rivalidade
O período de defeso também foi de cessar-fogo entre os rivais do mar, mas é com a volta desse clima de apreensão entre as partes que se inicia mais um capítulo dessa guerra no mar. No episódio anterior, a lagosta era prestigiada e apreciada num evento gastronômico dedicado a ela. No Festival da Lagosta, em novembro de 2010, a reafirmação do óbvio para quem vive naquelas bandas do litoral: esse crustáceo que alimenta o mundo nos restaurantes é o que alimenta milhares de famílias que vivem da pesca. E a captura predatória, que segue ininterrupta apesar da fiscalização, tem sido o principal fator de escassez logo no Estado que é o maior exportador e produtor brasileiro da lagosta.
Prova de que existiu a pesca no período do defeso é que o Ibama flagrou nove barcos desobedientes e recolheu 450 quilos de lagosta, principalmente do Litoral Oeste - Camocim, Acaraú, Itarema e Mundaú. Mas a batalha maior acontece no Litoral Leste, notadamente Icapuí.
Embarcações
De aproximadamente 280 embarcações de pesca da lagosta em Icapuí, só 145, aproximadamente, obtiveram a licença para ir ao mar pescar. Mas, segundo os próprios pescadores, não se deve achar que os não-licenciados ficarão de mãos abanando. "São muitas famílias que dependem dessa atividade, muitos pescam corretamente, da forma artesanal, que é sustentável, mas não possuem o documento de marinha, principalmente aqueles com barcos construídos de 2002 pra cá", explica Maurício Valente, da Associação de Monsenhor Diomedes, que reúne os moradores da vila praiana de Redonda, em Icapuí.
Ele denuncia que, durante todo o defeso, pescadores "predadores" continuaram pescando. Eles utilizam marambaias e mergulham utilizando compressores, proibidos por Lei. São também esses equipamentos, muito utilizados porque aumentam em até 20 vezes o volume de pescado, os principais responsáveis pela escassez da lagosta.
Fonte: Diário do Nordeste
Melquíades júnior
Colaborador
MAIS INFORMAÇÕES
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)
Departamento de Fiscalização de Pesca
Telefone: (85) 3272.7370
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